03.02.12 21:10
Resolvi escrever um texto sobre duas revelações deste início de Campeonato Cearense. Até por jogarem na frente, e marcarem gols, os atacantes Romário, do Ceará, e Canga (foto), do Ferroviário, se sobressaem no quesito promessas nestas cinco primeiras rodadas da competição. São dois atacantes para se ficar de olho, com ótimo percentual de finalização – lembrando que Canga pertence ao Fortaleza e está emprestado ao time coral.
Lógico que está cedo para avaliações mais detalhadas. Mas decidi estender a reflexão a todas as posições do campo e cheguei a conclusões interessantes – lembrando que só entram na conta atletas com idade inferior aos 25 anos.
Primeiro, a dificuldade em encontrar goleiros e zagueiros jovens. A tendência das equipes é contratar jogadores mais experientes para estas posições. Encontrar um goleiro foi tarefa árdua.
Depois, a constatação de que mesmo em clubes em baixa na tabela, alguns dos jovens podem aparecer bem nas chances que têm. O Ferroviário possui dois atletas na lista e o Itapipoca um. O Horizonte lidera com três indicações.
A seleção ficou a seguinte: Robinho (Tiradentes); Raul (Horizonte), Bruno Recife (Crateús), Emerson (Guarani-J) e Geovani (Crateús); Everton (Ferroviário), Mateus (Horizonte), Babidi (Itapipoca) e Stênio Junior (Horizonte); Canga (Ferroviário) e Romário (Ceará).
Como toda lista, não é definitiva. Mas vale ficar de olho nestes atletas e verificar quem vai vingar até o fim da competição.
Vocês trocariam que nomes?
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03.02.12 13:42
Semana de provações. Alvinegros e tricolores passam com méritos
Estamos há pouco mais de uma semana para o primeiro Clássico-Rei do ano. E Ceará e Fortaleza têm motivos para a motivação antes do principal confronto do nosso futebol. As duas equipes tinham missões complicadas no meio de semana. E conseguiram ultrapassar as dificuldades com momentos de ótimo futebol.
Tanto os alvinegros (no 5 x 1 contra o Tiradentes) quanto os tricolores (no 3 x 2 diante do Horizonte) mostraram rápida evolução tática e física. O Ceará começa a engrenar com três atacantes, com Mota bem fisicamente e um ótimo Apodi pela direita. Já o Fortaleza organiza bem o meio-campo com três volantes – Lucas jogou uma barbaridade ontem, ao lado de um incansável Kauê. São duas estratégias que dão frutos rapidamente.
As partidas poderiam resultar em tropeços dos dois clubes, mas acabaram se transformando em bons testes. Os times foram aprovados. E com méritos. Saem desta semana extremamente fortalecidos. E com os respectivos torcedores aos seus lados mais do que nunca.
Pela toada atual, certamente os dois não terão problemas para chegar às semifinais, mantendo o favoritismo. E também possuem todas as condições de proporcionarem um ótimo Clássico-Rei no próximo dia 12.
Seria bacana que permanecêssemos assim. Falando apenas do assunto “campo” nestas vésperas de clássico. Que as polêmicas, dirigentes, FCF, disse-me-disse vazios e perseguições fiquem em segundo plano. Segundo não, em último plano!
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02.02.12 22:54
Fortaleza e Horizonte: dois vencedores
Fortaleza e Horizonte fizeram um dos melhores jogos do Campeonato Cearense 2012, na noite desta quinta-feira, no PV. Com o estádio lotado por torcedores que foram ver a estréia de Geraldo, o destaque ficou para o conjunto dos dois times. Mas a vitória, merecida, ficou com o Fortaleza, sobretudo pelo ótimo primeiro tempo da equipe.
Foram 45 minutos de futebol de grande qualidade. Corrido, aberto, bem jogado e em busca do ataque. Pesou justamente o fato de o Horizonte buscar o gol, não abdicar de suas características. Com isso, os dois times tiveram espaço para partir para frente.
Ao todo, apenas o primeiro tempo registrou quatro gols, cinco bolas na trave do Fortaleza, quase um golaço de Geraldo, e André Cassaco ainda perdeu gol incrível. Final da etapa: 3 x 1 para o Tricolor, com gols de Marielson, Kauê e Lucas – Elanardo descontou de pênalti.
Na etapa final o Fortaleza recuou e o Horizonte tomou conta da posse de bola e das ações. O Tricolor ficou na base do contra-ataque e por pouco não saiu do PV com um tropeço. Recuar contra uma equipe de menor qualidade técnica, ainda se entende, é um risco calculado, mas o que se viu no PV foi o Fortaleza diminuir muito sua produção no segundo tempo. “Realmente não jogamos bem no segundo tempo”, apontou o treinador Nedo Xavier.
O Galo diminuiu em pênalti polêmico e quase consegue o empate em várias chances. O Fortaleza ainda teve uma penalidade bem marcada em Cleo, mas mal cobrada por Rômulo, que bateu para fora.
No fim da partida, uma ótima notícia para as duas torcidas. O jogo foi um grande teste para Fortaleza e Horizonte. Duas equipes que devem chegar facilmente ás semifinais da competição.
A se lamentar a quase invasão de campo do presidente Osmar Baquit, reclamando do segundo pênalti marcado a favor do Horizonte. Retirado pela PM, ainda fez gestos para a torcida de que o clube estaria sendo roubado. Menos mal que pediu desculpas ao fim da partida.
PONTO ALTO – Primeiro tempo
As duas equipes buscaram muito o jogo. O Fortaleza foi bem envolvente.
PONTO BAIXO – Defesas
Com os times jogando para frente, as duas equipes não conseguiram encaixar a recomposição.
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02.02.12 19:19
Enquete realizada no Blog para balizar a preferência dos blogueiros quanto à presença das torcidas no Clássico-Rei mostrou vitória da tese pela torcida única. Foram ao todo 839 participações, com 71% das interações favoráveis à uma torcida (595 votos) e 29% a favor das duas torcidas (244 votos).
Em tempo, o assunto ainda deve render. O Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Estado do Ceará (TJDF-CE) cogita entrar com representação garantindo 10% dos ingressos para a torcida do clube não mandante dos clássicos – como acontece em São Paulo e prega o Estatuto do Torcedor.
A medida também foi a julgamento em Minas Gerais, onde vigora a torcida única, mas o tribunal mineiro defendeu a torcida única, sob o argumento de que o Estatuto do Torcedor prega como uma das prioridades a segurança do torcedor.
Uma nova enquete está no ar. Quem vence o primeiro Clássico-Rei do ano? Participe!
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02.02.12 11:25
Um flagrante da entrada ontem no PV. Reparem que no vídeo não se vê um único policial ou funcionário do Ceará ordenando a entrada. Torcedores forçam a entrada por conta da lentidão nas catracas.
01.02.12 23:51
A confusão na entrada do torcedor do Ceará no estádio Presidente Vargas não exime praticamente ninguém da responsabilidade pelos fatos. As tristes cenas de violência policial e depredação do patrimônio público precisam ser analisadas com afinco, e servir de exemplo para não serem repetidas no futuro – inclusive hoje, quando o estádio também deve receber grande público para Fortaleza x Horizonte.
O primeiro grande problema: a falta de estrutura para a realização dos jogos. A impressão que se passa é a de que menosprezaram a quantidade de público que poderia ir ao PV – o Ceará inclusive. Lógico que se os torcedores chegassem com boa antecedência, a correria seria minimizada. Mas o estádio precisa comportar também multidões nas proximidades do início da partida.
São vários os relatos de que as catracas não passavam os torcedores com eficiência e da dificuldade na ordenação das filas para a compra de ingressos – na confusão, muitos nem apresentaram ingresso para entrar. Muitas catracas foram destruídas na agonia por entrar no PV ou mesmo fugir do empurra-empurra.
Segundo grande problema: a PM. Também são muitos os relatos de excessos na condução dos problemas na entrada. Muitos torcedores reclamaram terem sido atingidos por gás de pimenta e até mesmo uma bomba de efeito moral foi lançada na entrada da torcida do Ceará (para acalmar algo?).
Terceiro grande problema: o torcedor. Forçou a entrada ao ver o jogo iniciado e quebrou catracas. Colabora também quando retorna no jogo seguinte ao estádio. Não se valoriza.
Em tempo, o fato de o ingresso ser barato (R$ 10) não influência em nada. Se fosse um jogo de caráter decisivo também teria grande público. E um representante do Corpo de Bombeiros falou ao colega Mendonça Filho, da rádio Globo, que vai apurar a possibilidade de terem sido vendidos mais ingressos do que a capacidade do estádio.
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01.02.12 22:51
Ceará goleia em festa para Dimas
Portal Esportes O POVO
Uma goleada para homenagear os 500 jogos de Dimas Filgueiras no comando técnico do Ceará. Diante do Tiradentes, o Vovô fez a melhor apresentação do Campeonato Cearense 2012. Aplicou uma goleada de 5 a 1 sobre o Tiradentes. Foi de lavar a alma do torcedor alvinegro, que lotou o estádio Presidente Vargas nesta quarta-feira (1º).
O Ceará começou impondo toda pressão no ataque. Em jogada rápida, a bola foi tocada para Romário que apenas deslocou o goleiro Robinho, aos oito minutos. O Vovô tinha total facilidade para atacar. Após cobrança de escanteio, o goleiro do Tiradentes “bateu roupa”. A bola sobrou para Daniel Marques tocar para o gol, aos 16 minutos.
O domínio da partida era alvinegro e o Tigre pouco produzia para chegar ao ataque. Em apenas duas oportunidades, o goleiro Fernando Henrique mostrou esforço para fazer uma defesa mais difícil.
E com superioridade, o ataque alvinegro trabalhou bem mais uma vez pela lateral. No cruzamento pelo alto na grande área, Daniel Marques subiu mais que a zaga do Tigre e marcou o terceiro gol alvinegro, aos 35 minutos.
Quando começou o segundo tempo, o cenário continuou o mesmo da etapa anterior. Com o Ceará produzindo mais e levando mais perigo de gol. Aos nove minutos, o goleiro Robinho, do Tiradentes, fez uma defesa parcial e soltou a bola nos pés de Mota, que só teve o trabalho de tocar para o gol.
O Tigre foi todo para o ataque e colocou duas bolas na trave. Aos 16 minutos, Niel conseguiu acertar o pé e diminuiu para 4 a 1. Não deu para comemorar muito. Aos 35 minutos, Misael, que substituiu Romano, deixou sua marcar ao fazer o quinto e fechar a goleada do Vovô. A festa do Dimas Filgueiras estava completa.
Homenagem ao Soldado
Antes do jogo, a diretoria do Ceará entregou ao técnico Dimas Filgueiras uma placa comemorativa pelos 500 jogos e 40 anos de serviços prestados no clube. “É importante ele saber que a missão continua”, ressaltou o presidente do Vovô, Evandro Leitão. “As coisas não acontecem por acaso. E essa torcida merece tudo o que posso fazer por ela”, destacou o eterno “Soldado Alvinegro”.
As homenagens partiram também de dirigentes do futebol local. “Temos que agradecer tudo o que Dimas filgueiras já fez pelo futebol cearense”, disse Mauro Carmélio, presidente da Federação Cearense de Futebol.
A torcida Cearamor exibia das arquibancadas uma faixa de parabéns pelos 500 jogos pelo Vovô. A entrega da placa foi feita em frente à arquibancada, onde estava posicionada a Cearamor, que gritava o nome do treinador a todo instante. “Me sinto muito emocionado. Faltam até palavras neste momento”, completou Dimas Filgueiras.
Como não acompanhei a partida, reproduzo matéria de Rogério Gomes para o Portal Esportes O POVO.
01.02.12 19:41
Selvageria! Creio que nem este termo serve para definir a tragédia registrada na tarde desta quarta em Port-Said, no Norte do Egito. Após a vitória por 3 a 1 diante do líder do Campeonato Egípcio Al Ahly, torcedores do Al Masri invadiram o campo e protagonizaram cenas que nem de longe devem ser atreladas a um jogo de futebol ou qualquer atividade de lazer.
Os covardes agrediram atletas do adversário (que precisaram se refugiar no vestiário e deixar o local de helicóptero) e depois investiram contra a torcida do Al Ahly, em minoria no estádio. O que se seguiu não pode ser representado da melhor maneira na frieza dos números: 73 mortos e centenas de feridos.
Não consigo conceber. Pessoas saíram de suas casas para acompanhar uma partida de futebol e foram mortas! Pior. Pessoas saíram de suas casas para matar quem eles nem conheciam!
É muita covardia.
E o pior é que aqui existem vários covardes do mesmo gênero.
01.02.12 14:25
Clássico-Rei terá torcida única
Enfim, saiu a definição sobre a presença das torcidas no Clássico-Rei do próximo dia 12. Venceu a (segunda) tese do Ceará, o clube mandante da partida, que optou pela presença de torcida única. Ou seja, teremos apenas alvinegros no primeiro confronto do ano. No jogo do dia 25 de março o mando será invertido e os tricolores tomarão o estádio.
Não julgo o que fez o Ceará mudar de ideia, se provocação, desconfiança, falta de palavra ou outra definição. O que prefiro enaltecer é o fato de termos os problemas de insegurança no PV bem minimizados com a presença de apenas uma torcida nos dois jogos.
Repito opinião aqui já externada. Claro que a solução não é a ideal. O clássico perde em vários aspectos sem a presença das duas torcidas – menos no de segurança. Considero uma temeridade dividir o PV neste momento. Principalmente quando os dois presidentes dos clubes não fazem a mínima questão de levantar um discurso mais amistoso.
Lamentável apenas a constatação de que os clubes não chegaram a acordo quanto ao preço dos ingressos. A Federação precisou intervir e estipular os valores – Arquibancada (R$ 30) e Cadeira Especial (R$ 60), valores de inteira.
Vale destacar ainda que o esquema de segurança para os dois jogos deve ser montado como se tivéssemos as duas torcidas em pleno Castelão. Precaução nunca é demais.
31.01.12 19:46
Fabrício pode ajudar muito o Fortaleza
O zagueiro Fabrício é aguardado amanhã no Pici para ser apresentado como novo contratado do Fortaleza. É fato que o então Xerife do Ceará não atravessa a melhor forma técnica na carreira, mas, ainda assim, é um ótimo nome para consolidar o cinturão defensivo tricolor para 2012. Pensava que teria lugar fácil em equipes da Série B e até da Série A, por exemplo.
O sistema defensivo do Fortaleza tem se saído bem até aqui – tomou apenas um gol em três jogos, diante de Crato, Tiradentes e Itapipoca. Ciro Sena e Cleber Carioca são bem guarnecidos pela marcação dos volantes Leandro, Lucas e Marielson. Com a possível chegada de Fabrício o time ganhará mais força e opção.
O jogador pode somar principalmente pelo quesito experiência. E isso é fundamental em uma competição como a Série C do Campeonato Brasileiro. É fato que não foi bem no fim da temporada passada, como praticamente todo o Ceará, mas tem futebol mais do que suficiente para se sobressair nas principais disputas tricolores em 2012 – o Campeonato Cearense e a Terceirona.
Fabrício é outro que pode engrossar a fila dos jogadores identificados com um dos grandes da Capital que acaba trocando de camisa pela do arquirrival. Espero que a contratação não seja simplesmente para criar polêmica ou provocar adversários.
Em campo, onde as coisas se decidem, ele pode ajudar sim o Fortaleza. Até mais do que Geraldo…
Atualizando: Fabrício realmente não vem para o Fortaleza. Jogador alegou questões pessoais para não voltar a atuar no futebol cearense.
31.01.12 10:17
Dimas Filgueiras, o soldado alvinegro, chega amanhã aos 500 jogos como treinador do Ceará. Para marcar a data, publico aqui entrevista para as “Páginas Azuis” do O POVO que fiz com ele ao lado da colega Ana Flávia Gomes no ano passado, quando completou 40 anos de futebol cearense. Ele ainda não havia reassumido o comando do time. Como a entrevista é longa, a divido por tópicos.
Infância
Eu nasci no morro de São Carlos. A minha infância foi difícil, como de todos na época. Eu tive a sorte, o dom, de jogar bola. Eu fui bafejado pela sorte porque eu tinha um primo que trabalhava no Banco do Brasil e o diretor do Botafogo, doutor Rivadávia Corrêa, também trabalhava no Banco do Brasil. Aí ele disse que tinha um primo que jogava bola, e ele falou: “Leve lá. Pra ele fazer um teste no Botafogo”. Peguei dois bondes, cheguei lá, e coincidentemente, o treinador era o Marinho (Rodrigues, ex-jogador e técnico), que treinou aqui o Ceará, em 1971. Ele perguntou de que eu jogava, e eu: “Lateral-esquerdo”. E ele: “Joga lá na frente (de atacante)”. Como o treino era de cruzamentos e eu tinha a impulsão boa eu fiz dois gols. Eu era lateral-esquerdo e passei a ser centroavante naquele ano (1958). Mas eu brigava por posição com o Jairzinho, que era mais habilidoso, e aí eu pedi para jogar de lateral-esquerdo. Fiquei como lateral do Botafogo durante muito tempo. Aí fui convocado para as olimpíadas de Roma (em 1960) e fui cortado, fui pras olimpíadas de Tóquio (em 1964), fui tetracampeão juvenil, bicampeão de aspirantes, bicampeão com o profissional e começou a carreira.
Trabalho doméstico infantil
Eu trabalhei como babá pra minha tia. Tomava conta dos meus primos. Mas não ganhava nada, porque você sabe que antigamente não se pagava nada… A gente vivia só de casa, comida… Eu fazia todo o trabalho: lavava roupa, limpava a casa, tudo era comigo. Eu tinha 7, 8 anos e tinha que pegar água lá embaixo todo dia, porque lá em cima (no morro) não tinha caixa d’água. Aí eu subia com lata d’água na cabeça de 20 quilos e fui engrossando as pernas. Menino, subindo 200 degraus, três, quatro vezes por dia… Aí eu criei uma base forte para o futebol.
Amigo do Garrincha
No juvenil do Botafogo eu era tido como neto do Nilton Santos, porque tinha as características dele. A pedido do Marinho eu fui aos coletivos. Fui uma vez, fui a segunda… Na terceira vez, o Nilton Santos veio me chamar a atenção porque eu tinha dado uma pancada no Mané. Pô, o Mané já passava com uma facilidade grande, se eu não marcasse… (risos) Eles me diziam: “Cuidado pra não machucar o Mané”. E teve uma viagem pela Europa e o Mané, que tinha dificuldade para escrever, me viu escrevendo umas cartas. Ele falou: “Dá pra escrever umas cartas pra mim?” Eu falei: “Dá. É só você me falar o nome da pessoa e explicar mais ou menos o que quer que eu diga”. Aí eu bolava as cartas e fazia pra ele. A partir daí, em toda viagem ele já falava pro treinador: “Você vai levar o Dimas”. Pra você ter uma ideia, eu já levava as cartas feitas (risos). Em toda viagem que ele estava, eu estava encaixado. Ele exigia: “Você não vai deixar de levar o Dimas, não. O Dimas joga nas quatro posições ali atrás. Não tem medo…”. E, realmente, em qualquer posição eu jogava.
Madame Satã
Ele era ligado a mim. De futebol ele não entendia nada. Quando eu morava no morro, na rua Afonso Cavalcanti, 158, o baixo meretrício do Rio de Janeiro era a uma quadra de onde eu morava. E tinha um campo chamado Canadá. E, naquela convivência, como eu jogava pelo Canadá, ele foi se afeiçoando a mim. Então, eu jogando, ninguém podia bater em mim, nem nada, ele não deixava. Era um negão de dois metros de altura. Ele me tinha como um filho, né? Me respeitava e eu respeitava ele. Mas ninguém podia nem gritar comigo dentro de campo que ele já ficava com raiva.
Fortaleza
Eu vim pra passar três meses (risos). Eu estava tentando ganhar meu passe na Justiça porque eu ia pra São Paulo. A Portuguesa estava me querendo lá. Aí, conversando com o Castilho (ex-goleiro de Fluminense e seleção), que era técnico do Fortaleza, ele me disse: “Dimas, antes de você ir, passe três meses em Fortaleza comigo”. Aí eu vim passar três meses e estou até agora. E não me arrependo. Acho que lugar bom é lugar onde você ganha dinheiro. Eu cheguei em setembro de 71 e fiquei.
Transição para o Ceará
O que aconteceu é que eu ofereci pra eles (Fortaleza), na renovação do meu contrato, as luvas em dez meses. Estava quase tudo certo. Mas depois as pessoas que orientavam o presidente do Fortaleza disseram que ele podia fazer um contrato unilateral, que eu não tinha direito a receber isso. Só que eles achavam que estavam lidando com uma pessoa que não era esclarecida… E falaram: “Ou você assina o contrato ou vai ter uma punição”. Eu falei: “Não, eu não assino”. Mas faltavam dois meses para terminar o contrato, terminava em novembro de 72. Aí apertaram o Castilho pra ver se ele me tirava do time e o Castilho disse que enquanto ele fosse treinador eu ia jogar. Só que o Ceará me dava 10 vezes o que eu estava pedindo na época, porque estava disputando a primeira divisão (do Brasileiro). E eu era tido como ídolo no Fortaleza… Aí, dia 1º de novembro terminou o contrato, no dia 2 eu assinei com o Ceará.
O vai-vem do Soldado
Eu sempre digo pra todo mundo que eu considero o Ceará como um filho mais velho. Na hora que o filho mais velho precisa da pessoa do pai, o pai vai lá. E eu faço isso com a maior boa vontade. O sofrimento é grande. Sabe por quê? Porque um treinador de fora vem, perde duas, três, vai embora e pronto. Eu tenho aqui meus filhos, meus netos, meus amigos que sofrem também se o time não vai bem. Graças a Deus, dessa vez, eu saí por cima, porque nesses 40 anos que eu vou completar no Ceará, eu nunca, nunca, (enfatiza, emocionado) e olhe que eu ganhei muitos títulos aqui dentro do Ceará, eu nunca tive o reconhecimento da torcida como eu tenho agora.
Engolindo sapos
Eu tenho dito aqui pra todo mundo que engolir o sapo é fácil, o difícil é conviver com o sapo. Eu acho que você tem que saber o momento certo pra tomar as atitudes. E, pela experiência que eu tive e tenho, eu normalmente escolho o momento certo. Agora, tem certas coisas que dói. Dói, né? Tem hora que você é relegado a terceiro, segundo plano e sabe que pode ajudar. Mas as coisas passam. E a gente passa por cima porque sabe que o melhor é o Ceará, não sou eu. Se, por acaso, for bom pro Ceará, é bom pra mim. Por isso que eu sempre digo: eu sou um guerreiro à disposição.
Ronaldo Fenômeno no Ceará
Na época quem era dono do passe dele era o Jairzinho. E Jairzinho comandava tudo no São Cristóvão. E eu tinha ido lá atrás de jogadores pro Ceará. E quando eu vi o Ronaldo treinar, eu tava do lado do lado do Jairzinho, eu falei: “Jairzinho, quem é esse centroavante?”. “Esse centroavante já está vendido pro Cruzeiro”. Depois de vendido pro Cruzeiro, eu ia falar mais uma coisa pro Jajá? Não!
Fé de Dimas
Eu nasci em 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima. Então vem daí. A primeira procissão (comunhão), minha mãe me levou pra fazer. E a gente tem que se amparar em alguma coisa para que você aumente a confiança no que você vai fazer. Eu sou uma pessoa que todo dia 13 eu vou à missa. Eu tenho em casa praticamente um altar, com umas 50 (imagens de) Nossa Senhora de Fátima. Tem o ditado que diz que a fé remove montanhas, né? A fé te dá condição de você suportar muita coisa.
O câncer
Quando eu soube que tinha isso (câncer de próstata, há 10 anos), eu botava o Ceará acima de tudo. Eu marquei a minha operação assim: o Ceará jogava fora, eu fui com o Ceará, eu tinha que chegar à noite e já me hospedar (internar). Eu cheguei 3 horas da manhã, acho que de Juazeiro, e fui direto pro São Carlos me internar e operar de manhã. Eu era o treinador! Fui lá tomar conta do time, voltei e fui direto pro hospital; não fui nem em casa. Até um negócio perigoso eu deixei de lado.
Copa do Brasil de 94
O momento para eu mais me chatear foi naquela derrota na Copa do Brasil (1 x 0 para o Grêmio, na final de 1994). Logo depois eu entreguei porque eu senti demais. Ali foi uma coisa… Faltavam três, quatro minutos quando … (olhos marejam) Aí eu resolvi: vou largar essa posição de treinador porque eu sofro demais. Aquilo ali foi um assalto, né? Foi uma coisa Nordeste contra Sudeste. E nisso a gente não vai ganhar nunca, né? (Dimas cita o lance em que o atacante Sérgio Alves é derrubado na área gremista. Se o pênalti fosse marcado e o jogo terminasse em 1 x 1 o Vovô levantaria a taça).
30.01.12 19:37
Dança dos técnicos – vai entender!
Nem terminou a quarta rodada do Estadual e o futebol cearense já ostenta a marca de três treinadores demitidos. O último professor a engrossar a fila foi Vinícius Saldanha, do Guarani de Juazeiro. Ele caiu após a derrota no clássico para o Icasa, no domingo, no Romeirão.
Engraçado é que dificilmente isso aconteceria se a partida tivesse terminado em 2 a 2 – o Guarani perdia por 2 a 0 e conseguiu o empate, mas tomou o gol da derrota aos 48min do segundo tempo. Ao lado dele, Jorge Pinheiro (Trairiense) e Júlio Araújo (que saiu do Ferroviário para o Trairiense) também já foram dispensados.
Lógico que as demissões demonstram a falta do bendito planejamento entre os clubes locais. Não consigo entender como um profissional projeta a equipe, comanda a pré-temporada, e acaba demitido após poucos jogos. Principalmente porque os substitutos geralmente são os dispensados recentemente de outras equipes, como o caso de Júlio Araújo.
Pensei que o fato de a fase de classificação deste ano ser das mais longas (22 jogos) diminuiria a média de demissões. Estava errado.
Bem que um pouco de paciência não faria mal a ninguém.
30.01.12 11:50
Cearense 2012: balanço até aqui
Com a tabela extremamente desmembrada do Campeonato Cearense – teremos jogo inclusive hoje – fica complicada uma análise mais apurada da competição ao fim de cada rodada. Mas ao (quase) fim da 4ª rodada já é possível se tirar algumas conclusões.
Primeiro, que se o nível técnico ainda carece de melhora, pelo menos a média de gols está alta. São 60 em 21 jogos, ou seja, uma boa média de quase três por partida. O artilheiro é o atacante André Cassaco, do líder Horizonte, com incríveis 7 gols em quatro jogos. Sozinho, ele marcou mais gols do que nove dos 12 times competidores.
O Horizonte é a grande sensação até o momento. Com 100% de aproveitamento, confirma sua condição de favorito a uma das quatro vagas para as semifinais. Vai pegar três pedreiras em sequência (Fortaleza, Crato e Ceará) que poderão testar ainda mais o poderio do Galo.
O Crato surpreende. Conseguiu empates com os dois principais times da Capital e duas outras vitórias. Só não pode começar bem e perder fôlego, como já aconteceu anos atrás. O Tiradentes tem condições de buscar a vaga, além de um ainda irregular Guarany de Sobral.
Fortaleza e Ceará vencem mais pela camisa e nível de alguns atletas do que por um padrão já estabelecido. Alternam bons e maus momentos dentro da mesma partida e ainda aguardam o entrosamento de reforços para ganhar uma cara definitiva. Ferroviário é a decepção absoluta com apenas um ponto ganho em 12 disputados. Já figura como candidato à degola.
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29.01.12 18:40
Nada como a necessidade de um resultado positivo para que os treinadores comecem a rever estratégias praticamente imutáveis. Dimas Filgueiras abdicou da tradicional tática de “cansar o boi” (3-5-2 ou três volantes) para lançar o Ceará ao ataque no clássico diante do Ferroviário. A equipe entrou em campo com a linha de frente formada por Romário, Felipe Azevedo e Mota – a grande atração na partida, seguido pelo também estreante Apodi.
Até porque Ceará teve mais volume de jogo desde o início da partida. Sobretudo após a justíssima expulsão do zagueiro coral Eridon, que agrediu o jovem alvinegro Romário. O problema foi traduzir a superioridade numérica em chances de gol, que foram raríssimas na etapa final. O Ferroviário até mostrou bom toque de bola, mas se fechou, praticamente abrindo mão de atacar. Canga quase marca em raro contra-ataque. Menos mal para o Tubarão que o Ceará não criou muitas oportunidades. A rigor, um bom chute de Mota, que Felipe Azevedo ainda desperdiçou no rebote.
Na etapa final Dimas ousou ainda mais. Tirou João Marcos e Rogerinho, machucado, para as entradas de Ederson e Leandro Chaves. Mota parou de bater-cabeça com os zagueiros na área e jogou mais recuado, abrindo várias chances de gol e mostrando versatilidade. O primeiro gol veio em penalidade clara sofrida por Felipe Azevedo, que ele próprio marcou.
Pouco depois, o mesmo Felipe Azevedo toca com a mão na bola, recebe o segundo amarelo, e acaba expulso. O Ferroviário não mostrou força para buscar o empate e o Alvinegro acabou ampliando com Leandro Chaves, em falta que desviou na barreira e saiu do goleiro. Canga ainda descontou com um gol de cabeça em nova falha da defesa do Ceará, fechando marcador.
PONTO ALTO – Mota
Lógico que pode melhorar, mas mostrou potencial como referência (1º tempo) e como meia-atacante (2º tempo). Apodi não parou em momento algum
PONTO BAIXO – Eridon
Expulso após agredir Romário. Atrapalhou completamente o bom plano de jogo coral. Felipe Azevedo também quase atrapalha ainda mais o fim de jogo alvinegro com a expulsão.
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29.01.12 11:44
O Fortaleza envereda novamente pelo mercado internacional para reforçar o elenco no PIci. O estrangeiro da vez a vestir tricolor é o zagueiro argentino Miguel Bazán, de 26 anos, e que estava no LLosetense, da terceira divisão espanhola – teve passagem ainda pelo Mallorca.
É inegável que a contratação esconde uma grande parcela de risco. Jogadores de outros países conhecem pouco do futebol brasileiro – geralmente mal “vendido” internacionalmente -, sobretudo o nordestino. Bazán não foge à regra, óbvio.
Se emplacar, vai contrariar uma espécie de regra no Pici. Dificilmente os estrangeiros se dão bem no Fortaleza, o clube cearense que mais investiu em atletas de outros países, frise-se. O único a ter rendido mais foi um obscuro atacante alemão de nome Fred, no fim da década de 1930. Ele ficou famoso por marcar seis gols de cabeça em um mesmo jogo.
Mias recentemente o clube investiu pesado para trazer o meia argentino Marcelo Escudero, com passagens até pelo River Plate. Foi uma negação. Assim como os compatriotas Gigena (atacante) e Jorge Sotomayor (zagueiro), que mal jogaram. Um que pelo menos atuou com freqüência foi o atacante de Serra Leoa Aluspah, em 2005, mas também não deixou saudades.
Miguel Bazán tem a missão de mudar essa história.
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