Discografia

15.05.12 17:37

Boxes trazem obra de Walter Wanderley de volta às lojas

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Músico brasileiro com grande destaque na cena internacional, o organista Walter Wanderley é o mais novo artista a ter sua obra encaixotada pela Discobertas. Natural de Pernambuco, mas com carreira consolidada em São Paulo, Wanderley tinha suingue, samba e bossa em seus teclados e logo conquistou o mundo transpondo para seu etilo sucessos do mundo inteiro. E é a primeira parte dessa obra que está reunida em oito discos,  quatro em cada uma das caixas Festas Dançantes Vol.1 e 2 cobrem o período que vai de 1959, com Eu, você e Walter Wanderley, até 1963, com Samba no esquema de Walter Wanderley. Lançados originalmente pela extinta Odeon, o relançamento dos discos marca os 80 anos de nascimento do músico, que faleceu vitimado pelo câncer em 1986, enquanto morava nos Estados Unidos. Como de prache da Discobertas, as reedições trazem encartes, ficha técnica e outras informações contidas nos LPs originais. Em tempo: depois do período em que trabalhou na Odeon, Walter wanderley seguiu para os Estados Unidos onde teve destaque trabalhando numa linha sambajazz que muito agradou, principalmente pela boa aceitação da Bossa Nova no terra do Tio Sam. por lá, ele desenvolveu trabalhos ao lado de jazzístas e da cantora brasileira Astrud Gilberto, com quem gravou o disco A Certain Smile, a Certain Sadness.

Box 1 – Festas Dançantes Vol. 1
01) Eu, Você e Walter Wanderley (1959)
02) Feito Sob Medida (1959)
03) Sucessos Dançantes (1960)
04) O Sucesso é Samba (1960)

Box 2 – Festas Dançantes Vol. 2
01) O Samba é Samba com Walter Wanderley (1961)
02) Samba é Mais Samba com Walter Wanderley (1961)
03) O Bolero e Walter Wanderley (1962)
04) Samba No Esquema de Walter Wanderley (1963)

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13.04.12 12:37

Uma noite de delicadezas

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Foto: Fernando Cavalcanti

Durante muito tempo, a notícia de que vinha um show internacional para Fortaleza era motivo de piada. Sempre se esperava a presença de alguém há anos fora dos holofotes. No entanto, já tem um tempo que esse quadro vem mudando a olhos vistos. Snoop Dogg, John Pizzarelli e Black Eyed Peas foram alguns dos nomes (em alta) que deram as caras recentemente por aqui.

Na noite da última quarta-feira (11), mais duas estrelas internacionais entraram para essa lista. A cantora Stacey Kent e seu marido saxofonista Jim Tomlinson dividiram o palco do Teatro Via Sul com o brasileiro Marcos Valle numa noite inteiramente dedicada ao repertório do compositor do ensolarado Samba de Verão. A apresentação, batizada Amil Jazz Duets, foi a primeira de uma mini-turnê que segue ainda para São Paulo e Rio de Janeiro. Nessa última parada, a ideia do trio é registrar tudo em CD e DVD.

Dona de um registro seguro, próximo de uma saudosa Billie Holyday (1915 – 1959) ou de uma recente Madeleine Peyroux, Stacey Kent é dessas cantoras que não dispensa uma nota por puro exibicionismo. Compenetrada, elegante (com as belas formas desenhadas pelo vestido) e notadamente feliz, a cantora de New Jersey parecia uma iniciante sempre que trocava olhares com Marcos Valle. O motivo do nervosismo é que a jazzista é uma apaixonada pela música brasileira e tem no carioca um dos seus heróis.

O motivo da admiração não é pra menos. Completando seus 50 anos de carreira, Marcos Valle é um músico excepcional que já encantou outras divas, como Sarah Vaughan (1924 – 1990), e que tem hoje a Europa como porto seguro para sua música. Despojado numa calça jeans, tênis e blusa de bolinhas coloridas, ele se colocou atrás de um piano de calda e começou a desfilar seu repertório que transitava levemente por bossa, jazz, samba e soul music.

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Além de Marcos e Stacey, a banda que tocou em Fortaleza era um show à parte. Renato Massa (bateria), Alberto Continentino (baixo), Luiz Brasil (violão e guitarra) e Marcelo Martins (sax e flauta) fizeram a cama perfeita para os arranjos cheios de sutilezas criados por Marcos e Jessé Sadoc (flugel e trompete). O destaque ficou para o clima solar de Seu encanto, toda sublinhada pelos solos de Tomlinson. Pra satisfação do público, a canção foi repetida no bis.

Mesmo que tenha exibido no palco um português fluente, Stacey Kent optou por cantar as músicas de Marcos Valle vertidas para o inglês. Ainda assim Preciso aprender a ser só, somente ao piano, e Dia da vitória seguraram a emoção, mesmo que na língua do Obama. As exceções foram a inédita Le petite valse, onde a cantora exibiu seu sedutor francês, e Passa por mim, que ela mesma fez questão de fazer na língua original. Enquanto isso, o pai de todas as composições fazia alguns vocais e sorria orgulhoso de ver suas crias tomando novas formas e ganhando o mundo. Um belo presente pelos seus 50 anos de estrada.

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12.04.12 11:00

McCartney em tons de azul

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Levante a mão quem nunca ouviu uma música dos Beatles. Alguém? Deve ser realmente difícil acreditar que exista algum terráqueo minimamente ligado em música que nunca tenha ouvido uma canção ou versão da obra do FabFour. Foram apenas 13 discos (mais alguns compactos) em menos de 10 anos, mas que foram suficientes para mudar de vez os rumos da música.

Embora esse repertório nunca saído do set list das carreiras solo de John, Paul, Ringo e George, com o fim da banda, cada um foi para o seu lado fazer o que bem quis. O conforto do Olimpo permitiu isso. E permitiu também trilhar caminhos e sonoridades além do rock. E é isso o que Paul McCartney fez no recente Kisses On The Botton.

Em seu 15º trabalho fora do quarteto, o ex-beatle pisa seguro no terreno do jazz, se cercando de 12 temas menos conhecidos do gênero. Como se trata de um disco de Paul McCartney, a proposta não poderia ser tão simples. Por isso, a banda que o acompanha conta com Diana Krall no piano e John Pizzarelli na guitarra. É pouco? Pois ele ainda incluiu duas composições próprias, My valentine e Only our hearts, que entram no clima aveludado de Kisses on the botton. Pra completar, essas faixas trazem Eric Clapton na guitarra e Stevie Wonder na gaita.

Diferente do que fez Ringo Starr em Sentimental Journey (1970), Maaca prima por uma seleção menos popular, tirada principalmente da sua memória afetiva, como ele explica no encarte. It’s only a paper moon e Home (when shadows fall) fizeram fama na voz de Nat King Cole. Velha companheira de Paul e John, Bye Bye blackbird também foi gravada por Ringo.

Apesar da breve polêmica do título do título (Kisses on the botton pode ser Beijos nas flores ou no traseiro), McCartney se mostra um crooner apaixonado e inspirado no novo disco. Cantando com maciez, ele não pretende mudar de rumo e até já prometeu novo disco roqueiro para esse ano. E mais, depois de duas vindas recentes ao Brasil, uma nova está programada .

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11.04.12 10:00

Bossajazz em dobro

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Não é de hoje que as grandes estrelas internacionais se encantam pela música do Brasil. Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Dionne Warwick e Frank Sinatra são só alguns dos nomes que se encantaram pelas canções do País do Carnaval. No entanto, com a americana Stacey Kent a coisa é diferente. Além de cantar, ela quer sentir o que é ser brasileira. “Quando estou lendo a poesia do Brasil em português, Vinicius ou João Cabral de Melo Neto, me sinto tão perto do coração brasileiro que de repente estou descobrindo que compartilho essa sensibilidade. Sinto-me como se essa vida pudesse ser a minha vida. Sinto-me bem dentro dessas coisas da poesia brasileira”, confirma a jazzista de New Jersey, sem esconder a emoção de estar dando entrevista em português. Aliás, em bom português.

Curiosa por aprender mais detalhes da nossa cultura e história, Stacey não espera a hora de voltar ao Brasil para a nova turnê que começa hoje (11) por Fortaleza e segue para São Paulo (12) e Rio de Janeiro (13 e 14). Apesar de ser sua terceira ou quarta temporada na terra da Bossa Nova, dessa vez as apresentações vão ter um sabor especial, pois ela vai dividir o palco com o carioca Marcos Valle, um dos seus “heróis”. Convidada pelo cantor e compositor do mítico Samba de Verão, ela parece uma criança sempre que fala em estar ao lado do seu ídolo. “Para mim é um sonho ficar com o Marcos, que é uma pessoa incrível. É um homem extremamente criativo, que não para nunca”, elogia a cantora via skype.

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A história do encontro de Marcos e Stacey começou há pouco menos de um ano. Convidado para cantar na festa dos 80 anos do Cristo Redentor, o cantor carioca recebeu o aval da gravadora para convidar alguém para dividir com ele seu Samba de Verão. Foi então que ele lembrou de uma cantora que ouvira pouco tempo antes pelo rádio, interpretando canções francesas. Mal sabia ele que a tal cantora é uma apaixonada pelo Brasil e ela que atenderia prontamente sua convocação. “Aquele momento no Brasil foi um dos mais lindos da minha vida. Quando encontrei o (Roberto) Menescal no camarim, eu não sabia que ele me conhecia. Sou uma grande fã dele. Eu disse, ‘Roberto?’. E ele, ‘Stacey’. Eu não podia imaginar que já era um nome na vida dele”, conta surpreendida.

Esse flerte de Stacey Kent com o País Tropical aconteceu bem antes dela pensar em ser cantora. Por volta dos 14 anos, ela ouviu por acaso o disco de João Gilberto e Stan Getz e se encantou. “Foi a primeira vez que ouvi aquela voz. Isso mudou as coisas para mim”, confirma. Hoje, aluna da Middlebury Schools, EUA, ela chega a interromper a turnê nos verões para se dedicar ao aprendizado da nossa língua. Assim, ela vem conhecendo a poesia de João Cabral de Melo Neto, a música de Chico Buarque e Edu Lobo (com destaque para O Grande Circo Místico), o humor de Luís Fernando Veríssimo e os contos de Lima Barreto. “Eu queria ouvir muitas coisas do Brasil desde que comecei a estudar a língua, do norte do Brasil, até Luiz Gonzaga”, acrescenta a artista que divide o amor pelo Brasil com o marido Jim Tonlimson, saxofonista que também participa da turnê.

Bodas de ouro

Para Marcos Valle, dividir o palco com Jim e Stacey também tem uma dose maior de emoção. Principalmente quando ele lembra da agenda concorrida que a cantora mantém pelo mundo. “Quando entramos em contato, eles adoraram e acharam uma brecha para fazer o projeto”, conta ele por telefone de sua casa no Rio de Janeiro. A distância, no entanto, acabou proporcionando uma experiência nova para todos, já que todos os ensaios aconteceram via skype. “Ela mora em Aspen (EUA), perto da montanha, e eu perto do mar. Ficávamos cantando e passando os tons com o computador do lado. A única coisa que nós não conseguimos foi tomar um vinho durante os ensaios”, brinca o compositor que só vai resolver esta questão em Fortaleza, quando todo o grupo se encontra pela primeira vez.

Mesmo que já esteja acostumado ao reconhecimento internacional, Marcos Valle guarda um carinho especial pelo encontro com Stacey Kent. Principalmente por que o projeto, que logo ele quer transformar em CD e DVD, marca seus 50 anos de carreira. “Eu me sinto extremamente empolgado. Adoro essas parcerias novas. Stacey é uma nova diva que tem uma linguagem de jazz, é uma nova renovação do meu trabalho”, confessa. Para a cantora, a emoção não é menor. “Vai ser como um sonho para mim, ficar lá ao lado de Jim, Marcos e seus músicos incríveis. Imagino que vai ser bastante emocional, uma delícia”, encerra Stacey.

Serviço:
O quê:
projeto Amil Jazz Duets, com Stacey Kent, Marcos Valle e Jim Tomlinson
Quando: nesta quarta-feira (11), às 21h30
Onde: Teatro Via Sul (Av. Washington Soares, 4335 – Sapiranga. 3º piso). À venda na Casa dos Relojoeiros (Shopping Via Sul) e no local
Quanto: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Outras informações: 30528027 e 32612061

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22.02.12 14:17

Esticando o Carnaval

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Passados os dias de Carnaval, a vida não pode se resumir a ressaca e preocupação com o que fez. No Ceará, há mais de uma década essa é a época de curtir grandes shows de música. Depois dos dias de Momo, quando a pequena e charmosa Guaramiranga recebeu seu tradicional Festival de Jazz & Blues, o evento desce a serra e segue com a programação por mais um fim de semana em Fortaleza. No sábado (25), uma apresentação extra também acontece no Teatro São João, em Sobral.

Em sua 13ª edição, o Festival chega nesta sexta-feira (24) ao Teatro Via Sul com a participação de um dos grandes do jazz. Ravi Coltrane (foto), filho do inesquecível saxofonista John Coltrane (1926 – 1967) com a pianista Alice Coltrane (1937 – 2007), vem se juntar com o jovem israelense Gadi Lehavi. Pianista  virtuoso, Lehavi tem apenas 16 anos de idade e quase o mesmo tempo de carreira. Despertando para a música logo cedo, não tardou para que ele chamasse a atenção de músicos e produtores.

Em uma apresentação em Nova York, Ravi Coltrane se impressionou com a técnica do garoto e logo iniciaram uma parceria, que chega pela primeira vez ao Brasil. Veterano dos palcos e estúdios, Ravi herdou do pai o talento para a música. Companheiro na música de gigantes como Carlos Santana, McCoy Tyner, Herbie Hancock, Stanley Clarke e Brandford Marsalis, ele divide sua carreira entre o sax, o clarinete e a produção de artistas como o ex-Pink Floyd David Gilmor. Sempre em busca de novos elementos, Ravi tem um pé na tradição do pai – considerado um dos reinventores do estilo na década de 1960 – e outro na invenção.

 

O mesmo acontece com o cubano Omar Puente, que toca sábado (25) no Teatro Via Sul. Nascido em Santigo, o violinista e pianista desenvolveu um som bem particular que mistura jazz, erudito e música latina. Como ele mesmo diz, é um músico “clássico, cujo coração bate com ritmo cubano, a alma é africana e a casa está em Yorkshire, no norte da Inglaterra”. Omar é formado no Instituto Superior de Arte em Havana e já integrou a Orquestra Sinfônica Nacional de Cuba. O resultado das suas experimentações sonoras é um som balançado, com foco num violino bem caliente.

E quem encerra essa segunda etapa do Festival de Jazz & Blues é cantor, compositor e músico Danilo Caymmi. O carioca de coração baiano, filho do Dorival, vem para duas apresentações diferentes onde apresenta o disco Alvear (Biscoito Fino). Na sexta-feira (24), ele faz um duo com o violonista Flávio Mendes numa apresentação intimista no Cuca Che Guevara. Já no domingo (26), ele encontra sua banda no Anfiteatro Flávio Ponte (Volta da Jurema). Costurando a baianidade do pai com a bossa do mestre Tom Jobim, a quem acompanhou durante anos na Banda Nova, ele lembra sucessos, toca canções novas e se despede do festival de jazz já deixando uma expectativa para o próximo ano.

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17.02.12 11:00

Carnaval em tons azuis

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Quem diria há 13 anos que um festival de jazz e blues daria certo em pleno Carnaval. Mais ainda no Ceará, onde o apelo da tríade axé/forró/pagode leva milhares de pessoas para o litoral. Mas eis que ele aconteceu e virou sucesso logo no ano seguinte. Parece que as pessoas precisaram de um tempo para acreditar que era verdade. É certo que o local ajuda a curtir bem os estilos mais sofisticados da música americana. Por isso, Guaramiranga assumiu a empreitada e virou uma espécie de Meca para os amantes da boa música.

O evento batizado simplesmente de Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga chega este ano à sua 13ª edição com a mesma marca de qualidade das edições anteriores. A programação agrega oficinas, ensaios abertos, residências, jam sessions e shows, muitos shows. Tudo começa amanhã (18) e segue até a terça-feira (21). Em seguida, parte das apresentações descem para repetir a dose em Fortaleza, de quinta (23) a sábado (25), e Sobral (somente dia 25).

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Entre os nomes que vão passar pela Cidade Jazz & Blues, nome dado ao espaço principal do evento, um dos mais importantes é Ravi Coltrane, filho do lendário John Coltrane (1926 – 1967) com a pianista Alice Coltrane (1937 – 2007). Saxofonista e clarinetista americano, Ravi vem convidado pelo pianista israelense Gadi Lehavi. Depois do Carnaval, a dupla ainda segue para Fortaleza (dia 24, no Teatro Via Sul) e Sobral (25). Outro encontro fica com Jacques Morelenbaum e Cello Samba Trio que fazem uma transcrição curiosa do samba para uma formação de cello, violão (Lula Galvão) e percussão (Rafael Barata). O grupo conta a história do gênero musical brasileiro desde suas raízes, passando por nomes como João Gilberto, Egberto Gismonti e Carlinhos Brown.

Outro músico de destaque é o virtuoso Yamandu Costa. Violonista gaúcho de técnica apurada, ele vem apresentar o disco Lida, acompanhado do violinista Nicolas Krassik e do baixista Guto Wirtti. Já o Ceará será representado por músicos como o guitarrista Arthur Menezes, que se apresenta ao lado do saxofonista e cantor norte-americano Atiba Taylor. Além dele, Cainã Cavalcante, Felipe Cazaux e as bandas Puro Malte, Blues Label e De Blues em Quando também sobem a serra.

Passada a folia, quem também vem a Fortaleza é o violinista e pianista cubano Omar Puente. Segundo o próprio, ele é um “músico clássico, cujo coração bate com ritmo cubano, a alma é africana e a casa está em Yorkshire, no norte da Inglaterra”. Já Danilo Caymmi faz apresentação dupla e gratuita, uma no Cuca Che Guevara (24) e outra no Anfiteatro Flávio Ponte (26). Lançando seu disco Alvear (Biscoito Fino), ele faz o primeiro show acompanhado de banda e o segundo em dupla com o violonista Flávio Mendes. Uma despedida e tanto para o Festival de Jazz & Blues.

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09.01.12 13:47

Paul McCartney esclarece confusão e revela capa do novo disco

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Kisses On The Botton, esse é o nome do novo disco de Paul McCartney. Em bom português, poderia ser traduzido malandramente como “beijos no c*”. Isso mesmo que você entendeu. Como não poderia deixar de ser, o palavrão causou um rebuliço entre os fãs do velho Maaca. Ele então explicou que o título não é nada mais que um trecho da canção I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter. Escrita em 1935, a música que já foi gravada por Nat King Cole e Sinatra, dá o tom do novo disco, com ares jazzísticos, lançado pelo beatle. Pela tradução do verso, Kisses On The Botton significa “beijos no fim da carta”. Bem melhor. Com 14 faixas – apenas duas inéditas – o novo disco tem previsão de chegar às lojas em fevereiro.

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28.12.11 15:21

Célia grava disco homenageando Roberto Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

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Refinada, experiente e dando aula de bom gosto, Célia é dessas cantoras que, apesar do tempo de carreira, muito ainda há por ser descoberto. Veterana de festivais, a paulista montou uma carreira intrigante e errática que foi caminhando paralelo aos ditames da indústria. Infelizmente, como consequência, muita gente não sabe quem ela é. Comemorando seus 40 anos de carreira, ela lançou em 2010 o disco O lado oculto das canções. Alinhando regravações e inéditas, ela joga um molho jazzístico sobre canções de Adriana Calcanhotto, Tim Maia e Tunai. Agora ela volta com um novo projeto capitaneado pelo Dj Zé Pedro e pelo produtor e pianista Thiago Marques Luiz. Outros românticos (Joia Moderna) é um tributo transversal a Roberto Carlos, que alinha 10 canções do repertório do Rei compostas por outros. Assim, estão lá músicas de Benito Di Paula (Quero ver você de perto), Demétrius (Preciso lhe encontrar) e Fred Jorge (Se eu partir). Mas, perguntam vocês, por que não lançar clássicos da dupla Roberto e Erasmo? Simples, o primeiro é uma pessoa difícil e costuma implicar com esse tipo de projeto. De qualquer forma, Célia sabe bem tomar conta do seu serviço e faz tudo com uma delicadeza única. Quem quiser ter uma amostra do novo disco, ela disponibilizou a faixa Amigos Amigos (Isolda/ Milton Carlos) no seu site oficial. Ouçam e deixem suas impressões.

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12.12.11 10:10

Crooner paulistano Ian Calamaro lança disco com clássicos do jazz

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 3 Comentários

Dono de clássicos que atravessaram oceanos, o jazz nem agoniza nem morre nunca. Popular na escência, mas tido como sofisticado, ela já serviu como carimbo de qualidade para gente como Rod Stewart e Diana Ross. Esses e tantos outros aproveitaram momentos de vacas magras para lançarem seus discos de jazz e tiveram bons resultados. Até atores de TV e cinema já se aventuraram nesse repertório. No fim das contas, essa grande procura pelo jazz tem um lado bom e um ruim. O bom é que trata-se de um baú de pérolas tão bom quanto é a nossa Bossa Nova. O lado ruim é por que, via de regra, as pérolas que tiram desse baú são sempre as mesmas (assim como costumam fazer com a nossa Bossa Nova). Mesmo novos artistas que resolvem se lançar no gênero ousam pouco na seleção de canções. Esse é o caso, por exemplo, do primeiro disco do cantor Ian Calamaro. Escolado em bares noturnos da noite paulistana, ele acaba de lançar Standards, A Fine American Songbook Selection pela Tratore onde lança sua voz cheia de personalidade sobre 12 daquelas pérolas que eu havia falado. A seu favor, ele traz a produção competente de Hector Costita, que já trabalhou com Elis Regina, Tony Bennett e Hermeto Paschoal, e uma banda bem ao estilo tradicional do jazz que supera as expectativas. Seu cuidado nessa estreia á se destaca de cara no belíssimo projeto gráfico, inspirado nos discos da Columbia. Mas aí chegamos ao repertório. Nesse ponto, sejamos sinceros, não existe muita vontade de ousar. Principalmente quando se ouve aquela puxada para a Bossa Nova que tanto agrada aqueles que gostam de um jazz mais Diana Krall, menos Miles Davis. Assim têm-se They can’t take that away from me, All the way, Cry me a river, Fever, A foggy day e tantas outras músicas maravilhosas que já ganharam dezenas de regravações. O ouvinte menos exigente vai perceber que gosta de jazz e nem sabia, dado o fato de serem canções tão populares.  Como de costume, os irmãos Gershwin e Cole Porter, algo como o Olimpo da canção internacional, são presenças obrigatórias. Já o ouvinte que é tarado em jazz vai achar que Ian Calamaro está chovendo no molhado. Ainda, assim, não sejamos tão chatos. O cara canta em estúdio com o frescor e a leveza de quem está no palco e passa longe de qualquer tipo de pedantismo, característica comum de outros aventureiros do jazz. Com personalidade e um timbre único, ele conseguiu fazer um disco bonito, apesar de óbvio. Vale a pena aguardar uma segunda chance.

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05.12.11 15:00

A bossa negra de Izzy Gordon

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Milton Nascimento, Luiz Melodia, Sandra de Sá, Itamar Assumpção, Cassiano, Gilberto Gil, Moacir Santos. A lista de compositores, cantores e músicos negros que marcaram a música brasileira é infindável.  No País marcado pela miscigenação, a paleta de cores raciais se mistura de tal forma que depois fica difícil separar. Ainda assim, o DJ e produtor musical Zé Pedro lançou o desafio para a cantora Izzy Gordon de fazer um tributo exclusivo à música negra brasileira e ela topou.

Negro azul da noite foi lançado recentemente pela Joia Moderna, gravadora de Zé Pedro dedicada exclusivamente às vozes femininas que ficaram fora do mainstream. A homenagem já fazia parte dos projetos do DJ, só faltava uma voz para realizá-lo. Foi então que ele conheceu Izzy através de um vídeo do youtube. Nele, a cantora fazia uma versão sussurrada de Pescador de ilusões, raro momento de delicadeza na obra dO Rappa. Como o repertório já estava selecionado, o passo seguinte foi convidá-la e ouvir prontamente um “sim”.

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Do samba à soul music, Negro azul da noite parece curto para tantos negros talentosos que já tocaram e tocam pelo Brasil. Para dar unidade a tantos afluentes, o disco ganha um tom de leveza jazzística feito somente com piano e baixo. A abertura é com a canção-título, composta por uma esquecida Geovana, sambista apresentada em 1969 no 1º Festival de Músicas de Favela. Ainda na linha “pandeiro e tamborim”, Questão de gosto, samba raro de Leci Brandão lançado em 1976, brilha num dueto com o trombone de Bocatto. Clássico da autêntica Black music verde e amarela, A lua e eu é o momento mais pop do tributo. Mas o destaque fica para a sutileza das versões de Coisas da vida, sucesso noventista de Milton Nascimento, e New Love, composição inaugural de Tim Maia, aqui reforçada pelo trompete de Walmir Gil.

Embora desconhecida do grande público, a cantora Izzy Gordon traz boas referências no currículo. Sobrinha de Dolores Duran e filha do cantor de jazz Dave Gordon, ela já passa dos 20 anos de carreira e já teve outros dois discos lançados. “Eu não me imaginava cantora. Gostava de cantar no banheiro e, quando desafinava, meu pai chamava minha atenção”, lembra ela em entrevista por telefone. Apesar de levar uma carreira à margem das grandes gravadoras, não deixou de colecionar admiradores famosos. Quincy Jones, produtor do megassucesso Thriller, foi convidado por Bono Vox para conferir o show da cantora em um hotel paulista e fez questão de elogiá-la ao final. Em seguida foi a vez de Paul McCartney. “Eu estava cantando É com esse que eu vou e ele subiu no palco. Cantou e ainda tocou tamborim”, conta Izzy lamentando a produção do beatle ter proibido fotos e filmagens.

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Empolgada com o resultado do recente Negro azul da noite, Izzy Gordon não descarta a possibilidade de lançar um segundo volume do tributo. “Mandei o recado pro Zé Pedro e a proposta ficou no ar. Tem muito artista no Brasil que nem sabe que é negro”. Nascida e criada num ambiente de jazzistas, desde o pai até o irmão Tony, ela já esteve no Ceará para shows no Dragão do Mar e no festival de Guaramiranga, agora espera voltar para apresentar o novo trabalho. “Muita gente não concorda, mas acho que o Brasil é muito bom no jazz. Jazz é improviso e me sinto muito bem fazendo isso aqui”.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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