100 anos de seleção brasileira: um história de amor, beleza e tragédia

No dia 21 de julho de 1914, para enfrentar o Exeter/ING, desembarcaram no Rio de Janeiro, quatro homens vindos de São Paulo, com a missão de junto a jogadores locais, representar o Brasil pela primeira vez numa partida de futebol. Os atletas daquele combinado de cariocas e paulistas certamente não imaginavam o quanto seria grandiosa a história que estavam começando. Grandiosa e trágica.

A trajetória da única seleção cinco vezes campeã do mundo começou com êxito. Vitória por 2 a 0 sobre o modesto time britânico que nunca disputou a elite dos inventores do futebol. A segunda partida da história da seleção foi logo contra aquele que viria a ser o seu maior rival. Derrota pesada por 3 a 0 para a Argentina.

Daí em diante, a trajetória do Brasil no esporte mais popular do mundo é de domínio público. Única seleção a disputar todas as copas do mundo, com direito a sediar dois desses eventos.

Foi justamente nessas duas ocasiões que o torcedor do Brasil viveu suas maiores tristezas. Em 1950, num Maracanâ- que ainda não era o maior templo do esporte- lotado, derrota por 2 a 1 para os uruguaios. Era o sonho de ser campeão do mundo em casa escorrendo pelas mãos do goleiro Barbosa. Apesar de não ter falhado grosseiramente, o arqueiro do Vasco ficou estigmatizado com a marca do vexame. Mas, que vexame?

As testemunhas daquilo que chamariam de vexame ou vergonha, o fizeram porque não sabiam  o que ocorreria 64 anos depois. Em 2014, no mesmo Maracanã, já consagrado na história do futebol, e com uma roupagem que o tornou quase irreconhecível após as reformas para o mundial deste ano, o Brasil foi humilhado. 7 a 1 para a Alemanha. Isso sim, mais que um vexame. Uma agonia.

No meio desses dois infortúnios é que a seleção ganhou tudo o que mais orgulha seu torcedor. O primeiro título mundial foi conquistado em 1958, sob a perseverança de Zagallo, a classe de Didi e a fome de bola endiabrada de Pelé, então um menino de 17 anos. A segunda taça veio em 1962. Sem Pelé, contundido, coube ao poeta de canetas envergadas, Garrincha, comandar a canarinho até a final, contra a Tchecolosváquia, no Chile. Em 1970, a terceira Jules Rimet viria graças ao futebol que mais parecia um avião-caça de guerra: tão lindo quanto letal.

Era a vitória do time que sempre tinha um improviso, um gracejo para atalhar o caminho da vitória, mas sem nunca deixar de lado o virtuosismo. Essa máquina potente e implacável tinha Pelé, Rivelino e Tostão, entre suas principais engrenagens. O México foi o chão de fábrica aonde a história do tricampeonato foi construída.

Mesmo quando o título não veio, a seleção encantou com sua legião de craques, cujo compromisso era com o futebol-arte. Falcão, Zico, Socrátes e dezenas de jogadores que ficaram no meio do caminho na luta pela taça de campeão do mundo, deixaram sua marca em 1982 e 1986. Apesar da ausência da taça de melhor mundo, ficou o legado que enche de orgulho não apenas o torcedor brasileiro, mas todo o mundo do futebol.

Os dois últimos títulos foram na base do pragmatismo. Em 1994 e 2002 foi assim. Na primeira sob o comando arroz com feijão de Parreira à beira do gramado, onde Romário fez milagres quando o impossível se fazia presente. Em 2002, foi a vez da “família Scolari”, salva nos momentos mais difíceis pelo seu filho pródigo, Ronaldo.

Nesta segunda-feira, a seleção brasileira chega aos 100 anos de existência como a personificação dos personagens de seu mais nobre cronista, Nelson Rodrigues: com uma vocação infinita para o amor, a beleza e a tragédia.

Com empate, Fortaleza mantém vantagem na Série C, amplia série invicta no ano e conta com bom retrospecto para seguir líder

Fortaleza terá a volta de titulares no próximo jogo. Foto: Jornal da Paraíba (via O POVO)
Fortaleza terá a volta de titulares no próximo jogo. Foto: Jornal da Paraíba (via O POVO)

O empate contra o Treze-PB, fora de casa, no último sábado (19), serviu para o Fortaleza seguir com vantagem na liderança da Série C. Com 15 pontos em sete partidas, o Tricolor agora já foca no principal objetivo a curto prazo: manter a liderança da competição até o final da 1ª fase.

E o bom retrospecto no ano serve como motivação para torcedores e jogadores tricolores buscarem a primeira colocação.

Além de único time invicto na Série C, o Tricolor do Pici possui excelentes números na temporada. Em 37 jogos disputados no ano, foram 23 vitórias, 12 empates e apenas duas derrotas. A última delas para o Icasa, na primeira partida da semifinal do Campeonato Cearense, no dia 06 de abril. Ou seja, já são mais de 3 meses sem perder.

Com isso, o clube busca um resultado positivo diante do Botafogo-PB, no próximo sábado (26), às 19h, no PV, que pode já garantir ao Fortaleza o “título” do primeiro turno da Terceirona.

NÚMEROS DO FORTALEZA EM 2014

Jogos: 37 partidas
Vitórias: 23 vitórias
Empates: 12 empates
Derrotas: 2 derrotas
Aproveitamento: 72,9%
Gols Pró: 80 gols
Gols Contra: 33 gols
Artilheiro: Robert – 24 gols

Opinião – Ceará 1 x 3 Joinville – Derrota não é o fim do mundo, mas serve para ligar o sinal de alerta

Assim como fez no ano passado, quando venceu por 3x0, Joinville colocou água no chopp do Ceará. Foto: Fco Fontenele / O POVO
Assim como fez no ano passado, quando venceu por 3×0, Joinville colocou água no chopp do Ceará. Foto: Fco Fontenele / O POVO

Cerca de 40 dias após a paralisação da Série B para a Copa do Mundo, o Ceará voltou a campo nesta terça-feira (15) para enfrentar o Joinville com a chance de disparar na liderança isolada da competição. Mas a partida foi um verdadeiro desastre para o alvinegro. Perdido em campo e visivelmente sem ritmo de jogo, o time comandado por Sérgio Soares fez uma péssima partida, perdeu por 3 a 1 e decepcionou cerca de 18 mil torcedores que compareceram ao PV.

O gol de Marcelo Costa logo aos 40 segundos parecia mostrar ao torcedor alvinegro que a noite seria dificil. E foi. Durante todo o primeiro tempo, o Ceará não conseguiu se encaixar em campo. Sofria para criar oportunidades de gol. Nas poucas que teve, parou no goleiro Oliveira e na trave.

Mesmo tendo perdido o primeiro tempo por 3 a 0 (Jael marcou o segundo e Marcelo Costa o terceiro) foram nos 45 minutos iniciais que o Vovô criou as melhores chances de gol, com Nikão, Diego Ivo e Magno Alves.

No segundo tempo, quando se esperava que o Ceará ia pra cima para pelo menos diminuir o placar, o que se viu em campo foi uma equipe apática, desorganizada e cansada. O lateral-direito Marcos (pior homem em campo) simbolizou o que era o time do Ceará nesta noite. Um time sem criatividade.

O alvinegro simplesmente esbarrou na marcação catarinense e não conseguiu sair. Em casa, perdendo por 3 a 0, não oferecia perigo algum à meta defendida pelo goleiro Oliveira.

No final o Vovô ainda diminuiu com um gol de Lulinha, e chegou a fazer o segundo com o próprio Lulinha, mas este foi anulado – de forma errada – pelo árbitro.

Não se pode culpar a falta de tempo para preparar a equipe. Se esperava que o time, que vinha muito bem antes da parada para a Copa, voltasse ainda mais forte após o período que serviu para ajustar as falhas.

A falta de ritmo de jogo também não é justificativa, pois o próprio Joinville ficou inativo pelo mesmo tempo e apresentou desempenho – físico, técnico e taticamente – bem superior.

As ausências de Samuel Xavier, Ricardinho e Bill, estas sim foram muito sentidas. Principalmente pelo desnível daqueles que os substituíram. Marcos(visivelmente fora de forma) foi muito mal pelo lado direito; Marcus Vinícius nada acrescentou ao meio de campo e Lulinha, embora tenha se esforçado, nada fez no ataque.

A derrota não é algo que o Ceará deva remoer tanto. Não é o fim do mundo. O clube segue firme no G4. Mas serve para que o alvinegro possa reconhecer a péssima partida que fez e ligar o sinal de alerta para corrigir as falhas enquanto é cedo.

A Copa da Alegria: imagens de alguns personagens e sósias mais divertidos que passaram em Fortaleza

Se o Mundial no Brasil foi taxado por muitos de ‘Copa das Copas’, muito desse rótulo se deve à alegria dos torcedores dentro e fora dos estádios de futebol. Eles foram os grandes responsáveis pelo espetáculo visto nas últimas semanas, esbanjando irreverência nas fantasias e levando uma mensagem de festa. Em Fortaleza, sobraram figurões e personagens carismáticos alegrando respirando o clima de Copa. Separei imagens que alguns dos melhores personagens que passaram pela capital cearense no Mundial:

Os sósias merecem um capítulo à parte. Quatro deles roubaram a cena:

Roberto Carlos

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Mini David Luiz

S

Luís Suárez costarriquenho

SÓSIA

Arjen Robben

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Contratação de Lima pelo Ceará reúne no futebol cearense os três maiores artilheiros do Brasil em 2014

Robert, Lima e Magno Alves, juntos, somam  62 gols em 2014. Fotos: O Povo / CearáSC.com - Divulgação / O Povo
Robert, Lima e Magno Alves, juntos, somam 62 gols em 2014. Fotos: O Povo / CearáSC.com – Divulgação / O Povo

A contratação do atacante Lima, ex-Paysandu, pelo Ceará, foi bastante celebrada pelos torcedores alvinegros. E não é para menos. O novo ‘camisa 9′ é conhecido por marcar gols por onde passa. Mas, no estado do Ceará, ele terá companhia. Lima se junta a Robert e Magno Alves, que brigam pela artilharia nacional. Ou seja, com a chegada do novo centroavante alvinegro, o futebol cearense reúne os três maiores artilheiros do Brasil na temporada 2014.

O atacante Robert, do Fortaleza, está na frente dos concorrentes alvinegros e é o maior goleador do país no ano. Já foram 23 gols até o momento.

Logo atrás, com 20 gols, aparece Lima. Agora no Ceará, o atacante marcou todos os seus gols no ano com a camisa do Paysandu, onde foi artilheiro e vice-campeão da Copa Verde (competição semelhante à Copa do Nordeste, realizada com times do Norte e Centro-Oeste).

E Lima terá como companheiro de ataque o então artilheiro do Ceará no ano: Magno Alves. O Magnata já balançou as redes adversárias 19 vezes, foi o artilheiro do Vovô na Copa do Nordeste, Campeonato Cearense e é o goleador do Alvinegro na Série B.

E os dois alvinegros terão uma grande vantagem em relação ao concorrente tricolor. Enquanto Robert disputará no máximo mais 18 partidas oficiais no ano (isso se o Fortaleza chegar até a final da Série C), os atletas do Vovô terão pela frente, no mínimo, mais 28 jogos (todos pela Série B, sem contar a Copa do Brasil, caso o Vovô siga adiante).

Independente de quem consiga manter o bom ritmo de gols até o final do ano e brigar pela artilharia nacional, a certeza é de que o futebol cearense está bem representado nessa disputa. E que os atacantes possam continuar ajudando seus clubes e fazendo o que os torcedores de Ceará e Fortaleza mais esperam deles: balançar as redes adversárias.

Confira a lista com os 11 artilheiros do Brasil em 2014

1° -  Robert (Fortaleza) – 23 gols
2° -  Lima (Paysandu / Ceará) – 20 gols
3° -  Magno Alves (Ceará) – 19 gols
4° -  Barcos (Grêmio) – 17 gols
Carlinhos (Santa Cruz/PB)
Giancarlo (Paraná)
Ricardo Urubu (Interporto / Globo FC)
8° - Jean (Canindé/SE) – 16 gols
Júnior Viçosa (Atlético/GO)
Leandro Kivel (Confiança)
Neto Baiano (Sport)

Brasil x Holanda: uma disputa de 3º lugar melancólica

Na Copa de 2010, a Holanda eliminou o Brasil nas quartas-de-final ao vencer de virada por 2x1.
Na Copa de 2010, a Holanda eliminou o Brasil nas quartas-de-final ao vencer de virada por 2×1.

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O ‘baque’ da goleada que entrou para a história do futebol mundial

David Luiz era um dos mais abatidos ao final da partida e foi consolado pelo companheiro de zaga Thiago Silva, que não atuou por estar suspenso. Foto: GABRIEL BOUYS / AFP
Sem acreditar no resultado, jogadores brasileiros saíram de campo inconsoláveis e com pedidos de ‘desculpas’ à torcida. Foto: GABRIEL BOUYS / AFP

O Brasil amanheceu de luto nesta quarta-feira (9 de julho de 2014). A histórica goleada sofrida por 7 a 1 para a Alemanha fez com que um país, que vivia a Copa do Mundo em absoluto clima de festa, transformasse o ambiente em um legítimo ‘velório’. Consequência do pior revés em cem anos de história do futebol brasileiro. O choque pela humilhante derrota marca o segundo ‘baque’ sofrido pela Seleção em menos de uma semana.

A trágica partida ocorreu cinco dias após a lesão de Neymar, que deixou o craque fora do Mundial e causou tristeza e comoção nacional. O que deveria ser uma motivação extra para os demais jogadores se mostrou em grande apatia. Pelo visto, parece que os ‘parças’ também sentiram o golpe.

Com Neymar em campo seria diferente? Talvez sim, talvez não…mas isso nunca saberemos. E nem serve como desculpa.

Não há nada que justifique o lamentável desempenho da Canarinho no gramado do Mineirão. Diante de um adversário muito superior – física, mental e taticamente -, é verdade, mas os brasileiros não mostraram qualquer poder de reação. 22 jogadores entraram em campo, mas apenas um time jogou. Parecia não haver gana de vitória por parte dos brasileiros, além do visível despreparo emocional.

No final das contas, uma derrota dolorida. Injustificável. A verdade é que o massacre do Mineirão se junta ao Maracanazo como as maiores tragédias do futebol brasileiro. Tal como o dia 16 de julho de 1950, o 8 de julho de 2014 ficará marcado na história do futebol mundial. E na lembrança do torcedor brasileiro.

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Os personagens “invisíveis” da Copa do Mundo em Fortaleza

Dona Fátima mandou fazer um cartaz para pedir ingressos na Alberto Craveiro
Dona Fátima mandou fazer um cartaz para pedir ingressos na Alberto Craveiro

Perdoem o antipatriotismo, mas eu estava comprando um espetinho quando o Hino Nacional era cantado à capela dentro da Arena Castelão, sexta-feira passada, antes do jogo Brasil e Colômbia. Não fosse esse desleixo, não teria conhecido a dona Regina Gonçalves. Ela quem me atendeu na compra fora de hora.

Difícil não notar os olhos marejados e um discreto fio de lágrima descendo rosto abaixo da senhora, mãe solteira de quatro filhos, ao ouvir a torcida se esgoelando pela Pátria Amada, Mãe Gentil, dentro do estádio. “Me perdoe, meu filho, me emociono com o Hino do Brasil”, justifica-se. A emoção e o civismo não a impediram de atender a mim, e a outros clientes ávidos por comida. Entre um espetinho e outro, uma rápida olhada na tela de led posicionada na calçada de um bar próximo, e só. Exemplo de profissionalismo no mercado informal da copa.

Dona Dalva exibe, orgulhosa, o copo que ganhou
Dona Dalva exibe, orgulhosa, o copo que ganhou

Ela queria estar dentro da arena emprestando sua voz para reforçar aquele coral improvisado. Mas vender carne mal assada no espeto nos arredores do Castelão foi o mais próximo que ela chegou da seleção brasileira. Deseja destino diferente para o filho mais velho de 15 anos, que por sinal, a ajudava com as vendas sem reclamar. “Minha mãe prometeu dinheiro para comprar umas roupas e um par de chuteiras novas”, revela Mateus.

Ele conta que as roupas são para impressionar as “menininhas” e assim arrumar uma namorada. As chuteiras têm uma finalidade mais pragmática: tentar a sorte nos principais clubes do Estado, Ceará e Fortaleza. Zagueiro por convicção, e não por escolha dos técnicos de pelada, tem no capitão da seleção, Thiago Silva, um modelo a seguir. Até se irrita quando alguém o critica pela emotividade demonstrada nas oitavas de final, contra o Chile. “No lugar dele, eu não tinha só chorado, tinha me mijado todo também. Quem fala mal é porque não sabe a responsabilidade de defender o Brasil. Para mim, é mesmo que servir o exército. A importância é a mesma”, argumenta.

Assim como Mateus, a dona de casa Fátima Gerônimo também tem a seleção brasileira em alta conta. Tanto que se cansou de ir para a avenida Alberto Craveiro apenas para ver os estrangeiros passarem rumo ao estádio, jogo após jogo. Sexta-feira passada agiu diferente. Pediu a um vizinho que fizesse um cartaz, onde em espanhol, tentava sensibilizar os transeuntes e assim ganhar um ingresso para ver a partida. “Já tenho 58 anos de idade, então não vou ver outra copa no Brasil, muito menos em Fortaleza. Queria assistir o Brasil jogar de perto pelo menos uma vez na vida”.

Quem também não irá assistir uma Copa do Mundo no Brasil é a catadora Maria Dalva de Lima, 65 anos. Para falar a verdade, ela nem se importa. Não é que dona Dalva seja indiferente ao futebol. É que graças ao lixo descartado pelos torcedores, conseguiu aumentar a própria renda. Dessa forma, o lado de fora da arena lhe soa mais interessante. “Ganhei mil reais em 10 dias trabalhando aqui. Por mim, tinha copa todo ano”, brinca.

Ela é uma dos muitos recicladores cadastrados pela Prefeitura de Fortaleza para atuar no entorno da Arena Castelão durante a Copa do Mundo. No aterro do Jangurussu, onde trabalha, fatura em média R$ 500 por mês. Não é difícil entender a alegria de Dalva com a maior festa do futebol mundial, mesmo sendo excluída do evento. No último dia de jogo da Copa do Mundo em Fortaleza, ainda ganhou um souvenir. Um homem levava alguns copos de cerveja trazidos da Fan Fest e dona Dalva não se conteve. Pediu para ficar com pelo menos um deles. Ao “presentear” a catadora com o copo ainda úmido de bebida, o moço perguntou por que ela queria o objeto. Dona Dalva foi enfática: “esse caneco é bom para tomar café”.

Com duelos de gigantes e dez títulos mundiais em campo, semifinais da Copa prometem grandes jogos

Após quase um mês de jogos, a Copa do Mundo está perto do fim. Agora, apenas quatro países brigam pelo título de melhor seleção do planeta. Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda disputam o troféu. Juntas, as três primeiras reúnem dez títulos mundiais. E contam com a companhia de uma seleção que já chegou a três finais de Mundial e é a atual vice-campeã do torneio. Ou seja: é briga de cachorro grande!

Mesmo com duelos acirrados e dificuldades para chegar às semifinais, as seleções apontadas como favoritas no começo do mata-mata confirmaram suas classificações. A zebra Costa Rica, as talentosas Colômbia e Bélgica e a instável França, apesar das boas campanhas, deram adeus ao Mundial. A camisa pesou?! Talvez sim!

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Entre as quatro equipes restantes, pode-se dizer que, de modo geral, Alemanha e Holanda apresentaram um desempenho mais convincente dentro das quatro linhas. Porém, até eles já passaram por momentos de complicações quando se esperava que ‘atropelassem’ adversários mais frágeis.

Os ‘hermanos’ argentinos, embora sejam os únicos com 100% até aqui, não amedrontam tanto assim. Mostram clara dependência do futebol de Messi, que vem desequilibrando, e Di Maria, que não enfrenta a Holanda por lesão na coxa. Mas, assim como nas últimas Copas, a defesa continua como ponto fraco.

No Seleção Brasileira, o torcedor ainda espera por uma exibição convincente.  E agora a esquadra nacional possui um grande desafio: superar a ausência de Neymar. A lesão do craque diminui – e muito – o poder ofensivo dos comandados de Felipão. Por outro lado, pode ser visto como uma grande motivação para os demais jogadores mostrarem a força coletiva da seleção Canarinho, provando que é capaz conquistar o título mesmo sem o principal jogador. Tarefa difícil, mas não impossível.

Naquela que é considerada por muitos como a ‘Copa das Copas’, a certeza é de que os jogos das semifinais serão sensacionais. Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda protagonizarão confrontos históricos. Na grande decisão não será diferente. Independente de quem  levante a taça, quem vence é o futebol.

Seleção Brasileira vem passando sufoco na Copa. Os nossos principais adversários também…

O lado emotivo dos jogadores ficou escancarado no jogo contra o Chile. Foto: Vipcomm
O lado emotivo dos jogadores ficou escancarado no jogo contra o Chile. Foto: Vipcomm

Ufa! Que Copa é essa?! Para milhares de apaixonados por futebol fica a sensação de que nunca foi tão divertido e empolgante acompanhar um Mundial. Motivos para defender tal argumentação não faltam. Os gols estão saindo aos pampas, os goleiros estão sendo protagonistas, os craques estão decidindo, as zebras apareceram, favoritos voltaram mais cedo pra casa, os estádios estão lotados, os brasileiros estão fazendo festa e os turistas estão dando um show de irreverência e alegria.

Tudo isso regado a um ingrediente que tem surpreendido muita gente: a competitividade das partidas. Ninguém está sobrando no Mundial. Nem mesmo a Alemanha e a Holanda, que começaram goleando e em seguida travaram batalhas para vencerem de forma apertada. As oitavas de final da Copa deixaram claro: não tá fácil pra ninguém. Cinco das oito partidas do primeiro mata-mata foram parar na prorrogação. Um recorde na história das Copas.

Ninguém teve moleza. Holanda, Argentina e Alemanha demonstram serem as principais ameaças ao Hexa do Brasil. Criticam-se muito as más atuações e o sofrimento do Brasil para eliminar o Chile, mas, se olharmos para o lado, veremos que os outros postulantes ao título mundial tiveram muitas dificuldades para avançar de fase e venceram suas partidas após muito suor e drama.

A Holanda só passou pelo México porque acordou nos cinco minutos finais da partida e marcou dois gols. O último, que decretou a classificação, já aos 47 do 2° tempo e de forma bem controversa, num polêmico pênalti sofrido por Robben.

QUEM DISSE QUE SERIA FÁCIL?

Além dos holandeses, França e Colômbia não precisaram da prorrogação nas oitavas de final e venceram Nigéria e Uruguai (respectivamente) no tempo normal. Ainda assim, foram bastante incomodados por seus adversários e tiveram momentos de apuro nas partidas.

Em tese, esperava-se que a Alemanha não teria dificuldade para bater o esforçado do time da Argélia. Mas os alemães suaram a camisa como nunca nesta Copa para vencer o time africano apenas na prorrogação, com o placar apertado de 2×1.

E os argentinos? Tiveram um teste para cardíaco nas oitavas de final. Precisaram de 119 minutos para encontrar o caminho do gol e deixar os suíços pelo caminho. Com a genialidade de Messi e Di Maria, os nossos Hermanos venceram por 1×0 com um gol no penúltimo minuto da prorrogação. Vale lembrar que os argentinos venceram todos os quatro jogos com placar apertado: 2×1, 1×0, 3×2 e 1×0.

Dos 32 times que iniciaram a disputa da Copa, restaram quatro campeões mundiais (Brasil, Alemanha, França e Argentina), um time sedento para enfim ganhar uma taça, após três vices (Holanda),  duas equipes emergentes (Bélgica e Colômbia) e uma zebra (Costa Rica).

O torcedor que fique à vontade para gritar: Copa das Copas! Copa dos Goleiros! Copa das prorrogações! Copa dos jogaços! Copa das torcidas! O importante é que Tá Tendo Copa!