Discografia

28.10.11 15:55

Representando o metal aparaense, Madame Saatan lança segundo disco

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Formada em 2003 em Belém do Pará, o Madame Saatan é uma banda de metal que vem ganhando espaço em festivais importantes como o MADA e o Porão do Rock. Apresentados com o EP O Tao do Caos, de 2004, eles lançaram o primeiro disco de verdade três anos depois, batizado apenas com o nome da banda. Logo na largada, foram apontados como o melhor disco de heavy metal no prêmio da revista Dynamite. Quatro anos depois, recheado de letras pesadas falando sobre morte, sangue, foice e ódio, o quarteto senta o dedo na guitarra e o pé na bateria para lançar seu segundo trabalho, Peixe homem. A avalanche sonora do quarteto é resultante de um mistura curiosa os sotaques do metal com algo do xaxado, da embolada. Mas não pense em Raimundos como uma referência. O assunto aqui é bem sério. O que pode parecer absurdo, de fato, fica acima da média de um estilo que teima em se repetir. A voz de Sammliz exala personalidade, força e testosterona em versos como “enterre os ossos, costure a força teu nome a ele. E o sacrifício de hoje é aguardente certo”. Peixe Homem tem produção de Paulo Anhaia (Charlie Brown Jr e Velhas Virgens) e masterização de Alan Douches (Aerosmith e Misfits). Um ganho para o trabalho, e bem incomum no universo heavy/trash metal, são as letras todas em português. E eles se saem bem assim. Mesmo que tanta raiva mais pareça mais uma exigência estilística do que uma mensagem para o ouvinte, a vocalista escreve bem coisas como “Esqueça o fundo que te aguarda ao deixar a tua velha margem”. O som vigoroso de Ícaro Suzuki (baixo), Ivan Vanzar (bateria) e Ed Guerreiro (guitarra) termina de pintar o quadro caótico da banda que demonstra claramente vocação para o palco. É certo que, para quem não é um iniciado no metal, chega um momento em que tudo parace ser a mesma coisa. Mas vale a pena ouvir mais uma vez e descobrir camadas de ideis ao longo do trabalho.

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27.10.11 11:00

Até tu, Ringo Starr!!

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Creio que não haja dúvidas de que, entre os quatro Beatles, Ringo Starr sempre foi o mais sem sal. Enquanto os outros três encontraram uma linha própria de composição e sustentaram carreiras independentes de sucesso, o baterista de nariz engraçado se manteve às custas dos sucessos da banda famosa. Seus discos solo quase sempre são uma reunião de amigos para dar uma força às faixas, no melhor estilo “With a little help from my friends”. Ainda assim, ele está por aí fazendo show, como os sete que vem trazer para o Brasil este ano. E foi por da primeira vinda de Ringo Starr que a Discobertas colocou nas lojas o disco Ringo! Peace & Love, com artistas brasileiros recriando canções do baterista ou que foram cantadas por ele em algum momento. O tributo faz parte de uma série de discos lançada pelo selo, sempre com produção do beatlemaníaco Marcelo Fróes, recriando a obra dos rapazes de Liverpool. Dessa forma já vieram tributo à John, Paul, George, até Yoko. Ringo! traz apenas 12 faixas (o mais magrinho de todos), das quais sete são inéditas. Apesar da economia de regravações e da obviedade das músicas selecionadas (quase todas canções interpretadas pelos Beatles), o disco é interessante. Não mais que isso. Entre as não inéditas, Zé Ramalho empresta It don’t come easy (tirada do seu tributo particular aos Beatles também lançado pela Discobertas – esse sim empolga), e a releitura viajandona de Good night feita pela banda Ampslina tirada da versão indie do Album branco (2008). Já entre as inéditas, o grande lance foi não mudar muita coisa. Ou seja, não mexer no que já é clássico. A exceção a esta regra veio pela voz feroz de Taís Alvarenga que fez do rock I wanna be your man um blues eletrizado e poderoso que mistura Linda Perry (4Non Blondes) com Janis Joplin. Já os Vibraphones embarcaram num Submarino Amarelo em versão em nacional escrita pelo jovem guarda Albert Pavão, mas que permaneceu inédita até então. Ficou bem curiosa, principalmente por conta da voz agudíssima de Dafne Boms. Já os capixabas Vix Beatles (BoysHoney don’t) e Clube Big Beatles (Act naturallyWhat goes on) assumem a postura descaradamente cover e repetem tudo tim tim por tim tim. Pra encerrar tudo, enquanto Zé Ramalho levou It don’t come easy para o terreno forrozeiro de Luiz Gonzaga, Aggeu Marques e os Yesterdays respeitam o original e fecham o disco com mais um cover. Pra alguém como Ringo Starr, que nunca gozou do mesmo respeito dos colegas, tá de bom tamanho.

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26.10.11 13:17

Coletânea Metamorfoses mergulha em raridades de Ney Matogrosso

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Se tem uma coisa que nunca poderá ser dita sobre Ney Matogrosso é que ele é preguiçoso. Ele sim é um autêntico trabalhador brasileiro. Isso pode ser confirmado na pluralidade da sua obra e nas participações mais curiosas que ele fez ao longo da carreira nos projetos mais díspares. Algumas destas participações estão reunidas no disco Metamorfoses, uma “lembrancinha” dada exclusivamente a quem comprar a caixa de mesmo nome lançada este ano pela Universal Music. Na coletânea dupla, Ney vai do jazz ao samba com a leveza de um pássaro, sempre impondo seu estilo único em tudo. Nas 31 faixas do disco, fica a certeza de que ele sabe transitar bem entre os caminhos mais improváveis, como uma Asa Branca com Chitãozinho & Xororó. Há ainda raridades bem raras mesmo, como o dueto com Tetê Espíndola em Na chapada.

Vejam as faixas de Metamorfoses:

CD 1:
1. Pra Não Morrer de Tristeza
2. Na Chapada com Tetê Espíndola
3. Os Avisos (Terceiro)
4. Quem É? com Marlene
5. Feitiço da Vila com Francis Hime e Raphael Rabelo
6. Mal-Me-Quer com Aquarela Carioca
7. Vento Bravo
8. El Justiciero
9. Babalu com Ângela Maria
10. Serenata Suburbana com Raphael Rabello
11. Página de Dor
12. Duas ou Três Coisas com Joyce
13. Lamento Sertanejo com Marinês e Sua Gente
14. Menino de Braçanã com Camélia Alves
15. Asa Branca com Chitãozinho e Xororó
16. Ave Maria
17. Toda Vez que Eu Digo Adeus (Every Time We Say Goodbye) com Cauby Peixoto

CD 2:
1. Tem Que Rebolar com Elza Soares
2. O Samba e o Tango com Hebe Camargo
3. A Filha da Chiquita Bacana/ Chuva, Suor e Cerveja com Edson Cordeiro
4. Lig-Lig-Lig-Lé
5. Você Não Entende o Que É o Amor com Rodrigo Santos
6. 4 Letras com George Israel
7. Nobreza com Luiz Avellar
8. Joana Francesa com Pedro Aznar
9. Duas Nuvens com Pedro Jóia
10. Lavoura com Roberta Sá
11. Esperança Perdida
12. Pra Machucar meu Coração com Leo Gandelman
13. Leo e Bia
14. Choro de Viagem com Lucina

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26.10.11 13:14

Metamorfoses encaixota produção de Ney Matogrosso pós anos 1990

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Em 2008, o melhor presente de Natal que poderia ser dado a quem se ama era a caixa Camaleão, com os 16 discos lançados por Ney Matogrosso entre 1975 e 1991, mais uma coletânea de registros raros e inéditos organizada pelo pesquisador Rodrigo Faour. Três anos depois, o cantor volta com uma nova sugestão para o Papai Noel: um segunda caixa com a produção pós 1993. Metamorfoses reúne 14 discos discos do magnífico cantor e acrescenta duas coletâneas duplas. Em comparação com a primeira caixa, esta tem como ponto negativo o fato de trazer muitos discos ainda em catálogo, alguns deles encontrados a preços bastante confortáveis. Ainda assim, como tudo que tem a mão do inclassificável cantor é digno de reverência, Metamorfoses está longe de ser um presentinho qualquer. Além de ser um prato cheio para comemorar os 70 anos do intérprete. Na nova caixa, estão os songbooks que Ney fez em homenagem a Ângela Maria, Cartola e Chico Buarque e a explosiva parceria com os cariocas do Pedro Luis e a Parede. De fora, ficaram apenas os registros ao vivo da turnê com Pedro Luís e a Parede (lançada a contra-gosto de Ney Matogrosso) e o da turnê Beijo Bandido (lançado no início deste ano).

Conheça o conteúdo do box Metamorfoses:

As Aparências Enganam (1993) – Ney Matogrosso e o quinteto instrumental Aquarela Carioca recriam Alceu Valença, Jorge Ben e Ednardo em clima camerístico.

Estava Escrito (1994) – Belíssima homenagem à Ângela Maria. Mais contido, Ney dá início a uma série de trabalhos mais jazzísticos. A Sapoti participa grandiosa em Só vives pra lua.

Um Brasileiro (1996) – Novo songbook, agora em homenagem a Chico Buarque. Destaque para os sambas Corrente e Homenagem ao Malandro. Chico dueta em Até o fim.

Ney Matogrosso 25 (1996) – Coletânea dupla comemorativa dos 25 anos de carreira de Ney Matogrosso. Inclui três regravações inéditas, incluindo o sucesso O Vira, dos Secos & Molhados.

O Cair da Tarde (1997) – Homenagem em dose dupla, a Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos, em tom camerístico. Destaque para a delicadeza de Tema de Amor de Gabriela, garimpada da trilha sonora do filme Gabriela.

Olhos de Farol (1998) – Disco marcado pela força das percussões, fruto do recente encontro de Ney com Pedro Luis e a Parede. Saindo dos discos acústicos, Olhos de Farol traz Ney de volta para o pop.

Ney Matogrosso Vivo (1999) – Registro do esplêndido show Olhos de Farol. Com uma banda de oito músicos, Ney se rebola entre canções de Rita Lee, Itamar Assumpção, Cazuza, Lenine e outros.

Batuque (2001) – Ninguém melhor do que Ney Matogrosso para homenagear Carmen Miranda. Cheio de sambinhas gostosos e choros rasgados, ele recria ao próprio modo O que que a baiana tem, Bambo de bambu e outras.

Ney Matogrosso interpreta Cartola (2002) – Novo songbook, agora sobre o Divino Cartola. Em tom de reverência, Ney transita entre o óbvio e o obscuro do sambista.

Ney Matogrosso interpreta Cartola – Ao Vivo  (2003) – Mesmo sendo uma exigência da gravadora, Ney consegue se superar no registro ao vivo em homenagem a Cartola. Aliás, o palco é o lugar do intérprete.

Vagabundo  (2004) – Algo como a fome e a vontade de comer, o encontro de Ney Matogrosso e Pedro Luis e A Parede é algo que se não existisse, teria que ser inventado. Indispensável.

Canto em Qualquer Canto (2005) – Após uma mega turnê dançante com Pedro Luís e a Parede, Ney volta ao modelo camerístico e lança um trabalho acompanhado somente por cordas. Destaque para O doce e o amargo, dos Secos & Molhados.

Inclassificáveis (2008) – Aos 67 anos, Ney desafia a lógica e lança um disco roqueiro e uma turnê grandiosa. Destaque para Fraterno (Pedro Luís) e Coração, coragem (Cláudio Monjope/ Carlos Rennó).

Beijo Bandido (2009) – Disco que transita entre o camerístico e o pop, o repertório vai de Evaldo Gouveia e Jair Amorim até Herbert Vianna. Pela primeira vez na carreira, Ney grava uma canção de Roberto Carlos (A distância).

Metamorfoses (2011) – Coletânea dupla inédita, exclusiva desta caixa homônima. São 31 faixas gravadas em discos de amigos e tributos. Destaque para os duetos com Cauby Peixoto, em Toda vez que eu digo adeus, e Serenata suburbana, com Raphael Rabello.

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25.10.11 11:00

O fim dos anos 70 e a maldição dos sintetizadores

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Quem viveu os anos 80 acompanhando bem a produção musical lembra bem da onipresença de um instrumento em particular: o sintetizador. Esse polêmico rapaz encontrou a redenção os roqueiros progressivos, que exploraram ao máximo as possibilidades do coitado para camas e climas sonoros. O problema é que com o tempo ele passou a ser presença constante do samba ao rock, dando uma unificada em tudo que se ouvia. Pra piorar, eram os tecladistas que faziam os sons de bateria, ou dos metais, ou, pior, de uma orquestra inteira. E tome músico bom desempregado. Só pra citar um exemplo, sabem por que o primeiro disco do RPM só traz três músicos na capa? Porque a bateria era feita num teclado. Enfim…

Nem a MPB também não escapou dessa praga, como fica comprovado numa série de relaçamentos recentes da época. Por exemplo, Vanusa ao completar seus 30 anos de carreira fonográfica resolveu dar uma repaginada no próprio som e soar mais moderna. Seguindo a ordem vigente, Vanusa 30 anos já abre com o som de um sintetizador. O disco, reeditado pela Joia Moderna, traz um repertório irregular e aquele famoso som ”anos 80″, apesar de ter sido lançado em 1977. O momento mais sintomático da crise dos sintetizadores está nas duas canções gospel que encerram o disco, Prece de Caritas e Maria Madalena. No entanto, há momentos que desculpam o instrumento como o bolero Só nós dois e na melancólica Problemas, composição obscura de Raul Seixas  e Mauro Motta. O mago dos teclados, Lincoln Olivetti, também marca presença na direção do trabalho e na bonitinha Desencontro (parceria com Ronaldo Barcellos). O curioso é saber que, para a época, Vanusa 30 anos era sim um disco de renovação. Isso fica comprovado na presença de inéditas de Belchior (Brincando com a vida), Arnaud Rodrigues (A Aranha), Caetano Veloso (Duas manhãs) e na primeira gravação de Avohai, de Zé Ramalho. Só não entendi ainda por que um disco lançado em janeiro trazia a natalina Boas festas (Assis Valente).

Outro relançamento recente também marcado pela tecladeira é Filme Nacional, de uma esquecida Marília Barbosa. Cantora e atriz com atuação nas décadas de 70 e 80, ela também usou e abusou dos sintetizadores neste disco que parece mais coeso que o de Vanusa, embora traga lá suas derrapadas. Ele começa bem com com um mezzo samba cheio de eletrônicos chamado Manifesto. Segue com Minh’alma, bolero cortante de Don Beto e Reina, dupla que iria ficar conhecida como defensores da black music brasileira. Mas logo na terceira faixa, Melodia inacabada, a breguice começa a tomar conta. E olha que estamos falando de uma canção até então de Rita Lee. A música que dá nome ao disco também é um belo bolero, com direito àquele a todos os maneirismos de bebum, e abre espaço para Olha, de Roberto e Erasmo (outras duas vítimas dos sintetizadores). O sambinha Total abandono (Djavan) e cantiga de ninar Pour Pablito (João Mello/ Dito) também tem tudo que a época pedia, mas deixam uma sensação de quem nem tudo estava perdido.

Nem mesmo Maria Creuza escapou da pasteurização sonora dos teclados. Mas, que fique claro, teclado e ruindade não são sinônimos. Só são amigos bem próximos que volta e meia se deixam levar um pelo outro. No caso da baiana que chegou a excursionar e gravar um clássico da música brasileira ao lado de Toquinho e Vinicius de Moraes, os teclados foram responsáveis por igualar seu canto sofisticado à mesmice que muitas outras cantoras faziam. Completando 40 anos de carreira em 2011, dois discos seus dos anos 80 estão de volta às lojas pelo selo Discobertas. Em Pura Magia (1987), a tônica é do samba. A abertura com Ifá, Um canto pra subir (Vevé Calasans/ Walter Queiroz) é bonitinha e tem clima axé music, enquanto o sambão joia Pura Magia (Roberto Mendes/ Jorge Portugal/ Jorge Aragão) é oitentismo puro. A coisa é tão séria que um dos convidados do disco é o obsceno Wando. Pra contrabalançar, Sivuca comparece em Luz (Toni/ Gloria Gadelha) numa rara participação como cantor. Delicado perfume é uma balada lenta que fecha bem o disco, com um raro suspiro de sofisticação. No entanto, em Paixão Acesa (1985), também de Maria Creuza, é mais tecladista ainda. Costurando canções de Nei Lopes, Rosa Passos, Ivone Lara e Carlos Colla, o disco tem como ponto alto a balada triste Sessões de cinema (Fernando Gama/ Arthur Laranjeira). Com apenas dois anos de diferença, Paixão Acesa e Pura Magia se parecem em tudo, desde os compositores até a sonoridade. Claro, quem viveu bem aqueles fins de anos 70 e a chegada dos 80, vais ter mais chance de gostar e até sentir uma pontinha de nostalgia. Já os mais novos, devem estranhar bastante.

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24.10.11 11:04

Wanessa se pronuncia sobre Rafinha Bastos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 10 Comentários

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Em tempos onde ainda não se sabe medir o que é liberdade de expressão e o que é ser politicamente correto, cenas curiosas como essa envolvendo o humorista Rafael Bastos e a cantora Wanessa tornam-se um prato cheio para debates. Pra quem não soube ainda, Rafael, um dos três homens na bancada do CQC, fez um infeliz comentário ao vivo dizendo que “comeria Wanessa e o bebê”. Isso em resposta a um comentário do apresentador Marcelo Tas de que a cantora estaria muito bonita grávida. Enfim, até agora muito se falou sobre o assunto, mas a futura mamãe nada disse até a tarde da última sexta-feira (21) quando ela se pronunciou através do seu site oficial. A questão é que ser politicamente correto ou conviver com quem o é é um verdadeiro saco. Porém, quem gostaria de ver um homem adulto ganhando dinheiro (e muito) com um comentário dessa categoria?

Eis o que escreveu Wanessa:

Diante de um silêncio engasgado e em risco de sufoco, me coloco, aqui e agora, fora dessa condição.

Quero falar, não porque estão me cobrando essa palavra, não para dividir lados e opiniões e nem para ganhar defensores. Apenas quero tornar pública a minha verdade, já que se trata da minha vida e da vida do meu filho, que nascerá em poucas semanas, e também para defender a mim e a minha família de falsas acusações.

Mesmo sendo de conhecimento geral o começo de toda essa história, gostaria de voltar à ela.

Em uma segunda-feira, voltando de um trabalho para casa, alguém próximo me informou o que tinha acontecido. Chegando em casa, entrei na internet e vi o vídeo que mostrava o humorista Rafael Bastos falando sobre mim e, infelizmente, também do meu filho. Confesso que tive de rever umas três vezes para ter certeza do que estava vendo e ouvindo.

Não tive reação, só pensava em uma coisa: “calma, ele vai ´consertar´ a frase, dizer que se enganou, falou errado e pedir desculpas”. Mas isso, como todos sabem, não ocorreu dentro do programa naquela noite e nem mesmo naquela semana, seja na imprensa ou nas redes sociais.
No dia seguinte, toda mídia comentava o acontecido. Nos próximos dias, não havia uma pessoa que me encontrasse que não comentasse o assunto.

Confesso que o que era insuportável ficou pior ainda, pois, como se diz na linguagem comum: “vi e ouvi o nome do meu filho na roda” e a única pessoa capaz de estancar essa história, não o fez!

A cada dia que se somava de silêncio do outro lado, mais indignada e machucada me sentia. O assunto também indignou o público e eu não tenho nenhuma culpa disso. Já que a escolha de dizer o que queria em um programa ao vivo e em rede nacional, assistido por muitos, não foi minha.

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Essa história foi tomando proporções maiores com cada atitude que o próprio humorista tinha. Aqui do meu lado, nada se ouviu sobre o assunto pois, inocentemente, ainda acreditava em alguma atitude de arrependimento.

A gota d’água, para mim, foi assistir a um vídeo produzido e postado pelo humorista onde ele, em uma churrascaria, ironiza toda essa história.

Em quase 11 anos como cantora já me senti e fui ofendida, já me julgaram de diversas maneiras, mas foi uma escolha minha quando resolvi seguir essa carreira e dar “a cara a bater”, porém, desta vez foi diferente. Rafael Bastos ofendeu, agrediu verbalmente, ironizou e polemizou com o meu filho.

E qual mãe no mundo não defenderia, até com sua própria vida, o seu filho?

Estou apenas desempenhando o maior papel que a vida me deu: ser mãe. Para defendê-lo, vi na Justiça de nosso democrático país, o melhor caminho. Por isso, entrei com um processo criminal de injúria que, segundo nossa Constituição e Código Penal, artigo 140 se aplica perfeitamente ao ocorrido, já que o crime de injúria consiste em ofender verbalmente a dignidade ou o decoro de alguém, ofendendo a moral, abatendo o ânimo da vítima.

Quando a notícia desse processo chegou ao conhecimento público, todos se apegaram a parte mais sensacionalista do caso, já que no artigo 140 a pena descrita para esse crime é de detenção de 1 a 6 meses. Esqueceram de dizer que a pena também se aplica com multa que pode ter um valor simbólico com doação de cestas básicas ou chegar a qualquer valor estipulado por um Juiz. E qual será o valor estipulado a ele se tivermos ganho de causa, não cabe a mim ou minha família decidirmos, isso cabe a Justiça.

Sinceramente, não estou interessada em dinheiro nenhum, muito menos que ele seja encarcerado em prisão alguma. Apenas desejo que esse processo faça o humorista repensar sua forma ofensiva de falar, disfarçada erroneamente em liberdade de expressão. Desejo a ele o arrependimento e que compreenda o ferimento que causou.

Gostaria de esclarecer, também, que eu e minha família não temos relação alguma com qualquer afastamento ou retorno envolvendo o humorista. Seria até pretensioso pensar que temos esse poder, já que a Band é uma empresa privada com seus donos, dirigentes e empregados e essa, sendo assim, se torna a única responsável por suas decisões. Qualquer notícia envolvendo esse poder fictício e covarde é falsa e mentirosa.

Muitas pessoas enviaram mensagens me pedindo para perdoar, mas só se perdoa quem pede desculpas e está arrependido. Eu não tive essa opção.

Essa é minha verdade e também a primeira e última vez que falarei publicamente sobre esse assunto. Tudo o que tinha para dizer eu disse aqui. Não sei se todos compreenderam minhas razões lendo este texto, mas peço, encarecidamente, pelo respeito ao meu silêncio de agora em diante.

Estou em um momento muito especial e sensível da minha vida e preciso de um pouco de paz, para receber meu filho com toda serenidade possível.

Obrigado pela atenção e espaço.

Wanessa Godoi Camargo Buaiz

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21.10.11 11:30

Karina Buhr e mais novidade no cenário musical independente

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 2 Comentários

Por Camila Holanda (

A cena musical independente do Brasil ganha um novo disco. Karina Buhr lançou e disponibilizou Longe de onde para download em seu site oficial. É o segundo trabalho solo da artista e traz onze composições cheias de malemolência, arrastando o ouvinte para um universo, digamos, transcendental. Em novembro e dezembro haverá shows para o lançamento do disco. Na rota, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Campinas. Bem que Fortaleza poderia ser inclusa.

As ligações com a cultura pernambucana são evidentes, devido à criação que a baiana Karina teve em Recife, além de elementos da cultura pop e do rock. Muita guitarra e percussão em cima de letras bem elaboradas e maduras também marcam as composições do novo disco.

Karina sabe bem manipular as palavras e casar com os arranjos feitos em parceria com o grupo de músicos que trabalha com ela. Neste trabalho, destaque para a participação na guitarra do cearense Fernando Catatau, integrante da banda Cidadão Instigado.  Além dele, participam os músicos Bruno Buarque, Mau, André Lima, Guizado, Edgard Scandurra, Otávio Ortega e Guilherme Calzavara.

Cara palavra é a primeira faixa do disco e é a única a ter videoclipe, até agora. As imagens foram gravadas no Marrocos, em um lugar que parece ser uma feira. O disco todo é uma viagem incomum, e a ausência de linearidade temática encanta. Copo de veneno carrega um tom pessimista, mas logo em seguida é quebrado por Amor brando, expondo um sentimento delicado, por meio da suavidade de letra e guitarra.

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A vida artística de Karina Buhr precede a carreira solo. Em 1994, integrava o maracatu Piaba de Ouro, na Bahia, e, depois, participou do Estrela Brilhante. Em Pernambuco de 1997, tomou a frente do grupo Comadre Fulozinha, que lançou três discos e teve as ilustrações dos encartes assinadas por ela.  Ainda atuou em outros grupos, como Eddie, Bonsucesso Samba Clube, DJ Dolores, Véio Mangaba e suas Pastoras Endiabradas, além de trabalhos no teatro e na dança.

A bagagem cultural multifacetada permite que Karina Buhr faça experimentações em cima e fora do palco. Desde a ousada maquiagem às performances particulares. Uma palavra define o que ela faz: arte.

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21.10.11 09:00

Tanta felicidade

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Por Domitila Andrade (domitilaandrade@opovo.com.br)

O filho do seu Manoel parecia predestinado, desses que o caminho começa a ser traçado antes de nascer. A família foi de Pernambuco para São Paulo e a saudade se impregnou na casa dos Jeneci. Foi o sentir falta que fez Marcelo ouvir música e foi seu Manoel que incentivou o primeiro dedilhar no piano. Quando viu, o menino já tinha crescido e saído de casa para acompanhar músicos famosos. Tocando piano e sanfona, Marcelo Jeneci tocou com Chico César, Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata e Cidadão Instigado.

Começou a compor e logo a primeira canção, Amado, foi parar na novela das nove na voz de Vanessa, ainda teve outra, Longe, que o sertanejo Leonardo gravou e também virou trilha de folhetim. Decidiu que era hora de gravar um CD solo e Feito Pra Acabar, o primeiro rebento, foi citado nas principais listas de melhores discos de 2010. Sucessos de crítica e público, Jeneci e sua Felicidade chega hoje, 21, a Fortaleza, para seu primeiro show na Cidade, encerrando a programação do IV Festival UFC de Cultura. O POVO conversou com o cantor e multiinstrumentista.

DISCOGRAFIA - Queria que a gente começasse você me contando um pouco de como foi o início do teu interesse por música, e como esse interesse passou a ser levado a serio, visto como profissão.

Marcelo Jeneci - A minha vida de músico aconteceu como vida de jogador de futebol que criança vai jogar em campinho de várzea, adolescente passa a treinar num time ou outro, e na fase adulta nem percebe que aquela diversão passa a ser um trabalho. Comigo foi assim. Desde os 15 anos eu recebo pra trabalhar por música. Eu cresci numa atmosfera de muita saudade, de música, de música para matar a saudade, muita TV aberta, muita cultura popular. Acho que eu fui absorvendo essa linguagem, e essa vocação para música acabou compatibilizando essas duas coisas.

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DISCOGRAFIA - Você toca sanfona e a sua primeira foi doada pelo Dominguinhos. Por ser a sanfona um instrumento muito usado em ritmos nordestinos, como foi que você virou roqueiro e escolheu esse caminho alternativo?

Jeneci - Acho que pelo fato de eu ter morado a vida inteira em São Paulo, que é uma cidade que comporta vários gêneros musicais. Minha família é pernambucana, mas não existia essa pressão para que eu tocasse ritmos nordestinos. E quando eu comecei a tocar sanfona eu pensei: “Nunca vou conseguir tocar como esses caras”. Daí, segui outro caminho e a minha música tem influência da música indie argentina, do rock. Eu uso a sanfona nisso. Porque o instrumento é livre, é aberto para ser usado da maneira como a gente quiser.

DISCOGRAFIA - Quais outros instrumentos você toca? Começou mesmo com a sanfona?

Jeneci - Não, a sanfona foi um dos últimos, comecei a tocar por necessidade. Pela vontade de sair pra fazer música e surgir essa oportunidade para alguém que soubesse tocar sanfona e piano (aos 17, Jeneci fez parte da banda de Chico César). O meu primeiro instrumento foi órgão, depois piano. Com 17 comecei com sanfona e, em 2008, quando eu fui começar minhas composições, comecei no violão e na guitarra.

DISCOGRAFIA - O fato de teu pai ser do Nordeste (seu Manoel Jeneci é de Sairé, Pernambuco) e você sempre visitar a terra natal paterna reflete de alguma maneira na sua musicalidade?

Jeneci - Com certeza. Essa relação da saudade, típica do nordeste, é uma ponte direta para música que eu faço. No fundo eu acredito que o fato de eu ser musico é uma extensão de um movimento que começou bem antes de eu nascer. De uma família que migra de Pernambuco para São Paulo, que não tem nem um outro músico, mas tem um filho com vontade de ser músico, que é meu pai, e que acaba mexendo com coisas de eletrônica (seu Manoel consertava acordeons e tinha alguns clientes famosos, como o próprio Dominguinhos) e que quando eu apresentei a vocação me incentivou. De repente eu saio músico. Muito do que eu faço hoje é para dar satisfação para todas as pessoas que me guiaram até aqui. E a minha música guarda essa melodia saudosa, passional, por sentir falta de algo, e que é diretamente ligada à canção nordestina, aos lamentos sertanejos.

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DISCOGRAFIA -  Você já tocou na banda do Arnaldo Antunes e do Chico César, compôs algumas músicas para outros cantores. Como se deu a passagem do músico instrumentista para o compositor? Quando você sentiu que era o momento certo para engatar uma carreira solo?

Jeneci - Quando eu comecei a tocar com o Chico César e viajar pelo mundo, eu não fazia ideia que dez anos depois eu estaria compondo. Eu sabia que antes dos 30 eu ia fazer alguma coisa autoral, mas até lá eu fiquei ligado à função do instrumentista. Vivendo essa vontade de estar perto de quem eu achava interessante. E chegou um ponto que se confundiu um pouco isso de saber se era eu que estava ali atrás deles, ou eles que estavam me procurando, porque eu passei a me colocar de forma mais autoral. Eu lembro que eu ficava nas passagens de som pensando “Pó! Eu acho que se eu fizesse tal música ia funcionar nesse festival, esse público de dez mil pessoas ia curtir”. Aí eu comecei a criar num plano virtual esse álbum, idealizando o que seria bom de fazer, o que eu tinha vontade de fazer, me colando naquele lugar. Parecido com quando a gente está apaixonado que a gente faz plano, coloca as coisas num plano virtual e cria essa vontade. Foi mais ou menos assim na mudança do instrumentista para compositor. Primeiro eu fiz com a Vanessa da Mata o Amado. Nessa mesma época eu conheci a Laura Lavieri (cantora que acompanha Jeneci no CD e nos shows), eu era muito amigo do pai dela, gostei muito da voz dela, que eu não gostava da minha. E eu tocava no Cidadão (Instigado) e me reencontrei com essa música mais sentimental. Fui compondo pensando na voz dela, porque eu não gostava da minha. Em dois anos eu compus o repertório todo e já desenhei ele na cabeça, qual ia ser a primeira música, a última.

DISCOGRAFIA - E como você passou a gostar da sua voz?

Jeneci - Aos poucos, o que era insegurança se tornou convicção e eu passei a entender esse instrumento novo, que é a minha voz e por fim eu me senti realizado e aliviado. Hoje eu já sinto diferente. Taí uma coisa que com certeza vai mudar para o segundo álbum.

DISCOGRAFIA - O Feito Pra Acabar foi citado em diversas listas de melhor álbum de 2010. Como foi pra ver teu primeiro trabalho já alcançando esse sucesso? 

Jeneci - Ele foi alimentado por uma necessidade de viver algo. Nesse processo, eu sentia que tinha de dar conta, de dar uma satisfação a essas pessoas que me guiaram. Então, ele tem uma questão existencial.  Eu estive por muito tempo ligado o tempo inteiro a ele, não tive descanso até ele ser finalizado. E não foi um processo fácil, foi bem pesado. Quando eu terminei me senti aliviado, enfim eu podia pegar ele pronto, ir na casa dos meus pais, colocar ele para tocar e dizer “Olha, foi por isso que saí de casa aos 18 anos”, e foi o que eu fiz. Enfim, eu podia devolver para Guaianases (bairro paulista onde Jeneci cresceu, conhecido por ser reduto de nordestinos), para periferia de São Paulo, algo que eles pudessem gostar. Eu estou ali naquele álbum fazendo uma música para eles, uma música popular. E essa sinceridade foi de dentro para fora, e está começando a se manifestar de fora pra dentro também, porque todas as coisas feitas de dentro para fora com essa sinceridade, a resposta é igual. Às vezes o tempo é injusto, nesse caso não foi.

DISCOGRAFIA - Em uma entrevista, o (Fernando) Catatau contou que no começo do Cidadão Instigado ele se assustava quando as pessoas cantavam as músicas dele, tinha até certa raiva. Essa popularização da tua música, então, não te assusta?

Jeneci - Não, não. A vontade do compositor é de que a música chegue às pessoas, deixe de ser dele.

DISCOGRAFIA - Queria que você me contasse um pouco do teu processo criativo. Você bola primeiro a letra ou a melodia? A música sai toda de uma vez? A inspiração é autobiográfica?

Jeneci - É bem misturado, não tem muita regra, não. Onde eu tiver lugar para sentar é um bom lugar. No piano, avião, banheiro, janela, rua, chuva, fazenda ou numa casinha de sapê (risos). Às vezes, vem uma frase ou a letra e eu procuro a música. Às vezes é o contrário. Ou é uma soma de insights que surgem numa conversa, e a partir disso vem o trabalho braçal. Ao final é preciso editar tudo isso.

Imagem de Amostra do You Tube

DISCOGRAFIA - E, como compositor, você tem como parceiros também grandes nomes da MPB, pessoas como o Arnaldo, Wisnik, Tatit. De que modo compor com artistas desta envergadura contribui para a formação da sua linguagem musical? 

Jeneci - Toda vez que eu me aproximo de alguém para fazer música acontece alguma troca. Ou eu contribuo nas músicas de alguém, ou eles contribuem no meu projeto. Eu não fico pensando “Ah! Quem ta aqui é o Arnaldo, ou Wisnik, ou Tatit”. Eu penso que eu trabalho a serviço de uma terceira pessoa que é a canção, e como ela está ali confiando em mim, para ela ir seguir, para ela ser finalizada. E quando eu acho que para que a canção seja melhor, ou que falta alguma coisa, eu vou atrás da ajuda de algum parceiro. Lógico que ter a chance de passar algumas tardes com o Arnaldo, com o Wisnik, ter esse privilégio, é coisa rara, é um presente, e tem de ser aproveitado. Eu cito esse três porque eu acho que são eles com quem eu aprendo a fazer coisas que tenham um conteúdo que resista ao tempo, que seja sincero, poderoso, que as pessoas escutem deixem aquilo guardado no coração.

DISCOGRAFIA - Tem alguém com quem você ainda quer compor em parceria?

Jeneci - Acho que com Roberto Carlos. Não só por ele ser um cantor romântico, mas porque ele consegue sintetizar em poucos versos sentimentos que todos nós sentimos.

DISCOGRAFIA - Sobre o show aqui em Fortaleza, como estão as expectativas? E o repertório é do Feito Pra Acabar, mas tem alguma novidade?

Jeneci - Essa situação de um primeiro show é sempre instigante, o pessoal da UFC foi muito bacana de me convidar para o projeto. Eu fico tentando preparar alguma coisa para responder o carinho do público, das pessoas que pediram o show pela redes sociais. O repertório é do Feito Pra Acabar com mais duas músicas que não estão no CD, e uma terceira se eu sentir que as pessoas estão com vontade de me ouvir. Eu vou com espírito de fazer um show de todos. Meu que vou estar ali no palco, mas também de quem me escuta, e se tiver alguém disperso eu chamar: “Vem cá”.

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19.10.11 11:00

12 cantoras releem obra de Marina Lima

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

No mesmo ano em que Marina Lima volta às lojas com o seu modernoso Clímax, a jornalista Patrícia Palumbo arregimenta 12 cantoras da nova safra brasileira para reconstruir canções obscuras do repertório da roqueira carioca. Patrícia foi convidada pelo DJ Zé Pedro, dono da gravadora Joia Moderna, por onde sai o tributo bem batizado de Literalmente Loucas. O nome do projeto foi tirado de uma música do disco de estreia de Marina, mas que curiosamente ficou de fora do disco.  Assim como é praxe da homenageada quando se apropria de outras canções, a ideia de Literalmente Loucas foi realmente desconstruir e reconstruir não-clássicos para provar a atualidade e versatilidade da obra feita quase toda ao lado do letrista Antônio Cícero (irmão da cantora). Entre ótimos  e bons momentos (e poucos escorregos), o objetivo foi bem alcançado. Veja no Faixa-a-Faixa:

1. Memória fora de hora (Marina/ Cícero) – lançado no inaugural Simples como fogo (1979), esta canção lançada como um reggae, virou um dance curioso, cheio de feitos, na voz sempre doce de Tulipa Ruiz. Se firmando como uma das melhores dos últimos tempos, a paulistana se apropria sem medo e faz bonito.

2. Quem é esse rapaz (Marina/ Cícero) – Pop bem oitentista do disco Certos acordes (1981), esta balada meio jazzy ganha uma veia indie brega com a voz curtinha da paulista Andrea Dias. O destaque fica para a guitarra de Léo Chermont. Há também um toque abolerado que dá um charme à releitura.

3.Por querer (Marina/ Cícero/ Nico Rezende) – Uma das mais belas e sensuais baladas românticas de Marina, foi lançada no disco Todas (1985). Dona de um dos melhores discos de 2010, Bárbara Eugênia se equivocou ao tirar a sensibilidade e colocar num rock. Pra quem conhece o original, desce rasgando.

4. Meu doce amor (Marina/ Duda Machado) – Inédita na voz de Marina, esta foi sua primeira canção gravada. No caso, por ninguém menos do que Gal Costa no espetacular disco Caras & Bocas (1977). Ainda vivendo sua fase hippie, a baiana deu ginga a este desabafo de uma mulher abandonada. Márcia Castro soa mais contida, mas não menos intensa.

5. Confessional (Marina) – Balada apaixonada alocada no finzinho do disco Virgem (1987), esta canção ganha fúria com o acompanhamento da banda Tono. No vocal, Karina Zeviani, do coletivo internacional Nouvelle Vegue, faz bonito. O arranjo bluseiro faz bem à canção.

6. Bobagens, meu filho, bobagens (Marina/ Cícero) – Mais uma inédita na voz da autora, esta foi lançada por Caetano Veloso no inspirado Uns (1983). A estreante Graziela Medori, filha da cantora Claudya, não tem o mesmo apelo vocal de Caetano, mas segura bem a onda e não tem medo de mexer nos ritmos e climas da composição.

7. À meia voz (Marina/ Cícero) – A canção que batizou o disco Registros à meia voz (1996), revela no nome o resultado da depressão por que passou Marina naquele ano, fazendo a cantora perder a voz por um tempo. Composta como um funk pesado, Anelis Assumpção aposta na inventividade e refaz a música. Uma das releituras mais surpreendentes deste tributo.

8. O meu sim (Marina/ Cícero) - O ótimo disco Marina Lima, de 1991, é o primeiro que traz a compositora assinando com nome e sobrenome. Nesta canção sobre a solidão, Nina Becker respeita a ideia original, mas crescenta climas e camadas cool sobre sua voz. Apesar de ter recursos vocais limitados, ela sabe usá-los bem.

9. Tão fácil (Marina/ Cícero) – Também de Simples como fogo, esta foi concebida como um blues autêntico com Marina se derramando sobre o microfone. Como para Karina Buhr nada pode ser tão fácil (ops!), ela casa e batiza indo do rock ao dance. Com boa vontade, tem até uma bossinha. Claro, o sotaque recifense é o charme e está lá.

10. Alma caiada (Marina/ Cícero) - Bem apresentado em 1979 por Zizi Possi e inédito na voz de Marina, este é mais um blues da primeira safra da compositora. Iara Rennó esquece os limites e leva a canção para o espaço. Sem chão ou muros, ela enche os três minutos e meio de ruídos, gemidos e inserções. Resultado curioso e arrepiante.

11. Seu nome (Marina/ Cícero) – Mais uma dos promórdios de Marina, lançada no disco Certos Acordes (1981). A desconhecida Joana Flor faz da baladinha oitentista uma bossinha eletrificada. O canto agudo da carioca parece respeitador ao original, mas também imprime personalidade. Atentem para o “isso é fatal”.

12. O solo da paixão (Marina/ Cícero) – Mais uma balada inspirada de Marina lançada em Registros à meia voz (1996). Claudia Dorei se divide entre voz e trompete e deita sobre uma cama de programações. É um encerramento climático para um tributo merecido a uma cantora e compositora que merece ter sua história redescoberta.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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