20.03.11 08:49
Crônica: no futebol, quem realmente sabe nunca esquece

Neste sábado, em Reriutaba, Nunes mostou o mesmo faro de gol dos tempos de Flamengo. Foto: Edimar Soares/O POVO
Era apenas um jogo festivo. Em campo, apenas ex-jogadores. A maioria quarentões e cinqüentões, longe da forma física de outros tempos.
Mas mesmo nesses momentos em que as partidas ocorrem em ritmo menos intenso e com certo desinteresse na construção do resultado é possível notar traços que o tempo não apaga.
Desde o lançamento preciso, passando pelo domínio de bola e chegando à noção perfeita de posicionamento na área, Nunes, Andrade, Adílio, Rondinelli e Júlio César Uri Geller continuam lembrando, e muito, o futebol que os consagraram, sobretudo no Flamengo, na época de ouro do clube, na década de 80.
Os cinco estiveram no interior cearense na tarde deste sábado para participar de um amistoso que marcou a reabertura do estádio municipal de Reriutaba, cidade da região Norte do Estado.
Tive a chance de ver tudo de perto, à beira do gramado, enviado especialmente para a cobertura do evento, pelo (jornal) O POVO.
Confirmei aquilo que os vídeos e livros me contaram de cada um.
Júlio César fez jus ao apelido de Uri Geller, ganho por saber “entortar” os adversários como poucos, com seus dribles desconcertantes.
A canhota ainda funciona muito bem. Com ela, sempre tocava a bola com classe e arriscou alguns dribles de ‘elástico’.
Vale lembrar. Júlio César teve passagem de destaque pelo Fortaleza na década de 80. Aqui, foi campeão cearense pelo Tricolor em 1983. Carinhosamente, ainda hoje chama o ex-clube de “meu Leão”.
Nunes, conhecido no rubro-negro como Artilheiro das Decisões, foi o goleador da tarde festiva. Marcou dois gols no empate em 3 a 3 contra a seleção de masters de Reriutaba.
Nos dois lances, aproveitou assistência de Adílio, que jogou como ponta direito e mostrou que continua com a visão de jogo apurada.
Convidado para atuar no time comandado pelos ídolos rubro-negros estava Sérgio Alves, ídolo da história recente do Ceará.

Ao fim do jogo festivo, os cinco craques rubro-negros deram um festival de autógrafos. Este aí foi de Andrade
Formou dupla de ataque com Nunes e marcou um gol, bem ao estilo que lhe deu a fama de “Carrasco”.
Andrade – técnico campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009 – jogou como 1º volante. Sem precisar dar piques de corrida, mostrou muita lucidez no trabalho de contenção no meio de campo. Não errou um passe no jogo (e olha que foi bem acionado).
Já no comando da zaga, Rondinelli. Sempre orientando os companheiros de time e buscando antecipar as bolas que chegavam aos atacantes da equipe adversária. Pelo desempenho no jogo, foi saudado na saída de campo com o coro de “Deus da raça”, apelido que ganhou nos tempos áureos de Flamengo.
Enfim, vendo todos esses ex-jogadores atuarem juntos, repito, mesmo num jogo festivo, serviu para reforçar uma convicção que já tenho no futebol: quem realmente sabe nunca esquece.
Posts Relacionados
29.10.10 14:02
Neste sábado, Diego Armando Maradona completa 50 anos.
E o Grande Jornal de Esportes, da TV O POVO, preparou uma homenagem ao ex-jogador argentino.
Narração: Fernando Graziani
Texto: Bruno Formiga
Edição: Davi Matos
Posts Relacionados
11.07.10 19:07
As duas imagens são parecidas.
E representam o mesmo herói.
Iniesta já foi decisivo outras vezes.
Uma, em especial, marcou o jogador.
Ano passado, em Stamford Bridge, o meio-campista classificou o Barcelona para a final da Champions League.
O gol diante do Chelsea foi nos últimos minutos, assim como o de hoje.
A comemoração foi de puro êxtase, como a de hoje.
Aquele chute foi fundamental para o título.
Como o de hoje…
Posts Relacionados
01.07.10 15:29
Em 1974, Rinus Michels lembrou ao mundo que ainda era possível ser criativo no futebol.
Colocou na vitrine da Copa uma Holanda diferente.
Lá, todos os jogadores faziam tudo. Deixavam confusos os marcadores, trocando passes e posições o tempo inteiro.
Além da tática, havia naquela equipe muito talento, simbolizado principalmente pelo trio Neeskens, Cruijff e Rensenbrink.
O time acabou batizado de “Laranja Mecânica”.
De lá para cá, toda seleção holandesa, em algum momento, recebe o mesmo nome.
Um tremendo equívoco.
Tanto antes como agora.
Aquela Laranja de 1974 não era “mecânica”.
Era “dinâmica”.
26.06.10 16:35
Por Cláudio Neves,
do blog http://futebolarteseafins.blogspot.com/
No jogo contra a Inglaterra, em 1986, Maradona fez bem mais que um gol com a mão. Isso todos sabemos. Fez, minutos depois, aquele que seria considerado o “gol do século” em muitas dessas intermináveis, inevitáveis, porém inócuas eleições.
Como avaliar se uma arrancada é mais ou menos espetacular que um chapéu frontal e um arremate de primeira, como no gol de Pelé na final de 1958, ou ainda o gol de Zidane, emendando de primeira uma bola impossível na final da Champions League de 2002? O fato é que Maradona conduziu a bola com a elegância de sempre, por entre adversários perplexos, impotentes, até deixá-la nas redes.
Diego, contudo, com seu segundo gol, fez mais que selar a sorte do jogo, ou, na visão de alguns, que insistem (quanta bobagem!) em misturar as instâncias do futebol e da política, “vingar” a derrota argentina nas Malvinas. O que ele fez foi, sobretudo, emitir uma mensagem clara aos ingleses e a todos os futuros rivais: não importa o que vocês façam, não conseguirão me deter. E, a partir daquele gol, bastava que dominasse a bola depois do meio-campo para que os adversários (e seus sistemas de marcação) se desarvorassem.
Mas voltemos a 2010. Maradona, agora técnico, tem nas mãos o melhor elenco do Mundial e o (disparado) melhor jogador do planeta. E sabe disso. Disseram já, com alguma razão e o imenso clichê desse tipo de ironia, que o técnico Maradona é um jogador incomparável.
De fato, ser como técnico o que foi como atleta seria impensável. Ele sabe, contudo, que certas mensagens não envelhecem. E, venham do gramado ou do banco de reservas, podem ter o mesmo efeito. Contra a Grécia, ainda não classificado matematicamente, pôs seis reservas, seu time jogou bem e venceu quando quis. Ainda tirou Diego Milito, um dos grandes artilheiros da Europa hoje, para pôr Palermo. O bonachão Palermo, simpático, goleador, mas veterano e longe de ser (e de ter sido) um craque. Colocou-o como homenagem? Talvez. Ou talvez como remate da grande mensagem para os rivais em que se convertera a partida.
“Não importa quem eu escale, não importa o que eu faça de errado ou de certo. Eu, como técnico, não importo. A Argentina tem Messi, um elenco inigualável e não será batida.”
A Argentina será campeã? Isso ninguém pode saber. A partir das oitavas, pega a chave mais difícil, com Alemanha, Inglaterra, Espanha etc. O que se sabe é que a convicção de Maradona vem-se transformando, desde o início da Copa, na convicção da imprensa, dos torcedores e, fundamentalmente, de seu público-alvo – os futuros rivais. E as defesas serão montadas baseadas nessa certeza, e talvez se desarvorem, uma a uma, também em função dela.
11.06.10 07:59
Ansiedade que acaba agora.
O fanático por futebol, acima de paixões ou cores, sabe o que quero dizer.
32 nações batalham na bola.
E o mundo inteiro dá uma pausa na vida.
O motivo? Ninguém sabe.
São 22 homens em campo, como em qualquer outro jogo.
Mas a magia é diferente.
Todos querem ver.
Alienação ou não, os problemas podem esperar mais alguns dias.
Afinal, a Copa vai começar.
E como diria a brilhante campanha dos canais ESPN…
Nada mais importa.
29.03.10 10:37
Aproveito apenas para lembrar um texto do jornalista.
Uma pequena amostra do gênio Armando Nogueira, que morreu na manhã desta segunda-feira.
Pelada de Subúrbio
Nova Iguaçu, quatro horas da tarde, sábado de sol. Dois times suam a alma numa pelada barulhenta; o campo em que correm os dois times abre-se como um clarão de barro vermelho cercado por uma ponte velha, um matagal e uma chácara silenciosa, de muros altos.
A bola, das brancas, é nova e rola como um presente a encher o grande vazio de vidas tão humildes que, formalmente divididas, na verdade, juntam-se para conquistar a liberdade na abstração de uma vitória.
Um chute errado manda a bola, pelos ares, lá nos limites da chácara, de onde é devolvida, sem demora, por um arremesso misterioso. Alguns minutos mais tarde, outra vez a bola foi cair nos terrenos da chácara, de onde voltou lançada com as duas mãos por um velhinho com jeito de caseiro.
Na terceira, a bola ficou por lá; ou melhor, veio mas, cinco minutos depois, embaixo do braço de um homem gordo, cabeludo, vestido numa calça de pijama e nu da cintura para cima. Era o dono da chácara.
A rapaziada, meio assustada, ficou na defensiva, olhando: ele entrou, foi andando para o centro do campo, pôs a bola no chão e, quando os dois times ameaçavam agradecer, com palmas e risos, o gesto do vizinho generoso, o homem tirou da cintura um revólver e disparou seis tiros na bola.
No campo, invadido pela sombra da morte, só ficou a bola, murcha.
(Armando Nogueira)
19.09.09 20:29
Por Ricardo Kelmer
Não lembro exatamente como começou nosso caso. Talvez tenha sido quando meus olhos de criança viram pela primeira vez aquelas camisas entrando em campo. Meu padrinho me levara ao estádio, era decisão de campeonato, a cidade toda no clima do jogo. Aquele estádio imenso, o gramado verdinho, a festa das torcidas, a emoção à flor da pele – eu descobrira um mundo encantado. Infelizmente meu time perdeu mas eu já estava fisgado: voltei para casa com uma tristeza de adulto, a primeira dor de cotovelo. E na alma levava uma coisa nova, uma paixão vibrante, um sentido a mais a me acompanhar na longa e estranha viagem da vida.
Tem gente que morre e não entende uma paixão assim. Mas paixão nunca foi para se entender. Tem quem veja futebol como doença. Mas doença é viver sem paixão. Tem mulher que quando seu homem sai para o estádio, ela se sente trocada por onze marmanjos. Nada a ver, Beth, são coisas incomparáveis, entenda… Felizmente tem mulher que entende. Tem até as que também vivem a sua paixão. Quando é pelo time rival, putz, é um problema: dia de clássico é dia de briga, pode apostar. Mas quando o casal torce pelo mesmo time, ah, que suprema compatibilidade! Sabe lá o que é se vestir junto para ir ao estádio, escutar agarradinho o CD com os gols da campanha vitoriosa, o hino do clube, ver os gols da rodada no motel… Que romântico!
Em nome da paixão a gente faz de um tudo, você sabe, né? Um amigo meu namorava uma garota que detestava futebol. Um dia, cansada de se sentir trocada, ela deu-lhe as contas e foi embora. Meu amigo, desesperado, foi atrás. Ela relutou mas aceitou voltar, com uma condição: ele deveria ser menos fanático por futebol. Sim, claro, meu amor – ele concordou, aliviado. Na semana seguinte ela apareceu com dois ingressos para o teatro. Uma peça bem romântica para comemorar nossa volta – disse ela. Quando ele viu a data, não acreditou. Seria no mesmo dia e hora de um jogão decisivo. E agora, como fazer? O amigo apelou: foi ao teatro mas levou um radinho escondido na calça e acompanhou o jogo pelo fone de ouvido, torcendo e suando loucamente em silêncio, sentadinho, comedido, que tortura. Tudo para satisfazer dois amores geniosos.
- Tá gostando do balé, amor ?
- Claro, meu bem. Impedimento !
- Heim ?
- Impedimento. Nada será impedimento pro nosso amor…
Às vezes essa paixão faz da vida um inferno: time ruim, gols perdidos, derrotas para o maior rival. Terrível! Além da dor, ainda tem que aguentar a gozação. Há quem exagere e até agrida e mate por conta disso. Aí sim é doença. Por outro lado, quando o time está bem, vence todas e é campeão, ah, a vida se transforma num sonho maravilhoso, tudo melhora e até acordar cedo para trabalhar é gostoso, acredite. Nesses momentos somem as dívidas do cartão, desaparecem inquietações existenciais e até os programas evangélicos da madrugada ficam bons de ver.
Como todo romance, tem também as brigas, claro. Às vezes você passa anos distante, desinteressado, magoado. Quer nem ouvir falar. Mas um dia você decide ir ao jogo, é dia de clássico. Manda lavar a velha camisa e liga para os amigos. Chega ao estádio e aos poucos retornam detalhes esquecidos de um antigo ritual: as bandeiras feito estandartes, as batucadas, o grito de guerra, a cervejinha antes de subir, nada mudou. O time entra em campo e você levanta para aplaudir, a torcida rival vaia, o coração aperta, pede mais uma cerveja – a velha magia está de volta. No intervalo desce para o banheiro e discute o pênalti não marcado. Depois é o segundo tempo, o nervosismo crescente, o impedimento escandaloso, o gol que não sai. Lá está você esfregando as mãos, suando, mordendo todas as unhas, torcendo, torcendo e de repente… gooooooooool!!! Pronto, você vira ninguém no turbilhão da alegria. Atira longe o chinelo e beija o vendedor de amendoim. Paga cerveja para todo mundo. Que bonito as bandeiras tremulando, a torcida delirando, vendo a rede balançar…
No dia seguinte, após uma noite sem fim de comemorações, você acorda. Abre o olho e ela está ao seu lado, bem juntinho, linda e sorridente, toda carinhosa, pedindo para ser tocada mais uma vez, a camisa do seu time. Você sorri de volta, beija a camisa, se ajeita sob o lençol e fecha os olhos, buscando novamente aquele sonho gostoso onde o centro-avante dribla dois e toca na saída do goleiro.
Mas não era você quem dizia que vocês dois não tinham mais nada a ver? – prepare-se que alguém vai perguntar. Pois não tente explicar, colega. Paixão antiga é assim mesmo, não tem explicação. Um dia ela reaparece, mais bonita e desejável que nunca, e você se vê na marca do pênalti. Aí só tem um jeito: é tocar com firmeza e correr para o abraço.
11.09.09 17:52
Publicada também em www.trivela.com
Por Bruno Formiga
O gol é o momento áureo do futebol.
É durante os segundos que o antecedem e nos momentos posteriores a ele que o torcedor encontra a razão para a paixão.
A euforia que parece eterna é compartilhada com quem ou o que estiver ao lado, seja amigo, inimigo ou desconhecido.
Naquele instante todos veneram uma mesma bandeira e proclamam a mesma momentânea vitória.
Em Copa do Mundo, o gol parece multiplicar o seu valor. Ecoa para o planeta todo o nome da nação que o marca e coloca no pedestal maior o povo que vibra com ele.
Ao término dos 90 minutos, alguns sorriem e outros choram, mas não existe aquele que não se arrepie com o estufar das redes, seja de decepção ou alegria.
Só que o futebol é tão mágico e democrático que prestigia até o gol que não se concretiza.
Em 1970, Pelé protagonizou dois dos lances mais espetaculares da História das Copas. Contra o Uruguai o drible de corpo enganou até a bola, que, desnorteada, acabou por sair pela linha de fundo. Na partida frente à Tchecoslováquia foi a vez do chute partir do meio campo. Mais uma vez, a desavisada bola teimou em não entrar.
Os “não-gols” de Pelé talvez sejam tão maravilhosos justamente por não terem entrado.
Em 1994, o zagueiro Balboa, dos EUA, completou uma cobrança de escanteio com uma bicicleta quase perfeita. A bola passou a centímetros da trave e o grito de gol a milímetros da garganta.
Por ser genial, esses lances são incompreendidos.
- Ora, por que ser gol e me igualar a outros milhões? – pensa a bola.
- Prefiro sair, deixar o gostinho… – completa.
O “não-gol” é mais eterno que seu irmão, o gol.
É um anti-herói, que cometeu o pecado de não nascer como o seu parente de sangue, mas recebeu a dádiva de ser imortal nas lembranças dos amantes do futebol.
19.07.09 10:56

Não se sabe ao certo onde.
E nem quando.
Muito menos como.
Jogar bola parece ter nascido com o homem.
Sem regras, com regras, em rituais sagrados ou disputas lúdicas, o futebol anda conosco.
O fascínio pelos pés é antigo.
Do brincar, passou a valer.
E muito.
Desperta paixões desesperadas, amores brutos, ódios passageiros e eternos.
São 90 minutos além-terra, em um mundo particular que transforma o mais sábio em um louco vulnerável.
No estádio, no campo de areia, na rua…
Por que?
Porque o futebol é assim.
E hoje é seu dia.
P.S: A escolha da data – 19 de julho como o dia do futebol foi uma de a CBF homenagear o primeiro time registrado como clube no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900.
21.06.09 09:56

Naquele 21 de junho eu ainda era uma criança.
Queria ser igual ao papai em tudo.
E só.
Naquele 21 de junho tinha futebol na televisão.
Não era um jogo qualquer.
Era decisão de campeonato.
Flamengo x Botafogo.
Maracanã lotado.
Zico em campo.
Mas o papai era – e ainda é, claro – Botafogo.
Ou seja, da-lhe Paulinho Criciúma, Luizinho e Maurício…
Ah, Maurício…
Torcer Botafogo era a única coisa que não dava.
Desculpa, pai.
A influência dos primos e dos títulos mais novos pesou mais.
Naquele 21 junho a gente estava separado.
Melhor para o papai.
Naquele 21 de junho, ele venceu.
Um triunfo para sempre.

Há 21 anos o Botafogo não ganhava o Carioca – e na época os estaduais tinham valor.
Naquele 21 de junho conheci Maurício da pior maneira possível, voando por trás da zaga, empurrando Leonardo e a bola para dentro do gol.
Até hoje, as poucas palavras de Paulo Stein, pela TV Manchete, não me saem da cabeça.
- “Olha o Mazolinha!”
- “Maurícioooo!”
- “Gooooooool”
Naquele 21 de junho soube o que era sofrer por futebol.
Em 1989, chorei pela primeira vez.
Ao lado, papai sorria.
Coisas do jogo.
Foi dolorido.
Mas inesquecível.
08.06.09 16:08
Internauta, autor do comentário: Nonato Barboza
O futebol cearense é uma completa tragédia.
Tragédia grega.
Tipo aquela onde os filhos de ÉDIPO morrem abraçados às portas de Tebas, após lutarem violentamente entre si mesmos.
O abraço mortal da TERCEIRONA se aproxima.
Espero que a imprensa tenha a dignidade de não mais encher a bola de certos dirigentes falastrões, incompetentes e outros tantos oportunistas que infestam o futebol cearense.
28.05.09 10:42

O rosto de estudante de Fisioterapia – ou Engenharia, talvez - parece meio deslocado.
Não combina com a maioria, envelopados em roupas folgadas, cordões enormes e brilhantes brincos que tomam quase toda a orelha.
Isso sem falar nos cabelos cuidadosamente moldados como se fossem à uma festa.
Na passarela em que se tornou o futebol, Lionel Messi é incrivelmente comum.
Se não fosse o talento espantoso, o pequenino narigudo passaria despercebido em qualquer roda de amigos.
O problema é a perna esquerda…
Basta ela – e somente ela – para fazer estragos igualmente simples como o seu dono.
Messi é o futebol objetivo.
Artístico por natureza, sem aquele jeitão artificial de se exibir para as câmeras com um drible desnecessário. Ou uma firula vazia no canto do campo.

Messi arranca sem olhar para as lentes. Finta, chuta e passa por que sabe que precisa.
E o faz com um sorriso que só ele percebe. É uma diversão que ele curte sozinho, sem tripudiar.
A impressão que dá, muitas vezes, é que se espanta com ele mesmo. Comemora sempre de boca aberta, olhos arregalados, como se perguntasse:
- O que é que eu fiz?
Lionel Messi, ainda bem, tem só 21 anos.
Em 2009, coloca-se como um gigante no futebol.
Sem exageros, é chamado de “Messias”.
Nesta temporada, seus números confirmam a salvação.
Em 51 jogos, fez 38 gols.
Deu 10 passes para gol.
Foi campeão de tudo.
E antes que alguém questione o porquê de um texto para um jogador tão distante, respondo.
Messi é um presente para o mundo.
Aproveitem.
Enquete
Posts Recentes
Categorias
Arquivos
Blogs O POVO