19.10.11 11:00
12 cantoras releem obra de Marina Lima
No mesmo ano em que Marina Lima volta às lojas com o seu modernoso Clímax, a jornalista Patrícia Palumbo arregimenta 12 cantoras da nova safra brasileira para reconstruir canções obscuras do repertório da roqueira carioca. Patrícia foi convidada pelo DJ Zé Pedro, dono da gravadora Joia Moderna, por onde sai o tributo bem batizado de Literalmente Loucas. O nome do projeto foi tirado de uma música do disco de estreia de Marina, mas que curiosamente ficou de fora do disco. Assim como é praxe da homenageada quando se apropria de outras canções, a ideia de Literalmente Loucas foi realmente desconstruir e reconstruir não-clássicos para provar a atualidade e versatilidade da obra feita quase toda ao lado do letrista Antônio Cícero (irmão da cantora). Entre ótimos e bons momentos (e poucos escorregos), o objetivo foi bem alcançado. Veja no Faixa-a-Faixa:
1. Memória fora de hora (Marina/ Cícero) – lançado no inaugural Simples como fogo (1979), esta canção lançada como um reggae, virou um dance curioso, cheio de feitos, na voz sempre doce de Tulipa Ruiz. Se firmando como uma das melhores dos últimos tempos, a paulistana se apropria sem medo e faz bonito.
2. Quem é esse rapaz (Marina/ Cícero) – Pop bem oitentista do disco Certos acordes (1981), esta balada meio jazzy ganha uma veia indie brega com a voz curtinha da paulista Andrea Dias. O destaque fica para a guitarra de Léo Chermont. Há também um toque abolerado que dá um charme à releitura.
3.Por querer (Marina/ Cícero/ Nico Rezende) – Uma das mais belas e sensuais baladas românticas de Marina, foi lançada no disco Todas (1985). Dona de um dos melhores discos de 2010, Bárbara Eugênia se equivocou ao tirar a sensibilidade e colocar num rock. Pra quem conhece o original, desce rasgando.
4. Meu doce amor (Marina/ Duda Machado) – Inédita na voz de Marina, esta foi sua primeira canção gravada. No caso, por ninguém menos do que Gal Costa no espetacular disco Caras & Bocas (1977). Ainda vivendo sua fase hippie, a baiana deu ginga a este desabafo de uma mulher abandonada. Márcia Castro soa mais contida, mas não menos intensa.
5. Confessional (Marina) – Balada apaixonada alocada no finzinho do disco Virgem (1987), esta canção ganha fúria com o acompanhamento da banda Tono. No vocal, Karina Zeviani, do coletivo internacional Nouvelle Vegue, faz bonito. O arranjo bluseiro faz bem à canção.
6. Bobagens, meu filho, bobagens (Marina/ Cícero) – Mais uma inédita na voz da autora, esta foi lançada por Caetano Veloso no inspirado Uns (1983). A estreante Graziela Medori, filha da cantora Claudya, não tem o mesmo apelo vocal de Caetano, mas segura bem a onda e não tem medo de mexer nos ritmos e climas da composição.
7. À meia voz (Marina/ Cícero) – A canção que batizou o disco Registros à meia voz (1996), revela no nome o resultado da depressão por que passou Marina naquele ano, fazendo a cantora perder a voz por um tempo. Composta como um funk pesado, Anelis Assumpção aposta na inventividade e refaz a música. Uma das releituras mais surpreendentes deste tributo.
8. O meu sim (Marina/ Cícero) - O ótimo disco Marina Lima, de 1991, é o primeiro que traz a compositora assinando com nome e sobrenome. Nesta canção sobre a solidão, Nina Becker respeita a ideia original, mas crescenta climas e camadas cool sobre sua voz. Apesar de ter recursos vocais limitados, ela sabe usá-los bem.
9. Tão fácil (Marina/ Cícero) – Também de Simples como fogo, esta foi concebida como um blues autêntico com Marina se derramando sobre o microfone. Como para Karina Buhr nada pode ser tão fácil (ops!), ela casa e batiza indo do rock ao dance. Com boa vontade, tem até uma bossinha. Claro, o sotaque recifense é o charme e está lá.
10. Alma caiada (Marina/ Cícero) - Bem apresentado em 1979 por Zizi Possi e inédito na voz de Marina, este é mais um blues da primeira safra da compositora. Iara Rennó esquece os limites e leva a canção para o espaço. Sem chão ou muros, ela enche os três minutos e meio de ruídos, gemidos e inserções. Resultado curioso e arrepiante.
11. Seu nome (Marina/ Cícero) – Mais uma dos promórdios de Marina, lançada no disco Certos Acordes (1981). A desconhecida Joana Flor faz da baladinha oitentista uma bossinha eletrificada. O canto agudo da carioca parece respeitador ao original, mas também imprime personalidade. Atentem para o “isso é fatal”.
12. O solo da paixão (Marina/ Cícero) – Mais uma balada inspirada de Marina lançada em Registros à meia voz (1996). Claudia Dorei se divide entre voz e trompete e deita sobre uma cama de programações. É um encerramento climático para um tributo merecido a uma cantora e compositora que merece ter sua história redescoberta.
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30.08.11 22:18
Em seu primeiro disco sem Cícero, Marina se cerca de amigos pra falar sobre a melancolia
A carioca Marina Lima construiu sua carreira sobre uma mistura intensa de elementos musicais banhados em muita elegência elegância, feminilidade e intimidade. Quer seja o assunto do qual ela esteja falando, sempre se imagina que se trate de algo muito íntimo. Neste caldeirão de confissões, ela colocou rock, samba, eletrônico, jazz, bossa nova e raras foram as vezes em que ela dividiu suas músicas com outros intérpretes. Em contrapartida, em 19 discos lançados ao longo de 32 anos, ela sempre contou com o filósofo Antônio Cícero, seu irmão, como seu principal letrista. Este ano ela decidiu quebrar algumas regras e lançar Clímax, o segundo pelo próprio selo, Fullgás. Curiosamente, Cícero não figura sequer nos agradecimentos. O disco, produzido por Edu Martins e Alex Fonseca, traz 11 músicas, das quais sete são assinadas somente pela cantora. A escolha por um repertório tão pessoal trouxe um clima mais soturno e melancólico ao disco que, como um todo, versa sobre as diversas formas de perda e solidão. Em contrapartida, é a primeira vez que ela convida tantas novas estrelas para dividir com ela o microfone (com excessão do Acústico MTV, onde os convidados são exigência contratual) e as composições. Logo na largada, Não me venha mais com amor é uma parceria furiosa com Adriana Calcanhotto onde o eu feminino assume seu direito de fazer sexo apenas por prazer. A batida forte dos samplers reforça o recado repleto de imagens quentes e sensuais. A perda de voz sofrida em meados da década de 90 ainda não está totalmente superada e em alguns momentos Marina parece se exigir mais para atingir as notas, como é o caso na urgente Lex. Empolgada com a mudança do Rio de Janeiro para São Paulo, ela declara em #SP Feelings o quanto “essa cidade faz meu som vibrar e querer viver pra concluir tanta perspectiva nova, ímpar, que só as cidades grandes sabem produzir”. Assim como se firmou como compositora, Marina sempre gostou de testar novas roupagens para os clássicos dos outros. Dessa forma, ela já desmontou e reconstruiu Emoções (Roberto/ Erasmo), Garota de Ipanema (Vinicius/ Tom) e Only You (Ram/ Rand), todas com bons resultados. Em Clímax, a escolha foi para Call me, canção de Tony Hatch lançada por Petula Clark em 1965. O que antes era um roquinho leve virou uma balada triste e lenta, focada em teclados econômicos que casam bem com o clima geral do disco. No assunto convidados, Vanessa da Mata dialoga com a anfitriã em A parte que me cabe e juntas produzem um dueto bonitinho sobre a passagem dos tempos. Mais climática e cheia de ruídos, Desencantados recebe Karina Buhr e Edgard Scandurra. Por fim, Pra sempre é cantada e composta ao lado de Samuel Rosa e poderia perfeitamente está num disco do Skank. Já no de Marina, ela parece deslocada e mais pop do que todo o resto do disco. Ainda assim, não se pode dizer que ela compromete o resultado do disco e até pode ser apontada como uma boa candidata primeiro single. No entanto, mais que a vontade de tocar no rádio, Marina lima prefere cantar suas dores e seus amores da forma mais sincera possível. E deixe quem quiser gostar. Com esse entendimento, Clímax é uma carta de retorno de uma cantora que tem muito a dizer, mas, quase sempre, intercala momentos de exposição moderada com reclusão total.
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06.01.11 15:21
Por falar em Marina Lima, seguem aqui dois vídeos da cantora. O primeiro é tirado do especial oitentista A Arca de Noé, somente com canções infantis de Vinicius de Moraes.
E a segunda é uma versão marínica para Garota de Ipanema, o clássico eterno de Tom e Vinícius. Pra quem não sabe, este foi o primeiro clipe a passar na MTV Brasil.
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06.01.11 14:29
Marina Lima anuncia novo trabalho
Ainda em tom misterioso, a carioca Marina Lima anunciou que está preparando disco novo para este semestre. O sucessor de Lá nos primórdios vai se chamar Clímax e vai contar com 13 ou 14 faixas. A notícia veio pelo seu blog no último dia 3, onde ela já adianta: “tenho 9 canções novas, 1 regravação, 2 canções antigas americanas e uma provável parceria com uma cantora e compositora que admiro demais. Convidei e ela aceitou”. O último trabalho de Marina Lima foi lançado em 2006 e rendeu uma bem-sucedida turnê e promessas de um registro em DVD, que não saiu. O mesmo aconteceu com o livro Entre as coisas, anunciado para 2009. “Quis contar isso aqui, depois de tanto tempo. Logo logo volto pra mais detalhes. beijo, saudade de vocês”, Marina encerra o post.
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