Discografia

30.01.12 13:28

Marina de La Riva em um mar de música

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Uma movimentação diferente tomou conta do Shopping Via Sul na última quinta-feira (26). Por volta das 20h, uma enorme fila já estava formada em frente ao teatro da casa, com jovens e senhores cantarolando músicas latinas. O motivo da cantoria é que dentro de uma hora subiria ao palco a cantora Marina de La Riva (foto: Kleber Gonçalves) estreando uma nova turnê onde pretende encontrar várias orquestras pelo Brasil e, quem sabe, pelo mundo. Em Fortaleza, a escolhida foi a Orquestra Contemporânea do Ceará, regida pelo sereno maestro Alfredo Barros.

Dona de uma voz doce e segura, a cantora carioca filha de cubano com mineira é um exemplo para o Ministério das Relações Exteriores ao unir canções cubanas e com sotaque jazzista americano, sem perder a bossa brasileira de vista. Com uma pontualidade de corar os famosos atrasadinhos, o primeiro toque para o início do show foi dado exatamente às 21h. Com os músicos já a postos atrás dos seus instrumentos, Marina de La Riva subiu ao palco pouco depois ao som de Central Constancia. Nem precisou terminar a primeira música, a casa totalmente cheia já estava aos seus pés.

Marina, estonteante num vestido longo vermelho, seduziu seus ouvintes por mais de uma hora. Ao seu redor, um som esplendoroso envolvia todos que estavam reunidos ali. Era algo em torno de 60 músicos, somando banda e orquestra, interpretando bossas e boleros capazes de amolecer até os corações mais duros. Numa espécie de recital latino, o repertório incluiu pérolas conhecidas como Pedacito de cielo e Tu me acostumbraste, esta última com uma participação inesperada do pai da cantora, que cantou do seu canto na plateia. “Quando dois de La Riva se juntam dá nisso”, brincou a filha emocionada. Adiantando Idílio, disco que está prestes a ser lançado, ela mandou Assum preto, numa interpretação que ressaltou o tom trágico da letra, e Ausência, canção de Vinícius de Moraes e Marília Medalha lançada em 1972 no disco Encontro e Desencontro. Até o Rei Roberto Carlos teve sua Desabafo vertida para o espanhol, numa interpretação arrepiante.

Um destaque especial tem que ser dado à Orquestra Contemporânea do Ceará. Executando com perfeição os arranjos cinematográficos a la Henry Mancini, os músicos provaram que nem só de forró se faz o nosso Estado. Isso ficou claro numa interpretação de Drume negrita, que deixaria Mercedes Sosa orgulhosa. “Se tiver gente de dinheiro na plateia que queira investir em cultura, aqui tem um grande futuro para o Ceará”, alertou o maestro Alfredo Barros lembrando que agora a orquestra se chama Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará.

“Isso é um mar de música”, elogiou Marina de La Riva (Foto: Priscila Lima) que foi se encaminhando para o fim. O encerramento foi em alto estilo com Adeus, Maria Fulô, de Sivuca e Humberto Teixeira. Convidando ao palco o sanfoneiro Zé do Norte, sugerido por Alfredo Barros, a apresentação terminou em clima de arrasta-pé, com Fortaleza encantada e já esperando um novo encontro, como aquele que havia acabado de acontecer.

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26.01.12 13:19

Marina de La Riva em grande encontro com Fortaleza

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Marina de La Riva (fotos dos ensaios por Priscila Lima) não é uma mulher fácil. Com todo o respeito, é claro. Digo isso pois, apesar de ser toda sorrisos durante uma conversa (quase) informal, ela sabe exatamente o que tem pra dizer e não entrega o jogo antes da hora. Por isso mesmo, poucas linhas a seguir vão entrar nos detalhes do novo disco que ela prestes a lançar, com produção de Pepe Cisneros e Pupillo (Nação Zumbi). Mesmo que o sucessor do Ao Vivo Em São Paulo (2010) esteja programado de chegar às lojas nas próximas semanas, ela ainda não revela pistas sobre o repertório nem o título.

Por enquanto, o único assunto em pauta é o show que ela vai fazer hoje junto com a Orquestra Contemporânea do Ceará, regida pelo maestro Alfredo Barros. A apresentação única, promovida pelo Minc via Lei Rouanet, acontece no palco do Teatro Via Sul, com apoio do Jornal O POVO. “É um projeto grande e um sonho de muitos que vai se realizar”, confessa Marina que já está na Cidade desde a semana passada. Após ensaios separados com a própria banda e depois com a Orquestra, todos se encontraram no auditório da Universidade Estadual do Ceará pela primeira vez na última segunda-feira (23) para ver no que daria a mistura.

Filha de pai cubano com mãe mineira, a carioca Marina de La Riva estreou em 2007 com um disco elegante que trazia ao longo de 14 faixas os sotaques da sua ancestralidade. Três anos depois, ela releu o mesmo repertório e acrescentou temperos num lançamento ao vivo. Com leveza e sensualidade, ela mistura Ernesto Lecuona e Carmen Miranda, samba e rumba, marmeleiros e chancleteras. E essa será a base do show desta noite, somado com algo do novo disco e algumas surpresas, como Contigo aprendi e a participação do sanfoneiro Zé do Norte.

“Uma série de fatores foi acontecendo para começarmos esta turnê por Fortaleza. Eu adorei. Ainda não tinha tido oportunidade de conhecer a cidade como estou conhecendo agora”, conta Marina. De fato, sua participação no Festival de Cultura da UFC, em outubro de 2011, foi uma surpresa geral. Convidada para abrir a programação, ela mesma não acreditava na receptividade calorosa do público. Em retribuição, agradeceu com charme, improvisos, mudanças no roteiro e grandes canções.

Esse retorno ao Ceará, depois de três meses, é um início de um novo projeto em que pretende encontrar com várias orquestras brasileiras (e internacionais, quem sabe). No caso da de Fortaleza, ela foi só elogios. “Eles todos são ótimos. Super disciplinados, competentes, talentosos”, comentou a cantora que vai subir ao palco cercada por 54 músicos da Orquestra que tem apenas dois anos de história.

Sem economizar elogios, o maestro Alfredo Barros revela que o encontro surpreendeu a todos. “Como nós somos os primeiros no projeto dela, foi um privilégio. O resultado sonoro está de primeira qualidade. Estamos impressionados”. Ele ainda acrescenta que o convite vai coroar um novo momento da Orquestra Contemporânea do Ceará, que vai deixar de existir hoje mesmo. Após um ato do reitor Francisco Moura Araripe, agora o grupo vai se chamar Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará, com direito a ajuda de custo para os músicos. “De fato estamos fazendo história. É a primeira orquestra sinfônica pública do Estado. Isso é muito importante”, comenta o maestro que, embora não conhecesse Marina de La Riva, vê nesse convite uma confirmação do trabalho da Orquestra. Por outro lado, Marina também não conhecia muito sobre a música cearense. Mas, depois de ouvir os discos Massafeira, Chão Sagrado e Meu corpo, minha embalagem, tudo gasto na viagem, e de ver a resposta do público, é certo que seus laços com Fortaleza vão ficar ainda mais fortes.

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28.12.11 10:34

Marina De La Riva vem a Fortaleza, antes de lançar o terceiro disco

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 2 Comentários

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Os aplausos dos fãs fortalezenses encantaram a cantora Marina de La Riva quando ela abriu o Festival de Cultura da UFC em outubro deste ano. Mas encantou de tal modo que ela já voltou pra casa com um projeto para retornar à terrinha. Este projeto acontece no próximo 26 de janeiro no teatro do Shopping Via Sul. Na apresentação, a mais latina das cantoras brasileiras derrama seu repertório acompanhada de uma Orquestra Contemporânea do Ceará, regida pelo maestro Alfredo Barros. Pra dar um molho especial, o show acontece seis dias antes do lançamento do seu terceiro disco, em São Paulo. Ainda sem um título definido (ou divulgado), seu segundo trabalho de inéditas de Marina De La Riva tem como cartão de visitas Voy a tatuarme. Pra quem já conhece a carreira de Marina, trata-se de mais uma canção daquelas que começa pelos pés, sobe pelas cadeiras e vira hit de salão. Azeitada por um naipe de sopros, a canção em espanhol pode causar certo estranhamento pela voz um tanto mais grave e pelo ritmo mais acelerado. Ainda assim o D.N.A. da artista mezzo carioca mezzo cubana está ali. Com um pouco menos de Omara Portuondo, é fato. Mas com uma pitada de Célia Cuz, é certo.

Obs.: Por sugestão de um leitor, corrigi o texto onde citava o “nipe de metais”. Além de falar em bom português, naipe, a canção é azeitada pelo som de metais, não de cordas. A parte modificada está em itálico. Abraços.

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18.10.11 12:56

Marina De La Riva enche UFC de calor e malemolência

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

O primeiro dia da Festival de Cultura da Universidade Federal do Ceará (no caso, ontem) deixou claro o que vem por aí. Casa cheia, a Concha Acústica teve a honra de receber as presenças de Marcos Lessa, novo nome da música cearense, Tarankón, espécie de enciclopédia viva da música latina, e Marina De La Riva, cubana/carioca/mineira fiel ao estilo que defende. Infelizmente, forças misteriosas me impediram de assistir os dois primeiros shows. Mas, que bom, cheguei a tempo de ver um espetáculo incomum, embora louvável, da cultura brasileira. O que dizer de uma cantora brasileira que se lança com um disco caro, sofisticadíssimo, recheado de belas canções latinas e que frequenta um circuito seleto de casas de shows? Claro, um fracasso total de público. É aí que o jogo vira. Cheia de charme, presença e beleza, ela pisou no palco montado nos belos jardins da UFC para ganhar do público o título de cidadã fortalezense. Se morno, parado ou cansativo, ninguém percebeu. O que se viu mesmo foi um público encantado com a voz e o gingado da morena de olhar sedutor cantando em espanhol fluente (herança do pai cubano) o filét do repertório latino. Mesmo nos momentos em que pousou na MPB, vamos combinar, Ta-Hi, canção que projetou Carmen Miranda em 1930, não é lá um sucesso populista. Que importa, foi uma catarse. Todo mundo cantando junto, assim como em Bloco do prazer, do nosso conterrâneo Fausto Nilo. Sonho meu, da divina Ivone Lara, foi outro momento de maior aproximação com o público cearense, que vem gostando cada vez mais de um bom samba. O fato é que, quando a música é boa e o artista sabe trocar intimidades com o público, os muros da sofisticação caem e tudo vira uma grande festa. Agora imagine ela abrir espaço pra uma música que ela mesma não conhecia a letra, só pra deixar o público cantar. Pois foi o caso de Xote das meninasMarina de La Riva foi uma maestrina que, sem perder o nariz empinado do ar de diva, soube se ajoelhar (literalmente) diante do público que passou a amá-la mais ainda desde ontem.

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A carioca Marina De La Riva estreou em disco em 2007 com elogiado disco homônimo. Misturando canções brasileiras e cubanas, ela transitou entre o bolero, o jazz e a bossa nova dando frescor e jovialidade a canções como Sonho meu e Drume negrito. Por telefone, ela conversou com o DISCOGRAFIA sobre cantar pela primeira vez em Fortaleza num evento que celebra a latinidad.

DISCOGRAFIA – O que está preparando para essa estreia em Fortaleza?

Marina De La Riva – Estou contente por que já estou mordida pelo disco novo. Já pretendo apresentar três novas em primeira mão. A verdade é que eu já to louca pra mostrar essas músicas. Ainda tenho um projeto aí em Fortaleza, provavelmente para este ano, que ainda não posso revelar

DISCOGRAFIA – Você é uma carioca filha de cubano com mineira. Qual é o resultado dessa mistura? Como isso fica na música?

Marina – Brinco que carioca por acidente. Mas, se isso me dá algum suingue, tudo bem.  Na música, o jeito mais fácil é ser transparente e essa sou eu. Meu pai falava “muchacha” e minha mãe falava “uai”. Quando eu afirmo essa bandeira latino americana e morando numa cidade como São Paulo, eu percebo que morando no campo eu pude ter muita influência da família. Me sinto moldada pela família. Na minha casa, a cultura cubana era tão real quando a brasileira. Quando eu digo isso, não tem invenção nem negação.

DISCOGRAFIA – A influência da música estadunidense no Brasil é bem maior do que a que vem de países fronteiriços. O que você acha disso?

Marina – Falta informação. Todo mundo fala que o Brasil trem uma música maravilhosa, mas a gente não perde quando passa a conhecer a música que se faz na América Latina. Agora, quando a gente se afasta da América, perde um pouco da força do grupo. Mas é por algum motivo muito idôneo. Tenho amigos que falam melhor o inglês que o espanhol. Meu filho não fala espanhol. Isso me corta ao coração. Só conhecendo a língua é que se entende a cultura de um povo.

DISCOGRAFIA – Você vai cantar num evento universitário na mesma noite que o Tarancón, uma referência na música latina. Quais foram suas referências como cantora?

Marina – São muito amplas. Na verdade eu tenho muitos musicistas como referência. Chet Baker, que nem era latino nem mulher, mas tem uma conversa que eu gosta. Tem a Maria de Los Angeles Santana e o Ernesto Lecuona. Tem o percussionista Chano Pozo. São pessoas que ouvi a vida inteira e fundamentam o meu trabalho. No Brasil tem Bethania, Maysa, Tom Jobim, João Gilberto. Engraçado que meu pai ouvia bossa em cuba e bolero no Brasil. Tudo vai alimentando nossa estética.

DISCOGRAFIA – Você vem de uma família muito musical. O que vocês gostavam de cantar em casa?

Marina – Meu pai sempre cantou ópera. Ele era mais erudito, mas sempre apresentou a cultura do país dele. Minha mãe gostava de música, mas ele tinha a paixão. A música era um elemento na nossa vida. Em cuba, a música é uma paixão assumida, não importa a classe social. Quem não sabe dançar é um “limón”.

DISCOGRAFIA – Seu primeiro disco misturava músicas latinas, incluindo as brasileiras. Qual era sua expectativa com esse trabalho?

Marina – No meu disco tem um texto que diz quem eu sou. Lá tem uma frase que diz “com isso eu vou tirar o que eu tenho no meu peito”. Era isso que eu precisava. Claro que tenho amor, que quero que o trabalho tenha asas. Mas meu temperamento era de criação, não tinha expectativa.

DISCOGRAFIA – Agora você está preparando seu segundo trabalho de estúdio. O que pode adiantar?

Marina – Também é uma fotografia da minha verdade. De 2007 a 2011, eu conheci muita gente. Ele traz um pouco das pessoas que tocam comigo, das viagens que fiz. O disco está 98% pronto, mas ainda está sem nome e sem previsão de lançamento. Tem uma participação que quero muito, mas que não estou conseguindo agenda. Talvez isso retarde o lançamento.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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