Discografia

03.04.12 15:00

Roberto Carlos lança show de Jerusalém em CD e DVD

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Gravado no dia 7 de setembro de 2011, diante de uma plateia de cerca de 5 mil pessoas, o show de Roberto Carlos em Jerusalém chega este mês às lojas nos formatos CD e DVD. Emoções em Jerusalém vai alinhar 22 canções num CD duplo – 20 faixas no DVD – em que o Rei canta em português, hebraico, italiano, espanhol e inglês. Se boa parte do repertório já é pra lá de conhecido dos fãs, algumas surpresas vão entrar neste novo show, que foi adornado com um belíssimo cenário. São elas a inclusão de Unforgettable, sucesso de Nat King Cole incluída em homenagem aos grande cantores da história, e Caruso, sucesso de Lucio Dalla (1943 – 2012). Do repertório próprio, Roberto traz à tona o gospel A montanha (1972), há tempos fora do seu show anual. Veja todas as faixas de Emoções em Jerusalém:

CD 01
01 – Emoções
02 – Além Do Horizonte
03 – Que Será De Ti / Como Vai Você
04 – Como É Grande O Meu Amor Por Você
05 – Detalhes
06 – Outra Vez
07 – Eu Sei Que Vou Te Amar
08 – Mulher Pequena
09 – Pensamentos
10 – Ave Maria
11 – Lady Laura
CD 02
01 – Olha
02 – Proposta
03 – Falando Sério
04 – Desabafo
05 – Eu Quero Apenas
06 – Unforgettable
07 – O Portão
08 – Caruso
09 – Jerusalém Toda De Ouro / Yerushalaim Shel Zarav
10 – A Montanha
11 – Jesus Cristo

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24.02.12 17:30

Pra Começar: Roberto Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Recentemente, correu pelos noticiários culturais brasileiros a surpreendente notícia de que Louco Por Você, o primeiro disco de Roberto Carlos, estaria disponível no site do ITunes. O motivo do alarde é que este disco nunca foi reconhecido pelo Rei com algo digno de relançamento em formato nenhum. Nem cantar este repertório em shows ele fez ao longo destes 50 anos de carreira. Alegando que a qualidade da gravação ficou ruim, Roberto mandou retirar o disco do site e ainda desmentiu a história de que iria relança-lo em edição remasterizada.

Lançado em 1961, o disco Louco Por Você tem um pé nos boleros e outro num roquezinho mais ingênuo do que viria a ser a Jovem Guarda anos depois. Ao longo de 12 faixas, a mão de Carlos Imperial se faz presente na produção e nas composições. Sem nenhuma composição de Roberto (que dirá da célebre parceria com Erasmo Carlos), o disco lembra aqueles momentos sem graça de outro ídolo do rock, o Elvis Presley. Mais ainda por conta das presenças do baixo acústico, dos vocais de repetição e das versões para músicas em inglês.

Apesar de se mostrar a anos luz em qualidade se comparado aos grandes momentos da carreira do Rei, Louco Por Você guarda uma simpatia atraente para os fãs. Por isso mesmo trata-se de um dos trabalhos brasileiros mais procurados em sebos. Entre os destaques dessa estreia está o roquinho Mr. Sandman, de Pat Ballard lançado em 1954 pelo grupo The Chordettes. O clássico Cry me a river virou Chore por mim, numa versão bem fiel à original feita por Julio Nagib.

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Pra quem não sabe, Roberto Carlos começou a carreira de cantor como um imitador impecável do mestre João Gilberto. Dessa herança bossanovista, Louco Por Você traz Ser bem e Se Você Gostou, ambas de Imperial. Ao ter a última faixa, a conservadora Eternamente (com direito a um “qüestões”), uma explicação fica clara de por que Roberto Carlos não quer nem ver esse seu disco nas lojas: é por que é ruim mesmo. Repito, vale pela curiosidade de ver um ídolo ainda dando seus primeiros passos. Fora isso, Louco por você está longe de ser um trabalho que passe na avaliação criteriosa do Rei Roberto.

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10.02.12 13:36

Roberto Carlos em tom elegante com Célia

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Por Camila Holanda (@camilasholanda)

Encontrar homenagens a Roberto Carlos não é uma tarefa difícil. Shows de tributos e covers, discos e projetos variados sempre entram no mercado ou na programação de casas noturnas. Ainda mais comum é a turma de voz e violão dos bares arriscar um Detalhes e emocionar. A cantora Célia seguiu o lado contrário. O seu mais recente disco  é uma homenagem ao, digamos, lado B de Roberto. Ou seja, nada de Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo.

Outros românticos (Joia Moderna) é um trabalho bem específico, com foco nas canções gravadas pelo Rei na década de 1970, mas que não foram compostas por ele, apenas interpretadas. Essa muito opção, já seguida pelo cantor e violonista Renato Vargas (um dos representantes da onda Som de barzinho), é uma saída pra quem quer cantar o Rei, mas sabe que sua majestade coloca dificuldades pra quem quer mexer no seu repertório. Ainda assim, o novo trabalho da cantora capta o romantismo de Roberto Carlos. E o desafio está nesto ponto.

Com 40 anos de carreira, o repertório de Célia sempre teve uma forte influência do samba, como Nei Lopes, Benito di Paula, Chico Buarque, Elton Medeiros, e quem acompanha o trabalho dela sabe que é algo atípico, um projeto especial. No entanto, remexendo no passado, gravar Roberto não é algo, assim, tão inédito na carreira dela. Antes de  seu primeiro Long Play, um compacto simples foi gravado com a composição Nasci numa manhã de Carnaval, composição do homenageado com seu grande parceiro Erasmo Carlos. Outro registro foi em 1972, no segundo LP da carreira de Célia, com a A hora é essa, da mesma dupla.

A primeira faixa do disco é bem conhecida na voz de Roberto. Abandono, composição do grande Ivor Lancelotti, já faz suspirar. A quinta faixa, com Quero ver você de perto, é uma bela contribuição de Benito di Paula, mas não é samba. O grande destaque do disco vem em seguida. Jogo de damas, composição de Milton Carlos e Isolda, foi rearranjada em um tango e bem encaixado na rouca voz de Célia. O disco tem arranjos simples e abre espaço pra voz forte e carregada de emoção da cantora.

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Outros românticos é para ser apreciado, degustado e  sentido aos poucos. Com  a paixão presente em todas as faixas,  é daqueles discos para remoer elegantemente as pequenas e grandes dores de amor e, na falta,  até inventá-las, para não perder a oportunidade de fazer cena.

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28.12.11 15:21

Célia grava disco homenageando Roberto Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

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Refinada, experiente e dando aula de bom gosto, Célia é dessas cantoras que, apesar do tempo de carreira, muito ainda há por ser descoberto. Veterana de festivais, a paulista montou uma carreira intrigante e errática que foi caminhando paralelo aos ditames da indústria. Infelizmente, como consequência, muita gente não sabe quem ela é. Comemorando seus 40 anos de carreira, ela lançou em 2010 o disco O lado oculto das canções. Alinhando regravações e inéditas, ela joga um molho jazzístico sobre canções de Adriana Calcanhotto, Tim Maia e Tunai. Agora ela volta com um novo projeto capitaneado pelo Dj Zé Pedro e pelo produtor e pianista Thiago Marques Luiz. Outros românticos (Joia Moderna) é um tributo transversal a Roberto Carlos, que alinha 10 canções do repertório do Rei compostas por outros. Assim, estão lá músicas de Benito Di Paula (Quero ver você de perto), Demétrius (Preciso lhe encontrar) e Fred Jorge (Se eu partir). Mas, perguntam vocês, por que não lançar clássicos da dupla Roberto e Erasmo? Simples, o primeiro é uma pessoa difícil e costuma implicar com esse tipo de projeto. De qualquer forma, Célia sabe bem tomar conta do seu serviço e faz tudo com uma delicadeza única. Quem quiser ter uma amostra do novo disco, ela disponibilizou a faixa Amigos Amigos (Isolda/ Milton Carlos) no seu site oficial. Ouçam e deixem suas impressões.

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04.04.11 12:38

Letras proibidas

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Íntegra da entrevista publicada dia 03.04no caderno Vida & Arte do Jornal O Povo

O artigo 20 da lei 10.406 diz: “Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”. Foi baseado nisso que Roberto Carlos protagonizou um dos poucos eventos polêmicos da sua vida: a interdição judicial sobre a biografia Roberto Carlos em Detalhes, lançada em dezembro de 2006 pela Editora Planeta.

O livro de 500 páginas precisou de 16 anos pra ficar pronto e de menos de cinco meses pra gerar um processo que resultou na sua retirada das prateleiras. Ainda assim ela é motivo de orgulho para o jornalista baiano Paulo César de Araújo. Jornalista, mestre em Memória Social e autor de Eu não sou cachorro, não: A música popular cafona e a ditadura militar, ele é um fã confesso do Rei desde sua infância em Vitória da Conquista. Mesmo sabendo que isso não foi reconhecido pelo ídolo, ele assume que sua admiração não diminuiu e até guarda certo orgulho por agora fazer parte da vida de um artista que sempre manteve distância de polêmicas. “Isso é problema dele, não meu. Apenas lamento. Foi ruim pra mim e mais ainda pra ele. Não interferiu na minha admiração. Esse foi o grande erro do Roberto. Quer queira, quer não, eu sou o biógrafo dele. Goste ou não”.

O POVO – Como está a situação da biografia na justiça? Alguma chance de ela voltar a ser vendida?

Paulo César de Araújo – Claro! Mais cedo ou mais tarde ele vai voltar. São muitas as histórias de livros que foram proibidos e que voltaram a ser vendidos. Ela (a biografia) pode ficar de fora um tempo, mas acaba voltando. Até por que as razões foram bem toscas. Minha advogada (Débora Steinberg) está lutando na justiça. Tem um projeto do (ministro chefe da Casa Civil) Antônio Palocci que favorece a liberação de obras embargadas. É a Lei das Biografias (Projeto de Lei 3378/08), que vai mudar o artigo 20 do Código Civil. Como a lei não tem efeito retroativo, assim que ela for aprovada, no dia seguinte ela (a advogada) reapresenta o livro.

OP – Você chegou a ter algum contato pessoal com o Roberto, mesmo em juízo, pra falar sobre o assunto?

Paulo César de Araújo – Nós ficamos frente a frente no fórum criminal em São Paulo. Foi dramático. Imagine você, eu com um ídolo na minha frente. Tentei durante 15 anos uma entrevista com ele e acabo o encontrando naquele momento. Ele foi enfático e os advogados também. Cheguei a dizer: “eu abro mão dos direitos autorais. Não quero nada”. O importante é que o livro permaneça.

OP – O Roberto Carlos alegou que havia inverdades no seu texto. Em algum momento ele foi mais específico dizendo quais seriam essas “inverdades”?

Paulo César de Araújo – Claro que não! Isso foi outro absurdo. Ele disse numa das poucas entrevistas que ele explicou sobre a proibição do livro: “em 1º lugar são muitas (as inverdades)”. Sabe o que aconteceu? Ele me processou por invasão de privacidade e uso de imagem e, no processo, não citou nenhuma inverdade. Não citou por que não acharam. Se tivesse, ele teria me processado por calúnia. Agora me diga, que privacidade? Tinha tudo na mídia.

OP – Quem leu o livro percebe claramente que, apesar da pesquisa jornalística, trata-se de um fã escrevendo. Você percebe isso? Foi proposital?

Paulo César de Araújo – Geralmente quem escreve sobre cultura, escreve sobre o que gosta. Ruy Castro escreveu Chega de Saudade e é um fã de Bossa Nova. Não sou uma exceção. João Máximo gosta de Noel Rosa. Dificilmente alguém escreve uma biografia pra derrubar um biografado. Tenho uma relação profunda com o Roberto que é desde a infância. Eu queria ter lido essa história na minha infância, mas não existiam livros sobre ele. As elites intelectuais não se preocuparam em analisar o fenômeno Roberto Carlos. Então eu quis redimensionar o fenômeno Roberto Carlos na história brasileira. Ele sempre foi tratado como menor, mas está no mesmo patamar do Chico Buarque, do Noel Rosa. Confesso que nem quis esconder que sou fã. Deixo claro logo na introdução.

OP – Qual a fase mais rica artisticamente do Roberto?

Paulo César de Araújo – A mais rica é quase um consenso. O grande período dele é o que vai de 1965 a 1971. Foi nesse período ele construiu grandes clássicos. Se ele não tivesse feito mais nada depois ainda estaríamos falando nele hoje. Essa época é determinante para o fenômeno Roberto Carlos, a que mudou o rumo dos acontecimentos. Ele teve altos e baixos, mas a grande obra está ali. O som, o modo de cantar, os temas, tudo mostra ele está antenado no que está acontecendo.

OP – E tem canções que ele parece ter abandonado. Coisas que ele nunca voltou a cantar.

Paulo César de Araújo – (A música de 1970) Maior que o meu amor é belíssima. Tem música que ele só cantou na hora que gravou. O Roberto poderia fazer um show só com músicas que ele nunca cantou em shows ou nos especiais. Quando eu tava fazendo o livro, entrevistei um músico do Roberto (Paulo não lembrou quem era), e até disse pra ele: “tenho uma proposta de show aqui que ia ser legal, só com músicas diferentes das que ele tem cantado”. O cara olhou e respondeu: “cara, ta sensacional, mas não mostra pra ele não. Vai dar muito trabalho pragente”. Guardei isso por um tempo. Se eu tivesse um encontro com ele, eu iria mostrar pra ele. Ana (também de 1970) é linda. O Roberto é uma figura obsessiva, maníaco pela repetição.

OP – Mesmo passando por polêmicas como essa do livro, filhos bastardos ou uma ausência na causa dos deficientes físicos, o Roberto não perde o protagonismo na música brasileira nem o respeito dos fãs. O que faz a carreira dele tão sólida?

Paulo César de Araújo – Ele é esse grande ídolo por conta da construção de um grande repertório. Cantores carismáticos têm vários. Excelentes cantores têm vários, como o Cauby ou o Emílio Santiago. Mas, o que faltou ao Cauby e ao Emílio que não faltou ao Roberto? Ele construiu um grande repertório de canções. É o que diferencia um, Paul McCartney, dos Beatles. Você tinha várias bandas em Liverpool, mas os Beatles foi que resistiram a esse tempo. É isso! No caso do Roberto Carlos, é a mesma coisa. E, nesse sentido, a critica errou. O Vinícius (de Moraes) dizia que Roberto era maior que o seu repertório. Mas, suas músicas atingem o letrado, o pobre, o rico, os milionários. O Chico não atende à grande massa, assim como o Odair José não atende aos mais intelectuais. Ele teve a formação da seresta, como um grande cantor. Também administrou bem a carreira, nunca brigou como ninguém – só comigo. Ele sempre tomou decisões muito sensatas, saiu da Jovem Guarda no momento certo.

OP – Mesmo sendo uma dupla alardeada e admirada, Erasmo Carlos parece, em alguns momentos, ser um subproduto da dupla. Qual a importância do Erasmo para a carreira do Roberto Carlos?

Paulo César de Araújo – Foi um encontro perfeito. A tradição do Roberto é o do romântico. Ele passou pelo rock, mas o romântico ta na infância dele. Já o Erasmo, já começou na música com o rock. Ouvindo Bill Haley, foi o rock que o pegou direito. Quando se juntaram, isso deu às baladas a medida certa. Talvez de outra forma não teria dado tão certo. Quando o Roberto começa uma música e encontra um problema, o Erasmo ta ali, dá um toque, uma ideia. É a coisa mais próxima do Lennon e McCartney que nó temos. Não tem uma dupla no Brasil como eles.

OP – E qual foi a importância da Rede Globo na carreira do Roberto Carlos?

Paulo César de Araújo – De fato, ela foi mais importante pra imagem dele. Pra carreira não teve importância. Em 1974 (ano que estreia o RC Especial), ele já estava no auge. Ou seja, a Globo não alavancou a carreira do Roberto. Acho que a TV Record tem mais relevância na história dele por conta dos festivais. Agora, a Globo tinha o monopólio da audiência e ajudou na imagem da pessoa simples, boa, simpática, minimizando tudo sobre o Roberto. Foi importante pra imagem e hoje é o maior astro do canal.

OP – O que é o mais importante no livro que você escreveu?

Paulo César de Araújo – Eu acho que é por dimensioná-lo na história da música brasileira. O Roberto muda o rumo dos acontecimentos, para o bem ou para mal, dependendo de quem vê. Pra quem é da tradição do samba, foi ruim. Pra quem é a favor da música aberta a todas as influências, foi bom. Ele foi o primeiro artista a se tornar um ícone sem cantar os ritmos tipicamente brasileiros como samba, marchinhas ou baião. Sua obra não é identificada com os ritmos nacionais, por isso ele influencia o tropicalismo. O Caetano admite isso. Todo mundo vinha surgindo, vinha pra cantar samba. Mas o grande sucesso do Roberto Carlos abriu uma frente. Djavan e Fagner estavam ouvindo quem? Ele vai influenciar toda essa geração dos anos 1970.

OP – Sua pesquisa levou 16 anos. Por onde ou por quem ela começou?

Paulo César de Araújo – Eu fiz um levantamento da bibliografia da música brasileira nos jornais, na Biblioteca Nacional e vi que tinha uma lacuna, principalmente sobre esses assuntos, os artistas conhecidos como brega e Roberto Carlos. Tinha muitos (livros) sobre sambas, marchinhas, mas nada sobre o brega ou cafona. Iniciei com uma série de entrevistas fazendo uma revisão da música brasileira. Comecei com o Tom Jobim e, em seguida, fui mergulhando no Roberto Carlos. Comecei isso em paralelo com o brega. Nunca poderia saber que eu iria escrever a biografia do Roberto Carlos. Como a obra dele é muito biográfica, ele foi me encaminhando. Tem música pra mãe, pro pai, pras esposas e isso tudo foi dito por ele em entrevistas.

OP – Você já disse que a pesquisa foi longa por que você queria que o livro saísse depois que todas as suas perguntas sobre fossem respondidas. Que perguntas por exemplo?

Paulo César de Araújo – Eu queria, por exemplo, fazer essa trajetória passando da Bossa Nova e passando pelo Tropicalismo. A passagem do Roberto pela Bossa Nova antes era uma notinha. Pra alguns, o Roberto Carlos era um bicão. Mas eu via no canto, nas letras dele uma modernidade que vem da Bossa Nova. A letra da Bossa Nova é coloquial e Mexerico da Candinha (1965) é coloquial. Ele era Bossa Nova na letra e na forma de cantar e isso não é coisa de bicão. Então eu fui entrevistar o João Gilberto, Carlos Lyra e Roberto Menescal e a grande revelação foi a história do João Donato que um dia chamou o João Gilberto e disse “João, vem ver você cantando”. O João cantava Brigas nunca mais e eu tive acesso ao caderninho que o Roberto anotava as coisas dessa época e tava lá Brigas nunca mais. O João (Gilberto) me disse “achei ele muito musical”. O primeiro discípulo de João Gilberto que o próprio João conheceu foi o Roberto Carlos. Eu coloquei o Roberto Carlos na história da Bossa Nova. Consegui encaixa-lo como um filho direto de João Gilberto. Ele não deu certo na Bossa Nova, foi um fracasso. Por sorte, ele foi pro Ie Ie Ie.

OP – Mesmo tendo proibida uma versão oficial, não é difícil achar seu livro para download gratuito na internet. Isso, de alguma forma, lhe satisfaz? Funciona com uma espécie de vingança?

Paulo César de Araújo – Eu escrevi o livro pra ser lido. Em nenhum momento me sinto derrotado. O livro foi lançado, reconhecido, vendido. Claro que fico frustrado com o que aconteceu. Ele não precisava disso. No auge da carreira, sem experimentar queda, lamento por ele ter feito isso. O livro deveria estar nas livrarias, escolas e bibliotecas. Agora imagine que coisa aberrante, em Portugal você compra a biografia e compra no cartão de crédito. E é uma livraria oficial, não é um sebo. Custa 26 euros, o preço que saiu. Não sei como eles conseguiram, quantos eles compraram. Mas isso não poderá se sustentar por muito tempo. Foi o maior erro que ele cometeu. Acontece que a proibição é apenas de vendagem. A única pessoa que não pode fazer nada com a biografia sou eu. Foram quase 50 mil cópias vendidas entre dezembro e abril. O caminhão dele parou na editora e apreendeu 11 mil livros num depósito em Santo André. Não sei o que ele vai fazer com tantas cópias.

OP – Na sua análise, o que a proibição da biografia revela sobre o próprio RC?

Paulo César de Araújo – Ela representa as contradições do homem Roberto Carlos. Limitações e contradições. Limitações por que ele não tem o hábito de ler nem o jornal. Ele vê o mundo pela televisão e claro que isso tem um preço. No caso do Roberto, a conta veio agora. Só uma pessoa sem intimidade coma leitura poderia achar que deveria existir só um livro oficial sobre um personagem. E ele acredita nisso. Imagina um livro sobre Dom Pedro I, um sobre o Getúlio Vargas. Isso é uma limitação do Roberto. Já as contradições, até comentei com ele na audiência: “você não canta a tolerância? ‘Não importa os motivos da guerra, a paz é mais importante?’. Então”. Em O progresso (1976) ele canta “Não sou contra o progresso/ Mas apelo pro bom senso/ Um erro não conserta o outro/ Isso é o que eu penso”. Ele chegou a um ponto de admiração, adoração que, isso tudo não mancha a imagem pra grande maior parte dos fãs. Tem uma parcela até que concorda, mas que também não tem intimidades com a leitura.

OP – A proibição fez você perder a admiração pelo artista Roberto Carlos?

Paulo César de Araújo – Até por compreender essas limitações e contradições, continuo ouvindo, gostando e analisando. Sou um estudioso do Roberto Carlos. Meu arquivo está atualizadíssimo. Continuo ouvindo e acompanhando. Isso é problema dele, não meu. Apenas lamento. Foi ruim pra mim e mais ainda pra ele. Não interferiu na minha admiração. Esse foi o grande erro do Roberto. Quer queira, quer não, eu sou o biógrafo dele. Goste ou não.

OP – Você já tem planos para um novo livro?

Paulo César de Araújo – Vou contar os bastidores dessa pesquisa. Tive encontros com João Gilberto, Tom Jobim, muitas tentativas com o Roberto Carlos. Tenho quase 200 entrevistas nesses 15 anos. Vou contar esses bastidores, mas ainda não tem data.

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27.12.10 15:25

Sem perder a mejestade

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Muita gente comentou negativamente o especial do Roberto Carlos transmitido dia 25 de dezembro pela Rede Globo. O show foi gravado ao vivo na Praia de Copacabana e transmitido com um atraso de meia hora para quem estava em casa. Começa que acho esse modelo de transmissão bem legal. A TV fica com tempo de escolher o melhor enquadramento e o telespectador não perde a sensação do ao vivo. O palco era enorme e o público maior ainda. Deu, inclusive, muitas saudades do show que o rei fez em Fortaleza em 2008. Acontece que Roberto, certamente, não estava em seu melhor momento neste último sábado. Logo no começo do show, ele, sentado num banco alto (branco), comentou um acidente que lhe provocou um problema no ligamento do joelho. “Você andar de moto depois dos 35 causa isso”, comentou Roberto sem deixar claro se era uma brincadeira ou não que se tratava de acidente de moto. Claro que a falta de mobilidade no palco prejudicou em muito a empolgação do show, mas não é aí realmente que reside a temperatura morna (quase fria) da apresentação. Já faz tempo que Roberto não vasculha seu baú em busca de novidades nem dá uma remexida na forma de interpretar os sucessos de sempre. No máximo, ele cantou Copacabana, de Braguinha, em homenagem à praia que estava recebendo aquele espetáculo. Fora essa, ele cantou a belíssima e inesperada Na paz do seu sorriso e algumas menos conhecidas que entraram no pot-pourri que dividiu com a sertaneja Paula Fernandes. Por falar nela, Paula foi a única convidada a merecer nota. Bonita de se ver e com uma voz grave gostosa de se ouvir, Paula é uma boa surpresa na música sertaneja que, embora não seja autêntica de verdade, é muito bem feita. Bruno e Marrone, também convidados na noite, tiraram toda a sutileza de Desabafo numa versão que berrada que poderia ter a participação de Max Cavalera. E isso depois de cantarem a dispensável Dormi na Praça. O Exaltasamba é um bom grupo (não mais que bom), mas também não se adequaram àquele espaço. Pra fechar o grupo populista de convidados, a bateria da Beija-Flor apresentou seu samba enredo de 2011 Roberto Carlos – A Simplicidade de um Rei, composta por Erasmo Carlos, Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle, mas não empolgou muito. Enfim, o melhor do especial do RC é mesmo o próprio RC. Educado, fino e cantando sempre muito bem ele é e sempre será um nome único na história da música brasileira. Compositor de mão cheia e intérprete eficiente, nada tira seu posto de Rei. Nem um acidente de percurso. Vale esperar o que ele nos guarda para o próximo ano.

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07.12.10 15:57

O Rei ao vivo

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

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Evento tão tradicional no fim e ano quanto cidra e entrar no mar de costas é o especial de Roberto Carlos. Pois em 2010, este jovem artista com 51 anos de carreira promete inovação. A transmissão do seu especial pela Rede Globo será ao vivo, na noite do dia 25 de dezembro (às 21h30), direto das areias de Copacabana (como eu gostaria de estar lá). Esta será a primeira vez que o show será ao vivo desde que 1974, quando foi apresentado pela primeira vez (o único ano em que ele não foi exibido foi em 1999, por conta da morte de sua esposa Maria Rita). Em 2010, estão escalados como convidados a bela cantora Paula Fernandes, boa novidade da música sertaneja, o grupo Exaltasamba e a bateria da Beija-Flor, que sairá no próximo ano com um enredo em homenagem a Roberto Carlos. O especial do Roberto será Em tempo: o enredo é de autoria do grande mestre Erasmo Carlos. E, o melhor de tudo, Roberto Carlos está com turnê marcada para 2011 ao lado de ninguém menos que… que… STEVIE WONDER. As datas ainda não estão fechadas, mas as cidades serão Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. São muitas emoções…

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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