Meu Deus, que fase!

Acompanhar o desenrolar político e econômico do Brasil é como assistir pela TV uma pelada de futebol narrada pelo jornalista e locutor esportivo Milton Leite. No gramado, caneladas e lances grotescos se misturam com simulações para enganar o árbitro. Na arquibancada, a torcida impaciente com tamanha mediocridade. Mas o locutor sabe resumir bem. Diante da jogada medíocre, solta o irônico “que beleza!”. “Meu Deus” para o passe desastrado. O clássico “que fase” para o conjunto da obra.

 

Como já se esperava, a delação da Odebrecht e seus executivos vai abranger praticamente todo o leque político do Brasil. Não escapa a turma que hoje está no poder. Não escapam os tucanos. Não escapam líderes regionais. Muito menos escapam os petistas que comandaram a botija do País entre 2003 e 2016. Os R$ 10 milhões apontados por um ex-diretor da Odebrecht a favor de Michel Temer, em 2014, quando era o presidente do PMDB e vice na chapa de Dilma Rousseff (PT), mostram bem a dimensão do que virá.

 

Receber dinheiro da Odebrecht e outras empreiteiras era uma prática usual. Rotineira, até. O mundo político se relacionava com isso como parte do jogo. Já havia promiscuidade na relação público/privado antes de Lula. Tornou-se um método com ele. Afinal, o PT chegara ao poder como a palmatória da humanidade se propondo a mudar a cultura política do Brasil. Ao se entregar de corpo e alma ao prostíbulo, sinalizou para todo o resto como o jogo deveria ser jogado. O preço a se pagar, inclusive para o País, está sendo altíssimo.

 

AGENDINHA POSITIVA
Está difícil falar de agenda positiva? Sim, muito. Porém, na tarde de sexta-feira o noticiário do O POVO na internet conseguiu pinçar uma boa notícia. Eis: “O Governo do Ceará vai assinar no dia 6 de fevereiro parceria com o Porto de Rotterdam (PoR) visando a abertura do capital da CearaPortos. O objetivo do convênio é viabilizar a transformação do Porto do Pecém em um hub regional de containers”.

 

Qual é mesmo a boa notícia? Simples: abrir o capital significa colocar a estatal na bolsa de valores à disposição de investidores. O porto é o maior ativo do Ceará e precisa de constantes investimentos. Como o Governo é o dono, não há dinheiro para investir. Se não investir, o equipamento ficará ultrapassado rapidamente.

 

Assim, ao colocar o porto no mercado, o Governo tende a deixar de usar dinheiro público no equipamento e cria as condições para a gestão de quem é do ramo.

A assinatura do acordo com os holandeses é apenas o começo de um longo e complexo processo até chegar ao ponto de ofertar ações na Bolsa. Porém, é um começo. Se quiser apressar, o caminho é vender o Porto. Não há nenhum sentido em manter o Estado como dono e gestor de um equipamento de comércio internacional. Outra saída é criar uma forma de gestão similar ao porto holandês, que é público, mas com administração profissional que não depende de politicagem.

 

Hoje, no Brasil, se há algo que ainda funciona a contento é a inciativa privada. Cidadãos e empresas produtivas mantêm o País em pé mesmo com a política se comportando como um vulcão de instabilidades, um sistema tributário inviável, mercado de trabalho engessado, capital caríssimo e infraestrutura de quinta categoria.

2 thoughts on “Meu Deus, que fase!

  1. Radar On Line:
    A delação da Odebrecht deve passar como um rolo compressor por cima de Lindbergh Farias, apelidado de “Feio”, nas planilhas de negociatas da construtora.
    O diretor da empreiteira Leandro Andrade Azevedo, um dos que vai contar o que sabe, afirma que a construtora desembolsou cerca de R$ 3,2 milhões em caixa 2 às campanhas do petista ao Senado, em 2010, e à prefeitura de Nova Iguaçu, em 2008.
    As informações são comprometedoras. Azevedo revela que esteve no gabinete de Lindbergh, em Nova Iguaçu, em 2007, para negociar diretamente com ele e com o marqueteiro Carlos Rayel valores e formas de pagamento das contribuições não declaradas. Coisa de R$ 698 mil.
    Parte foi paga em dinheiro vivo a Carlos Rayel, responsável pela campanha à reeleição do então prefeito da cidade localizada na Baixada Fluminense.
    “Os pagamentos foram operacionalizados e entregues no escritório de campanha de Lindbergh[…] e foram destinados a remunerar o trabalho de marketing realizado por Carlos Rayel”.
    Segundo Azevedo, a generosidade da Odebrecht com Lindbergh dava-se porque a cúpula da empresa o considerava um político promissor, com possibilidade de um dia chegar ao Palácio do Planalto.

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