Gol

11.01.12 09:04

Carteira da rivalidade

Por: Emmanuel Macêdo | Comentários: 13 Comentários

Uma carteira que pertence a um torcedor do Sporting perdida na loja do Benfica, com um ingresso para o clássico do dia seguinte. Quantos torcedores do time vermelho se preocuparam em devolver a carteira?

Foi esse o exercício feito em uma propaganda da Coca-Cola. (via @AnikSuzuki e @a_esportivo , que compartilharam o vídeo no twitter)

Imagem de Amostra do You Tube

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Comentários | 13 Comentários

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Hermes Antonio 11.01.12 | 09:35

É por isso que sou otimista. Os bons são maioria. Sempre.

É isso Hermes, mas nós temos a tendência de sempre valorizar os 5%…eu preciso melhor em muita coisa, inclusive nisso, tentar ser mais otimista…abraço e obrigado.
Fernando

Bruno Formiga 11.01.12 | 09:43

Fizeram isso antes de Real e Barcelona. Apenas um torcedor não devolveu. Se fosse no Brasil, antes de um Ceará e Fortaleza, seria justamente o contrário. Uma pena. Mas a sacada do comercial é fantástica. Abraços.

Putz Bruno, será que a proporção ia ser de 95% que não devolveriam??
Abraço, valeu cara.
Fernando

jsnusp 11.01.12 | 09:55

Uma certa vez em SP, o “trocador” do ônibus me deu o troco errado (ao invés de me dar o troco como se eu tivesse pago com uma nota de 5, me deu como se a nota fosse de 20) e disse, olha o sr. me deu o troco errado, e ele prontamente me respondeu com a maior arrogância: “Lá na Bahia, vocês não sabem fazer conta?” Ai disse, na verdade eu sou do Ceará e lá temos tradição de formamos gente muita boa em ciências exatas, como por exemplo, Matemática, o sr. me deu 15 reais a mais de troco”. Ele ficou sem resposta e todos olharam para ele e ele nem para pedir desculpas… Ou seja, aqui as pessoas pensam que queremos tirar vantagem sempre e já vão logo nos atacando… Mas creio que ainda os bons são maioria! (uns 63, 5% )

Eu também já cansei de devolver troco a mais e sempre fico espantado com a cara de surpresa e agradecimento das pessoas. Hoje, atitudes que deveriam ser obrigação, são valorizadas. Abraço.
Fernando

m a y r 11.01.12 | 11:26

Eu entregaria tranquilamente a meu adversário e se possível veríamos ao jogo juntos, hoje algo impossível, já que numa genialidade total os clássicos terão torcida única, pior, por exigência da polícia que é paga para nos dar a devida segurança, um verdadeiro reconhecimento de incompetência e medo. Na década de setenta cansei de ver jogos no Castelão inacabado com amigos alvinegros e depois bebemorávamos o resultado qualquer que fosse o resultado. Gostaria muito de visitar o museu alvinegro, mas se for serei fuzilado no ato. Uma pena que a violência esteja nos dois lados, marginais mudaram o perfil de duas lindas torcidas.

Francisco Monteiro 11.01.12 | 12:56

Lógico que é o tipo de pergunta que ninguém gosta de responder, mas, quem nunca pegou algo alheio sem a permissão do dono?

Cara, isso não faz de uma pessoa boa ou má, até certo ponto. São tantas variáveis. O ambiente influencia demais na atitude. Em condições parecidas de tempo e lugar do vídeo acima, acredito que a variação da porcentagem dos que devolveriam seria mínima.

Vai de acordo com o ethos de cada sociedade. E, em se tratando das grandes capitais do mundo, inclusive do oriente, hoje podemos falar sim de uma sociedade global. Trata-se muito mais de uma moral apreendida, com claro fundamento liberal e influências greco-romanas e judaico-cristãs.

Ou vocês acham que a criança nasce sabendo e entendendo o conceito de propriedade? Lógico que não. E a criança não é má. Essencialmente, isso não existe.

Quando tinha mais ou menos uns dois anos de idade, ao voltar da casa do vizinho onde havia passado a tarde brincando, minha mãe reparou que eu estava com um brinquedo no bolso que não me pertencia.

Ela me perguntou de quem era e eu disse. Minha mãe conversou comigo e explicou tudo, que não era certo, que papai do céu não gosta, essas coisas. Combinamos então de voltar lá pra devolver ao meu amiguinho e pedir desculpas. A mãe do menino ficou morta de vergonha, lembro vagamente disso, disse que eu podia ficar com o brinquedo, que era coisa de criança mesmo, e talvez aquela foi a maior vergonha da minha vida até então. Mas, a lição foi pra vida toda.

Pô Francisquinho…que história triste…
Valeu pelo comentário, sempre ótimos.
Fernando

BOCA 11.01.12 | 16:39

Sensacional e até emocionante. Gostaria de ver uma situação dessas pelo lado de cá, porém tenho quase certeza que seria algo bem menos nobre.

igor 12.01.12 | 19:45

se fosse aqui a Coca Cola teria que cancelar a idéia

Assim Eu Não Aguento 12.01.12 | 20:25

A verdade é simples e direta. Nós Brasileiros estamos bem atrás da Europa em termos culturais, conhecimento, educação e valores morais. Essa propaganda feita aqui, nas mesmas regras, seria um verdadeiro desastre. Podiam até devolver a carteira, más, sem dinheiro e sem o ingresso do jogo. Disso eu não tenho a menor duvida. Brasileiro sempre aplica a Lei de Gerson. Fiquem a vontade para discordar, más por favor, venham com argumentos reais e sem choradeira, basta provar que estou errado nesse raciocinio negativo em cima dessa racinha brasileira/cearense.

Francisco Monteiro 13.01.12 | 11:45

Oi ‘Assim Eu Não Aguento’, tudo bem? Olha, vou pensar aqui como o publicitário da campanha que recebe da agência a missão de elaborar ações para os slogans “Os bons são maioria” e “Há razões para acreditar num mundo melhor” para a marca Coca-Cola, ok?

Então, por que eu usaria situações pacíficas pra exprimir a ideia da campanha? Por exemplo, o açogueiro deixa a faca por alguns segundos no balcão e a maioria das pessoas não irá pegá-la e não irá esfaquear todos no açougue. Os bons são maioria! Sim, e daí? Não há o menor interesse nisso, entende? Ou seja, as situações devem ser situações-conflito.

Perceba desde já que, pelo nível da comemoração na loja e na arquibancada, existe algo velado, algo bastante significativo e não tão bem resolvido na atitude de devolver a carteira, mesmo numa sociedade que você julga superior em níveis culturais, cognitivos, educacionais, morais. Os 95% causaram surpresa pra eles. Esse é o ponto a ser pensado e o pulo do gato da campanha.

Essa divisão de países desenvolvidos x subdesenvolvidos ou em desenvolvimento é algo bastante criticado e por muitos já superado, por carregar neste conceito a carga ideológica de que o chamado desenvolvimento é algo natural e progressivo, impondo, ao país que se encontra com o chamado desenvolvimento tardio, que trilhe um mesmo caminho que o levará ao desenvolvimento, como se isso fosse uma via de mão única.

Por outro lado, esse caminho é extremamente caótico e desordenado. Não existe uma sociedade ideal, em que todos os seus níveis sociais estejam na excelência. O que existe são nações com níveis maiores e menores de desigualdade social, mas as sociedades são desordenadas como um todo e possuem um ethos construído sobre processos culturais definidos.

São esses processos que explicam porque os EUA são assim, o Brasil é assado e a China vai dominar o mundo. E é esse ethos que está sendo explorado no filme da campanha, comum hoje à qualquer grande metrópole do mundo, por se tratar de algo globalizado. A saber, o fundamento neoliberal. É sutil, justamente por se tornar paradigma.

Segundo ponto: o lugar onde a carteira foi devolvida. Perceba que é a entrada de um estádio, mas mais se parece com um grande shopping de Fortaleza. Imagine então essa carteira abandonada não na entrada do PV ou Castelão, mas na Centauro do Shopping Iguatemi, com um certo trânsito de pessoas, bem de frente aos caixas, na seção de materiais do Fortaleza, com um ingresso do Ceará e carteira de sócio-torcedor.

Aposto com você, nessa situação, se a variação dos 95% ocorresse na nossa cidade, ela seria mínima. Pergunto-me então, por que os publicitários da Coca-Cola não colocaram essa carteira na zona portuária de Lisboa, Marseille, Roterdã, Hamburgo ou Nápoles à noite?

O local da gravação foi a parte interna da loja oficial do Benfica, no estádio da Luz.
Abraço
Fernando

Francisco Monteiro 13.01.12 | 13:21

Ah, valeu Graza. Tudo bem, pra mim pouco muda, mas refazendo o exemplo: imagine então essa carteira abandonada no meio da loja oficial do Fortaleza na Av. Dom Luís, lugar de venda de ingressos, com certo trânsito de pessoas, próximo aos caixas, com ingresso e cartão do Sou Mais Ceará para o clássico do dia seguinte.

igor 14.01.12 | 10:17

já comprei ingresso na loja do FEC para a final do primeiro turno do ano passado (sou alvinegro, mas moro e trabalho ao lado de lá) e senti um certo medo de encontrar algum amigo tricolor que tirasse onda… o clima foi bem tenso, os caras dizendo que tinha muito alvinegro comprando lá… foi pesado

agora imagina se minha carteira cai com o cartão do ST lá?

fco junior 14.01.12 | 18:05

Vcs querem ser advinhos? na primeira resposta vc afirma que as pessoas sempre tendem a valorizar os 5%. No post seguinte seu amigo Formiga vem e afirma o que vc condenou com uma visão pessimista, como se a grande maioria não fosse honesta e devolvesse a carteira e vc não diz uma palavra contra (se fosse outro blogueiro nem sei). AFIRMO que a grande maioria devolveria.
Para ilustrar uma história estive em dezembro em sua terra natal com minhas crianças e sempre quando tomei o metrô, como estava com criança, me ofereceram lugar. Certa vez precisei pegar um onibus por um percurso de quatro paradas e pelo menos umas dez pessoas ofereceram o lugar para eu sentar com meu filho, como o percurso era curto declinei do oferecimento.
Por isto reafirmo com certeza que a grandissíma maioria iria encaminhar para o caixa a cartira pois são tão honestos quanto os portugueses.

Meus dois posicionamentos não foram paradoxais. Primeiro: eu penso sim que se valoriza (eu tb) muito mais o aspecto negativo das coisas, como os 5% que não devolveram a carteira em Lisboa. E como falei com o Formiga, acho que se fosse aqui na loja de Fortaleza ou Ceará a experiência não teríamos apenas 5% de devolução, como ele afirmou. Eu não tenho noção de quantos devolveriam a carteira e não sei dizer a %. Ao que parece quem tentou adivinhar alguma coisa foi você. Até mais
Fernando

Josue Gonçalves 15.01.12 | 12:16

Graziani,

Estive numa pousada em Uruaú cujo dono é francês de Lyon e ao conferir a conta no check-out percebi que não tinha sido incluído o jantar do dia anterior e informei isto a ele, ele me agradeceu muito e eu falei que não precisava agradecer, pois era a minha obrigação e ele ficou um tanto desconcertado. Na verdade precisamos parar de enfatizar o lado desonesto do brasileiro, pois isto cria um sentimento de normalidade no ato de “levar vantagem” e não contribue para a mudança de conceitos e de estereótipos. Ousemos em acreditar e divulgar(ainda que tenhamos dúvidas a respeito) que os bons são maioria no Brasil também e esta “aura” pode envolver toda uma nação. Otimismo meu? Talvez, mas vai que dá certo, né? Abraço!

Oi Josué. É preciso analisar tantas coisas que, ainda assim, não chegaríamos a uma conclusão. O fato é que no Brasil ainda existe muita gente desonesta e que adora levar vantagem em tudo, mas generalizar é sempre perigoso. Até mais, valeu.
Fernando

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Ciro Câmara

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Ciro Câmara, 30 anos, jornalista formado pela UFC em 2005. Foi […]

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