Tempos difíceis

As circunstâncias políticas tornam o Brasil um país inusitado. A lista de ocorrências é extensa e se concretiza em doses diárias. Para os analistas, é impossível dar conta de todos os fatos. Agem como médicos em emergências hospitalares estranguladas. Escolhe-se o caso mais grave para tratar.

 
Os casos se amontoam, se entrelaçam e geram novas circunstâncias. Uma mais complicada do que a outra. Não vai parar. É provável que até piore. Nos próximos dias, o distinto público conhecerá detalhes das confissões da Odebrecht e suas dezenas de executivos. Não há dúvida quanto ao impacto do que virá. É evidente que a economia sangra. Hemorragia.

 
Ironicamente, o Governo Federal, goste-se ou não de sua cúpula, se vê na obrigação de dar prosseguimento a uma série de delicadas medidas e ações.

 

Todas muito polêmicas. Todas abrigam fortes complicações políticas e significativas repercussões na área econômica e social.

 
Ou seja, em meio ao turbilhão incessante e avassalador, o País toca uma pauta política, administrativa e parlamentar que gera ainda mais divergências, conflitos e outros efeitos colaterais causadores de, digamos, variadas infecções oportunistas. Tudo isso, ao sabor de uma crise econômica sem referência com o mais longo período recessivo de nossa história.

 
Vejam alguns exemplos da pauta originária do Poder Executivo: PEC do Teto, reforma da Previdência e regulamentação da terceirização. Em condições normais de pressão e temperatura já seria uma tarefa complicadíssima a dar cabo. Imaginem em um País com febre alta e hipertensão.

 
A opção é não fazer nada. Deixar tudo como está. É o adequado? Certamente que não. Não se tira o País de uma recessão tão grave sem adotar medidas para tal. A ironia é que quem jogou o País nesse imenso buraco agora está na oposição. Com poucas forças, é verdade.

 
Há claras precipitações de vários protagonistas. Foi um erro colocar as medidas anticorrupção em pauta legislativa. Algumas medidas eram inexequíveis do ponto de vista legal. Outras eram boas medidas. Porém, tudo tendia a virar combustível para mais incêndios. Foi o que foi.

 
Foi um erro colocar em pauta no Congresso Nacional a proposta que tratava do abuso de autoridade em. Deu no que deu. Mais confusão. O instinto de sobrevivência dos políticos promoveu uma sessão na madrugada. A penumbra abre o flanco para as suspeitas.

 

Parece que o sistema quebrou. Pane. Membros do Supremo perderam a capacidade de manterem-se neutros e distantes dos fatos. Viraram componentes de lados em disputa. Foi ruim.

 
Ministros entraram em searas que não lhe cabem. A decisão de um ministro sobre aborto no julgamento de um caso de Habeas Corpus foi lenha seca no fogaréu trepidante. Outro ministro de toga resolve, sozinho, sem consultar o pleno, afastar o presidente de outro poder. Mais crise. Mais afetação.

 

Enfim, há vários sintomas que apresentam uma crise inadministrável. Coroando tudo, falta dinheiro para tocar o País. Falta confiança dos empreendedores para investir em novos negócios. Falta a necessária estabilidade para tocar a vida nacional. Tempos muito difíceis..

3 thoughts on “Tempos difíceis

  1. Parabéns ao colunista pelo excelente texto. Resumiu a situação do Brasil em poucas palavras. Muito bom !!!!

  2. Os ministros são profundos conhecedores das leis.
    Mas passam a impressão de que seriam REPROVADOS em avaliações rotineiras das faculdades.

    1.
    Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, ADPF, a liminar só pode ser concedida por maioria absoluta do pleno.
    Mas Marco Aurélio adota decisão monocrática.

    2.
    A Primeira Turma do STF estava apenas julgando a concessão de um habeas corpus a uma mulher que fizera aborto voluntário e ao médico que realizara o procedimento. A defesa se limitava a pedir a liberdade de ambos.
    Mas a turma do STF simplesmente resolveu que o aborto até o terceiro mês de gestação deixa de ser crime.

    3.
    O artigo 52 da Constituição estabelece que, no impeachment, aplica-se a perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.
    O Senado vota o impedimento da presidente, COM A INABILITAÇÃO para o exercício de cargos públicos. Não obstante, o que fez o presidente do Supremo Ricardo Lewandowski?
    FATIAMENTO.

    4.
    O ministro Roberto Barroso comandou uma patuscada ao mudar o rito do impeachment na Câmara, impondo ao Brasil que presta um gosto amargurado no nosso Natal, porque a leitura marota do regime da Câmara que Barroso fez atrasou o impeachment em ao menos 6 meses.
    O juiz AMPUTOU as quatro palavras finais do texto: E NAS DEMAIS ELEIÇÕES.

    5.
    Cito Augusto Nunes:
    No julgamento do mais descarado ajuntamento de quadrilheiros entende-se que todo réu inocentado por quatro ministros do STF pode valer-se do embargo infringente para ser julgado de novo.
    Julgado e, no caso, absolvido por um Supremo que contou com dois novos ministros. Com a chegada de Teori Zavascki e Roberto Barroso, os quatro viraram seis e a minoria virou maioria. Ficou decidido que os votos dos quatro ministros que os defenderam valem mais que a opinião vencedora dos seis que condenaram os quadrilheiros, que, embora ajam em conjunto e continuadamente, não formam uma quadrilha. Os mensaleiros, portanto, são bandoleiros sem bando.

  3. O nobre repórter se alinhou ao grupo social brasileiro que joga nas administrações do PT toda a responsabilidade pelos problemas nacionais pretéritos, presentes e futuros! Não diz que os meses vividos pelos ratos que aí se encontram, pouco ou quase nada fizeram de efetivamente útil pela recuperação econômica da nação! O golpe foi enganosamente dado com a promessa de reação econômica pelo retorno da “confiança” do mercado! Os resultados desastrosos estão escancarados, aumento do desemprego, estagnação econômica e total instabilidade política!!!!!!!!!!!!!!!

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