Discografia

18.08.11 14:37

Filhos de João faz retrato burocrático dos Novos Baianos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Nos anos 70, uma das bandas mais criativas, inventivas e loucas que passaram pelo Brasil foi Os Novos Baianos. Com um frontline formado por Moares Moreira, Dadi, Paulinho Boca de Cantor, Baby (então) Consuelo, Pepeu Gomes e o poeta Luiz Galvão, eles criaram um repertório cheio de beleza, delicadeza, peso e harmonia. Surgindo com os hippies e o flower power já bem instalados na cabeça da juventude, eles decidiram viver aqueles anos em comunidade, dividindo tudo, cuidando uns dos outros e, claro, carburando o cérebro com algumas substâncias pouco saudáveis. Inundados por Hendrix, Joplin e Woodstock, eles se viram numa encruzilhada quando receberam a visita de João Gilberto. Pai musical da geração Bossa Nova e também adepto das viagens a base de cannabis, foi o baiano de voz mansa quem mais incendiou a cuca daquele monte de malucos enxertando altas doses de Assis Valente e Dorival Caymmi nas guitarras deles. É por isso que Henrique Dantas batizou seu documentário de Filhos de João – O admirável mundo Novo Baiano. A proposta de resgatar a vida louca daquela trupe, é mais do que louvável. Separados desde o início dos 80, quando o modelo de vida em comunidade começou a trazer problemas particulares (principalmente para Moraes, que era casado e pai), o grupo se viu esquecido nas gavetas da memória brasileira. Junto com eles, foi também guardada uma das histórias mais interessantes e um dos repertórios mais completos da nossa música. A presença do conterrâneo Tom Zé faz uma síntese do quanto eles tinham de tropicalista. Para ele, em suas longas divagações teórico poéticas, os Novos Baianos foram “uma pequena manifestação do absurdo”. Apesar disso, ao diretor pecou em não se deixar levar por aquela história. Montado de forma burocrática, o filme parece cansativo em seus míseros 76 minutos.

Imagem de Amostra do You Tube

Um passeio pelo youtube e você consegue ver mais sobre o grupo. A ausência de Baby entre os depoimentos, que cobrou um valor irreal para que tivesse sua imagem exibida, é sentida e quase comprometedora. No entanto, mais comprometedor seria não realizar o filme. Os demais estão todos lá. Pena que cabeças e mais cabeças passam pela tela sem os devidos créditos. Ninguém é obrigado a saber que é Galvão e Pepeu, muito menos o Bola ou o Gato Félix. Quanto às imagens, muitas são tiradas do filme Novos baianos F.C., de Solano Ribeiro (1973). Esse sim, uma verdadeira pérola gravada in loco em Jacarepaguá, no sítio Cantinho do Vovô, onde todos moravam. O documentário de Dantas já entra com desvantagem por conta das comparações inevitáveis com o de Solano, mas poderia ter ganho mais elogios se tivesse a preocupação de mostrar por onde anda cada novo baiano, o que cada um está fazendo hoje em dia. Até onde me consta, o único com carreira midiática é Moraes. Uma amiga, na porta do cinema, comentou que faltou música em Filhos de João. Ao lembrar quem foram aqueles cabeludos todos, talvez tenha faltado um pouco de loucura também.

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15.02.11 07:38

Os sonhos elétricos de Moraes Moreira

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Bem antes de se ouvir falar em Ivetes, Cláudia e Timbaladas, o trio elétrico já tinha encontrado uma voz pera seu comando. Quando ainda integrava o time dos Novos Baianos, Moraes Moreira botou seu violão virtuoso e seus sambas e frevos para ferver o chão do Brasil. De lá pra cá, muita coisa passou. Moraes tornou-se um jovem senhor de 63 anos, passa longe daquela figura magrinha dos anos 70 e já acumula 34 anos de experiência. No entanto, o pique, a cabeleira e o bigode ficaram e ele continua sendo garantia de festa em qualquer carnaval. Isso devido em muito à sua admiração pelos criadores do Trio Elétrico, a dupla Dodô e Osmar. Admiração que ele agora registra no livro Sonhos Elétricos (Azougue Editorial). Escrito em capítulos curtinho, prontos pra você devorar em segundos, este segundo livro de Moraes (o primeiro foi A história dos Novos Baianos e outros versos, de 2008) começa falando sobre sua separação da trupe para seguir carreira solo. deixando claro que nenhuma separação acontece totalmente de boa, ele diz que não dava mais pra cuidar de mulher e filhos em meio a uma comunidade hippie. Algo no estilo the dream is over. Daí ele segue narrando sua ligação umbilical com o carnaval. Compositor de clássicos como Vassourinha elétrica, Pombo correio e Bloco do prazer, este bom baiano é e sempre será um clássico nas festas de Momo. Cansado do estilo carnaval pra gringo que tomou conta da bahia, Moraes se afastou e abriu espaço pra essa invasão de artistas com muita animação e pouca imaginação. Recheado de pequenas histórias curiosas e engraçadas, Sonhos Elétricos é leitura obrigatória pra quem se considera de fato um carnavalesco.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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