Discografia

24.05.12 12:44

Encontro de Ivete, Caetano e Gil chega às lojas em CD e DVD

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Depois de encarar projetos megalomaníacos no Maracanã e no Madison Square Garden (que pouco acrescentaram à sua carreira), Ivete Sangalo assumiu o cansaço da música baiana e vem apontando seu microfone para a MPB. Além de insinuar que pretende gravar um projeto voltado para a Bossa Nova, ela gravou no fim de 2011 um especial para a Rede Globo onde dividiu o palco com os também ícones baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Apostando na informalidade, o programa exibido dia 23 de dezembro acaba de ser lançado em CD e DVD lançado pela gravadora Universal. 

Juntos, os artistas conseguem diferentes resultados ao longo de mais de uma hora de apresentação. Ao lado de duas referências, Ivete garante seu espaço com beleza e bom humor. Cria dos novos tempos midiáticos, a cantora acaba assumindo informalmente o papel de mestre de cerimônias do encontro. De paletó e violão em punho, Gil precisa de muito pouco para demonstrar sua importância no encontro. Já Caetano, com certo ar blasé, parece estar pouco entusiasmado à frente das câmeras.

Se o repertório não é lá muito surpreendente, alguns números se mostram bem melhores que o esperado para projetos dessa natureza. Tendo o amor como guia para as 14 canções, quem mais se arrisca é justamente Ivete Sangalo ao trazer para si canções marcadas pelas vozes sagradas de Gal, Bethânia e Elis. Embora o registro da Pimentinha para Atrás da porta (Chico Buarque) seja algo à beira do insuperável, a baiana dá seu recado com emoção e sem firulas. Mas seu melhor momento é numa versão latinizada de Tá combinado (Caetano Veloso), lançada por Bethânia em 1988. Embora ela não não tenha a intensidade necessária para dar peso a tantas canções de acento mais dramático, a baiana faz bem ao inventar pouco e evitar comparações.

Amigos de longa data, Caetano e Gil aproveitam o espaço para contar histórias de suas musas. Defendida num dueto emocionante da dupla, Drão foi feita para a ex-mulher de Gil Sandra Gadelha (ou Sandrão), durante a separação do casal. E em seu momento solo, Gil grava Dom do iludir, do parceiro tropicalista, sem mexer muito no original. Em retribuição, Caetano divide Super-Homem, a canção, com o amigo. Embora tratem-se de três obras primas, as alocação delas no repertório ó servem para confirmar a beleza e gradiosidade do trabalho dos dois baianos. Entre arranjos mornos de Lincoln Olivetti e a direção musical careta de Mariozinho Rocha, o encontro das três estrelas baianas encerra com o majestoso samba Amor até o fim em outro bom momento o trio. Em seguida, somente a sensação de que poderia ser um tanto melhor.

Compartilhar

18.05.12 15:03

Banda Nuvens libera seu segundo disco para download gratuito

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Quinteto curitibano com cinco anos de estrada, o Nuvens disponibilizou para download gratuito seu bom segundo disco, chamado Fome de vida (independente). A iniciativa faz parte do movimento MPB – Música Para Baixar. Além de uma bela ilustração na capa, o disco produzido por Rapha Moraes e Álvaro Alencar traz melodias bem construídas sobre uma base pop bacana e letras acima da média do que se produz atualmente. O destaque fica para o rock esperto Um frame de emoção, que fala de amor com um toque de agressividade (“teus olhos de pimenta me chocolateavam”). Formado por Amandio Galvão (guitarra e backing), Guilherme Scartezini (bateria), Marcos Nascimento (baixo), Marcus Pereira (percussão) Raphael Moraes (violão, guitarra e voz), o primeiro disco do Nuvens foi lançado em 2008. Adeptos dos experimentalismo, eles costumam mesclar nos shows a parte musical com elementos de teatro e circo. Com a mesma disposição, Fome de vida tem algo de inconformismo, paixão e saudade numa paleta sonora de rock, blues e pop.

Compartilhar

18.05.12 11:47

A intimidade do mito Raul Seixas

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Por Pedro Rocha (pedrorocha@opovo.com.br)

“Nós estamos em torno de 140 mil, quer dizer, pra um documentário é uma bilheteria fantástica, porque a maioria dos filmes não passa de 70, 80 mil, muitos não chegam nem a 20”, fala por telefone Walter Carvalho sobre a bilheteria de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. Lançado no dia 23 de março, o documentário sobre o mito da música brasileira chega hoje às salas de cinema de Fortaleza com histórias que cobrem as várias fases da vida de Raul, desde a adolescência na Bahia, até a decadência no fim da vida, vítima do alcoolismo.

“Eu sou da geração que admirava Caetano e Chico, da geração de A Banda, de Alegria, Alegria. O Raul vem um pouco depois, em 71. Caetano e Chico já estavam na parada desde 1967. Mas o Raul caiu no gosto popular e era um cara que fazia uma música de fácil comunicação e ao mesmo tempo muito criativa”, comenta Walter, que recebeu o convite da Paramount para dirigir o documentário.

Depoimentos e imagens de arquivo costuram o filme.

Amigos de juventude relatam as aventuras de Raul quando este era ainda um adolescente que imitava os trejeitos dos ídolos do rock estadunidense, especialmente Elvis Presley. Gola em pé, cigarro na mão e o jeitão marrento de olhar sobre o ombro são lembrados pelos próprios colegas de Raul no Elvis Rock Club, criado por eles para cultuar o estilo musical e a figura do astro do filme Balada Sangrenta, de 1958.

Já no Rio de Janeiro, a projeção de Raul com Let Me Sing, Let Me Sing no Festival Internacional da Canção de 1972, misturando o rock norte-americano e o baião de Luiz Gonzaga, é o início de sua transformação num dos cantores mais populares do Brasil, que será seguida por sua identificação como um dos símbolos da contracultura no País.

A entrevista de Paulo Coelho é um dos pontos altos de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. O hoje escritor mundialmente reconhecido foi um dos principais parceiros de Raul Seixas, a pessoa que apresentou ao cantor as profundezas da contracultura na década de 1970, incluindo as drogas e o ocultismo. Sentando na sala de sua casa na Suíça, ele conta sem melindres as histórias desse tempo, os bastidores da composição de sucessos como Sociedade Alternativa e os motivos que fizeram Raul Seixas largar sua primeira esposa, Edith.

Ex-mulheres

Paixão de adolescência que acabou em casamento, Edith é a única das ex-mulheres de Raul Seixas que não concedeu entrevista a Walter Carvalho. “Ela foi a única que não quis falar, mas eu pedi através da filha que ela me mandasse uma carta”, conta o diretor. A primogênita de Raul, Simone, fala em inglês – Edith é americana e voltou para os Estados Unidos com a filha ainda pequena – sobre a relação superficial que teve com o pai, e lê a mensagem melancólica da mãe.

Outras ex-companheiras de Raul se sucedem no documentário na ordem em que entraram na vida dele, representando as diferentes fases de sua carreira e, principalmente, o aprofundamento de seu vício nas drogas até a morte. “Individualmente cada uma me recebeu muito bem. Eu tive acesso aos arquivos pessoais de todas”, fala Walter sobre as farpas que uma e outra soltam no filme.

 A intimidade da vida do cantor e compositor se entrelaça no documentário à sua obra, através da filosofia de vida contestatória, alternativa, expressada nas músicas, que rejeitam os padrões prescritos pela sociedade. Jornalistas como Pedro Bial, Nelson Motta e Tárik de Souza comentam a música de Raul Seixas. Caetano ressalta a genialidade dos versos de Ouro de Tolo. E Tom Zé faz uma aparição cantando e tocando composição própria sobre a chegada de Lampião e Raul Seixas na reunião do Fundo Monetário Internacional.

Ao passo em que se entra na década de 1980, o filme mergulha na decadência do cantor, no irrefreável apetite pelas drogas, notadamente o álcool, no agravamento dos problemas de saúde como a diabetes e nas seguidas internações hospitalares, até a dramatização de sua morte. Um roteiro conhecido de ascensão e queda de um astro do rock – no caso de Raul, uma história profundamente brasileira.

Compartilhar

15.05.12 14:24

Roberta Sá lança primeiro clipe do disco Segunda Pele

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Imagem de Amostra do You Tube

Faixa-título do novo disco de Roberta Sá, Segunda Pele, canção composta por Carlos Rennó e Gustavo Ruiz, acaba de ganhar video-clipe dirigido por Gabriela Gastal. Apostando na sensualidade e sedução, temas escritos na letra da música, a cantora potiguar dialoga olhares com a câmera dirigida por Gustavo Hadba (Malu de Bicicleta) enquanto sobe em uma escada em caracol. O disco Segunda Pele (Universal) foi lançado no início deste ano apresentando um novo ambiente sonoro da artista, antes fortemente atrelada ao universo sambista. Entre frevos e bossas, ela apresentou 12 canções entre inéditas e regravações de Caetano Veloso e Jorge Drexler.

Compartilhar

11.05.12 13:44

Filipe Catto arrasta três prêmios no Açorianos de Música

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Imagem de Amostra do You Tube

Cantor de voz particularmente aguda, o gaúcho Filipe Catto venceu em três das seis categorias a que estava concorrendo no prêmio Açorianos de Música 2011-2012. Concorrendo com o disco Fôlego, lançado em 2011 (Universal), ele levou os prêmios de Melhor Intérprete, Melhor Disco de MPB e o Disco do Ano. Fora esses, ele concorria na categoria Melhor Compositor, Melhor Produtor (Dadi e Paul Ralphes) e Melhor Projeto Gráfico. O evento promovido pela Prefeitura de Porto Alegre desde 1977 reconhece trabalhos artísticos desenvolvidos em diversas linguagens. O prêmio de música acontece desde 1990, dividido nas categorias nas categorias MPB, regional, pop, música instrumental, música erudita, espetáculo, revelação, DVD, música infantil e menções especiais.

Compartilhar

09.05.12 19:08

Charles Gavin anuncia volta aos palcos ao lado de Dado Villa-Lobos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Afastado dos palcos desde 2012, quando deixou os Titãs para acompanhar o crescimento dos filhos, o baterista Charles Gavin está ensaiando seu retorno às baquetas. Em entrevista exclusiva ao DISCOGRAFIA, ele anunciou que seu novo projeto vai contar com o guitarrista Dado Villa-Lovbos, ex-Legião Urbana, o baixista Dé Palmeira, ex-Barão Vermelho, e Toni Platão, ex-Hojerizah. A power banda, ainda sem nome, está em fase de ensaios. A proposta é verter para o português o repertório de bandas latinas, como Los Traidores e La Vela Puerca. Com produção do uruguaio Carlos Taran, o projeto vai virar um especial para o Canal Brasil (onde o baterista mantém o espetacular programa O Som do Vinil), que também será çançado em DVD, e depois cai na estrada.

Compartilhar

04.05.12 13:38

Monique Kessous lança clipe da música Coração

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Imagem de Amostra do You Tube

Balada de abertura do segundo disco da carioca Monique Kessous, a música Coração acaba de ganhar clipe dirigido por  Bruno Miguel. Trilha sonora da novela Cordel Encantado, a faixa composta pela artista ganhou cenas gravadas pelo Rio de Janeiro e conta com a participação dos pequenos Nicole e Vinícius Kessous. Munida de um gravador portátil, a cantora, compositora e musicista caminha por ruas, praias e favelas apresentando a nova canção aos passantes. O mesmo recurso foi usado por Maria Rita no clipe de Cara Valente.

Compartilhar

03.05.12 13:35

Silvia Machete apresenta pela primeira vez em Fortaleza seu tropicalismo extravagante

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

No crescente mercado de cantoras brasileiras, conseguir um destaque entre tantas vozes graves e agudas é algo que exige muito esforço. Mais ainda quando a música é só um veículo para passar uma ideia maior sobre a arte, a criação e a vida. Mas esse foi o desafio que a carioca Silvia Machete impôs para o seu trabalho. Sem um sucesso no rádio ou na trilha da novela, ela chega pela primeira vez a Fortaleza nesta sexta-feira (4) para apresentar um resumo dos seus seis anos de carreira como cantora.

Apesar de praticamente desconhecida do grande público e do pouco tempo que conta desde sua estreia com o disco Bomb of love – música safada para corações apaixonados (2006), Silvia Machete já tem uma longa estrada no campo das artes. Depois de anos acalentando o sonho de ser malabarista, ela seguiu para a França onde estudou artes circenses, teatro burlesco e o erótico cômico. De fato a viagem que duraria seis meses era para estudar o francês. Apostando no próprio talento, ela preferiu se dedicar ao que de fato queria e esticou a estada para três anos.

Imagem de Amostra do You Tube

Certa de que a arte era o melhor caminho para sua vida, Silvia Machete dedicou mais 12 anos ao teatro de rua, na Europa e na América do Norte, onde acumulou prêmios e elogios. De volta ao Brasil, ela, que tem dois irmãos músicos profissionais, decidiu juntar o canto e a performance teatral em espetáculos cheios de humor, sensualidade e maluquices, como cantar rodando um bambolê. “Tem uns que têm uma certa resistência ao que eu faço. Mas, olha, meu show é muito legal. Eu amo”, empolga-se a artista em entrevista por telefone.

Grande parte dessa resistência deve-se ao fato de Silvia Machete fazer no palco algo à beira do indefinível. Não à toa, ela batizou seu último disco, lançado em 2010, de Extravaganza (Coqueiro Verde). Ao mesmo tempo em que cede seus belos agudos à tocante Feminino frágil – parceria com o tremendão Erasmo Carlos –, ela surge vestida de samambaia no mambo Tropical extravaganza, de Fabiano Krieger. Pra completar, em O baixo, composição de próprio punho, ela faz do instrumento de notas graves o parceiro ideal para uma dança do acasalamento. “Esse disco começou com a palavra ‘extravagante’, que diz muito sobre o que eu sou no palco. Acho que o Brasil é muito extravagante. Então, comecei com essa palavra, fui pesquisando”, lembra ela que recebeu o prêmio de melhor show de 2010, cedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Imagem de Amostra do You Tube 

No entanto, Silvia Machete não é de fazer qualquer coisa somente pensando em chamar a atenção e nem fica posando de engraçada. Com certo ar de seriedade, ela não nega que um leque tão aberto na vida profissional acaba tornando sua estrada mais longa e difícil. “Sinto falta de uma pessoa que faça o que eu faço, um teatro musical. Não caio nessas coisas tradicionais”, dispara. Com três discos e um DVD lançado em esquema independente, ela afirma que sua música até poderia tocar no rádio, mas isso exigiria uma estrutura que ela não tem. “Acho que vou, ainda por muito tempo, ser uma artista que faz uma coisa até artesanal”, adianta sem esconder uma pontinha de decepção.

Mas o grande trunfo guardado na manga desta artista tão multifacetada, ela sabe, é mesmo no palco. “Hoje, falar que é cantora não é grande coisa. Meu trabalho é único por que consigo fazer no palco tudo que sei fazer. Faço parte dessa coisa que não dá pra rotular”, admite. No CD e DVD ao vivo Não sou nenhuma santa (2008), por exemplo, ela vai do samba canção passional Foi ela a uma versão mais mansa de Sweet child o’mine, da banda Guns N’Roses. Hábil pescadora de pérolas, ela sabe bem juntar composições próprias e canções perdidas em discos alheios (a delicada Gente aberta, de 1971, foi que deu origem à amizade com Erasmo Carlos), antes de jogar seu molho particular e apresentar para o público. “Como é a primeira vez que vou a Fortaleza, vou fazer os números do show antigo e misturar com coisas novas. É um show bem divertido. Nem precisa conhecer as músicas para gostar”.

Imagem de Amostra do You Tube

Serviço:
Quando:
nesta sexta-feira (4), às 20h
Onde: Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Outras informações: 3230 1917

Compartilhar

03.05.12 11:14

Expoentes da geração 90 completam 15 anos de carreira

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Pra quem nasceu na estrada, não existe lugar melhor para comemorar aniversário. Esse é o caso dos mineiros do Jota Quest. Comemorando seus 15 anos de carreira, eles decidiram marcar a efeméride registrando em CD, DVD, Blu-Ray e especial para o canal Multishow a turnê nacional que seguiu o lançamento da coletânea Quinze.

Folia & Caos é o subtítulo do trabalho que chegou às lojas esta semana com o carimbo Multishow Ao Vivo. Registrado entre os meses de abril e dezembro de 2011, o especial segue um modelo meio documentário. Mostrando depoimentos da banda e momentos no camariam, com todos degustando uma boa cachacinha mineira. Um dos pontos altos do trabalho fica por dos muitos convidados que subiram nos muitos palcos por onde o quinteto passou. Seu Jorge, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos e Maria Gadú são alguns.

Imagem de Amostra do You Tube

Outro debutante, este já tardio, a Nação Zumbi também escolheu o que melhor sabe fazer para comemorar seus 15 anos de carreira, completados em 2009. A diferença é que eles buscaram um terreno seguro para a festa, a Praça do Marco Zero de Recife. Lançado em CD e DVD somente agora, o show aberto fez mais de 80 mil pessoas pularem ao som de Corpo de lama e Maracatu atômico. O motivo de tanta demora foram os muitos problemas técnicos durante a gravação, que acabaram deixando seis músicas fora do DVD. Nada inclusive é percebido na edição final.

Também convidando seus amigos, a Nação Zumbi traz ao palco, para alegria dos pernambucanos, a tradição moderna do mestre Siba e a Fuloresta em Trincheira da Fuloresta. Já Rios, Pontes & Overdrives é dividida com o companheiro de manguebeat Fred 04, compositor da música ao lado do fundamental Chico Science (1966 – 1997). E Arnaldo Antunes também vira mangueboy em Antene-se, enquanto os Paralamas do Sucesso encerram a festa tocando Manguetown. Mas, se as participações dão um molho gostoso ao show, a Nação Zumbi também se basta sozinha. Basta ouvir a versão soturna do samba Jornal da Morte, de Miguel Gustavo. Uma forma pouco convencional de marcar 15 anos de vida.

Compartilhar

01.05.12 17:08

Cida Moreira, uma divina dama

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

“O bacana de ser artista é ser teimoso, no mais das vezes corajoso, muitas vezes completamente insano e com muita frequência se deveria ser absolutamente honesto e ético”. A definição está na última frase do making off do DVD A Dama Indigna, primeiro registro em áudio e vídeo da cantora e atriz paulistana Cida Moreira. Intérprete segura, pianista econômica, ela resume bem nessa frase como construiu uma carreira sólida e criativa ao longo dos últimos 30 anos, sempre à margem da indústria.

Começando pela teimosia, essa característica ficou bem impressa na conversa por telefone que ela teve com o Blog DISCOGRAFIA. Logo de cara, ao contrário do que explica no DVD, ela nega que A Dama Indigna seja um retorno ao estilo do seu primeiro disco, Summertime (1981). “A única coisa igual é que sou eu mesma. É uma cantora nova, um repertório novo. Essas coisas antigas não são parâmetros para mim. O Summertime é lindo, mas o nome é indigno”, explica ela em tom enfático. Ainda assim, perdão Cida, as semelhanças são muitas.

Assim como aconteceu na estreia, o novo disco segue o modelo “voz e piano”. Costurando canções com seu estilo teatral de interpretar cada palavra, ela montou o espetáculo A Dama Indigna em 2009 com 22 músicas. No ano seguinte, registrou 15 delas no disco lançado no primeiro pacote da gravadora Joia Moderna. Mais um ano e o mesmo show vira um DVD que “calhou” de ser nos 30 anos de carreira de Cida Moreira. “Eu não faço um disco pra comemorar. Meu jeito de trabalhar é o contrário, a música vem antes do comércio”.

Mais que uma simples apresentação de músicas, A Dama Indigna capta a artista no seu habitat natural, o palco. Usando detalhes da iluminação e dos econômicos elementos cênicos, ela dá a cada som de voz e piano uma importância maior. “Eu tenho muito bom acabamento no que eu faço. Não sou uma cantora de disco. O DVD da Dama ta sendo muito importante por que mostra minha música no palco”, confirma ela, que não tem pudores na hora de escolher repertório.

Foto: Agnaldo Rocha

Sem se preocupar em explicar ou confundir, ela mistura épocas, estilos e intensões, adaptando tudo ao próprio universo. Dessa quase insanidade, ela vai da recente Back to black, de Amy Winehouse, à Maior que o meu amor, gravada por Roberto Carlos em 1970. Indo fundo no baú de memórias, Sou assim, composição de Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri gravada por Marlene na trilha sonora da peça Botequim (1973), caiu como uma luva nas notas rasgadas da paulistana. De Chico Buarque, compositor a quem dedicou um espetacular songbook em 1993, ela aumenta a densidade de Uma canção desnaturada, pinçada da Ópera do Malandro (1979).

Se parece estranho que uma cantora com 30 anos de carreira tenha menos de 10 discos, para Cida Moreira esse número está suficiente. Talvez tivesse gravado mais uns quatro, nas próprias contas. “Acredito que eu tenha conseguido uma carreira muito sólida. Se eu não fiz mais, é por que não quis”, afirma. Agora, seu plano é se voltar para a obra dos novos compositores – Hélio Flanders (Vanguart) e Thiago Pethit entre eles. Sem querer se apegar a modismos ou renovar o próprio repertório, ela apenas vê nesse próximo projeto uma forma de contar as próprias verdades, ser honesta com a própria história e dar início aos seus próximos 30 anos de carreira.

Compartilhar
Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

Receba as postagens
do blog Discografia

Powered by Feedburner/Google

Categorias