02.10.10 23:26
O bem está para além da religião.
O bem existe além e antes da religião. Não é um produto da religião, mas de Deus, que no ato da criação colocou essa capacidade dentro de todos nós. Isso faz do bem, ou do mal, uma escolha e não uma força autônoma.
O rabino Jonathan Sacks, comenta que o fato de algumas pessoas de confissão não judaica [ou cristãs] serem exemplo de virtude e bondade, nos relatos bíblicos, evidencia essa verdade. Cita Raabe, que salvou os espias judeus, demonstrando coragem e bondade. Mesmo sendo uma prostituta e mesmo sendo uma não-judia – não religiosa a nossos moldes – foi uma heroína de guerra (Josué 2). Rute, a estrangeira moabita foi um dos maiores exemplos de lealdade e generosidade já registrados nas Escrituras (Rute 1). A filha do Faraó, mesmo sem ser judia, era uma mulher cheia de bondade e compaixão. Salvou Moisés, nascido escravo e sob sentença de morte. Deu-lhe um nome e o protegeu (Êxodo 2).
No Novo Testamento,a mesma idéia é repetida: Cornélio era pagão, mas sua bondade estava diante de Deus.
Os evangelhos mostram que o maior exemplo de fé comentado por Jesus, não veio de um judeu, mas de uma mulher Cananéia.
O fato de Deus ter cobrado de Caim o assassinato de seu irmão, antes mesmo de ter dito os termos da lei, “não matarás”, mostra que essa noção de certo e errado sempre esteve implícita na alma humana. Esse mesmo conceito é muito bem trabalhado na teologia paulina. Ao referir-se aos povos não judeus – que não tinham o livro da lei de Deus – Paulo afirma que a lei de Deus está gravada em seus corações – Rm 2:14,15
“14 De fato, quando os gentios, que não têm a Lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a Lei;
15 pois mostram que as exigências da Lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os.”
Isso revela que todos os seres humanos em todas as sociedades têm noção do certo e do errado e que esses valores são de Deus e, portanto estão acima das religiões. São uma sabedoria universal.
Isso também nos revela que as religiões precisam de mais humildade ao defenderem suas verdades, compreendendo que outras tradições anteriores já haviam caminhado com Deus. Tal é o curioso caso de Melquisedeque que na Bíblia é apresentado como um sacerdote de Deus, antes mesmo que houvesse judaísmo.
Que possamos compreender Deus para além de todas as movimentações e valiosos esforços religiosos humanos. No dizer de Tillich, “Deus está para além de Deus”. Assim nos atrevemos a parafrasea-lo dizendo: “a religião está para além da religião”.
Que nossa busca seja por Deus e seu bem, muito além das religiões. Até porque de acordo com a própria bíblia, a verdadeira religião não se manifesta através de ritos e dogmas, mas em ações benéficas (Tg 1: 26,27)
Domingos Rodrigues Alves
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toldos 04.10.10 | 22:50
Nao penso que se deva misturar Politica e Religiao ou Ciencia. Pode dar sim em uma grande confusao. Ha varios exemplos, como as Cruzadas onde se mataram milhares de “infieis”, a Inquisicao onde se mataram outros milhares por motivos futeis, etc. A igreja catolica deveria antes cuidar de expulsar os Padres Pedofilos de seu meio. Alem disto, o Sr. Pastor Malafaia deveria prestar muita atencao nisto. Ele se constitue em excelente Pregador, sem duvida. Mas penso que nao deveria, de nenhum modo, se imiscuir na Politica. A menos que tenha interesses, parentes politicos como parece mesmo ter o irmao. Houve tambem o caso do Pastor de Curitiba falando barbaridades, sem poder provar o que disse. Pelo que sei, as Igrejas no Brasil gozam de descontos de muitos impostos. Nao penso que seja justo para o resto da populacao que paga impostos.