27.01.12 17:00
Foi como um susto. Conheci o som do Vanguart meio que pora acaso, quando vi a revista Outracoisa encalhada na banca. Levei pra casa por conta do preço baixo e por que vinha o disco de um banda que nunca tinha ouvido falar. Na falta de coisa melhor pra fazer numa sexta à noite, comprei e fui ouvir. Muito bom, pra ser econômico. Semáforo, a música de abertura, é um dos melhores singles de 2007, enérgico, grudento e empolgante. Os mesmos adjetivos podem ser empregados em Hey Yo, Silver. O principal compositor, violonista, vocalista e gaitista (ufa!) Hélio Flanders tem uma voz cheia de personalidade, entre Bob Dylan e neil Young, e é também um compositor inspirado. Isso fica claro na obra prima pós-adolescente Enquanto isso na lanchonete, uma espécia de Eduardo e Mônica moderno. No disco inaugural, que trazia apenas o nome da banda sobre uma foto escura tirada num parque, a ideia de revelar uma personalidade ficou clara na mistura de Bob Dylan (pelo folk), Neil Young (pelo rock) e Capital Inicial (pelo pop). Pra dificultar a coisa, o disco traz faixas em português, inglês e espanhol. Das internacionais, o destaque fica pra a adoce The last time I saw you, folk apaixonado narrando passo a passo as idas e vindas de um casal. Formado em Cuiabá, Mato Grosso, o Vanguart é formado por David Dafré (guitarra), Reginaldo Lincoln (baixo), Luiz Lazzaroto (teclado) e Douglas Godoy (bateria), além de Hélio. Com um som coeso e cheio de personalidade, eles dispensam estrelismos pra fazer um disco bem tocado, composto e cantado, como poucos conseguem na estreia. Just to see your blue eyes see, por exemplo, mostra bem o que pode cada um deles. Mesmo em momentos mais pretenciosos, como Antes que eu me esqueça, eles mostram um som acima da média do underground nacional. Ainda pouco conhecidos, eles regravaram esse repertório no projeto ao vivo lançado em 2008 em CD e DVD com o carimbo do canal Multishow. Este foi o segundo disco deles, ainda prematuro, é certo, mas vale pelo registro de um grupo em ascenção que ainda vai dar muito o que falar.
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27.01.12 11:48
Vanguart mantém a classe em segundo disco de inéditas
Você certamente já ouviu falar na crise do segundo disco. Quando um artista consegue emplacar um sucesso na estreia, bate sempre aquele medo se vai conseguir repetir o feito num novo trabalho. Alguns artistas têm optado por lançar um ao vivo, o que, quase sempre, significa repetir o repertório do primeiro com algumas inéditas e alguns covers. Foi assim com Marina De La Riva, Maria Gadu e com os cuiabanos do Vanguart. Todos eles agora estão lançado seus novos trabalhos de inéditas, as duas primeiras no ínício de 2012. No caso do Vanguart, Boa parte de mim vai embora foi lançado no fim do ano passado pelo selo Vigilante, da Deck Discos. Repetindo o modelo folk pop, o disco já impressiona pela foto envelhecida da capa. Em frente a uma fachada com ares antigos, quatro personagens (um deles feito curiosamente pela cantora Cida Moreira) olham desafiadoramente para a frente, como quem diz “e aí, vai encarar?”. Por dentro, o som continua tão bom quanto antes, mas com algumas novidades. Diferente da estreia trilingue, Boa parte de mim vai embora traz somente letras em português. Apenas a abertura Mi vida eres tu, traz um trecho em espanhol. Aliás a faixa pode concorrer a uma das melhores do ano com a voz de Hélio Fladers repetindo a mesma nota exaustivamente até explodir do refrão, uma construção feita sob medida para os shows. Outra novidade é a presença do violino de Fernanda Kostchak como um sexto memobro da banda. As letras de Hélio continuam tão bem cotadas quanto antes, embora os temas “fim” e “despedida” sejam uma constante ao longo das 12 faixas. Conectados com o título do disco, esses temas se mostram de forma doce em Nessa cidade (“eu não vou mais estar do teu lado mesmo assim sempre vou te amar”) e passional em Desmentindo a despedida (“Você bateu na minha cara, você pôs fogo na minha mala, eu fui embora”). Embora uma pontinha de tristeza se faça presente, Eu vou lá é a única com ares de esperançosa do disco falando de forma poética sobre algo sublime. Compondo metade das faixas (sozinho ou como parceiro de Flanders), o baixista Reginaldo Lincoln assume com propriedade os vocais nas faixas Onde você parou e …Das lágrimas (esta em dueto com Hélio) e se sai bem. O disco encerra com um choque de sensações. O que a gente podia ser é melancólica e triste. Em seguida, Depressa, tal qual o título, termina tudo em ritmo acelerado. O grande mérito do Vanguart e de Boa parte de mim vai embora está em não querer inventar a roda. É apenas um punhado de boas canções, feitas com sinceridade e algo de originalidade. Simples assim.
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