16.09.11 16:15
Zé Ramalho junta Bob Dylan e Luiz Gonzaga em tributo aos Beatles
Ao longo de mais de 30 anos, Zé Ramalho construiu uma das assinaturas mais fortes da Música Popular Brasileira. Com seu toque de violeiro, sua voz agreste e seu canto falado, ele cruzou a linha do rock, da psicodelia, do baião, do folk e se lançou com uma obra referencial, agressiva e marcante. Como intérprete, essa regra não é diferente. Seja quem for o interpretado, da Bossa Nova ao Rock, ele é capaz de misturar essas mesmas influências e recriar obras importantes sem medo das comparações. Isso pode ser sentido no seu recente tributo aos Beatles, lançado pela gravadora Discobertas. Zé Ramalho Canta Beatles reúne 16 canções de George, Paul, John e Ringo, incluindo suas carreiras solo, gravadas pelo paraibano em diferentes épocas, ao longo de mais de 10 anos. Interpretadas em seu idioma original, Zé Ramalho deu ainda mais personalidade à homenagem por não esconder o sotaque nordestino. Longe de se ocupar com o que vão dizer os fãs mais puristas do Fab4, Zé Ramalho não teve medo de transformar canções da forma que julgava correta, como foi o caso de transformar a épica While my guitar gently weeps em um baião. O resultado é tão bom quanto In my life, que virou uma valsa que, segundo explicação no encarte, ressalta “os sentimentos de ingenuidade e juventude que estão presentes na letra”. Ambas são costuradas pela bela sanfona de Dodô Moraes, único parceiro nesta viagem de Zé. Algumas das versões do disco já haviam sido lançadas em outros projetos especiais. É o caso de The long and winding road e Beware the darkness, apresentadas no especial Beatles’70. In my life já havia sido gravado por Zé Ramalho no tributo Submarino Verde e Amarelo (2000), que contou com a participação se vários outros artistas brasileiros. Mas esta ganhou uma nova leitura, com voz dobrada e interpretação mais pessoal. Claro que nem sempre as tranformações funcionam. Golden Slumbers e Carry that weight, por exemplo, deixam a emoção se esvair no canto excessivamente pesado de Ramalho. Acompanhado apenas do violão, o cantor parece emular um Bob Dylan (também já regravado por Zé) em sua época mais folk. Zé Ramalho canta Beatles foi idealizado e produzido pelo anfitrião, tendo apenas Dodô de Moraes ao seu lado nas interpretações (poucas faixas contam com outros músicos). Ambos se desdobram para recriar arranjos e sentimentos. A day in the life virou um xote e até ganhou uma orquestra sampleada. Claro que tudo foge completamente do óbvio, mas é justamente sobre isso que Zé Ramalho criou sua história. Sobre a fuga do óbvio.
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26.08.11 06:40
O paraibano Zé Ramalho entrou o ano de 2011 fazendo um passeio pela própria trajetória. Com o pomposo nome de Caixa de Pandora, ele lançou um box com quatro CDs e um DVD onde relembra seus sucessos, recria canções de outros compositores e apresenta algumas sobras de estúdio, até então inéditas. É baseado neste repertório que ele faz show ao lado da sua Banda Z, esta noite no Centro Dragão do Mar, dentro do projeto Dragão Musical.
Além de rever sua carreira, Zé Ramalho também está prestes a colocar nas lojas um tributo aos Beatles. Zé Ramalho Canta Beatles (Discobertas) vai reunir 16 canções do quarteto inglês interpretadas no idioma original, mas com um toque bem pessoal do cantor. Gravado aos poucos, em diversos estúdios e momentos, o disco vai trazer versões inusitadas para, entre outras, While my guitar gently weeps, In my life e Dear prudence, além de canções das carreiras individuais de John, Paul, Ringo e George. “O critério de escolha (do repertório) foi através daquelas que eu mais gosto, as que estavam na minha lembrança desde que eu comecei a curtir essa banda”, explica ele por email.
Antes dos Beatles, Zé Ramalho já lançou outros quatro discos temáticos, dedicados aos seus ídolos. Começou com Raul Seixas, em 2001. Em seguida vieram Bob Dylan (2008), Luiz Gonzaga (2009) e Jackson do Pandeiro (2010). Apesar dos diferentes universos dos homenageados, em nenhum momento o paraibano deixou de lado seu direito de mexer, reinventar e misturar rock, folk, forró e baião. Ainda assim, ele reconhece que o mais difícil foi abordar a obra de Dylan, apesar de ter sido bem recompensado. “As versões que eu fiz, junto com outros autores, foram todas aprovadas por ele, o que me deixou feliz e orgulhoso, em se tratando de tão árdua tarefa”, conta.
Se para muitos ouvir Beatles com sanfona, zabumba e triângulo pode parecer um sacrilégio, para Zé Ramalho a aventura é prazerosa e inspiradora. Ele conta que até gostaria de também fazer um tributo ao Pink Floyd, mas sabe que a banda não permite versões de suas músicas para nenhuma língua. Também inspirador é olhar para trás e ver que sua história desperta interesse e continua atraindo fãs. “Consegui mostrar uma música nordestina atualizada, moderna, com letras e arranjos que revolucionaram a música nordestina como estava. Além disso, essas canções perduram até hoje, atravessando já duas gerações. De vez que percebe-se uma clara renovação de público nos meus shows. São jovens a partir de 15, 16 anos, que descobrem meu trabalho e passam a acompanhar toda a minha obra”, orgulha-se.
No entanto, essa viagem pelas memórias musicais, composições e referências vai ser interrompida. Para 2012, ele está programando um disco de composições inéditas, todas com letra e música de sua autoria. Quanto ao show desta noite, Zé adianta que os Beatles ainda não vão entrar, uma vez que ele quer preparar uma apresentação especial para este tributo. Sempre cheio de projetos e idéias, tanto como compositor quanto como intérprete, ele entrega qual é seu grande desejo como músico. “Ainda pretendo permanecer no mercado por muito tempo”.
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26.08.11 06:30
Zé Ramalho fala sobre novos e antigos projetos
Atração de hoje no projeto Dragão Musical do centro Dragão do Mar, Zé Ramalho conversou com o DISCOGRAFIA sobre seu novo projeto, uma homenagem aos Beatles. Zé Ramalho canta Beatles vai trazer 16 canções da banda inglesa e das carreiras individuais dos seus integrantes, tudo com o tempero típico do paraibano. Em seguida ele adianta que, para o próximo ano, está preparando um disco somente com letras e melodias inéditas, todas de próprio punho. Acompanhe.
DISCOGRAFIA – Como vai ser esse show de hoje em Fortaleza?
Zé Ramalho – O show terá o repertório baseado no lançamento que eu fiz este ano de uma coleção de discos chamado A caixa de Pandora. Todos os sucessos consagrados estarão no roteiro e mais algumas canções de Gonzaguinha, Geraldo Vandré e Raul Seixas. Quem me acompanhara será a Banda Z, banda que esta comigo há mais de 20 anos.
DISCOGRAFIA – Você está prestes a lançar um disco com músicas dos Beatles. O que entra desse novo repertório no show em Fortaleza?
Zé Ramalho – Ainda não terá nenhuma das músicas desse lançamento. Estou preparando um show para lançá-lo e só então poderei apresentar essas músicas dos Beatles ao vivo.
DISCOGRAFIA - Queria que você contasse como foi gravar esse disco. Seleção de repertório, sonoridade, etc.
Zé Ramalho - Esse disco foi gravado aos poucos, em estúdios diferentes e em momentos diferentes da minha vida. A seleção das músicas foi acontecendo naturalmente. E o critério de escolha foi através daquelas que eu mais gosto, as que estavam na minha lembrança desde que eu comecei a curtir essa banda.
DISCOGRAFIA -Além dos Beatles, você já gravou discos dedicados a Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Bob Dylan e Raul Seixas. Em todos você procura dar uma interpretação bem pessoal. Qual deles foi o mais difícil de fazer? Por que?
Zé Ramalho – O mais difícil foi o Zé Ramalho canta Bob Dylan, pela rigorosa responsabilidade de recriar músicas de um astro-compositor sem precedentes, conhecido no mundo inteiro e inspirador de milhares de músicos e poetas. As versões que eu fiz, junto com outros autores, foram todas aprovadas por ele, o que me deixou feliz e orgulhoso, em se tratando de tão árdua tarefa! O disco foi um sucesso, vende até hoje e ainda ganhou a indicação para o Grammy como melhor disco de rock.
DISCOGRAFIA – Que outros artistas você tem vontade de fazer uma releitura?
Zé Ramalho – Gostaria, se fosse possível, de dedicar um disco ao trabalho do Pink Floyd, banda inglesa que também muito me inspirou, contudo, os autores das músicas não permitem versões em nenhuma língua, o que dificulta muito a realização desse trabalho.
DISCOGRAFIA – No começo deste ano foi lançado um Box com três discos revisitando sua obra. Fazendo uma auto análise, qual foi sua maior contribuição para a música brasileira nestes mais de 30 anos de carreira?
Zé Ramalho – Acho que foi a combinação que eu fiz de tudo que aprendi desde os 15 anos de idade, quando eu tocava em bailes, até hoje. Consegui mostrar uma música nordestina atualizada, moderna, com letras e arranjos que revolucionaram a música nordestina como estava, desde que eu comecei. E alem disso, modernizei também as palavras do linguajar nordestino e alguma delas como “Avôhai” são de criação própria minha. Além disso, essas canções perduram até hoje, atravessando já duas gerações, de vez que percebe-se uma clara renovação de público nos meus shows. São jovens a partir de 15, 16 anos, que descobrem meu trabalho e passam a acompanhar toda a minha obra.
DISCOGRAFIA – Em 2008, a Discobertas botou nas lojas um excelente trabalho com gravações suas bem do início da carreira. Queria eu você falasse sobre esse disco e sobre aquela época.
Zé Ramalho – É um disco/documento de grande valor para colecionadores e apreciadores do meu trabalho. Ele reflete o período intenso e inicial da minha carreira-solo. Os shows que foram gravados são do período de 74 a 76, na cidade de João Pessoa, onde me apresentei nesses anos, com intensidade e paixão, me preparando para enfrentar o mercado de difícil acesso para chegar até às gravadoras.
DISCOGRAFIA - Desse período de início de carreira, o seu Paêbirú continua inédito em CD. Porque ele está fora da discografia oficial do seu site? Existe aplano ou vontade de reeditá-lo?
Zé Ramalho – Não. Não há como reeditar esse disco, até porque ele foi pirateado na Europa, um selo de uma gravadora alemã colocou tanto a edição pirateada de vinil, como em formato cd e eles podem ser adquiridos também no Mercado Livre, que está cheio de exemplares à venda. Não está no meu site, por uma questão pessoal minha, e me resguardo o direito de me manter em sigilo. (N.E.: O disco ganhou um documentário dirigido por Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim, em 2009. veja o trailer)
DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre o Zé Ramalho escritor?
Zé Ramalho – Bem, alguns livros que escrevi (são poucos), como Carne de Pescoço, um conto-ficção (Pássaro cativo) e alguns livros em formato de cordel, como o Apocalipse Agalopado, A Peleja de Zé do Caixão com o Cantor Zé Ramalho foram experiências que fiz sem nenhuma intenção de me tornar escritor. Contudo, este pequeno lote de escritos foi muito elogiado por pessoas que conhecem e são críticos literários, como Olga Savary, que no seu livro Antologia da Nova Poesia Brasileira teceu elogios ao meu livro Carne de Pescoço. A minha intenção, na verdade, era de todos os escritos desses livros se tornarem letras de música. Vários parceiros e compositores colocaram melodia e harmonia em várias letras desses livros. É só comparar em alguns dos meus discos, as palavras e versões que foram escolhidas.
DISCOGRAFIA – Você hoje é dono de uma obra única, que mistura, rock, psicodelia, forró, baião, folk, e tudo marcado por sua voz única e inconfundível. Existe algum sonho que você ainda pretende realizar na música?
Zé Ramalho – Bem, eu não diria sonho, mas ainda pretendo realizar muitos lançamentos, tanto com o meu lado de intérprete, como o meu lado de autor. Estou preparando um disco só com músicas inéditas, todas novas, todas de minha autoria única – letra e música, para 2012 e ainda pretendo permanecer no mercado por muito tempo!
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02.08.11 14:55
Veja capa de Zé Ramalho canta Beatles
Programado de chegar às lojas na próxima semana, o disco Zé Ramalho Canta Beatles é o quinto tributo que o paraibano apresta aos seus heróis. Após Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Bob Dylan e Jackson do Pandeiro, Canta Beatles traz 16 faixas produzidas pelo próprio Zé com direção musical e programações do seu fiel escudeiro Dodô de Moraes. A capa faz homenagem ao disco With the Beatles, segundo disco do quarteto, lançado em 1963. No lugar do rosto dos ingleses, é o próprio Zé quem aparece quatro vezes. A ideia da capa foi do próprio cantor e foi finalizada pela designer Bady Cartier. O tributo vai ser lançado pelo selo Discobertas, de Marcelo Fróes. Foi pelo mesmo, inclusive, selo que o cantor lançou Canta Jackson do Pandeiro, Canta Luiz Gonzaga e a coletânea Zé Ramalho da Paraíba. Esta última tem um sabor especial para os fãs por conta do seu valor histórico. Ao longo de 23 faixas do disco duplo, pode-se encontrar as primeiras gravações do cantor de voz agreste quando ainda atendia pelo nome de Zé Ramalho da Paraíba. A mistura de rock, blues, psicodelia com os sons nordestinos fazem o tom de canções como Jacarepaguá Blues e Falido transatlantico. Entre as preciosidades ali contidas estão faixas ao vivo e em estúdio, muitas delas até então inéditas em CD. Os destaques ficam para O Astronauta, de Helena dos Santos e Édson Ribeiro, lançada por Roberto Carlos em 1970. Há ainda interpretações embrionárias de Avohai, Jardim das Acácias e Dança das Borboletas. Passeando pela ficha técnica é possível ainda ver a presença dos músicos da lendária banda pernambucana de rock psicodélico Ave Sangria. Ou seja, para os fãs da garimpagem musical e de Zé Ramalho, vale à pena conhecer este disco.
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