Símbolos do que não deve ser feito

Na última sexta-feira de 2016, o Governo do Ceará veio a público para dizer que o Estado não vai colocar dinheiro na obra do Acquario Ceará. Leiam as palavras textuais do governador Camilo Santana (PT): “Eu não pretendo mais investir nenhum dinheiro público com a construção do Acquario, estou procurando uma parceria com a iniciativa privada. Não dá mais pra gastar dinheiro público nessa obra”.

 

Algumas coisas precisam ser ditas. Para começo de conversa, o Governo não vai colocar novos recursos na obra simplesmente por que não há novos recursos disponíveis. Na verdade, o Governo já colocou no abandonado monstrengo de concreto mais do que estava previsto. De 2012 para cá, a contrapartida do Estado foi superior a 140 milhões de reais.

 

Todo o restante do valor para construir e equipar o Acquario viria de um empréstimo internacional do Ex-Im Bank dos Estados Unidos. Um montante de 105 milhões de dólares. A obra começou em 2012 sem que o empréstimo sequer tivesse sido aprovado. No fim das contas, toda a contrapartida pública foi investida e o empréstimo nunca saiu. Nem sairá.

 
A obra está parada há quase um ano. Vai continuar parada indefinidamente. Não há solução de curto prazo para o projeto de R$ 450 milhões. 75% da parte de concreto estão prontos. É um amontoado de ferro e cimento entremeados com tubulações que não servem para nada e vão ficar imprestáveis sob a chuva e o sol causticante.

 

O Governo acena com o caminho da privatização do projeto. Diz que encaminhará a contratação de uma consultoria que vai desenhar o modelo de venda do equipamento. Hoje, isso é conversa para boi dormir ou autoengano. Como queiram. Afinal, o resultado é o mesmo. No caso, um imenso prejuízo para o hipotecado contribuinte.

 
Do jeito em que se encontra, é muito improvável que apareçam entes privados interessados em tocar o negócio. Missões empresariais já se prestaram a avaliar as possibilidades. Os resultados foram desalentadores para o futuro do equipamento, que foi projetado de forma amadora, sem sequer ser antecedido por um plano de negócios. Básico.

 
Infelizmente, Fortaleza terá que aturar durante muito tempo um projeto faraônico e caríssimo, encravado em plena Praia de Iracema. Inacabada, sem serventia, a obra tende a ser vista como um monumento em homenagem à inversão de valores e prioridades em uma cidade que tem metade de sua população vivendo sem serviço de esgoto.

 
O pior é que o Acquario não está sozinho na lista de referências do que jamais deve ser feito. Vendida ao distinto público como uma forma de baratear os custos de construção de uma nova linha do metrô da Capital, a compra de quatro tuneladoras (os tatuzões) se transformou em um grande e dispendioso mico que, a preço de hoje, custaram mais de R$ 150 milhões.

 

Há mais de três anos expostas ao relento, sob a ação abrasiva do tempo, os equipamentos jamais foram montados e, muito menos, usados. Estão sem manutenção. É óbvio o risco de se tornarem imprestáveis. O Governo do Ceará precisa ter a coragem e a firmeza de encarar o problema. Hoje, o mais plausível é recolocar os equipamentos no mercado e tentar diminuir o tamanho do prejuízo.
Será que, assim como o Acquario, haverá interessados? Talvez, a preço de banana, sim.

3 thoughts on “Símbolos do que não deve ser feito

  1. Cid disse:
    Tasso foi Governador por três mandatos. 12 anos.
    Eu estou no governo há 7 anos incompletos.
    Pois muito bem, lanço o desafio: some tudo que o Tasso fez nos seus doze anos. Multiplique por dois e ainda não dará o que foi feito nestes últimos sete anos.

    Como está essa inequação?
    2T é menor que C?
    Sendo T=Tasso1+Tasso2+…Tasso11+Tasso12
    C=Cid1+Cid2+Cid3+Cid4+Cid5+Cid6+Cid7
    Será que algumas parcelas Cid têm valor ZERO?
    Será que algumas parcelas Cid consideraram o Anel Viário, o Acquario ou os tatuzões?

  2. Brilhante análise de decisões despóticas e estúpidas de um governo que se caracterizou pela total irresponsabilidade com a “coisa pública”!!!

  3. O que não deve ser feito?
    Criar municípios e assim gerar despesas com prefeito, vice-prefeito e vereadores.

    Um estudo realizado pelo TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná) propõe fundir os municípios com menos de 5.000 habitantes no Brasil, como “forma de melhorar a prestação dos serviços públicos à população e promover economia de recursos”.
    Segundo o documento, cidades com população inferior a 5.000 habitantes “tendem a não apresentar condições mínimas para prestar os serviços básicos ao cidadão –como saúde e educação”.
    O Brasil tem, atualmente, 5.570 municípios. Desses, 1.301 possuem menos de 5.000 moradores. No caso específico do Paraná, 96 das 399 localidades estão nessa linha de corte.
    “No mínimo metade dos municípios paranaenses tende a apresentar dificuldades estruturais em relação à sua administração pública”, afirma o TCE-PR no estudo.
    “A fusão representaria um ganho de escala, com o aumento da população, além da redução de cargos políticos, aumento da poupança dos cofres públicos, maior independência financeira e dinamismo econômico municipal”, afirma o estudo do TCE-PR.
    Não está claro, porém, de que forma a fusão de municípios seria feita. O documento foi enviado ao Tribunal de Contas de União.

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