Dúvidas no Divã

06.06.10 22:52

Realidade virtual auxilia tratamento da síndrome do pânico

Por: Flávia Vieira | Comentários: 9 Comentários

Experiências virtuais estimulam a neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de moldar e recuperar uma função perdida.

Experiências virtuais estimulam a neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de moldar e recuperar uma função perdida. A técnica tem sido usada em pacientes com síndrome do pânico e estresse pós-traumático.

Sabe aqueles momentos em que você quer sumir, ir para outro mundo? Agora, isso é possível. E serve para tratar labirintite, síndrome do pânico. E também para superar traumas e fobias.

“O bandido colocava a arma na minha cabeça, engatilhava e dizia que ia me matar. E disse que sabia que eu tinha um filho de dois meses”, lembra o bancário Renato.

O bancário participa de uma pesquisa inédita para tentar se livrar do medo que tomou conta de sua vida.

A costureira Maria está fazendo o mesmo tipo de tratamento. Mas para se livrar de outro problema: a tontura. Ela explica o tipo de tontura: “Foge tudo, você está andando e de repente dá aquele branco”, descreve a paciente Maria Ivana Lisboa.

Renato sofre de estresse pós-traumático e a tontura de Dona Maria é por causa da labirintite.  Eles estão experimentando um novo tipo de tratamento: a realidade virtual.

Todo tratamento com realidade virtual usa óculos como os mostrados em vídeo, com lentes especiais. É só colocá-los e a sensação é de que somos transportados para um outro lugar, um outro ambiente.

Pode ser um túnel. Ou então, esperando o ônibus chegar. O repórter está dentro de um metrô. Tudo isso pode até parecer um jogo de vídeo game, mas pesquisas mostram que esse tipo de experiência é capaz de transformar o nosso cérebro.

“Ela estimula o que chamamos de neuroplasticidade”, diz o Dr. Fernando Freitas Ganança,otoneurologista da Unifesp.

Neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de moldar e recuperar alguma função perdida.

“Na medida que o paciente se sente imerso em um outro ambiente, o cérebro é forçado a funcionar”, explica o neurologista Fernando Freitas Ganança, da Unifesp.

Dona Maria foi “transportada” para o joguinho mostrado em vídeo. Ela é a bolinha vermelha. O desafio é sumir com as peças sem perder o equilíbrio.

“Os movimentos fazem com que a gente lá fora aprenda a andar, a se movimentar, sem tanto medo”, diz Dona Maria.

Dona Maria está tratando sua labirintite na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No Rio, duas outras universidades, a UFRJ e a Uerj estão testando o uso da a realidade virtual em pessoas com síndrome do pânico.

“Eles têm medo de ficar em ambientes fechados, com muitas pessoas, e começam a evitar essas situações. Então, a gente podendo simular um ambiente que ele ainda não consegue enfrentar na realidade, ele pode começar o tratamento até que ele consiga ir para uma situação real”, explica a psicóloga da UFRJ Marcele de Carvalho.

No Rio Grande do Sul, pesquisadores da PUC criaram uma agência bancária virtual para tratar funcionários que foram vítimas de assalto e ficaram traumatizados.

Um especialista explica o que gera um estresse pós traumático: “É uma falha da capacidade que a pessoa tem, que todos nós temos, de se recuperar, depois que a gente passa por uma situação traumática”, diz o professor de psicologia da PUC-RS, Christian Kristensen.

Renato já passou por sete assaltos, em quatro agências diferentes que ele trabalhou, e nas duas últimas vezes, esses assaltos tiveram uma agressão física. “Eu fiquei com medo de sair de casa. Evito chegar no banco sozinho”, conta.

Renato precisa vencer o medo de entrar na agência onde trabalha. Chegou o momento de o Renato encarar pela primeira vez a terapia com realidade virtual.

A pulseirinha azul monitora os batimentos cardíacos. Na agência virtual, ele assume o papel do caixa. No momento do tiros, a ansiedade dele aumenta.

“Quando ele começa a vivenciar essa situação em um ambiente de realidade virtual, isso começa organizar a memória dele e diminui então a resposta de ansiedade”, explica o professor de psicologia.

Em Barcelona, na Espanha, a experiência médica com realidade virtual vai além. Ela consegue criar a ilusão de que você é uma outra pessoa e que tem um outro corpo. Veja em vídeo a experiência que acontece em uma sala.

As luzes se apagam. Os pesquisadores pedem para a pessoa que está sendo testada olhar para baixo. Ela vê mãos de uma criança e tem a sensação de que são as suas. Olha para o espelho e, ao invés de ver a sua imagem, vê uma menina. Não só vê, como chega a sentir que está no corpo dela. Uma mulher faz um carinho na criança. No mesmo momento no laboratório, o pesquisador passa a mão no braço da pessoa.

Vinte e oito homens fizeram esse teste e contaram que realmente se sentiram em um corpo feminino, o da menina mostrada em vídeo. E também tiveram uma sensação muito forte de que era a mulher virtual que estava passando a mão neles.

Segundo o chefe da pesquisa, pela primeira ficou provado que o cérebro é capaz de aceitar um corpo virtual como sendo o seu próprio.

Cientistas já pensam em usar essa tecnologia para tratar pacientes com anorexia, que têm uma visão distorcida do próprio corpo.

A realidade virtual seria o futuro da medicina? “É um início muito promissor”, responde o médico.

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1598289-15605,00.html

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Acredito que toda metodologia que venha a colaborar com a saúde psíquica das pessoas, vale à pena.

Que a psicologia se aproxime, cada vez mais de seus pacientes.

Flávia Vieira

Espaço dos leitores

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karla 07.06.10 | 13:45

Sou portadora de sindrome do panico, pois tramatica, gostaria muito de saber como posso fazer para ter acesso a este tratamento.
Obrigado

Flávia Vieira 07.06.10 | 18:34

Oi Karla, infelizmente ainda é um trabalho novo, experimental. Pouco se sabe sobre o assunto. O que sei é que a Universidade Federal de São Paulo e as universidades federal e estadual do Rio de Janeiro estão testando essa metodologia. Mas me comprometo a sempre manter atualizado no blog assuntos relacionados a esse tema.

sandra lima 08.06.10 | 17:02

Gostaria de fazer o tratamento(realidade virtual) mas não sei o por onde procurar. Alguem tem um contato do Dr. Fernando Freitas Ganança? Obrigada

rose neves 11.06.10 | 00:38

GOSTARIA DE SABER COMO ENTRO EM CONTATO, PARA O TRATAMENTO DE PANICO, AGUARDO RESPOSTA.
UM ABRAÇO

helena pimentel machado 12.06.10 | 11:43

gostei muito da reportagem e gostaria de saber como ter acesso ao aparelho de realidade virual. helena,medica.

conceição 14.06.10 | 10:57

comece indo á rua pedro de toledo,947.lá te pedirão uma guia,encaminhamento,da unidade de saúde próxima á sua casa para que vc possa marcar uma consulta lá .tente conseguir a guia antes já é meio caminho andadado.estou tentando isso no momento

CARLOS ESTêVãO 14.06.10 | 17:10

Prezados Senhores,
Saúde e Paz.
Gostei e achei muito interessante a reportagem sobre o experimento (tratamento realidade virtual). Peço a gentileza enviar-me
se possível, enviar-me endereço-telefone para
entrar em contato.
Desde já AGRADEÇO.
Atenciosamente. CARLOS ESTêVão.

Aline Pessoa de oliveira 02.05.11 | 17:16

Tenho Síndrome do pânico a 11 anos e nada de cura, somente alguns momentos de crises e outros não. Mas eu não me conformo
com essa doença. Quero ficar curada pra sempre e sei que preciso ter o controle da minha mente para vencer isso. O que eu faço? Quero ter uma vida normal sem viver dependendo de remédios. Agora quero engravidar e tenho medo porque preciso parar com a medicação.

Flávia Vieira 25.07.11 | 17:33

Olá!

Sempre recomendo a ajuda de um pofissional de psicologia. Trata-se de um importante suporte para o momento que você está atravessando.

Síndrome do pânico trás sofrimento, mas tem cura. Com ajuda profissional tenho certeza de que você enfrentará e vencerá essa batalha.

Acredite nisso!

Flávia

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Flávia Vieira

Flávia Vieira

Psicóloga clínica e psicanalista, com CRP 11/02004. Graduada pela Unifor em […]

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