14.05.12 13:29
Recentemente, Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) provocou reações diversas com o lançamento do seu disco solo Black Heart. Pinçando clássicos do rock de diferentes épocas, houve quem achasse corajoso de sua parte e quem lhe jogasse pedras por tocar em canções sagradas de Leonard Cohen e Smiths. Quase sempre, essa a resposta a artistas compositores que enveredam por reler o trabalho dos outros. Ainda assim, esse momento de parada na própria caneta para buscar novas referências é algo que já fez parte da carreira de muita gente, de Djavan a Patti Smith.
Sem medo dessas críticas, Macy Gray também acaba de jogar suas fichas em um disco de covers, batizado simplesmente de Covered (Lab 344). A americana, que há 13 anos milita numa linha entre o soul e o pop, botou seus miados cheios de personalidade a serviço de um repertório plural e longe dos sucessos mais óbvios. Com essa escolha, o sexto disco da artista acaba pegando os desavisados de surpresa, que em muitos momentos nem percebem se tratar de um disco de regravações. Como quem tirou um momento para se divertir gravando o que gosta, Macy ainda enxertou seu disco vinhetas curiosas onde recebe amigos para discutir temas variados.
Produzido por Hall Willner, Zoux e Macy Gray, Covered tem tudo o que um disco de inéditas da cantora teria. Desde o frescor de canções despretensiosas até flertes com o rap e a dance music. Das 10 canções escolhidas para compor o disco, a mais conhecida é a balada Nothing else matters, do Metallica. Se o peso dos metaleiros vai embora na releitura, pelo menos o clima soturno permaneceu. Mas soturno mesmo é o arranjo de Here comes the rain again, bem melhor inclusive que o original de 1983 com a dupla Eurythmics. Sem ter um critério muito claro sobre sua seleção, Covered traz ainda versões para Arcade Fire (Wake up), Radiohead (Creep), Yeah Yeah Yeahs (Maps) e My Chemical Romance (Teenagers).
Cantando Beatles
Outra forma bem popular de fazer covers é selecionar canções dos Beatles e jogar um molho próprio por cima. O mundo inteiro já fez isso. Agora chegou a vez de Roberta Flack. Há mais de uma década sem lançar material inédito (seu último álbum foi o natalino Holiday, de 2001), a intérprete da inesquecível Killing me softly with his songs está de volta com Let it be Roberta, songbook lançado pela 429 Records que chega ao Brasil também com edição da Lab 344.
Com 75 anos recém completados, a cantora americana continua com a voz firme e afinada como sempre foi. E esse é o grande trunfo da sua homenagem aos rapazes de Liverpool. Para confirmar sua identificação com a banda inglesa, ela ilustrou o encarte com uma foto ao lado de Lennon e da nefasta Yoko Ono, e encerrou o trabalho com uma pungente gravação ao vivo, de 1972, somente ao piano, de Here, there and everywhere.
As demais 11 faixas, todas em regravações inéditas, já são bem conhecidas de quem gosta de ouvir Beatles. De novidade está o estilo Roberta Flack, que balança entre o soul, o jazz e o pop radiofônico. Oh Darling é o destaque, exprimindo essa fusão num blues lânguido e sofisticado, que lembra Billie Holiday. A produção a dez mãos, feita por Sherrod e Jerry Barnes, Barry Miles e Ricardo Jordan sob supervisão da própria Roberta, procurou dar um ar de modernidade que, como sempre, tem lá seus riscos. É o caso da batida dance jogada sobre I should have know better.
Mesmo que seja difícil dar ares de novidade em um tributo aos Beatles, Let it be Roberta tem seus bons momentos. É o caso de Isn’t it a pity, composta por George Harrison (sem os devidos créditos) para seu solo All things must pass. Respeitando o clima etéreo e reflexivo da canção, a cantora faz bonito. O mesmo pode ser dito da apaixonada If I fell, cantada com uma pegada meio Rythm and blues. No fim, são quase 50 minutos que mostram que Roberta Flack não precisa de modernismos para provar a boa cantora que é.
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30.03.12 11:19
Na leva de shows internacionais que vêm surpreendentemente aportando em Fortaleza nos últimos anos, um deles foi anunciado, mas infelizmente não aconteceu. Trata-se do cantor londrino Seal, vencedor de três prêmios Grammy em 1995 pela canção Kiss from a rose. Com voz rouca e modulada, o intérprete é um herdeiro dos maneirismos da soul music tradicional, mas aponta para uma sonoridade mais moderna, que algumas vezes cai em arranjos mais frios a base de camas de teclados.
Ainda assim, sua voz é um ponto que sempre merece destaque. Então, usando bem seu instrumento, ele se volta pela segunda para as próprias raízes e lança o relicário Soul 2 (Warner). Apostando principalmente para as baladas setentista, Seal joga seu balanço sobre 11 temas, entre obviedades e surpresas. No primeiro time está a sempre revisitada What’s going on (1971), do mestre Marvin Gaye, e Oh Girl (1972), clássico de Smokey Robinson que ganhou incensada regravação de Paul Young em 1990, um ano antes de Seal lançar seu disco de estreia.
Das velhas novidades, Love T.K.O., sucesso de 1980 na voz de Teddy Pendergrass, cai como uma luva na rouquidão de Seal. O mesmo pode ser dito sobre Ooh baby baby (1965), outra de Smokey Robinson, regravada com os falsetes obrigatórios. Mas o melhor momento de Soul 2 fica para a balada arrasadora Love won’t let me wait (1975), de um desconhecido Major Harris. Esbanjando languidez e boa voz, Seal mostra aqui o sabe fazer de melhor, cantar sem sobressaltos e com elegância.
Veja o set list:
1. Wishing on a Star (Rose Royce, 1977, e The Cover Girls, 1992)
2. Love T.K.O. (Teddy Pendergrass, 1980)
3. Ooh Baby Baby (Smokey Robinson e The Miracles, 1965)
4. Let’s Stay Together (Al Green, 1972, e Tina Turner, 1983)
5. What’s Going On? (Marvin Gaye, 1971)
6. Love Don’t Live Here Anymore (Rose Royce, 1978)
7. Back Stabbers (The O’Jays, 1972)
8. I’ll Be Around (The Spinners, 1972)
9. Love Won’t Let Me Wait (Major Harris, 1975)
10. Lean on Me (Bill Withers, 1972)
11. Oh Girl (The Chi-Lites, 1972)
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15.02.12 11:12
“Você viu só que amor. Nunca vi coisa assim. E passou nem parou, mas olhou só pra mim”. Os versos de Samba de Verão foram lançados em 1964 e logo atingiram o topo das paradas internacionais. Com uma carioquice despretensiosa, a bossa falando de uma rápida troca de olhares colocou os compositores Marcos e Paulo Sérgio Valle no primeiro time da MPB. Pra se ter uma ideia, Samba de Verão e Garota de Ipanema são as músicas brasileiras mais regravadas no exterior. Segundo as contas do autor, a primeira já passa das 500 versões.
Ainda assim, já tinha um tempo boa parte do trabalho dos irmãos Valle estava fora de catálogo no Brasil. Esse jogo só começou a virar no ano passado, quando chegou as lojas o box Marcos Valle Tudo (EMI) com toda a produção do compositor carioca lançada desde a estreia com Samba demais (1963) até No rumo do sol (1974). Em 2012, uma nova caixa chegou às lojas com o nome Marcos Valle 80 (Discobertas), agregando os discos Vontade de rever você (1981), Marcos Valle (1983) e Tempo da gente (1986). Este último estava praticamente esquecido, desde que a gravadora Arca Som fechou as portas.
“Ta tudo voltando, o que é muito bom. Isso me dá incentivo, por que eu gosto muito de estar trabalhando”, comemora o compositor em entrevista por telefone. De sua casa no Rio de Janeiro, ele se orgulha, citando disco por disco, de ter uma obra que passeia por tantos estilos. Lançado numa segunda leva de compositores bossanivistas, Valle também se notabilizou como um dos nomes do soul, da música de protesto e do jazz. “Essa mistura de estilos sempre esteve na minha música. No começo a influência da Bossa foi muito forte, mas, a partir do segundo disco, a coisa começa a mudar”.
E, quando começou a mudar, não teve volta. Pianista virtuoso, a facilidade de Marcos Valle para agregar estilos se tornou uma marca registrada numa carreira que já dura quase 50 anos. Mais ainda depois que ele morou nos Estados Unidos, no intervalo entre 1975 e 1980. Cansado da “encheção de saco” dos militares que lhe cobravam explicações por canções como Viola enluarada (“a mão que toca o violão, se for preciso, faz a guerra”), achou melhor sair do País e, por lá, gravou com a diva Sarah Vaughan (num tributo aos Beatles), colaborou com a banda Chicago (para quem compôs Life is what it is) e conheceu Leon Ware (ícone do soul com sucessos gravados por Michael Jackson e Marvin Gaye).
De volta ao Brasil, atendendo um convite da Som Livre, Marcos Valle levou um ano para montar o ensolarado Vontade de rever você. Recheado de teclados e dos parceiros ilustres da América do Norte, o disco era um prenúncio do estilo mais dançante que dominaria os trabalhos do carioca naquela década. Tanto que, em 1984, ele garantiu um espaço nas rádios com os sucessos falando sobre o culto ao corpo, como Bicicleta e Estrelar. “Nessa época, tinha gente que me parava perguntando se eu tinha uma academia”, se diverte o compositor que chegou a posar junto a um monte de sucos naturais para a capa do seu disco de 1983.
Os anos 1990 chegaram para Marcos Valle trazendo mais novidades. Com a ajuda da cantora Joyce Moreno, ele começou a conquistar a Europa e a Ásia, que retribuíram colocando seus sons mais balançados nas pistas. “Meu público lá é muito jovem. Esse público elegeu sucessos como Os grilos e Freio aerodinâmico, músicas mais grooviadas que pegaram eles em cheio, tanto quanto o Samba de Verão”, comenta. Outra mudança veio com a entrada de novos parceiros na sua lista, embora o irmão três anos mais velho Paulo Sérgio continue fiel (“como ele me conhece bem, em várias letras ele fala de mim, da minha personalidade, o que eu penso, minha cabeça maluca de emoções”).
Outra mudança das últimas décadas veio com introdução de um sotaque mais jazzístico em suas canções. Se o jazz faz uma ponte com os primeiros anos de Bossa Nova, também fez de Marcos Valle um nome requisitado pelos novos nomes do estilo americano. Entre eles, está a cantora Stacey Kent, que conheceu no aniversário de 80 anos do Cristo Redentor, e com quem vai engatar uma turnê que começa por Fortaleza ainda neste primeiro semestre. “Estamos em fase de ensaios. O repertório vai ser só Marcos Valle, com sucessos e músicas novas”, adianta o compositor. Essa vai ser uma boa oportunidade de conhecer um pedaço redescoberto da obra de Marcos Valle, antes, inclusive, de que ele mude de som novamente.
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13.02.12 15:16
Cala-se a voz de Whitney Houston
Um dos grandes ícones da indústria fonográfica desde a década de 1980, a cantora Whitney Houston morreu neste sábado (11), em Los Angeles, por volta das 22h (horário de Brasília). Ela estava hospedada no quarto andar do hotel Beverly Hilton e foi encontrada pela cabeleireira e por um segurança com o corpo submerso em uma banheira.
Ainda sem confirmação sobre a causa da morte, as investigações iniciais apontam para afogamento. Os policiais que estiveram no local chegaram a encontrar cápsulas e frascos de remédios, mas nada de drogas ou álcool. As suspeitas são de que a cantora dormiu enquanto estava no banho por conta do uso do tranquilizante Xanax, usado para casos de depressão e ansiedade.
Whitney, então com 48 anos, estava hospedada no mesmo hotel em que se apresentaria na noite do sábado (11) na festa que antecede a 54ª premiação do Grammy. No evento, ela iria prestar uma homenagem a Clive Davis, empresário da música que a descobriu quando tinha apenas 11 anos e tornou-se seu o principal mentor. “Simplesmente, Whitney teria desejado que a música continuasse adiante e sua família pediu que continuássemos”, comentou Davis na ocasião para uma plateia ainda surpresa com o fato. A cantora Jennifer Hudson foi convocada às pressas para homenagear Whitney na cerimônia oficial do Grammy, que aconteceu ontem (12).
Na quinta-feira (9), Whitney entrou no ensaio da pré-festa do Grammy com os cabelos ensopados, não se sabe se de água ou suor, muito agitada e saltitante. Segundo o jornal Los Angeles Times, a artista cheirava a álcool e cigarros. Depois ela partiu para o clube Tru com o ex-namorado Ray-J, de onde saiu em estado “deplorável”, segundo testemunhas. No dia seguinte, ela deu uma festa em sua suíte que entrou pela madrugada incomodando os vizinhos de quarto.
Carreira
Dona de um vocal extenso e forte, Whitney Houston se notabilizou por dar força e energia às canções gospel e soul. No seu rastro, vieram outras estrelas como Mariah Carey e Christina Aguilera. Com mais de 500 milhões de cópias vendidas ao longo de uma carreira errática, ela foi responsável por uma explosão do soul com uma forte pegada pop. Chegou a atuar como modelo antes do sucesso. Como atriz, chamou mais atenção pela sua participação nas trilhas sonoras do que pela atuação.
Whitney Elizabeth Houston nasceu dia 9 de agosto de 1963, em Newark, New Jersey. Filha da cantora de soul e gospel Cissy Houston, começou a cantar em igrejas aos 11 anos e logo em seguida passou a se apresentar em alguns clubes noturnos. Outras inspirações para seus primeiros anos de carreira foram as cantoras de black music Dionne Warwick, sua prima, e Aretha Franklin, sua madrinha. Antes de engatar a própria carreira, Whitney gravou ao lado da mãe – no disco Think it over (1978) – e fez vocais de apoio para outras artistas.
A estreia fonográfica de Whtiney Houston aconteceu com um disco homônimo em 1985. Sucesso logo na estreia, o disco chegou a 13 milhões de cópias vendidas, puxadas pelas baladas românticas Saving all my love for you e Greatest Love Of All. Outros seis discos seriam lançados, sempre com intervalos de, no mínimo, dois anos. Nos anos 1990, ela mesclou novos lançamentos com participações em trilhas sonoras.
Dessas, o maior sucesso da carreira de Whitney foi a trilha do filme O Guarda Costas (The bodyguard, 1992), onde estreou como atriz ao lado de Kevin Costner. O filme trouxe junto o mega hit I will always love you que permaneceu 14 semanas em primeiro lugar na parada da Billboard e atingiu a marca de 44 milhões de cópias vendidas. Ancorada no estouro da trilha, a cantora fez duas apresentações no Brasil em 1994, sendo uma delas como atração do Hollywood Rock.
Além do sucesso, Whitney Houston também começou a aparecer nos noticiários por conta do abuso de drogas e das confusões com o marido Bobby Brown. Nas últimas décadas, ela deu várias entradas em clínicas de reabilitação e chegou a interromper uma turnê em 2009 por conta de problemas de saúde. No mesmo ano, ela chegou ao número um das vendas americanas com o disco I look to you. O disco já vinha com a proposta de recuperar a imagem negativa que vinha sendo divulgada em tablóides internacionais. Para 2012, a artista tinha como planos o lançamento do disco On my own (que foi deixado incompleto), a participação no remake de Sparkle, filme de 1976 sobre a carreira das Supremes (grupo vocal que lançou Diana Ross), e fazer parte do júri do programa X-Factor. Whitney deixa Bobbi Kristina, filha do seu relacionamento com o músico Bobby Brown.
23.09.11 09:00
Curtis James Jackson III nunca teve uma vida fácil. Longe da presença do pai, ele nasceu em Nova York em 1975. Aos 12 anos, perdeu a mãe e começou a vender drogas no seu bairro. Pelo mau hábito de levar armas para a escola, foi preso aos 19 anos. Encontrando no rap uma forma de colocar suas angústias pra fora, ele acabou se tornando 50 Cent, um dos maiores vendedores de discos do mundo.
Em única apresentação no Siará Hall, amanhã será a vez dos fãs de Fortaleza conferirem o discurso afiado cheio de desaforos do rapper. Autor de Get Rich or Dye Trying (Fique rico ou morra tentando), disco de 2003 produzido por Eminem, 50 Cent traz na bagagem sucessos de carreira como In da club, Candy Shop, Disco Inferno e How we do.
Com cinco trabalhos lançados e um sexto em andamento, 50 Cent já venderam quase 30 milhões de cópias pelo mundo. O reconhecimento fez o rapper se aventurar em outros empreendimentos como sua marca de livros e uma bebida energética. No cinema, ele já atuou em filmes como A volta dos bravos (2006) e As duas faces da lei (2008). Entre seus planos agora, está o lançamento Playground, um livro falando sobre bullying. “Eu sempre quis explorar o motivo de uma criança se tornar ‘bully’. Eu resgatei coisas que aconteceram na minha infância e adolescência, mas estava animado para ver a história tomar seu próprio rumo”, disse ele.
Assim como se tornou um dos artistas mais bem sucedidos do planeta, 50 cent também atraiu uma série de inimigos. Ele eles está o rapper The Game, que recentemente afirmou pelo twitter que 50 Cent é gay. Game é só um de uma lista que inclui outros nomes como Nas, Ja Rule e Fat Joe. Todos já receberam trocaram farpas com 50 Cent, sempre cercados de muita polêmica.
Serviço:
O que: show com o rapper norte-americano 50 Cent
Qundo: amanhã (24), às 21h
Onde: Siará Hall (Av. Washigton Soares, 3199 – Edson Queiroz)
Quanto: Pista – R$70 (meia) e R$140 (inteira); Front Stage – R$ 200 (open bar); Camarote – R$180 (1º piso) e R$170 (2º piso)
Pontos de venda: Donna Chic (ao lado do Mcdonalds da Beira Mar), internet (www.bilheteriavirtual.com.br) e no local. Pela internet é cobrada taxa de conveniência de 20%
Formas de pagamento: à vista e cartão
Classificação: 18 anos
Outras informações: (85)8685.2974, www.evolutionbrazil.com.br ou info@evolutionbrazil.com.br
01.09.11 11:00
Alvoroço mostra outros lados de Leny Andrade
Pra abrir e batizar seu disco lançado em 1973 pela Odeon, Leny Andrade escolheu Alvoroço, um samba de roda costurada por flautas e teclados elétricos chamado Alvoroço. A primeira frase do disco já anuncia o que vem pela frente. “Quando a morena chegou alvoroço pintou”. Cantora fortemente ligada à Bossa Nova e ao jazz, ela se permitiu sair do seu círculo habitual para provar outros caminhos e possibilidades dentro do próprio canto. O momento era propício. Além de estar próxima de trocar de gravadora, a Bossa já não andava mais tão nova. O resultado desta aventura então é bem acima do que se poderia esperar e Alvoroço acabou se tornando um dos clássicos cults dentro da discografia de Leny, e acaba de ganhar uma oportuna reedição para a gravadora Joia Moderna. O comentário mais comum é “nem parece a Leny”. De fato, o que primeiro se observa é um canto direto, sem os improvisos e scats típicos do jazz e da cantora. Pra completar, um time de arranjadores de primeira linha foi convidado para desenhar um repertório que passa longe da Bossa Nova, do jazz e do óbvio. Por exemplo, bem longe do estilo de Leny, Fagner e Belchior ganham uma regravação de Moto 1. Apenas um ano depois de Elis Regina ter feito de Mucuripe um clássico do próprio repertório, a dupla cearense volta com uma leitura meio blues, meio sambarock desta música que, sete anos depois, estaria no disco de estreia de Fagner. Também em início de carreira, Ivan Lins tem apresentada Não tem perdão, um samba estilo Alcione versando sobre dar a volta por cima depois do fim. O arranjo desta última ficou por conta do grande Arthur Verocai, um dos nomes mais modernos da época (e de hoje). Uma curiosidade do disco fica por conta de Bolero, composta a cinco mãos por Wagner Tiso, Roberto da Silva, Tavito, Luiz Alves e Milton Nascimento. Praticamente inédita, a canção foi gravada no disco Matança do Porco, de um esquecido Som Imaginário, curiosamente, do mesmo ano que saiu Alvoroço. Outros dois momentos sublimes, por motivos diferentes, são Pingos de Sol e O Lôbo na estepe. Enquanto a primeira é música pra sorrir, tomar uma água de coco e ver o lado bom da vida, a segunda exige introspecção e algo mais forte na goela. Não adianta talvez seja a faixa menos parecida com qualquer coisa que Leny já tenha gravado na vida. Tangenciando a discoteca, a canção é pontuada por percussão e violinos e dá passagem pro sambão Partido Rico, de João Nogueira e Paulo cesár Pinheiro, que tem como mote as delícias do conforto financeiro, citando Sérgio Dourado e Chico Buarque como dois adeptos deste estilo de vida. Encerrando com duas canções de clima mais pesaroso, Alvoroço confirma Leny Andrade como a grande dama da música brasileira que sempre foi e vai continuar sendo. Seja na seara que for.
19.08.11 06:02
“Bem, o que eu posso fazer? Você quer inspiração. Então, é só uma questão de saber encontrar o equilíbrio certo entre fazê-los sentir que o dinheiro gasto está valendo a pena e depois trazê-los para a festa da metade para o final [do show]. E definitivamente há uma arte nisso, em encontrar o seu ritmo, como saber e fazer algumas coisas reagirem. É como um comediante com uma piada na manga, quando você precisa usá-la, é hora de mudar as coisas”, ensina.Posts Relacionados
07.06.11 14:13
Confesso que conheço bem pouco sobre o trabalho de Ben Harper, mas esse pouco sempre foi muito bem recebido. Meu primeiro contato com o americano foi através do disco Live at Apollo, feito em parceria com The Blind Boys Of Alabama. Se o grupo gospel rouba a cena com sua presença, Ben se mostra respeitoso e soube muito bem aproveitar seu espaço. E foi aí que ele ganhou minha simpatia. Eis que anos depois ele arrebata as rádios brasileiras com um grande dueto ao lado de Vanessa da Mata em Good Luck/ Boa Sorte. Pronto, era o que faltava. Este ano entro em contato, pela primeira vez, com um disco inteiro do rapaz. O que eu já conhecia sobre suas influências de soul, rock psicodélico e clássico, gospel se confirmou na primeira audição de Give till it’s gone (Virgin/ EMI). Tocado e composto ao lado dos Relentless7 (Jason Mozersky – Guitarra; Jesse Ingalls – Baixo; Jordan Richardson – Bateria) este 14° trabalho do mentor intelectual do Jack Johnson é um retrato do que se passou em sua vida nos últimos tempos. Gestado ainda sob a sombra da sua separação da atriz Laura Dern (Jurassic Park), o disco traz uma série de recados fortes e doídos se contrapondo a rocks quadrados, que remetem a uma aura Beatle. De fato, essa aura existe e está personificada em Ringo Starr, que toca bateria na funkeada e lisérgica Spilling faith, que parece ter mais que os seus três minutos e meio por conta do loooooongo improviso de encerramento. Para aproveitar ainda mais a presença do narigudo mais bem-sucedido da música pop, Spilling faith emenda numa viagem instrumental batizada de Get there from here. Aí são mais cinco minutos de riffs de guitarra, teclados martelados e uma pulsação constante de bateria. O fantasma beatle também assombra na panfletária Rock’n roll is free, feita sob medida para abrir shows e levantar o público, tal qual uma Jet ou Only mama knows, de Paul McCartney. Essa “coisa” do rock de arena talvez venha do divino Neil Young, de quem Harper teve a honra de abrir um show recentemente. Mas, como suas influências são vastas, acontece de ele passar de uma loucura instrumental, para uma batidinha insossa em Pray that our love sees the dawn que acaba escondendo um apelo de dor pelo amor que se foi (“Silêncio é o martelo da traição sobre o caixão do amor para o último prego”). Se é de ouvir música para a ex, melhor ficar com as duas primeiras faixas de Give till it’s gone. O recado já vem expresso no título: Don’t give up me now (Não desista de mim agora) e I will not be broken (Eu não vou ser destruído). Se segura, Laura Dern. Como não poderia faltar, Feel love é uma balada radiofônica ao violão falando sobre amor e escuridão. Bonita, mas sugiro começar por Clearly severely, que junta, peso, urgência e sentimento numa bela performance da banda. Aliás, a melhor entre as 11 faixas do disco.
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13.05.11 15:20
Tal qual dito por aqui, no sábado passado (7) o Kool And The Gang encerrou sua turnê brasileira com um show em Fortaleza. Infelizmente, eu não pudi assistir. Na ocasião, tentamos uma entrevista com a banda. Por conta da rotina de viagens, eles pediram que mandássemos as perguntas email. O pedido foi aceito, mas, infelizmente, as respostas só chegaram depois do nosso fechamento. Sem problemas, segue agora a integra com os integrantes do KATG, todos devidamente indicados na resposta.
DISCOGRAFIA – Vocês vão encerrar a turnê brasileira por Fortaleza. Como foram os shows no Brasil?
Kool – Maravilhosos. A primeira vez que viemos foi em 2008 e só tocamos no Rio e em São Paulo. Dessa vez foram seis cidades, a ultima será Fortaleza, e vamos fechar com chave de ouro aqui.
DISCOGRAFIA – Esta não é a primeira vez que vocês vêm a Fortaleza. Que lembranças vocês tem da cidade? Conseguiram conhecer algo da cidade?
Kool – Não, essa é a nossa primeira vez aqui. JT, o primeiro vocalista da banda já esteve aqui uma vez, mas ele não está mais com a banda, então essa é nossa primeira vez aqui.
DISCOGRAFIA – Entre as pessoas que colaboram com o Kool and the Gang está o brasileiro Eumir Deodato. Como vocês o conheceram? O que ele trouxe para o som da banda?
Kool – Conhecemos ele através do som, no estúdio, fazendo Ladies night. E todos estavam felizes trabalhando juntos. Foi uma grande colaboração. Somos uma banda de funk e jazz e a necessidade de ter um líder na banda, isso foi ideia de Eumir. Trabalhar com um líder na banda, essa foi a maior contribuição.
DISCOGRAFIA – O que vocês conhecem da música brasileira?
Kool – Sérgio Mendes, Eumir Deodato, claro, as músicas do Brasil 66, Garota de Ipanema, entre outros da MPB e tal.
DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre esta nova turnê. Quem é a banda que acompanha vocês no palco? Como é a seleção de repertório?
Kool – A original era nós quatro - eu, Robert Kool, George Brown, Dennis Thomas – e meu irmão, Ronald Bell. Clifford está há quase 30 anos conosco. Larry há cerca de 25 anos, assim como Amir. Curtis há 18 anos, Shawn há 15 anos e Tim há 10 anos. Lavell é o bebê da banda, está conosco há 5 anos. Isso nos dá essa sinergia toda. Somos como uma banda de quatro pessoas novamente. E com nossos líderes cantores. Eles têm muita energia e isso nos ajuda muito!
DISCOGRAFIA – Vocês começaram a carreira como um grupo de jazz e depois se tornaram referências na disco, funky e r&b. Queria saber quem são os mestres de vocês nesses estilos. Em quem vocês se inspiraram para criar o KATG?
George Brown – John Coltrane, o pianista maravilhoso, Bill Evans, Sergio Racmaninof, Elvin Jones, baterista, Art Blake, Buddy Rich, Mccoy Tyner, Louis Bellson, Chick Web, Gene Krupa, Kenny Barry, pianista. E Miles Davis, Louis Armstrong, Sarah Vaughn, Gloria Lynn, Eumir Dedato. Tom Jobim. Milton Nascimento. Célia Cruz.
DISCOGRAFIA – Certamente, vocês também influenciaram um grande número de artistas que vieram depois de vocês. Queria saber se vocês reconhecem as influências de vocês em algum artista? E o que vocês acham do pop de hoje em dia? Destacam o trabalho de algum artista?
George Brown – Nós amamos toda a música pop de hoje. É muito artística. A música pop de hoje traz toda essa diferença de som e não só verso e refrão. Você pode fazer o que quiser com a música, isso nos dá muita mobilidade. Pode manter a música, ou usar toda a tecnologia a seu favor. É muito individual. Me deixa ficar livre para trabalhar. Kesha, Usher, a Kate Perry, é o que eles fazem. Por isso são tão bons.
DISCOGRAFIA – Mesmo já passadas algumas décadas, o som das discotecas (Donna Summer, Michael Jackson, Earth, wind and Fire, Kool and the gang, etc.) continua animando muitas festas pelo mundo. O que esse estilo tem de tão forte?
D. Thomas – É o ritmo, a composição, a maneira como as músicas foram feitas. Acordes e melodias, tudo isso nos ajudou muito. Foi uma coisa mágica, e a maior prova disso é que essa mágica ainda funciona.
DISCOGRAFIA – Além da música, vocês costumam se envolver em causas políticas e humanitárias, como foi a participação no Band Aid, em 1984. Você acha que a música pode mudar o mundo?
George Brown – A música sempre vem mudando o mundo. Se voltar 400 anos atrás, os compositores vêm entrando no mundo, e de toda parte do mundo inclusive. Não somente as músicas de sua região, mas músicas do mundo todo são ouvidas no mundo todo. E acabam juntando as pessoas. Tem ajudado a juntar as nações. É comida espiritual e remédio de toda uma vida.
DISCOGRAFIA – Vocês já estão partindo para os 50 anos de carreira. Como fazem para manter a animação no palco?
D. Thomas – A nossa banda, como dissemos, todos eles tem uma participação muito especial, eles nos dão essa energia. E o fato de saber que nossa música ainda hoje toca as pessoas de muitas gerações. Isso é uma injeção de ânimo!
DISCOGRAFIA – O que é o melhor em ter uma carreira tão longa?
George Brown – É que isso é para a humanidade. Você é o que você pensa, você se torna o que pensa, na mente, no corpo. Se focar tão profundamente, ter a paixão pelo que faz, você se torna apto a continuar, a conhecer. O trabalho do artista é se doar. Somos doadores. Doamos nossas almas, nosso trabalho é a medicina da vida, é a música. Todos os seres merecem a música. Tudo merece música e tudo faz música. A natureza, os animais, a vida é música. Isso explica nossa longevidade.
DISCOGRAFIA – A música deixou vocês ricos?
George Brown – Yaeh, somos rico. Não o dinheiro, mas meu espírito e o amor pelo ser humano, e conhecer pessoas e lugares. Essa é a maior riqueza que a música podia nos oferecer. Sou mais sensível e isso se deve a música. Às vezes até me sinto culpado porque ganho dinheiro e quero ajudar várias entidades e às vezes preciso escolher entre elas.
DISCOGRAFIA – O que o público de Fortaleza pode esperar desse show?
D. Thomas – Podem esperar uma grande festa para encerrarmos nossa turnê no Brasil. Vamos festejar, “get down on it” a noite toda!!
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