Defensoria quer que livro polêmico seja recolhido

A Defensoria Pública da União no Distrito Federal entrou com ação na Justiça Federal para que sejam recolhidos das escolas públicas os cerca de 485 mil exemplares do livro Por uma Vida Melhor.

A obra defende que o uso oral da língua popular – ainda que com seus erros gramaticais – é válido em algumas ocasiões informais.

Para o defensor público federal Ricardo Salviano, questões de sociolinguística não devem ser discutidas na sala de aula. “Escola é lugar de ensinar a norma culta. Se você diz que falar errado é aceitável, está prestando um desserviço à sociedade. Quem define as políticas públicas educacionais é o Ministério da Educação (MEC), que tem responsabilidades sobre qualquer material encaminhado às escolas e financiado com verba federal”, argumenta.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)

Valeska Andrade

Sobre Valeska Andrade

Formada em História pela Universidade Federal do Ceará e em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará. Especialista em Cultura Brasileira e Arte Educação. Coordenou o Programa O POVO na Educação até agosto de 2010. Pesquisadora e orientadora do POVO na Educação de 2003 a 2010, desenvolveu, entre outras atividades, a leitura crítica e a educomunicação nas salas de aula, utilizando o jornal como principal ferramenta pedagógica. Atualmente, é professora de história da rede estadual de ensino. Pesquisadora do Maracatu Cearense e das práticas educacionais inovadoras. Sempre curiosa!!!

2 thoughts on “Defensoria quer que livro polêmico seja recolhido

  1. Quanta ignorância desse “defensor”!
    Em primeiro lugar, essa modo já vem sendo implatado na escola desde o governo FHC, portanto não é uma abordagem nova do mistério da educação.

    No Brasil continental temos mais de 150 tipos de linguagem viva falada, o problema é que a norma culta não se aproxima da evolução da linguagem como acontece em portugal.

    Outra coisa, quem disser que o portugues de Portugal é a mesma lingua que falamos no Brasil é ignorante. (Marcosbagno, linguista da UNB)

    O que faz a língua funcionar como funciona é o uso, e o que faz uma variante ser escolhida como padrão é o prestígio social de quem usa essa variante. Todas as línguas mudam com o tempo, sob influência dos jogos de poder, das políticas linguísticas, das necessidades reais, das inovações técnicas, das aitividades costumeiras, até do clima e do humor dos falantes. Um falante brasileiro extremamente culto diz: “Me passa o sal, por favor”, enquanto um português automaticamente usa a próclise. Um falante brasileiro extremamente culto pode, em momentos de menor automonitoramento, dizer: “Os menino já vieram?”, e mesmo em Portugal, em alguns casos, não se pronuncia o “s” do plural. Se isso for assimilado socialmente, as regras de plural poderão até mudar totalmente, mesmo na fala e na escrita “culta”. Dizer: “Você não recebeu os livros? Eu lhos enviei na semana passada” é real no Brasil? Não, poderíamos dizer até que é agramatical no português brasileiro. TODOS os brasileiros diriam algo assim: “Você não recebeu os livros? Eu te mandei na semana passada” ou “Eu mandei eles pra você na semana passada”. Ou omitimos o pronome oblíquo (e frequentemente mesclamos os tratamentos tu e você), ou usamos os pronomes pessoais como objeto. O que faz com que os gramáticos não aceitem isso é a mentalidade colonizada, de achar que Portugal é quem manda no idioma. Sinceramente, desculpem, mas é abobrinha demais, hipocrisia demais e estudo de menos para a minha paciência. Prof Josué Tomaz, pesquisador da lingua portuguesa)

    Esse “defensor público” deveria ver esse ótimo debate aqui: http://bulevoador.haaan.com/2011/05/22680

    E principalmente a opinião da pessoa mais abalisada hoje no Brasil sobre lingua, o linguista e professor da UNB Marcosbagno: -“Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.” Vale a pena ler: http://marcosbagno.com.br/site/

  2. O PLATÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS ENTREVISTA DOCENTE CORRETOR DE REDAÇÃO disse:

    O senhor trabalha em universidade pública e participa corrigindo redações. O quê o senhor acha de ensinar errado?
    – Veja bem. Nós só temos algo próximo de 5 mil vagas e precisamos, para haver alguma lucratividade, de uns 50 mil candidatos. Se todos tivessem um conhecimento médio em linguagem seria impossível corrigir tantas provas, exigindo uma quantidade imensa de pessoas quando queremos até que os ganhos disto sejam apenas para uma meia dúzia. E mesmo que o sistema pague um extra fabuloso, enquanto de cada 100 redações mais de 90% zerando logo na primeira frase, fica tudo maravilhoso.

    Como o senhor também trabalha formando docente, você induz que esses ensinem tal qual indica a professora no seu livro?
    – Com certeza!!! Até, como já mostrei, para que fique mais fácil ganharmos um extra sem muito esforço. Além disto, o que temos na rede pública são aluno sem a mínima condições de aprender nada e a única coisa a se fazer é ensinar o que esses já sabem.

    Mas, como o senhor tem tanta certeza de que os seus alunos não serão também docente da rede privada?
    – Quem quer isso vai estudando por fora e não espera, até porque já sabe que não terá. Além do mais, na rede privada tem quem exija e fique vigiando tudo que ele faz na sala de aula. Já na pública, é só fechar a porta e fazer o quiser e como quiser, sem que deva qualquer satisfação a seu ninguém. Bastando, obviamente, que tenha certas amizades e não se meta, fora elogiar, no que os demais estão fazendo.

    O senhor não acha tudo isso uma perversidade contra o povo?
    – Absolutamente não!! Isso sempre se fez e em todas as disciplinas e ninguém nunca disse nada. De fato, os que foram nomeados no tempo da ditadura, a qual expulsou e perseguiu docente indesejável, gente que até fugiu deixando os alunos sem aula, salvo raras, exceções o general escolheu para nomear sem concurso exatamente quem fosse capaz de promover tais coisas, já que queria evitar que, se rede pública fosse mediamente letrada, a guerra para ingressar na universidade publica, os excedentes, seria terrível. Posto que, pobre é bicho metido e o fato de não haver alojamento, comida, livro e haver campus de universidade pública que só para se deslocar entre blocos de aulas precisa ter carro, por isso a ditadura fez onde foi possível cidades universitárias, mesmo assim, nem todo deixa de persistir fazer curso em universidade pública.

    E perguntamos, na condição de anonimato, para projetor do Enem o porquê de ter sido tão fácil corrigir milhões de redação em menos de dois meses.
    – Simples, meu caro!!! Mais de 90% desses zeram na primeira frase com coisas como neça frasi… E lembro que se não fosse assim o custo para que as empresas tenham lucro por participar do Enem seria astronômico.

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