O passado condena

Causou imenso rebuliço a licitação de R$ 1,7 milhão prevista para contratar a empresa responsável por abastecer o serviço de bordo do avião oficial utilizado pelo presidente da República. A repercussão negativa levou ao rápido recuo e cancelamento do certame.

 
Em nota enviada à imprensa, o Planalto informou que Michel Temer “determinou o imediato cancelamento” da licitação assim que tomou conhecimento do fato. “A determinação presidencial é de que também este serviço tenha seu preço reduzido em relação ao que vinha sendo praticado anteriormente. A mesma instrução vale para todas as aeronaves que servem ao Governo Federal”, afirma a nota.

 
É óbvio que o avião da Presidência da República precisa de um serviço de bordo. É de praxe. Não é nenhuma novidade. Todos os presidentes e todos os aviões contratados pelos governantes, incluindo os estaduais, possuem um serviço de catering que é contratado em licitação específica. No Ceará é assim.

 
É o seguinte: as circunstâncias do País marcadas pela imposição de austeridade aos cidadãos impõe que o Governo também seja austero no comportamento geral e também em questões simbólicas, como é o caso em foco. O recuo é positivo. Sinaliza para a sociedade que o caminho das pedras deve ser seguido por todos.

 
Precisamente, o Governo Federal seguiu o caminho das pedras ao apresentar e aprovar o teto de gastos para os anos vindouros. Sabemos bem que, historicamente, os poderes executivos no Brasil não são afeitos a limite de gastos. Pelo contrário. Afinal, foi a inexistência de teto que, abraçado à imperícia administrativa, que construiu a crise política e econômica que hoje vivemos.

 
O fato é que a licitação do catering presidencial levou a nossa gloriosa esquerda ao palanque. Talvez tenha faltado a devida análise do passado recente, quando sob Dilma e Lula tais licitações e contratações foram correntes. A última, com itens até mais caros e sofisticados que a atual, chegou a ser assinada pela presidente Dilma com dispensa de licitação.

 

 

Cobrar por coerência é próprio da crônica política e do exercício do jornalismo. Ser coerente deveria ser uma atitude própria do político. De toda forma, é alvissareiro ver a esquerda brasileira se alinhando a favor da crítica pela austeridade. Coisa que não se viu ao longo dos últimos treze anos.

 
Porém a autocrítica se faz necessária. Sem a autocrítica honesta, os novos críticos vão pecar pela incoerência e, naturalmente, serão sempre abatidos em pleno voo de suas críticas. Como o passado condena e jamais é esquecido, as narrativas acabam desmontadas em série.

 
O “SERVIÇO DE BORDO” CEARENSE
A propósito, a licitação do catering cancelada por Michel Temer era de R$ 1,7 milhão. O mesmíssimo valor que o hipotecado contribuinte cearense distribuiu a quatro clubes de futebol profissional do nosso Estado. R$ 600 mil para o Ceará Sporting, R$ 500 mil para o Fortaleza e outros R$ 600 mil divididos em partes iguais para Icasa, Guarani de Juazeiro e Uniclinic.

 
Sim, senhores. Em surdina, o Governo do Ceará aprovou (dia 22) a farra na Assembleia. Fez isso enquanto empurrava goela abaixo dos cidadãos um duro pacote que incluiu aumento de impostos e aumento no desconto previdenciário dos servidores, entre outros pontos.

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