27.04.12 11:31
Zeca Baleiro volta com O Disco do Ano
O maranhense Zeca Baleiro foi um pouco mais adiante na hora de escolher o produtor do seu novo disco. Para dar conta de todas as ideias que tinha na cabeça, ele arregimentou nada menos que 16 produtores (ele incluso) para cuidarem das 12 faixas de O disco do ano. O fato é que pluralidade já faz parte do trabalho do cantor e compositor desde a estreia em Por onde andará Stephen Fry? (1997). Daí, só mesmo muitas cabeças para apertar todos os parafusos do disco.
E é aí que mora o problema de O disco do ano. Depois de abordar tantos estilos, instrumentos, ritmos e convidados, fica difícil para Zeca Baleiro fazer algo que de fato surpreenda. Pulando de um reggae meio fraco das pernas (Calma aí, coração, em parceria com Hyldon) para um bregarock com guitarra à la Chimbinha (O amor viajou), o primeiro trabalho de inéditas do maranhense desde O coração do homem bomba (2008) parece mais desnorteado do que criativo.
Ainda assim, a veia poética de Zeca ainda é um trunfo. A balada Nada além, gravada em 2008 pelo parceiro Frejat, adorna em tons acústicos versos inspirados como “você acha que ninguém sofre mais do que você, talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer”. Já Mamãe no Face é um recado cheio de cinismo para quem tece críticas ao seu trabalho (“Mamãe, eu fiz o disco do ano. Parece que o Hermano falou bem na Piauí”).
Também cheia de intenções é a lista de convidados. O cantor Chorão, da banda santista Charlie Brown Jr, divide a letra quilométrica do rap O Desejo. Já a baiana Margareth Menezes coloca seus graves possantes em Último post, parceria de Zeca com sua irmã Lúcia. Por fim, a paulista Andreia Dias bota docilidade no rock oitentista Meu amigo Enock, uma das melhores do novo trabalho. Depois, Baleiro aparece sozinho cantando, compondo e arranjando na imediata Felicidade pode ser qualquer coisa. Certo de que “zona de conforto” não é muito sua praia, ele diz: “se você quer ser feliz, tente”.
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03.02.12 17:00
Zeca Baleiro abre espaço para disco colaborativo
O disco é do Zeca Baleiro, mas quem manda é você! Com novo site na praça, o maranhense vai lançar em breve uma campanha para que os fãs escolham a capa do seu novo disco. O Disco do Ano deve chegar às lojas em março, com o carimbo da gravadora Som Livre. Seu último trabalho de inéditas foi o duplo O Coração do Homem Bomba, de 2008. Em seguida ele lançou o pacote Vocês Vão Ter que Me Engolir, que reunia dois trabalhos ao vivo, um elétrico e outro acústico.
Quanto a O Disco do Ano, o novo disco vai contar com 12 canções e 15 produtores. Até o momento, já estão confirmadas participações de Margareth Menezes, Andreia Dias e Chorão (Charlie Brown Jr.). Nas composições, Baleiro contará com parceiros como Wado, Hyldon, Lúcia Santos (irmã de Baleiro), Kana (compositora japonesa) e Frejat, em Nada Além, já registrada no disco Intimidade entre Estranhos, último trabalho solo do Barão.
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24.09.11 11:00
“Na idade em que estou, já sou sim uma referência pros mais jovens. Espero que boa”
O cantor e compositor Zeca Baleiro esteve na última semana em Fortaleza, fazendo show ao lado no amigo Nosly. Por email, ele falou com o DISCOGRAFIA sobre a música maranhense e seus futuros planos.
DISCOGRAFIA - Seu último lançamento foi Concerto, um disco acústico. Você transita sempre entre o acústico e o elétrico. O que você mais gosta em cada um desses estilos? Tem preferência por algum?
Zeca Baleiro - Não tenho preferência, gosto de transitar. Inclusive pela eletrônica – alguns discos meus já andaram por essa seara. Tudo me diverte.
DISCOGRAFIA - Em paralelo, você lançou também o Trilhas. Como é seu processo de composição para trilhas sonoras?
ZB - Nesse caso a criação é um pouco mais “dirigida”, afinal está a serviço de outra obra, outro artista. Mas é igualmente instigante.
DISCOGRAFIA - Os dois discos foram para comemorar seus 13 anos de carreira. De onde vem esse carinho pelo número 13?
ZB - Um pequeno fetiche, mas não chego aos pés do Zagallo.
DISCOGRAFIA - Além do seu trabalho como cantor e compositor, você vem se exercitando como produtor. Embora não seja uma novidade, o que tem achado da experiência? Qual é a marca do Zeca produtor?
ZB - Produzi cerca de 16 discos de outros artistas, além de alguns meus próprios. É uma experiência bem particular também, é ficar um pouco do outro lado, dirigindo os trabalhos, cortando alguns excessos, permitindo outros. Gosto muito.
DISCOGRAFIA - Você também está à frente da Saravá Discos, que já lançou disco de Antonio Vieira e Chico Lobo, por exemplo. Como tem sido o trabalho do selo? Que outros projetos você tem em mente para o selo?
ZB - Estamos lançando esta semana o disco Sinceramente, último trabalho do Sergio Sampaio, compositor capixaba morto em 94. Para o ano devemos pensar em algo, mas agora estou bem centrado no meu novo disco de inéditas, que quero lançar no início do ano.
DISCOGRAFIA – Queria que você falasse especialmente de dois trabalhos da Saravá: o Cruel, do Sérgio Sampaio, e o do Tiago Araripe.
ZB - O Cruel é um disco póstumo, era um grande desejo do Sergio registrar sua última safra de composições, mas ele morreu em 94, aos 47 anos, sem realizar tal projeto. A ex-mulher dele, a Angela, me deu um material que ele tinha deixado e eu continuei. Foram três anos de trabalho árduo, recuperando dats, cassetes, gravações esquecidas e algumas sem qualidade. E o Cabelos de Sansão é uma jóia do cearense Tiago Araripe, foi meu disco de cabeceira por anos e nunca havia sido lançado em CD. Nos tornamos amigos e parceiros e amadurecemos a idéia de lançá-lo em CD. Foi um pequeno grande acontecimento. Esse disco pra mim é histórico.

DISCOGRAFIA – Outro lançamento recente seu foi a caixa Vida é um souvenir made in Hong Kong. Como nasceu esse projeto?
ZB - Esse projeto não é meu, mas do André e da Graça, responsáveis pela Editora da Universidade Federal de Goiás, que criaram uma coleção de arte e me convidaram pra lançar esse livro. O projeto gráfico é de Roger Mello, e é uma obra prima.
DISCOGRAFIA – Este trabalho é crítica à sociedade de consumo e à relação arte e produto. O que você pensa sobre o assunto?
ZB - Na verdade esse livro é um recorte do meu trabalho, com ênfase nas letras mais ácidas e críticas. Tudo que penso sobre isso está lá, temo ser repetitivo.
DISCOGRAFIA - Entre tantos projetos e caminhos, você também lançou um livro, Bala na agulha. O que acha da experiência de escritor?
ZB - Desafiadora. É muito diferente escrever em prosa, é uma perspectiva bem distinta da canção. Mas foi e tem sido um exercício muito enriquecedor.
DISCOGRAFIA – Ainda falando sobre o escritor Zeca Baleiro, suas letras misturam referências bem plurais da arte culta e pop. Gostaria de saber sobre sua formação. O que gosta de ler, ouvir, assistir, fazer, etc.
ZB - Em verdade, tudo. Sempre fui aberto a todo tipo de referência, e isso talvez seja um pouco responsável pelo caldeirão em que minha música se transformou. Sou um grande curioso, e a curiosidade é o primeiro ímpeto da criação artística.
DISCOGRAFIA – Do início da sua carreira até hoje, você já esteve ao lado de artistas novos e consagrados, como Gal Costa, Cyz e Pedro Joia. Algum dos convites que você recebeu foi uma surpresa pra você? Com quem ainda gostaria de dividir o microfone?
ZB - O da Gal foi incrível, uma grata surpresa. Já colaborei com muita gente e isso é algo que me agrada muito. Gosto muito do CD/DVD que fiz com Fagner e com a colaboração preciosa do Fausto Nilo, por exemplo. Mas adoro alargar o time de parceiros sempre.
DISCOGRAFIA – Em meio a tantas atividades, como faz pra escolher as prioridades?
ZB - É a coisa mais difícil pra um ariano hiperativo como eu. Mas vou administrando.
DISCOGRAFIA – Quais são seus planos atualmente?
ZB - De imediato produzir esse novo trabalho. Em paralelo continuo com o Baile do Baleiro, uma festa-celebração à música brasileira que sempre faço, recebendo convidados. E ainda tem alguns projetos na agulha – um cd infantil, um de brega e outro de sambas.
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