Discografia

19.01.12 18:00

Elis Regina – Amigo é coisa pra se guardar

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Mais que uma grande voz, Elis Regina soube aproveitar seu corpo e seu talento pra dar vida à própria carreira. No Beco das Garrafas ela fez fama ao protagonizar espetáculos que misturavam várias linguagens à sua música. Boa parte desses espetáculos trazia a assinatura da dupla Miele & Bôscoli. O primeiro nome da dupla era do paulistano Luis Carlos Miele, ex-locutor das rádios Tupi, Excelsior e Nacional que chegou ao Rio de Janeiro em 1959. O segundo nome é do carioca Ronaldo Bôscoli, mais conhecido como Veneno. Carioca malandro e bon vivant, ele foi um dos responsáveis pela explosão da Bossa Nova através de uma reportagem escrita para a revista Manchete.

Mais que produtor e cantora, Miele e Elis foram bons amigos. E cúmplices em grandes espetáculos musicais que dividiram no Beco, nos palcos e na TV. Sem precisar insistir muito, Miele relembra várias histórias que passou ao lado da estrela, entre brigas e comédias. “Eu tenho os cartões dela ainda hoje, que já até perderam a tinta. Coisas como ‘Miele, eu te adoro’”, lembra ele emocionado. Em uma rápida conversa por telefone, ele conta sobre o tempo que trabalhou com a cantora e, como um bom amigo, foge de temas mais polêmicos. “Ela foi a paixão musical da minha vida. Como costumo dizer, a única artista com cujo talento eu nunca me acostumei”.

O Povo – Como foi seu primeiro contato com a Elis?

Miele – Foi no Beco das Garrafas (reduto boêmio de Copacabana). Ela fez um primeiro show, produzido pelo Renato Machado, com o grupo do (músico) Dom Salvador e textos lidos pela Íris Lettieri, a grande voz dos aeroportos do Brasil.

OP – E como foi o primeiro o primeiro show que vocês produziram?

Miele – O primeiro show foi no Little Club. Tinha a participação da bailarina Marli Tavares, do pandeirista Gaguinho e do grupo Bossa Três, que tinha Luis Carlos Vinhas (piano). Durante essa sequencia de shows, a Elis fez um sucesso extraordinário e passou do beco. Por isso, ela teve que faltar por conta de outros compromissos de trabalho. Ela já vinha se apresentando em outros cantos, mas não ia perder aquele serviço no Beco. A carreira dela tava começando. Então ela dizia que tava doente. Como a gente não tinha cartazes, fazia propaganda dos shows no muro do beco. Uma vez, o Ronaldo (Bôscoli) ficou com raiva por conta das faltas dela, foi lá, e pediu um pouco de piche pruns caras que tavam consertando o asfalto. Pegou o piche e passou por cima do nome dela.

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OP – Foi aí que começou a briga dela com o Bôscoli.

Miele – Foi. Um pouco antes, ele chegou pra ela e reclamou: “ta achando que é a Barbara Streisand?”. (E ela) “To”. Isso piorou tudo e ela tava escalada para uns shows da (empresa de química que também patrocinava grandes shows) Rhodia. Como ela tava faltando no Beco, o Bôscoli chamou a Nara Leão. “Aqueles joelhos que cantam”, como dizia a Elis.

OP – E aí começou a intriga com a Nara. E quando vocês voltaram a trabalhar juntos?

Miele – O Manoel Carlos era diretor do Fino da Bossa, mas ia deixar programa. Então o Luizinho Eça sugeriu a dupla Miele e Bôscoli (pra produzir o programa), mas a Elis disse: “nem morta. Se eles vierem pra cá ou vou pra Tupi”. O Paulo Machado (fundador da rede Record) insistiu e ela disse que aceitava. “Mas só falo com o Miele, com o Ronaldo nem pensar”, disse ela. Ele respondeu: “é bom mesmo. Se ela falar comigo, eu caso com ela”. Mas foi como disse o Carlos Imperial: “quando eles se casaram, Deus castigou os dois”.

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OP – Ela tinha fama de exigente e passional nas relações pessoais e profissionais. Muitos dizem que ela metia medo nas pessoas. Você sentiu isso?

Miele – Eu tinha muita sorte porque ela me usava pra mostrar que era muito acessível quando tratada com educação e elegância. Teve uma vez que eu pedi pra ela mergulhar no mar na Costa Brava (Rio de Janeiro). E ela dizia: “mas eu não sei nadar”. Eu respondia: “Mas o (Roberto) Menescal é campeão mundial de pesca submarina. Se você afundar ele vai lhe buscar”. Ela entrou na água, afundou e ele foi lá buscar. Comigo, ela nunca teve problema nenhum. Mas, quando ela se separou do Bôscoli, eu fui junto.

OP – Quer dizer que por conta da separação dela, vocês se afastaram?

Miele – Eu tenho os cartões dela ainda hoje, que já até perderam a tinta. Coisas como “Miele, eu te adoro”. Eu fiquei separado dela cinco anos. Uma vez ela ligou pra mim e disse: “Ei, viadinho, num vai no meu show, não?”. E eu respondi que, sem ela falar comigo, eu nem tinha pensado em ir. Na verdade, nem atendi o telefone pensando que era sacanagem. Aí ela disse pra secretária: “Fala pra ele que eu quero falar com o Carneiro”, era um código da gente. “Você não vai o Saudades do Brasil? Vai lá que tem uma mesa pra você”. Eu fui e ela dedicou Canção da América pra mim. E eu completamente em lágrimas. Já tava chegando no final, eu embriagado de lágrimas e whisky, e uma pessoa veio avisar: “a Elis quer você no camarim antes do final do show”. Quando ela interrompeu pro bis, veio pro camarim e perguntou: “Ta tudo certo entre nós?”. Eu disse que sim e ela voltou pro palco.

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OP – Vejo que você guarda muitas boas lembranças dela.

Miele – Tem uma coisa bonita que nunca tinha contado. Ela tava no Teatro da Praia (Rio de Janeiro) e a Katyna Ranieri, uma estrela da música italiana, foi assistir. No fim do show, a Katyna foi ao camarim e ficou elogiando, “você é extraordinária”. Mas a Elis, quando era elogiada, ficava vesga. Pra sair do sem jeito, a Elis viu que a cantora tava usando um colar muito bonito, que aparentava ser muito caro, e falou “que beleza de colar”. A Katyna respondeu na hora “te regalo” e deu o colar pra ela. Outra vez, ela foi pra Alemanha e os alemães pegaram um monte de negrinhos pra fazer o clipe de Upa Neguinho. Uma hora o produtor disse: “que pena que você não poder cantar em alemão”. Ela respondeu: “Por que não? Escreve a pronuncia pra mim”. Ele escreveu e ela ficou cantando lendo a pronúncia.

OP – Você trabalhou com boa parte da nata da música brasileira. Em relação à Elis, o que era fácil e o que era difícil no trabalho com ela?

Miele – O trabalho era mais que fácil. Você dava uma ideia e ela saía ampliando. Ela teve uma fase se declarando contra o Caetano Veloso. Depois passou e disse: “vou cantar o gênio da minha geração” e escolheu cantar Irene. Eu sugeri que ficaria melhor se você fosse “enlouquecendo” até que chegasse o fim do ato. Depois fui pra plateia pra, teoricamente, dirigí-la. “Você não vai ficar olhando pra mim não, né? Vai ao cinema”. Eu aceitei a ordem dela e fui. Quando voltei, tava melhor do que eu esperava. Tem uma coisa engraçada. Os turistas da música, muitos deles achavam que eu só queria usar a Elis pra experimentar. Nem entro nessa discussão. Muito do que ela fez no palco – humor, dançar, sapateado – era sugestão nossa, mas que ela se divertia, se divertia.

OP – Muitos dos seus trabalhos com a Elis foram durante sua parceria com o Ronaldo Bôscoli, ex-desafeto que acabou se tornando marido dela. Como era a relação dos dois? Eles sabiam separar o profissional e o pessoal?

Miele – Eu procurava não estar com eles com eles no quarto. Eles eram explosivos mesmo. Não era bom ficar por perto. Uma vez eu passei por ela na piscina e a empurrei. Ela caiu toda desequilibrada. Eu pensei (em tom apreensivo): tem três opções. Ela achar graça, me mandar pra puta que pariu ou nenhuma das opções. Deu a terceira, ela saiu nadando. Ela foi a paixão musical da minha vida. Como costumo dizer, a única artista com cujo talento eu nunca me acostumei. E já vou dizendo, acho a Maria Rita é cara da mãe.

OP – Uma das características dos shows produzidos pela dupla Miele e Bôscoli era de tirar os artistas do conforto. Alguma vez a Elis se negou a fazer algo que vocês pediram?

Miele – Não. Era só eu pedir que ela fazia.

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OP – Você também produziu muitos trabalhos dela pra TV. Como eram os bastidores dessas gravações? Ela era boa de TV?

Miele – Pra ela, aquilo era instintivo. Olhe, as pessoas com que eu trabalhei, vou citar três: Roberto Carlos, Elis e Simonal. Nenhum deles estudou nada. Pra mim, isso que é a explosão do talento. No palco, não tem escapatória. Nem adianta estudar, se não tiver as ferramentas.

OP – Passados 30 anos, Elis Regina continua sendo uma referência para o público e para novos artistas. O que a diferenciava das demais cantoras da época?

Miele – Eu dirigi numa época quatro cantoras brasileiras em shows diferentes. Nesse período, um jornalista do Globo  me perguntou: quem são as cinco maiores cantoras do Brasil? Eu respondi: a Elis. Foi uma merda com as outras, mas era isso.

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19.01.12 16:00

Elis Regina – Um instante de intimidade

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Em meados de 1978, Elis Regina estava trazendo para o Nordeste sua turnê Transversal do Tempo. Idealizado durante um engarrafamento em São Paulo provocado por uma manifestação de estudantes. Naquele momento, a cantora pensou em medo, esperança, ditadura, despedidas e reencontros. “Os dias eram assim”, cantou ela em Aos Nossos filhos, tempos depois. Na época, a atriz e jornalista Erotilde Honório dirigia a peça Os Saltimbancos, e encontrou por acaso com o empresário da turnê. Mesmo sem experiência com produção ou dinheiro para bancar uma vinda da estrela, ela teve curiosidade de saber quanto custava e acabou aceitando bancar a produção junto com o marido Ivo Roza. Foram três noites com o Centro de Convenções lotado, entre os dias 30 de junho e 2 de julho.

“Vendemos uma Caravan para pagar o primeiro show e, a cada show que terminasse, tínhamos que pagar a noite seguinte com o apurado”, lembra ela, que nem era tão fã assim da cantora. “A informação que eu tinha é que ela era chata, neurótica, arrogante”. De repente, no primeiro contato com a equipe se surpreendeu com a simpatia do diretor Maurício Tapajós. Além dos músicos (entre eles o marido César Camargo Mariano), Elis trouxe seus três filhos, João Marcelo (então com 8 anos), Pedro (3) e Maria Rita (menos de um ano). “Fiquei impressionada por que o Pedro a Maria Rita eram totalmente caolhos”, lembra sobre o tão falado estrabismo herdado da mãe. 

Apesar da imagem negativa, Elis foi bem simpática com a equipe de aventureiros que a recebeu em Fortaleza. A única exigência feita para o camarim foi uma garrafa de vodka Wyborowa, até então bem rara na cidade, que logo cedo começou a ser consumida pela cantora. Diante da boa receptividade de Elis, Erotilde quis realizar o sonho de um dos seus companheiros de teatro. Ator iniciante e já com queda para cantor, o jovem era Marquinhos Moura, cearense que estouraria tempos depois com Meu Mel.

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Entre as imitações que Marquinhos costumava fazer nos bastidores, a de Elis já era famosa pela perfeição. “Quando minha diretora Erotilde me apresentou à Elis, e disse que eu era um fã e rival, ela não acreditou e caiu na gargalhada. E eu completamente paralisado”, lembrou ele recentemente, em entrevista para O POVO. Ele então resolveu demonstrar ao vivo sua performance. Nesse momento Elis não viu graça nenhuma. Embora não tenha sido grosseira ou dito nada, Elis trancou a cara e fez questão de deixar claro que não gostou da homenagem.

Passados os três dias de show (de sexta a domingo), a anfitriã levou Elis e família para conhecer a Prainha onde a estrela se encantou com o artesanato local. Em especial, uma toalha de mesa com motivos orientais que não pode ser levada na hora por que ainda estava sendo confeccionada. Erotilde voltou ao local para comprar a toalha com intenção de encaminhar para a artista. Por conta dos contratempos do dia a dia, a encomenda não chegou a ser enviada e hoje fica guardada como uma lembrança daqueles momentos.

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Da turma toda, César Camargo Mariano era o mais calado. Por outro lado Elis não deixava de comentar sobre assuntos como Maria Bethania (“como ela desafina”) e maternidade (“eu me sinto a pessoa mais irresponsável do mundo por colocar três meninos nesse mundo”). “No dia seguinte, não pude levá-la ao aeroporto. Me despedi e fui embora. Quando cheguei em casa, o telefone toca e era ela agradecendo. A fama de pedante foi ao chão completamente”, admite Erotilde que voltou a encontrar a estrela anos depois, em um restaurante de Fortaleza, durante uma nova turnê. “Já estávamos de saída quando vimos ela chegar. Elis veio encantada, me deu um abraço e disse ‘nunca mais eu venho a Fortaleza sem ser convidada por vocês’. Parece que o show não foi tão bom”. Pouco tempo depois, a cantora faleceu em São Paulo, deixando uma legião de fãs perplexos, enquanto no Ceará sua toalha de mesa com motivos orientais continua guardada esperando o dia de ser entregue à dona.

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19.01.12 15:13

30 anos de saudade

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

São Paulo acordou cinzenta naquele distante 19 de março de 1982. O Brasil acordou assim. Durante uma ligação para o namorado Samuel MacDowell, por volta das 9h30, a voz de uma das maiores cantoras da MPB foi sumindo, ficando pastosa e desarticulada. De repente um estranho silêncio e o fim. Morria Elis Regina Carvalho Costa, 36 anos, gaúcha, mãe de três filhos, reveladora de sucessos. A notícia se espalhou tão rápido que até o único irmão da cantora, Rogério, ficou sabendo pelo rádio. Do outro lado do País, em Fortaleza, as amigas Rosa Maria e Fátima, espalharam a coleção de discos pelo sofá e promoveram uma homenagem particular regada a lágrimas e melodias.

Os fãs de Elis já estavam acostumados a chorar com suas interpretações arrebatadoras. Sua morte, no entanto, era dose mais forte do que se podia esperar. “Foi um choque grande. Eu nem sabia que a cabeça dela era tão doidinha. Era como se fosse uma pessoa que convivíamos pessoalmente”, relembra Fátima Bastos, 58, que assume ainda sentir uma “dor imensa” quando lembra daquela manhã de terça-feira. “Tem algumas músicas dela que me trazem imagens na memória. Eu sempre quis ter uma casa no campo por conta da música. Ela ta viva em tudo que canta”, confirma Rosa Maria, 64.

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A sensação de ter perdido alguém de dentro de casa parece uma unanimidade entre os fãs de Elis. Algo como se teimassem em assumir que ela morreu de fato. É que sua passagem por este plano foi curta, mas suficiente para mexer com muita gente. De sua garganta poderosa, saíam as saudades do irmão do Henfil, quaquaraquaquas debochados, histórias de um coração dilacerado. Também saíram palavras duras, como as críticas que fazia às rivais Maria Bethania e Nara Leão, ou protestos contra a invasão dos roqueiros nos festivais de música. Talvez hoje, quando estaria perto dos 67 anos, esses comentários merecessem uma reavaliação.

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Isso tudo fazia parte do personagem durão que gostava de demonstrar. Quem a conheceu mais de perto, como Rita Lee, preferia dizer que ela um “doce de pimenta”. Com essa mistura de temperos, sua performance no palco era sempre explosiva. Tanto que após cada show o que mais queria era uma cama onde pudesse descansar. Ciente do que podia com a voz, Elis usava seus graves e agudos pra hipnotizar o público. “Dizem que a única coisa que me deixava quieta quando criança era ouvir Elis”, lembra a cantora cearense Lorena Nunes, 26. Mesmo sem ter assistido a diva ao vivo, ela reconhece ali uma inspiração. “Uma excelente interpretação consegue ultrapassar qualquer barreira de emoção. E o sentimento que ela consegue passar, é impossível não se identificar. Não se inspirar nela é burrice”.

Personalidade

Das primeiras apresentações nas rádios de Porto Alegre até assinar o primeiro contrato para um disco foram apenas 15 anos. Tímida de doer, sua primeira apresentação foi frustrante. Um silêncio lhe tomou conta e nenhuma palavra saía da garganta. “Canta, minha filha”, insistia a mãe em vão. Um nova chance só veio cinco anos depois. Dessa vez ela cantou e não parou mais. Com afinação perfeita e coragem de buscar o que queria, Elis conquistou espaços nunca imaginados, chegando a ser a única artista brasileira a se apresentar duas vezes no palco nobre do Olympia, em Paris.

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Se, como cantora, sua presença inspirou e continua inspirando, como ser humano não foi diferente. O olhar altivo e o jeito seguro de se expressar da Pimentinha também ajudaram a moldar uma geração de mulheres que a admirava. “Ela era uma rebelde, mas com causa. Era decidida, disposta e eu gosto muito de gente assim. Me inspirava muito a ter coragem”, admite a dona de casa Liduína Ferreira, 56. Atenta a todas o shows e apresentações, ela até usava um corte de cabelo curtinho igual ao do ídolo. “Era feito na navalha. Eu chegava pra cortar bem curto e perguntavam ‘é igual ao da Elis Regina?’. ‘É, igual’, respondia”.

Tão inesquecível foi Elis, que ainda hoje se especula o que ela estaria cantando. Ainda procuraria novos compositores, como fez com Fagner e Belchior? Estaria atenta aos nomes do pop? Talvez estivesse cantando o Brasil de Cazuza ou o Monte Castelo de Renato Russo. Em sua última entrevista, feita em 5 de janeiro de 1982, ela já se mostrava incomodada com os novos rumos da indústria fonográfica. “A prepotência ganhou outros nomes em inglês, como mershandising e marketing. As gravadoras pensam que seu produto é o disco. Sem o artista, aquilo é só uma bolacha preta com um buraco no meio”, disparou.

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Duas semanas depois, enquanto selecionava as canções do próximo disco – Caetano Veloso, Beto Guedes e Milton Nascimento já estava numa lista preliminar –, a artista encerrou seu show. Ela foi encontrada no chão do quarto inerte, naquele 19 de janeiro de 1982. No sangue corria uma combinação fatal de cocaína e álcool. “Elis era careta. No máximo ‘dava uma bola’”, tentou defender Rita Lee, sua vizinha de sítio na serra da Cantareira, falando em bom “maconhês”. Mas já era tarde. O coração da Pimentinha já não batia. Agora era o Brasil que ia sentir saudades de Elis Regina.

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29.12.11 15:00

Lançamentos marcam os 10 anos sem Cássia Eller

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Uma das vozes mais marcantes do rock, do blues e da MPB, Cássia Eller teve pouco tempo para dizer o que queria. Foram apenas oito discos lançados em 11 anos de carreira. Certa de que era no palco que mostrava melhor sua arte, três deles foram gravados ao vivo. Com sua morte, em 29 de dezembro de 2001, uma série de homenagens e trabalhos póstumos foram lançados, como o registro de sua participação no Rock In Rio 3, que rendeu elogios do ex-Nirvana Dave Grohl pela interpretação de Smells like teen spirit.

Em 2011, quando o Brasil completa 10 anos sem Cássia Eller, novas homenagens voltam à prateleiras, entre faixas inéditas e reedições. Uma delas é a Caixa Eller, box que agrega toda a carreira da cantora. Nele estão os oito discos oficiais de Cássia mais o póstumo 10 de Dezembro, lançado em 2002 para comemorar seus 40 anos. Completando o conteúdo da Caixa Eller, o DVD Violões traz um show acústico gravado no Teatro Franco Zampari, São Paulo, e apresentado na TV Cultura em 1996. Nele são apresentadas versões inéditas de Lanternas do afogados e Rubens, e entrevistas inéditas

Também está nas lojas a coletânea Relicário, produzida pelo amigo e parceiro Nando Reis. O projeto inicial era de fazer uma edição de luxo incluindo livro com fotos e textos inéditos. No entanto, quis a gravadora que o disco chegasse em versão simples, com 14 faixas compostas pelo ex-titã. Pra justificar o lançamento, Relicário traz três faixas inéditas, incluindo Baby Love que traz o filho Chicão na percussão. As outras duas são Um tiro no coração (lançada em 2000, num dueto com Sandra de Sá) e As coisas tão mais lindas (do disco Com você… meu mundo ficaria completo). Ambas aparecem em versões acústicas, ao lado de Nando Reis.

Há ainda projetos para outros lançamentos em CD e DVD das participações de Cássia no projeto e um documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. Para os fãs, nunca é demais. “Cássia não era só uma cantora, era a melhor cantora das últimas gerações”, elogia a atriz cearense Hertenha Glauce, que acompanhou a carreira da cantora, antes mesmo do sucesso. “Cássia era uma grande intérprete, tinha uma voz inigualável e com um repertório, absurdamente, maravilhoso! Há exatos dez anos, voltamos a ficar órfãos”.

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29.12.11 12:41

O passarinho com voz de trovão

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Em 1998, Cássia Eller subiu ao palco do Teatro João Caetano para participar do Acústico MTV Rita Lee. Minutos antes, a Rainha do Rock anunciava a primeira convidada da noite como “uma criança com voz de trovão”. Meio tímida e com poucos sorrisos, Cássia entrou e logo teve de ouvir piada por conta dos cabelos pintados de azul. “Você antes não tinha cabelos de passarinho”, brincava Rita com voz de criança. “Passarinho, vou te mostrar meu passarinho”, respondeu na lata a convidada, antes de abrir um largo sorriso.

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Ela era assim. Cássia Rejane Eller, cantora carioca revelada logo na abertura da década de 1990, misturava doçura, agressividade e irreverência na vida e no trabalho. Intérprete de voz possante, ela ia de Chico Buarque a Nirvana sem dar tempo para seu ouvinte se acostumar. Infelizmente, foi com a mesma velocidade que ela morreu aos 39 anos, em 29 de dezembro de 2001 de causa nunca esclarecida. Usuária de cocaína e álcool, para uns tratava-se de mais uma vítima de overdose. Quando a autópsia acusou ausência dessas substâncias no corpo da cantora, veio a suspeita de erro médico. Certo é que ela deu entrada pela manhã na Clínica Santa Maria, apresentando agitação, náuseas e desorientação e, após várias paradas cardíacas, faleceu às 19h05 da noite de um sábado.

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Longe da polêmica, Cássia Eller foi uma das artistas mais marcantes da sua geração. Numa carreira meteórica que durou apenas 11 anos, ela integrou o grupo das “cantoras ecléticas” que passou a ser seguido por tantas que vieram na sua cola. A diferença está na propriedade que ela dava a estas canções. Com sua voz grave, ela chegou a cantar em trio elétrico, banda de forró e ópera, antes de entrar para a banda de Oswaldo Montenegro como backing vocal.

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No entanto foi mesmo no rock que Cássia se fez. Com intensidade e presença, ela soltava os bichos no palco para esconder a timidez. Quem esteve no anfiteatro do Dragão do Mar dia 27 de setembro de 1998, lembra da cantora dando as costas para que o público lhe passasse a mão na bunda. Curiosamente, naquele show ela já apresentava canções do disco que viria a ser o seu derradeiro de inéditas, Com você… o meu mundo ficaria completo.

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Nesse último trabalho, Cássia se mostrava mais dócil, mais MPB. Tudo por causa de um comentário do filho Francisco, então com seis anos, que disse gostar mais da Marisa Monte por que a mãe gritava muito. Chicão, como ela o chamava, em seguida seria pivô de uma discussão sobre quem seria responsável pela sua tutela após a morte da mãe. Como o pai, o baixista Tavinho Fialho, morreu pouco antes do seu nascimento, para uns, ele deveria ficar com o avô, Altair, então morando em Fortaleza e que pouco contato teve com o neto. Para outros, a criança deveria ficar com Maria Eugênia, namorada de Cássia por 14 anos, a quem Chicão chamava de mãe. Chicão escolheu Eugênia e a justiça encerrou o caso. Hoje ele está perto dos 18 anos e já se aventura como músico. As mães, certamente, estão orgulhosa disso tudo.

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02.12.11 15:13

Saudemos o samba

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Por Camila Holanda (@camilasholanda)

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Dois de dezembro de 2011 caiu numa sexta-feira. Momento mais propício para comemorar o Dia Nacional do Samba. Hoje, as rodas de samba, os terreiros, os quintais, as esquinas e até o rádio do carro no engarrafamento estarão mais agitados que os demais dias do ano.

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Os sambistas são os seres que compõem para nos ajudar a viver sorrindo ou chorando, quando é o caso. Quem nunca se arrepiou ao ouvir Cartola celebrar a poesia de Candeia?  “Deixe-me ir, preciso andar. Vou por aí a procurar. Sorrir para não chorar”. Paulinho da Viola, Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Nelson Cavaquinho, João Nogueira, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ataulfo Alves, Elton Medeiros e tantos poetas do nosso samba. A cada geração de sambistas, letras e melodias emocionantes.

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Até tentamos arranhar um violão, um tamborim ou um agogô, para sentir-nos parte de algo tão encantador. E fazemos. Perpetuamos a cultura que foi registrada pela primeira vez em 1917. Pelo Brasil é samba de Mauro Almeida e Donga, cantado por Bahiano. Fluiu, a partir daí, a infinidade de gêneros que advêm do estilo musical. A exemplo: samba canção, samba de partido alto, samba-exaltação, samba-enredo, sambalanço, samba de gafieira, samba carnavalesco e pagode.

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A data dois de dezembro não foi escolhida ao acaso. Ela surgiu pela iniciativa de um vereador baiano chamado Luis Monteiro da Costa para homenagear o grande Ary Barroso, quando, em um dois de dezembro ele resolveu de ir à Bahia pela primeira vez, mesmo já tendo composto “Na baixa do sapateiro”, que exaltava o estado.

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O samba está presente no brasileiro. Não importa se é de “raiz”, de enredo ou o pagode. Faz parte da trajetória histórica do País. Aglomera pessoas em alegres rodas, afaga sentimentos doloridos, faz relembrar e faz querer viver. Como diz Paulinho da Viola, “O samba é alegria, falando coisas da gente. Se você anda tristonho, no samba fica contente”.

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Então, brindemos, bebamos e sambemos, para exaltar a alegria de um samba, a gentileza das cordas de um violão, o som de uma cuíca, o gingado de um pandeiro, o acompanhamento de um surdo e a cadência que todos esses instrumentos têm juntos. Assim como os Originais do Samba, “Sem a cadência do samba, eu não posso ficar”.

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31.10.11 16:18

Com “Garota de Ipanema”, álbum póstumo de Amy Winehouse será lançado em dezembro

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Do UOL

Um novo álbum com músicas inéditas de Amy Winehouse será lançado em dezembro. Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures traz músicas desconhecidas da cantora – que morreu inesperadamente em julho enquanto trabalhava em seu terceiro álbum – e também versões suas de canções de outras pessoas

Entre as canções do novo álbum, está Between the Cheats, uma canção emocional e inédita sobre seu ex-marido, Blake Fielder-Civil, e um cover de A Song for You – famosa na voz de Donny Hathaway – que Amy gravou enquanto se recuperava do vício das drogas em 2009.

Após ouvir o álbum pela primeira vez, o pai de Amy, Mitch, disse ao jornal The Sun: “Eu passei tanto tempo correndo atrás de Amy que nunca percebi o verdadeiro gênio que ela era. E até que eu sentasse com o resto de minha família e ouvisse este álbum que eu apreciei totalmente seu talento. Do jazz a hip-hop, tirou o meu fôlego. Uma das novas canções do álbum, Halftime, eu nunca tinha ouvido antes. É incrivelmente linda.”

O álbum foi montado por Salaam Remi e Mark Ronson, produtores que trabalharam com Amy em seus dois álbuns, Frank e Back to Black. Eles ouviram milhares de horas de gravações da cantora e escolheram as canções que estão no álbum.

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Salaam disse: “Quando escutei as gravações, era possível ouvir algumas das conversas, e foi muito emocional. Eu acredito que ela deixou algo com o passar dos anos. Ela fez um trabalho que vai inspirar uma geração que ainda não nasceu. Sou abençoado por ser parte desse processo, por ter conhecido essa pessoa e continuar seu legado com este álbum.”

O álbum será lançado no dia 5 de novembro e uma libra de cada venda irá para a Fundação Amy Winehouse, que ajuda organizações de caridade para crianças.

Músicas do álbum Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures:

1- Our Day Will Come (versão reggae) – Cover
2- Between the Cheats – Canção inédita
3- Tears Dry – Versão balada original de “Tears Dry on Their Own”
4- Wake up Alone – Demo de março de 2006
5- Will You Still Love Me Tomorrow – Cover da canção do Shirelles
6- Valerie – Versão lenta da canção gravada com Mark Ronson
7- Like Smoke com Nas – Canção inédita
8- The Girl from Ipanema – Cover da canção de bossa nova
9- Halftime – Canção inédita
10- Best Friends – Gravação de fevereiro de 2003
11- Body and Soul com Tony Bennett – Cover da canção de jazz
12- A Song for You – Cover da canção de Leon Russell gravada na primavera de 2009

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31.10.11 10:23

Barulhinho que faz bem

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Na história da música, alguns nomes acabam se tornando marcos referenciais. Pela força ou pela qualidade do trabalho, eles viram modelos e são copiados à exaustão. Marisa Monte faz parte desse grupo. Carioca que jogou seus estudos de música erudita sobre um repertório popular, ela é o nome mais bem sucedido entre as “cantoras ecléticas” surgidas da década de 1990.

Dona de um registro vocal seguro, agudo e afinado, ela se lançou em 1989 com um repertório aberto, que ia da elegância dos irmãos Gershwin à barulheira dos Titãs, passando ainda por Carmen Miranda e Marvin Gaye. Dois anos depois, se mostrou uma compositora inspirada, principalmente quando o assunto são as baladas radiofônicas. Longe do pop raso, ela soube levar sua boa música a todos os lugares e classes sociais e não tardou a se tornar um dos nomes mais fortes da canção brasileira moderna. Se não, quem mais faria uma legião de adolescentes decorar a enorme letra de Rosa, do mestre Pixinguinha?

Eis que em 2011 Marisa volta com um novo disco, o oitavo de sua carreira. O que você quer saber de verdade já vem sendo alardeado há alguns meses a aguardado ansiosamente pelos fãs. Para diminuir a expectativa, a carioca vem, desde 18 de agosto, postando informações mínimas sobre o novo trabalho em seu site oficial. A primeira canção veio quase um mês depois. Fruto da parceria de Marisa e Arnaldo Antunes, Ainda bem apresenta de cara o D.N.A. apaixonado da cantora. Com a participação de músicos da Nação Zumbi e do grupo argentino Bajofondo, a canção ganhou um clip elegante e minimalista onde a cantora dança com o lutador paulista Anderson Silva.

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Na última quinta-feira, a canção que dá nome ao disco foi a segunda a ser liberada, dessa vez inclusive para download gratuito. O que você quer saber de verdade foi pescada do disco Qualquer, de Arnaldo, coautor da canção junto com Marisa e Carlinhos Brown. Aliás, a parceria dos Tribalistas continua tão firme quanto em 2003, quando lançaram um disco coletivo. Nove das 14 faixas do disco conta com pelo menos um dos nomes do grupo. Dadi Carvalho, por exemplo, divide duas composições com Marisa (Amar alguém e Bem aqui), enquanto seu filho, André Carvalho, compõe uma (Nada tudo).

No entanto, nem só de tribalismo é feito este novo disco de Marisa Monte. Um dos ídolos da cantora, Jorge Ben Jor comparece com Descalço no parque, do seminal Ben é samba bom (1964). Já O que se quer é a primeira parceria com o hermano Rodrigo Amarante, que também é convidado para um dueto com a anfitriã. Para reforçar a fama de eclética, Marisa Monte sempre foi mestre em jogar luzes sobre canções e artistas esquecidos. Foi assim que ela refrescou a memória brasileira para a obra dos Novos Baianos, em 1996. Agora chegou a vez de Lencinho querido, gravado em 1957 por Dalva de Oliveira. Composto como El pañuelito, por Juan de Dios Filiberto e Gabino Coria Peñaloza, o tango ganhou versão na época de Maugeri Neto.

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Assim como as gravações viajaram para Rio de Janeiro, Los Angeles, Nova York e Buenos Aires, O que você quer saber de verdade será lançado hoje simultaneamente em 28 países. A partir das 9h, todas as faixas também vão estar disponíveis para audição no site oficial da cantora, junto com vídeos inéditos e entrevistas. Nada foi dito ainda em relação à turnê, mas é certo que algo de especial já está sendo pensado. Afinal, com todo respeito aos seus discos, é mesmo no palco que ela reina absoluta.

Faixas:

1. O Que Você Quer Saber de Verdade (Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte)

2. Descalço no Parque (Jorge Ben Jor)

3. Depois (Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte)

4. Amar Alguém (Dadi/ Marisa Monte)

5. O Que Se Quer (Marisa Monte/ Rodrigo Amarante) com Rodrigo Amarante

6. Nada Tudo (André Carvalho)

7. Verdade, Uma Ilusão (Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte)

8. Lencinho Querido (El Pañuelito) (Juan de Dios Filiberto/ Gabino Coria Peñaloza/

Versão: Maugeri Neto)

9. Ainda Bem (Marisa Monte/ Arnaldo Antunes)

10. Aquela Velha Canção

11. Era Óbvio (Arnaldo Antunes/ Marisa Monte)

12. Hoje Eu Não Saio Não (Arnaldo Antunes/ Betão/ Chico Salém/ Marcelo Jeneci)

13. Seja Feliz (Arnaldo Antunes/ Marisa Monte)

14. Bem Aqui (Arnaldo Antunes/ Dadi)’

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21.09.11 18:49

Em nota publicada no site oficial, R.E.M. anuncia o fim da banda

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

“Nos despedimos com um grande senso de gratidão, de finalidade e de incredulidade diante de tudo que realizamos”. Com essas palavras, o R.E.M. anunciou que está dando fim à carreira que já contava 31 anos. A pequena carta, assinada pelo trio, foi divulgada hoje(21) no site oficial da banda. “Pra quem já se sentiu tocado por nossa música, nosso mais profundo agradecimento por nos ouvir”, encerram.

O comunicado segue com as impressões particulares de cada membro. “Um sábio disse certa vez: ‘A habilidade de participar de uma festa está em saber a hora de sair’. Nós construímos algo extraordinário juntos. Fizemos essa coisa. E agora vamos nos afastar dela”, foram as palavras do vocalista Michael Stipe ressaltando que a decisão não foi fácil. “Mas tudo tem que acabar. E nós queremos fazer isso da forma correta. Da nossa forma”.

O baixista Mike Mills acrescentou: “Sempre fomos uma banda no verdadeiro sentido da palavra. Irmãos que verdadeiramente se amam, se respeitam, nos sentimos pioneiros nisso. Não há nenhuma desarmonia aqui, sem advogados, sem problemas, tomamos esta decisão em conjunto, de forma amigável e com os melhores interesses no coração. O tempo simplesmente pareceu certo”.

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Formada em 1980 em Athens, Georgia (EUA), o R.E.M. (Rapid Eyes Movement, do inglês Movimento Rápido dos olhos) estreou em disco um ano depois com o lançamento do single Radio Free Europe, pela gravadora independente Hib-Tone. Contando com o baterista Bill Berry (que deixou a banda em 1997 para “viver com a família em uma fazenda e descansar”), eles se notabilizaram como pioneiros no rock alternativo e lançaram grandes sucessos como Shiny happy people e Losing my religion, ambas do disco Out of time (1991). Em 2001, eles fizeram o primeiro show no Brasil, durante o Rock In Rio III, e voltaram em 2008 para apresentar o disco Accelerate. O 15º e último disco deles foi lançado em 2010, Collapse into now. As gravações de um sucessor já haviam sido anunciadas, mas foram interrompidas com a notícia do fim da banda.

O guitarrista Peter Buck encerra o comunicado dizendo que “uma das coisas grandiosas sobre estar no R.E.M. foi o fato de que os registros e as canções que escrevemos significaram tanto para os nossos fãs quanto significaram para nós. Mike, Michael, Bill, Bertis (Downs, empresário) e eu somos grandes amigos. Eu sei que vou vê-los no futuro. Assim como eu sei que verei todos os que nos seguiram e nos apoiaram ao longo dos anos. Mesmo que seja só no corredor de vinil de sua loja de discos local ou de pé na parte de trás de um clube: assistir a um grupo de 19 anos tentando mudar o mundo”.

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06.09.11 11:09

O tempo mágico de Zé Menezes

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

“A princípio, parece que eu nasci ontem. Essa é a primeira coisa que eu posso garantir pra você. O tempo passa, mas parece mágica”. É assim que Zé Menezes abre uma longa conversa por telefone, antes mesmo que eu lhe faça qualquer pergunta. Completando hoje seus 90 anos de vida, dos quais 82 foram dedicados à música, ele transparece mesmo essa “mágica” ao falar detalhadamente sobre momentos acontecidos há 60 ou 70 anos. E até arrisca um palpite para explicar de onde vem a energia. “Acho que é porque a música me faz assim. Vivi da música, pra música e na música”.

Esta longa história com as notas musicais começou em Jardim, interior cearense. Ainda pequeno, por volta dos seis anos, Zé Menezes começou a dedilhar um instrumento de sopro requinta, mas logo passou para o cavaquinho. A fama do menino-prodígio foi logo se espalhando pela região. Tanto que foi ele o escolhido para tocar uma composição própria diante do venerado Padre Cícero. A música chamava-se Meus oito anos, já revelando que idade o músico tinha à época. “Eu nem sabia da grandiosidade do que era estar tocando pro Padre Cícero”, confessa.

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Ainda hoje, o músico descreve este como tendo sido o momento mais importante de sua carreira e até vê neste encontro uma razão para tudo que veio em seguida. Desde sua ida para o Rio de Janeiro, onde integrou importantes orquestras, incluindo a da Rádio Nacional, até o reconhecimento internacional, tudo Zé atribui à bênção do Padre Cícero. Certa vez, por exemplo, após uma apresentação na universidade de Oxford, Inglaterra, a reitora da instituição levantou-se e pediu beijar-lhe a mão. No dia seguinte, os jornais estampavam que “os guitarristas ingleses que não viram o show haviam perdido a oportunidade de assistir o melhor guitarrista do mundo, principalmente quando ele tocava sua guitarrinha pequena”. Zé explica: “Eles não conheciam o cavaquinho”.

O músico não deixa de reconhecer também a importância de tantos mestres e amigos que o cercaram. Radamés Gnattali (1906 – 1988), Heitor Villa-Lobos (1987 – 1959) e o violonista Aníbal Augusto Sardinha, o “Garoto” (1915 – 1955), são alguns deles. A lista de artistas que ele veio a acompanhar depois também não é nada modesta. “Eu morava dentro de um estúdio. Não vai existir um músico que tenha entrado mais em estúdio de gravação do que eu, porque eu gravava com tudo que é instrumento e todos os gêneros”. Assim, pra cada nome da lista, ele tem uma historinha. Por exemplo, Francisco Alves. “Ele sempre escolhia duas músicas pra cantar comigo. Já estava certo de entrarmos em estúdio pra gravar um disco voz e violão, mas ele morreu uma semana antes”. Elis Regina. “Muito exigente, muito musical e talentosa até dizer chega”. Elza Soares. “Gravei também. Essa sempre foi meio doidona”.

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Chegar aos 90 anos, para Zé Menezes, nem de longe significa descanso ou pé no freio. Recentemente, ele viu sua obra compilada no box Zé Menezes Autoral, com três CDs e um CD-Rom com fotos, vídeos, partituras e biografia. Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o músico está montando o programa do curso superior de guitarra, ao mesmo tempo que grava um DVD com aulas para violão tenor e planeja uma turnê por oito cidades brasileiras, inclusive Fortaleza. Incansável, estudando, tocando e compondo diariamente, ele sabe muito bem como queria ser homenageado nesta data. “A única homenagem que eu quero é que Deus conserve minha saúde, meus dedos com a agilidade que eles sempre tiveram, com o cérebro funcionando e cercado de amigos”.

Para mais:
Todo o conteúdo de Zé Menezes Autoral está disponível para consulta em www.zemenezes.com.br. O Box está disponível para venda no mesmo site (R$30).

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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