Discografia

20.12.11 15:36

Com uma legião de fãs

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Entre as bandas do primeiro escalão do rock nacional oitentista, a Legião Urbana certamente ganhou um destaque especial. Boa parte disso se dava por conta do vocalista e letrista Renato Russo, um misto de profeta, guerrilheiro e porta-voz das angústias da juventude. Ótimo cantor e compositor profundo, ele conseguiu como ninguém trazer diferentes gerações para sua música que, mesmo 15 anos depois da sua morte, continuou tão forte e atuante quanto era há 20 anos.

Isso ficou claro na noite do último sábado (17), na Praça Verde do Dragão do Mar. Recebendo a primeira edição do Green Day Eco Festival, evento ecologicamente correto promovido por uma marca de sucos naturais, o local foi tomado por uma multidão de adolescentes e pré-adolescentes que estava ali para assistir Dado Villa-Lobos (fotos: Gabriel Gonçalves), o primeiro e único guitarrista da Legião Urbana. Mesmo dividindo o espaço com canções da sua impopular carreira solo, foi mesmo quando entoou os versos certeiros do trio brasiliense que o público respondeu com vontade.

A noite começou com a Praça ainda vazia para a apresentação irregular do roqueiro Stefano Marques. Em seguida, a Dona Zefa levantou a plateia com hits inesquecíveis de Luiz Gonzaga e Chico Science. A última atração local foi a Blues Label, que aproveitou bem o espaço eu ganhava mais público. Intercalados com apresentações de teatro e circo com mensagens ecológicas, os shows aqueceram bem a audiência que ainda iria ouvir o peso dos Detonautas, encerrando tudo.

Dado Villa-Lobos subiu ao palco por volta das 23h, acompanhado por uma banda cheia de peso que incluia o baixista Laufer, fiel escudeiro de Fausto Fawcett. Comentando o calor que fazia (e que não era pouco), ele iniciou os trabalhos pela carreira solo, ainda bem desconhecida. Com as canções psicodélicas e viajandonas do disco Jardim de Cactus, ele quase decepciona quem estava ali mesmo pra ouvir as palavras de Renato Russo.

Com um ar de “eu já sabia”, Dado tocava e agradecia os aplausos frios do público sempre que colocava seu (bom) trabalho pós-Legião no repertório. Mesmo adiantando o que virá a ser seu terceiro disco solo (Jardim de Cactus já foi lançado em estúdio e ao vivo), a garotada com blusas do Metallica, Slipknot e Lynyrd Skynyrd, era no máximo respeitosa. Mas foi só assumir seu papel de legionário que os gritos vieram.

A primeira foi A Dança, tirada do disco de estreia, de 1985. Em seguida, Dado deu preferência às canções mais lentas da sua antiga banda, como Giz, principalmente pra combinar com o estilo do novo repertório. Longe de ter a voz privilegiada de Renato Russo, o guitarrista ainda se arriscou em hits vigorosos como Conexão Amazônica e Ainda é Cedo. Essa última, inclusive recebeu a participação explosiva de Jonathan Doll, cercada de elogios do anfitrião. Evocando um Jim Morrison brasileiro, o cearense deixou muita gente sem voz ao cantar Namorada Fantasma e berrar versos como “troque por uma pedra o seu coração”. Dado até corrigiu: “não, não troque seu coração por uma pedra”.

Depois do que se viu – um ícone do rock nacional servindo de banda de apoio de um novato que decidiu roubar a cena – era difícil surpreender o público. Ainda assim, Dado Villa-Lobos chamou seu segundo convidado, o vocalista Tico Santa Cruz, dos Detonautas, para cantar Que País é esse?. Esbanjando simpatia, Tico sugeriu com um discurso bem correto que o público trocasse o famigerado “é a porra do Brasil” por “a Amazônia é do Brasil”. Um intervalo mais longo que o costume e Dado voltou para o bis com mais Legião. Embora não pudesse estar presente, com certeza, Renato Russo ficou feliz de saber que suas palavras ainda são tão importantes.

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28.09.11 17:40

Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá revelam repertório do concerto da Legião Urbana no Rock In Rio

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Do UOL
Uma das bandas mais importantes do rock brasileiro nunca passou pelo maior festival de música do país. Agora, o Rock In Rio tenta reparar a falha de nunca ter relacionado a Legião Urbana em sua programação escalando os remanescentes para um show especial. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá juntam-se à Orquestra Sinfônica Brasileira e convidados para abrir o segundo final de semana do evento, que retorna à Cidade do Rock nesta quinta-feira (29).
 
“No primeiro Rock In Rio, em 1985, a gente ainda não tinha lançado o primeiro disco. No segundo, em 1991, estávamos com muitos problemas. No terceiro, em 2001, a banda já não existia mais. Agora esse convite veio num momento especial para reforçar a Legião”, disse Dado por telefone ao UOL. “É diferente estar hoje no Rock In Rio, é um outro momento para nós e para o Brasil, e é legal ter a música da Legião fazendo a ponte disso”, completou Bonfá, enquanto esperavam Pitty para mais um ensaio no Polo de Cinema, um estúdio na Barra da Tijuca, no Rio.
 
Imagem de Amostra do You Tube
Dado e Bonfá, respectivamente na guitarra e na bateria, serão auxiliados no palco por cinco convidados: Pitty, Rogério Flausino (Jota Quest), Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso), Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) e Tony Platão. Além da orquestra de 60 músicos, regida pelo maestro Roberto Minczuck, os músicos também terão apoio do uruguaio Mateo Moreno (baixo) e de Caio Fonseca (violão de aço). 
O repertório de oito músicas será condensado em uma apresentação de 40 minutos. “A sinfônica vai entrar com um meddley de cinco minutos com temas instrumentais da Legião, terminando com Geração Coca-Cola“, revela Dado. E Bonfá adianta a programação: “A gente entra com Tempo Perdido. E depois tem Teatro dos Vampiros, que eu vou cantar, Quase Sem Querer, Quando o Sol Bater Na Janela do Seu Quarto, Índios, Por Enquanto, Será e Pais e Filhos, acho que não nessa ordem”.
 
Imagem de Amostra do You Tube
Segundo Bonfá, os arranjos originais das músicas foram mantidos. “A formação é basicamente de baixo, bateria e guitarra, mas com a orquestra tocando o que seria feito por teclados”, disse. “Ver suas músicas ganhando uma arranjo clássico quer dizer que existe uma relevância e um certo respeito pela sua obra”, acrescenta Dado, dizendo que ainda não se falou sobre uma possível turnê. “Não conversamos a respeito de fazer outros shows, mas teoricamente a orquestra já estaria pronta se acontecesse”.
 
Para Dado, “a ideia do show é se emocionar, é uma história muito bacana e uma homenagem ao Renato [Russo]“, disse ele sobre o ex-líder da Legião, que no mês que vem completa 15 anos de sua morte.
 
O concerto da Legião Urbana com a Orquestra Sinfônica Brasileira e convidados está previsto para começar às 19h de quinta-feira no palco principal do Rock In Rio. A programação segue com Janelle Monáe, Ke$ha, Jamiroquai e Stevie Wonder. O Palco Sunset receberá, a partir das 14h30, o encontro de Marcelo Jeneci e Curumin, Baile do Simonal com Diogo Nogueira e Davi Moraes, Afrika Bombaataa e Paula Lima e, por fim, a cantora Joss Stone.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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