03.05.12 11:14
Expoentes da geração 90 completam 15 anos de carreira
Pra quem nasceu na estrada, não existe lugar melhor para comemorar aniversário. Esse é o caso dos mineiros do Jota Quest. Comemorando seus 15 anos de carreira, eles decidiram marcar a efeméride registrando em CD, DVD, Blu-Ray e especial para o canal Multishow a turnê nacional que seguiu o lançamento da coletânea Quinze.
Folia & Caos é o subtítulo do trabalho que chegou às lojas esta semana com o carimbo Multishow Ao Vivo. Registrado entre os meses de abril e dezembro de 2011, o especial segue um modelo meio documentário. Mostrando depoimentos da banda e momentos no camariam, com todos degustando uma boa cachacinha mineira. Um dos pontos altos do trabalho fica por dos muitos convidados que subiram nos muitos palcos por onde o quinteto passou. Seu Jorge, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos e Maria Gadú são alguns.
Outro debutante, este já tardio, a Nação Zumbi também escolheu o que melhor sabe fazer para comemorar seus 15 anos de carreira, completados em 2009. A diferença é que eles buscaram um terreno seguro para a festa, a Praça do Marco Zero de Recife. Lançado em CD e DVD somente agora, o show aberto fez mais de 80 mil pessoas pularem ao som de Corpo de lama e Maracatu atômico. O motivo de tanta demora foram os muitos problemas técnicos durante a gravação, que acabaram deixando seis músicas fora do DVD. Nada inclusive é percebido na edição final.
Também convidando seus amigos, a Nação Zumbi traz ao palco, para alegria dos pernambucanos, a tradição moderna do mestre Siba e a Fuloresta em Trincheira da Fuloresta. Já Rios, Pontes & Overdrives é dividida com o companheiro de manguebeat Fred 04, compositor da música ao lado do fundamental Chico Science (1966 – 1997). E Arnaldo Antunes também vira mangueboy em Antene-se, enquanto os Paralamas do Sucesso encerram a festa tocando Manguetown. Mas, se as participações dão um molho gostoso ao show, a Nação Zumbi também se basta sozinha. Basta ouvir a versão soturna do samba Jornal da Morte, de Miguel Gustavo. Uma forma pouco convencional de marcar 15 anos de vida.
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02.11.11 06:00
Música para olhos, corpo e ouvidos
Uma nova lógica, às vezes bastante ilógica, vem há bastante tempo tomando conta do mercado musical. O disco deixou de ser uma forma rentável de negócio, os shows tornaram-se a principal fonte de renda e a internet um dos mais populares veículos de divulgação de um trabalho. Diante de um cenário ainda nebuloso, as opiniões ainda são discordantes quando o assunto é consolidar uma carreira.
Pensando nisso, a 6ª edição do Ponto.CE começa amanhã trazendo essa discussão a três espaços de Fortaleza – Centro Cultural Banco do Nordeste, SESC Iracema e Centro Dragão do Mar. O evento engloba apresentações e formação em linguagens artísticas, tendo a música como fio condutor. Há dois anos, o festival acrescentou na programação espetáculos de dança, que este ano ganham mais destaque com uma parceria com a Bienal Internacional de Dança do Ceará.
Entre os artistas convidados, a paulista Thelma Bonavita apresenta o espetáculo Eu sou uma fruta gogoia em 3 tendências. Tirada do folclore baiano, a canção Fruta gogoia foi gravada por Gal Costa no disco Fatal, um marco da estética tropicalista. Inspirada na canção, a bailarina reconstrói a antropofagia, o pop e a moda a partir das tendências ao fantástico, ao transbordamento e à transição. Já o projeto Estação Criança apresenta grupos de Fortaleza, Paracuru e Itapipoca com números para o público infantil. É o caso de Quintal de Mangue, da Companhia Vidança, sobre as dificuldades, brincadeiras e vivências dos moradores do bairro Vila Velha, na Barra do Ceará.
A parte audiovisual será representada por 14 filmes, entre videopoesia, videoperformance, experimental, ficção e documentários. Um dos destaques é Daquele instante em diante, de Rogério Velloso, longa sobre a vida e a obra de Itamar Assumpção, compositor paulista que levou toda sua carreira de forma independente e morreu em 2003 com reconhecimento abaixo do que merecia. Já o documentário Mr. Niterói – A lírica bereta, de Toni Gadioli, segue a trajetória de Gustavo Black Alien, ex-integrante do Planet Hemp e um dos nomes mais atuantes do underground brasileiro. O próprio rapper é um dos convidados para apresentar o filme sobre sua história.
E quando o assunto são as atrações musicais, o Ponto.Ce mira em 23 nomes da cena nacional independente que vem atraindo um público ainda limitado, embora cativo. As linguagens e misturas musicais são variadas, sempre misturando o regional com o universal. A seleção vai do manguebeat do Mundo Livre S/A (PE), ao rock plural dos Móveis Coloniais de Acaju (DF), passando pelo metal do Madame Saatan (PA) e pelo rock garageiro do Vespas Mandarinas (SP). Do Ceará, tem, entre outros, o blues de Felipe Cazaux e o peso do Lavage.
Para Rafael Bandeira, um dos organizadores do Ponto.CE, a música cearense vive um momento difícil por conta principalmente da falta de espaços, o que tem gerado uma articulação muito boa nos artistas. “Essa articulação vem acontecendo com pessoas de outros estados. Ainda é grande a dificuldade de expor esse trabalho nas casas de show, em jornal, TV. Mas é uma dificuldade comum de outras cidades”. Quanto ao Ponto.CE, Rafael acrescenta que os festivais são uma boa ferramenta de exposição dos artistas, que ganham com a mistura de linguagens. “No Ponto.CE, queremos mostrar que o festival é todo esse conglomerado de atividades. A Bienal é uma prova de que os atores se entendem. Espero que a gente consiga ter um público bacana e que ele entenda essa nova proposta”.
Serviço:
De 03 à 05/11 – Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941 – 2º andar) – Shows, Palestras e Audiovisual. Entrada Gratuita.
De 03 à 06/11 – Sesc Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema) – Dança. Entrada Gratuita.
04 e 05/11 – Praça Verde do Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar 81 – Praia de Iracema) – Shows. Ingressos: R$20 (inteira)/ R$10 (meia). À venda nas lojas Chilli Beans (Benfica e Iguatemi) e Bronx (Centro)
Outras informações: 3219.3931
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29.08.11 11:25
]Um dos momentos mais esperados de 2011 para os fãs de música é o lançamento do primeiro álbum do Superheavy. A megabanda junta a soul music de Joss Stone, com o rock de Mick Jagger e o raggae de Damien Marley. Completando o time, Dave Stewart, guitarrista de Eurithmics, e A.R. Rahman, compositor indiano responsável pela trilha de Quem quer ser um milionário. Já com o primeiro single tocando na internet (Miracle Worker), a constelação de músicos deve chegar às prateleiras no próximo 19 de setembro.
No Brasil, a onda dos supergrupos não é tão popular, mas também vem trazendo seus frutos, como o Almaz e o Del Rey. Agora chegou a vez dos Sonantes. O grupo formado pelos paulistas Céu, Gui Amabis (cantor, músico e produtor), Rica Amabis (do Instituto) e os recifenses Dengue e Pupillo (respectivamente baixo e bateria da Nação Zumbi) estreou em 2008 com um disco lançado somente nos EUA e Europa. A mistura de percussão com sons eletrônicos chegou agora ao Brasil, depois de três anos, pelo selo Oi Música.
Morando em Perdizes, bairro nobre paulista, o quinteto foi aprontando as gravações aos poucos. “Eu dividia com o Pupillo e o Dengue um apartamento que tinha um estúdio. A Céu e o Gui (que são casados) moravam ao lado. E a gente ficava trocando um som e, quando vi, já tinha 10 músicas. Aí é que pensamos em lançar (um disco)”, lembra Rica Amabis por telefone. Como o quinteto não tem planos para um novo encontro ou de montar um show, nenhuma gravadora brasileira se interessou no começo.
A mistura de influências e linguagens deu origem a um som universal, meio futurista, que parte da psicodelia, passa pelo frevo e chega ao carimbó. Miopia é uma espécie de samba-canção mais arrastado. Mambobit é um número instrumental com um pé nos anos 50 que antecede Looks like to kill, que parece ter sido tirada de um filme de faroeste. Este última ainda conta com a guitarra virtuosa de Fernando Catatau.
Além do cearense Catatau, outros (muitos) convidados passeiam pelas 10 faixas do disco, como Siba, Lúcio Maia e Gustavo da Lua. Já B Negão entrou para esta lista por acaso. A história foi assim. Convidado para fazer um show em São Paulo, Negão pediu ao amigo Rica que o abrigasse por uma noite. No dia seguinte, ao acordar, ele foi ao computador, gravou uma melodia somente na voz e sugeriu que Céu escrevesse uma letra. A cantora, ao ouvir, preferiu apenas acrescentar um contracanto.
Mesmo com o lançamento do Sonantes (nome sugerido por Jorge Du Peixe) no Brasil, o palco não está nos planos do quinteto. “Até fizemos uma participação no programa do Arnaldo (Antunes, Grêmio Recreativo da MTV). Mas não é essa a ideia. Trata-se de um disco de produtor”, confirma Rica dizendo que a prioridade agora são as carreiras individuais. Céu e Nação Zumbi estão em estúdio, prestes a lançar trabalho novo. Formado também por Dengue, Pupillo e Rica, outro projeto coletivo, 3 na Massa, deve lançar seu segundo disco ainda este ano. Este projeto apresenta novos compositores homens sendo interpretado somente por mulheres. Entre as convidadas deste segundo trabalho, já estão Pitty, Karina Burh, Bárbara Eugenia e Céu. E entre os autores, Jorge Du Peixe, Junio Barreto, Otto e Lucas Santana.
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07.06.11 16:46
De passagem por Fortaleza na semana passada, o cantor e compositor Otto conversou por email com o blog Discografia. O motivo da visita do recifense foi a comemoração dos 10 anos da Farra na Casa Alheia, que ganhou de presente um show dele com a Nação Zumbi, na barraca Biruta. Pra quem está acostumado às danças estranhas e ao jeito elétrico de Otto, pode ter estranhado o músico mais contido no palco. Por outro lado, como é de costume, a Nação deu um show de classe, peso e, principalmente, guitarra. Sem jogar muitos confetes, a Nação Zumbi é a melhor banda brasileira da atualidade. Juntos com Otto, eles mostraram o quanto o Manguebeat é presente e atual na música brasileira. Não por acaso, este foi o principal tema da entrevista a seguir. Confiram:
P.S.: Também agendamos uma entrevista com Dengue, baixista da Nação, para a quarta-feira. Infelizmente, o músico pedeu o celular e ficamos sem contatos. É a vida. Pelo menos ele já achou o aparelho…
DISCOGRAFIA – Você fez parte das duas principais bandas do mangue beat, Nação Zumbi e Mundo Livre SA. Como era esse tempo do início do movimento? Vocês imaginavam que aqueles encontros iam se tornar algo tão sólido dentro da nossa música?
Otto – Sim, por que tinha uma riqueza musical muito grande e realmente virou um movimento. Então, sempre soube que aconteceria alguma coisa com isso.
DISCOGRAFIA – O que você lembra das primeiras apresentações de vocês? Como os shows eram montados? Foi fácil encontrar espaço para mostrar o novo som?
Otto – As primeiras apresentações foram emocionantes, inesquecíveis. Todos os amigos juntos, fazendo um som que a gente acreditava. Em alguns lugares do Brasil a gente conseguia estrutura e em outras não, como acontece até hoje. Me lembro a primeira vez que as duas bandas foram para São Paulo. Fomos de ônibus, demoramos 3 dias para chegar e nos apresentamos no Aeroanta. Valeu a pena!
DISCOGRAFIA – Antes de fazer parte do mangue beat, você fez outros trabalhos como tocar no metrô de Paris e acompanhar a Jovelina Pérola Negra. Queria que você relembrasse essa época. Creio que tenha passado muito aperto.
Otto – Cara acho que muito disso virou lenda. Estes tempos de Jovelina era um tempo que não me lembro mesmo. Um dia surgiu na minha vida. Lembro de uma época escutar uns pagodes em campo grande. Metrô, sim!!!! E em Paris. Eu era convidado de uns irmãos peruanos que me chamavam sempre pra tocar. Tinha um amigo brasileiro, mas toquei e conheci grandes amigos e músicos no Le Coral, um bar que tinha música brasileira e blues no segundo andar. Época boa, mas não volta mais.
DISCOGRAFIA – Não dá pra falar em Mangue beat sem lembrar o nome do Chico Science. Como vocês se conheceram? Como ele era fora dos palcos?
Otto – Conheci em o Chico em Recife numa época maravilhosa, onde não tínhamos a chatices de hoje. Era inocente, diferente. Recife borbulhava. Chico era um mentor criador, rápido, vivíssimo, elegante, sacador do futuro, bom gosto. Style,muito style. Tinha muita sapiência e humildade… Um cara especial… Engraçado. Um super artista.
DISCOGRAFIA – O mangue beat foi o último movimento musical brasileiro e, de tão forte, ainda hoje rende frutos. O que ele teve de especial?
Otto – Recife era uma cidade que tinha o movimento musical intenso. Existiam muitas bandas e sem espaço para se apresentar na cidade. Com isso as maiores bandas resolveram se juntar e criaram o movimento. O Manguebeat influenciou muitas bandas de Pernambuco e do Brasil, sendo o principal motor para Recife voltar a ser um centro musical, e permanecer com esse título até hoje.
DISCOGRAFIA – Seu último trabalho teve um peso e uma sonoridade diferente, se comparado aos seus outros trabalhos e muitas das músicas remetem à sua separação. A intenção era essa mesma, a do desabafo?
Otto – Foram cinco anos ao todo para fazer esse álbum, um processo bem sofrido. Meu processo de composição busca compreender o ser humano. E a obra de Kafka se encaixa perfeitamente nessa busca. Mas não quis trazer para o público um conceito mastigado. A intenção era desdobrar essa temática e estabelecer um diálogo entre as idéias. O importante foi que eu rasguei meu peito, abri meus sentimentos para quem quiser ouvir.
DISCOGRAFIA – Uma música, inclusive, fez parte da trilha de uma novela global, mas com a letra modificada. Imagino que muitos fãs tenham estranhado a retirada do “fudia”. O que você ouviu dos fãs e como você vê isso.
Otto - Pra mim não tem diferença, fodia, fugia. Isso entrou na letra por uma questão mais de humor, nunca foi algo para chocar. Eu falo palavrão o dia todo. Minha filha ouve direto. Se ela falar um palavrão, nem posso dar um tapa na boca dela. rs
DISCOGRAFIA – Qual o futuro da música brasileira?
Otto – Espero que seja bom, de ‘verde e amarelo’!
DISCOGRAFIA – Já vão dois anos desde que você lançou seu último trabalho. Quando sai o novo disco? Como ele será?
Otto - O nome do álbum será The Moon 1111 será lançado 11 de novembro de 2011. Vai ser uma coisa afro-progressiva, bem espacial, influenciada por Pink Floyd e Fela Kuti. Imagine uma tribo africana na lua, essa será a cara dele. Tem uma certa inspiração de (François) Truffaut (cineasta francês) e de coisas cabalísticas.
DISCOGRAFIA – O que você tem ouvido ultimamente?
Otto – Ultimamente ando escutando Nina Simone, jazz, Fela Kuti. Estou concentrando músicas para meu próximo disco. E acho fundamental os clássicos, os fora de série.
DISCOGRAFIA – Você sempre está fazendo show em Fortaleza. Fora das apresentações, o que gosta de fazer por aqui?
Otto – Fortaleza é uma cidade rica, cheia de história, pessoas bonitas e praias belíssimas. É sempre bom voltar, e conhecer um pouco mais desta terra cheia de coisas boas.
DISCOGRAFIA – É possível lembrar qual foi o seu melhor show em Fortaleza?
Otto – Cada vez que volto para Fortaleza parece que é meu primeiro show, cada show é diferente do outro. Todos foram muito bons, foram únicos!
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