Discografia

03.05.12 13:35

Silvia Machete apresenta pela primeira vez em Fortaleza seu tropicalismo extravagante

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

No crescente mercado de cantoras brasileiras, conseguir um destaque entre tantas vozes graves e agudas é algo que exige muito esforço. Mais ainda quando a música é só um veículo para passar uma ideia maior sobre a arte, a criação e a vida. Mas esse foi o desafio que a carioca Silvia Machete impôs para o seu trabalho. Sem um sucesso no rádio ou na trilha da novela, ela chega pela primeira vez a Fortaleza nesta sexta-feira (4) para apresentar um resumo dos seus seis anos de carreira como cantora.

Apesar de praticamente desconhecida do grande público e do pouco tempo que conta desde sua estreia com o disco Bomb of love – música safada para corações apaixonados (2006), Silvia Machete já tem uma longa estrada no campo das artes. Depois de anos acalentando o sonho de ser malabarista, ela seguiu para a França onde estudou artes circenses, teatro burlesco e o erótico cômico. De fato a viagem que duraria seis meses era para estudar o francês. Apostando no próprio talento, ela preferiu se dedicar ao que de fato queria e esticou a estada para três anos.

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Certa de que a arte era o melhor caminho para sua vida, Silvia Machete dedicou mais 12 anos ao teatro de rua, na Europa e na América do Norte, onde acumulou prêmios e elogios. De volta ao Brasil, ela, que tem dois irmãos músicos profissionais, decidiu juntar o canto e a performance teatral em espetáculos cheios de humor, sensualidade e maluquices, como cantar rodando um bambolê. “Tem uns que têm uma certa resistência ao que eu faço. Mas, olha, meu show é muito legal. Eu amo”, empolga-se a artista em entrevista por telefone.

Grande parte dessa resistência deve-se ao fato de Silvia Machete fazer no palco algo à beira do indefinível. Não à toa, ela batizou seu último disco, lançado em 2010, de Extravaganza (Coqueiro Verde). Ao mesmo tempo em que cede seus belos agudos à tocante Feminino frágil – parceria com o tremendão Erasmo Carlos –, ela surge vestida de samambaia no mambo Tropical extravaganza, de Fabiano Krieger. Pra completar, em O baixo, composição de próprio punho, ela faz do instrumento de notas graves o parceiro ideal para uma dança do acasalamento. “Esse disco começou com a palavra ‘extravagante’, que diz muito sobre o que eu sou no palco. Acho que o Brasil é muito extravagante. Então, comecei com essa palavra, fui pesquisando”, lembra ela que recebeu o prêmio de melhor show de 2010, cedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

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No entanto, Silvia Machete não é de fazer qualquer coisa somente pensando em chamar a atenção e nem fica posando de engraçada. Com certo ar de seriedade, ela não nega que um leque tão aberto na vida profissional acaba tornando sua estrada mais longa e difícil. “Sinto falta de uma pessoa que faça o que eu faço, um teatro musical. Não caio nessas coisas tradicionais”, dispara. Com três discos e um DVD lançado em esquema independente, ela afirma que sua música até poderia tocar no rádio, mas isso exigiria uma estrutura que ela não tem. “Acho que vou, ainda por muito tempo, ser uma artista que faz uma coisa até artesanal”, adianta sem esconder uma pontinha de decepção.

Mas o grande trunfo guardado na manga desta artista tão multifacetada, ela sabe, é mesmo no palco. “Hoje, falar que é cantora não é grande coisa. Meu trabalho é único por que consigo fazer no palco tudo que sei fazer. Faço parte dessa coisa que não dá pra rotular”, admite. No CD e DVD ao vivo Não sou nenhuma santa (2008), por exemplo, ela vai do samba canção passional Foi ela a uma versão mais mansa de Sweet child o’mine, da banda Guns N’Roses. Hábil pescadora de pérolas, ela sabe bem juntar composições próprias e canções perdidas em discos alheios (a delicada Gente aberta, de 1971, foi que deu origem à amizade com Erasmo Carlos), antes de jogar seu molho particular e apresentar para o público. “Como é a primeira vez que vou a Fortaleza, vou fazer os números do show antigo e misturar com coisas novas. É um show bem divertido. Nem precisa conhecer as músicas para gostar”.

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Serviço:
Quando:
nesta sexta-feira (4), às 20h
Onde: Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Outras informações: 3230 1917

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13.01.12 16:00

Bruno Morais e Bixiga 70 regravam pérola setentista de Erasmo Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Os anos 70 foram luminosos para a música brasileira, quando se solidificaram carreiras até hoje referências. Nesse meio estava a dupla Roberto e Erasmo, vivendo seu auge criativo. O segundo inclusive entrou com tudo na década luminosa com o clássico Carlos, Erasmo. Tentando emplacar uma onda hippie na vida e na carreira, os discos que vieram na sequencia deste de 1971 foram igualmente excepcionais. Entre eles está Sonhos e Memórias, de 1972, que trazia 12 composições da dupla famosa, entre elas o hit arrasta quarteirão É proibido fumar. Bom do começo ao fim, o disco traz pelo menos duas canções que deveriam ser ouvidas com atenção por qualquer um que diga gostar de música brasileira. A primeira é Grilos, balada melancólica, regravada com maestria por Marina Machado e Samuel Rosa no disco Tempo Quente (2008). Em tom de cabeça baixa, a música traz uma tentativa de deixar as coisas bem depois de um vendaval doméstico. Ouçam a versão e a original, mas não comparem. São ambas ótimas.

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A outra canção é Sorriso dela, que mostra um Erasmo Carlos tomado pela alegria do casamento e da paternidade. Esta acaba de ganhar uma ótima regravação do paranaense Bruno Morais, em parceria com o grupo Bixiga 70. A música faz parte de um compacto que traz ainda Ela e os Raios, parceria de Bruno com Guilherme Held, que conta com o baixo do cearense Régis Damasceno (Cidadão Instigado). Voltando a Sorriso dela, Bruno manteve o clima etéreo e contemplativo desta que é uma das composições mais belas da dupla Roberto e Erasmo. Ancorado pelos metais e percussão do Bixiga 70, o cantor coloca sua voz cheia de intimidade numa canção que poderia ser entoada para uma filha, uma namorada ou quem quer que se goste. Pra quem ainda não conhece o Bixiga 70, trata-se de uma banda formada por nove músicos da cena paulistana (sempre lá) que fazem um som voltado pro afrobeat de Fela Kuti. Dessa junção do som personalista de Bruno Morais com o som possante da banda, saiu uma bela homenagem a dois pioneiros do rock nacional.

Ouçam aqui

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15.09.11 11:30

Erasmo Carlos pesquisa as raízes do sexo em clipe de Kamasutra

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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De King Kong a Miles Davis, todos os artistas de todas as linguagens já usaram o sexo como inspiração para seus trabalhos. Se não foram todos, vamos lá, foi 98%. Pensando nisso, o mestre Erasmo Carlos saiu em busca mais referências para montar o clipe de Kamasutra, primeiro single do seu mais novo trabalho, Sexo. Com direção de Cacá Diegues, o vídeo é repleto de cenas pra lá de picantes. E, como quem resolveu chutar o balde da caretice depois dos 70 (se é que algum dia ele segurou este balde), Erasmo ainda gravou o webhit Sou foda, do grupo de funk Avassaladores e está confirmado como uma das atrações deste ano para o VMB, premiação da MTV que acontece em 20 de outubro. Confiram os dois.

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23.08.11 13:27

Sexo & Rock’n’Roll & Erasmo Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Deixe as vergonhas de lado, perca os pudores e se jogue nos braços do prazer com Erasmo Carlos (Foto: Daryan Dornelles/Fotonauta). O convite vem do próprio mestre que, do alto dos seus 70 anos (completados no último 5 de julho), deixa de lado o estilo romântico e conservador do seu parceiro mais constante para lançar o auto explicativo Sexo. Com produção de Liminha (o mesmo do excelente Rock’n’Roll), o disco traz 12 faixas com dicas, desabafos, discussões e impressões do velho mestre sobre o “esporte” mais praticado pelo homem.

“Antes eu queria mesmo era quantidade. Hoje prezo pela qualidade”, assume Erasmo, por telefone, lembrando seus velhos tempos de Jovem Guarda. A voz marota e cheia de malícia, em nenhum momento aparenta vergonha ou vontade de esconder algum detalhe. “As pessoas perguntam se eu já tomei alguma coisa. Já tomei Viagra, mas não gosto. Prefiro Cialis e o Levitra. A juventude toda toma, mas ainda existe o tabu”, protesta. Aliás, ele assume que já sabia que um homem da sua idade falando sobre sexo iria dar no que falar. “Não faço pra chocar, mas pra acordar. Os meninos não têm a quem perguntar, a religião bota o pecado na cabeça das pessoas. O sexo era pra ser um papo normal”.

Mas, não espere ouvir baixarias, duplo sentido ou nada que incomode à grande família brasileira em Sexo. Entre a clareza e a figura de linguagem, Erasmo aborda a fidelidade, a traição, a diversão do sexo de uma forma única. “Nesse disco, eu queira falar de uma forma com menos poesia, como se fala no ouvido da mulher”, explica citando Apaixocólico anônimo, uma ode ao sexo oral onde ele se assume um “escravo do mel” da amada. Sem esquecer também a amálgama entre sexo e amor, foi o próprio Erasmo quem sugeriu a arte da capa.

No quesito diversão, Sexo abre com uma lista de posições sexuais levantadas por Arnaldo Antunes e transformadas na agitada Kamasutra. Caranguejo, coqueirinho ajoelhado, guindaste, fênix na caverna vermelha, são só algumas sugestões presentes. Erasmo confessa que uma boa parte ele já fez, mas não sabia o nome. A solução foi consultar o bom e velho google para se atualizar. “Mas o ‘papai e mamãe’ ainda é hors concours. É mais relaxado”, adianta. Kamasutra é a primeira música de trabalho que vai ganhar um clipe. Aliás, dois clipes com direção de Cacá Diegues. Um deles terá cenas censuradas.

Além do ex-Titã, Sexo traz Erasmo junto com outros parceiros (ops!). Adriana Calcanhotto, admiradora confessa, traz uma visão feminina para Seu homem mulher, tema com ares de George Harrison. Sexo e Humor é um rockão clássico em parceria com Chico Amaral. Já Nelson Motta contribui na bela balada E nem me disse adeus, adocicada pelos vocais dos Filhos da Judith. E o produtor Liminha comparece em O Rosto do Rei, cheia de guitarras sujas sobre uma letra que, queira ou não, faz lembrar um tal Roberto que há tempos largou o rock.

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Falando de outro assunto que dá tesão ao compositor, são as várias nuances do rock que dá o ritmo para Sexo. “Como sou brasileiro, sofro muita influência de estilos como Bossa Nova, baião e samba. Acabei virando uma MPB muito radical, que me deu vontade de voltar às raízes”, explica Erasmo orgulhoso por ter resgatado o blusão de couro do fundo do armário. Agora ele aguarda o lançamento do DVD ao vivo no Rio com o registro da turnê Rock’n’roll e participações de Marisa Monte e Roberto Carlos. Outra expectativa é pelo show que vai dividir com Arnaldo Antunes no Rock in Rio. “Vejo que a juventude tem ido aos meus shows. Tem o público da Jovem Guarda, mas to vendo gente nova. Todo mundo canta, dança e sempre predomina a descontração, a alegria”, encerra o mestre.

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26.04.11 16:52

Erasmo Carlos começa a botar voz em Sexo

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Após o bem-sucedido Rock’n Roll, o mestre Erasmo Carlos se prepara para lançar Sexo. Já na reta final, o veterano está colocando voz nas músicas que, segundo ele, não têm pornografia, mas “não deixa de avançar no tema”. Se o antecessor, de 2009, trouxe o cantor e compositor de volta ao estilo que sempre fez sua cabeça, o rock, este novo mantém o ritmo, mas se dedica também a outro assunto que ele adora. Aliás, pra quem leu Minha fama de mau, autobiografia de Erasmo, vai confirmar que sexo é um dos assuntos que mais o agrada. Para este novo disco, ele ainda contou com um bom time de parceiros (de composição, não de sexo) formado por Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Chico Amaral e Nelson Motta. Prometido para o final de junho, Sexo vai contar mais uma vez com o trio Os Filhos da Judith.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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