Do RPG ao casamento

IMG_0205_1

 

Eduardo Sousa(Especial para O POVO)

O amor não tem um manual de instrução ou pelo menos uma chave secreta. Por isso, alguns casais em que todos apostam que vai dar certo não vingam. E aqueles relacionamentos em que ninguém bota fé acabam durando. Os mais improváveis, que ninguém dá mais que algumas semanas, podem ganhar rumos diferentes. A vida tem dessas surpresas. O casal Lucas Kuchla, 20, e Josy Lima, 23, sabe bem disso.
Eles tinham tudo para não ir além do primeiro encontro. Se conheceram em 2008, graças ao game online Tibia, um desses jogos de RPGs (jogo de interpretação de papéis). Lucas, que na época tinha 13 anos, prestes a completar 14, morava em Curitiba/PR e Josy, com 16, morava em Fortaleza. A primeira barreira era essa, além dos dois serem adolescentes, estarem no colégio e morarem com os pais.
Com o passar do tempo, os dois foram se conhecendo por meio de Orkut e MSN, já que as ligações interurbanas eram caras. Depois de seis meses, começaram a namorar. Foi Josy quem tomou a iniciativa, por meio de mensagem no Orkut. O casal sempre levou a sério o

namoro a distância, mesmo que todos em volta estranhassem. Os pais apoiaram a relação desde o começo, mas não sabiam que a relação sairia do mundo virtual.

Depois de um ano, o casal se conheceu pessoalmente. Lucas veio passar férias em Fortaleza, junto com sua irmã, na casa de Josy. Só assim, depois de um ano de web cam e de redes sociais, os dois conseguiram se abraçar. Aproveitaram para se conhecer mesmo, conversar e viver o relacionamento. As férias de Lucas acabaram e ele teve que voltar para sua cidade.
Aí foi a vez de Josy visitar o namorado. Dois meses juntos em Curitiba foram suficientes para que os dois começassem a pensar em casamento. Falaram com os pais. Lucas foi morar na casa de Josy, onde concluiria o ensino médio. Morando juntos desde 2010, começaram a se preparar para o vestibular. Ele passou em Geografia. E ela, em Design de Moda, ambos na Universidade Federal do Ceará (UFC).
Trocaram alianças no ano passado e foram morar em um lugar só deles. Mas, até chegar aí, o casal passou por um bocado, como lembra Josy. “Existem entre a minha cidade e a dele uma diferença grande de costumes, questão do clima, do sotaque, dos hábitos, isso foi umas da maiores barreiras do nosso amor. As pessoas ficarem falando que não ia dá certo porque a gente ainda nem se conhecia, sem contar da nossa pouca idade, foi tudo muito rápido, mas feito com maturidade, apesar de nossas idades somos bastante cientes do mundo”, conta Josy.
Para eles, a palavra que melhor resume o relacionamento é perseverança. Contrariam adversidades geográficas, culturais e de idade. Hoje, colhem os frutos. E, como falam, um sendo o cais do outro.
É COISA SÓ NOSSA…

Josy gosta de “emendar” músicas com o nome do amado. Quando não sabe, cria paródias. Lucas apenas ri.

Josy começou a chamar o marido de Luquito. Mas, a coisa evoluiu, e o apelido carinhoso tornou-se Luquita.
Em todo aniversário de Josy, Lucas faz empadão de frango. Geralmente no formato de coração. Enfeita-o com cartõezinhos e alguma palavra amorosa.

 

A NOSSA CANÇÃO

“Saudade, já não sei se é a palavra certa para usar.
Ainda lembro do seu jeito” (Chimarruts, Versos Simples)

 

Texto: Eduardo Sousa (Publicado na edição   de 12/06 no Jornal O POVO – Imagens- Sara Maia).

Eduardo Sousa

Sobre Eduardo Sousa

Eduardo Sousa é jornalista por formação, mas também adora e estuda moda. Faz serviços de assessoria de imprensa, personal stylist, revisor etc. Adora ler e escrever uma boa crônica, um simples retrato do cotidiano. "Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores".

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *