18.05.12 11:47
A intimidade do mito Raul Seixas
Por Pedro Rocha (pedrorocha@opovo.com.br)
“Nós estamos em torno de 140 mil, quer dizer, pra um documentário é uma bilheteria fantástica, porque a maioria dos filmes não passa de 70, 80 mil, muitos não chegam nem a 20”, fala por telefone Walter Carvalho sobre a bilheteria de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. Lançado no dia 23 de março, o documentário sobre o mito da música brasileira chega hoje às salas de cinema de Fortaleza com histórias que cobrem as várias fases da vida de Raul, desde a adolescência na Bahia, até a decadência no fim da vida, vítima do alcoolismo.
“Eu sou da geração que admirava Caetano e Chico, da geração de A Banda, de Alegria, Alegria. O Raul vem um pouco depois, em 71. Caetano e Chico já estavam na parada desde 1967. Mas o Raul caiu no gosto popular e era um cara que fazia uma música de fácil comunicação e ao mesmo tempo muito criativa”, comenta Walter, que recebeu o convite da Paramount para dirigir o documentário.
Depoimentos e imagens de arquivo costuram o filme.
Amigos de juventude relatam as aventuras de Raul quando este era ainda um adolescente que imitava os trejeitos dos ídolos do rock estadunidense, especialmente Elvis Presley. Gola em pé, cigarro na mão e o jeitão marrento de olhar sobre o ombro são lembrados pelos próprios colegas de Raul no Elvis Rock Club, criado por eles para cultuar o estilo musical e a figura do astro do filme Balada Sangrenta, de 1958.
Já no Rio de Janeiro, a projeção de Raul com Let Me Sing, Let Me Sing no Festival Internacional da Canção de 1972, misturando o rock norte-americano e o baião de Luiz Gonzaga, é o início de sua transformação num dos cantores mais populares do Brasil, que será seguida por sua identificação como um dos símbolos da contracultura no País.
A entrevista de Paulo Coelho é um dos pontos altos de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. O hoje escritor mundialmente reconhecido foi um dos principais parceiros de Raul Seixas, a pessoa que apresentou ao cantor as profundezas da contracultura na década de 1970, incluindo as drogas e o ocultismo. Sentando na sala de sua casa na Suíça, ele conta sem melindres as histórias desse tempo, os bastidores da composição de sucessos como Sociedade Alternativa e os motivos que fizeram Raul Seixas largar sua primeira esposa, Edith.
Ex-mulheres
Paixão de adolescência que acabou em casamento, Edith é a única das ex-mulheres de Raul Seixas que não concedeu entrevista a Walter Carvalho. “Ela foi a única que não quis falar, mas eu pedi através da filha que ela me mandasse uma carta”, conta o diretor. A primogênita de Raul, Simone, fala em inglês – Edith é americana e voltou para os Estados Unidos com a filha ainda pequena – sobre a relação superficial que teve com o pai, e lê a mensagem melancólica da mãe.
Outras ex-companheiras de Raul se sucedem no documentário na ordem em que entraram na vida dele, representando as diferentes fases de sua carreira e, principalmente, o aprofundamento de seu vício nas drogas até a morte. “Individualmente cada uma me recebeu muito bem. Eu tive acesso aos arquivos pessoais de todas”, fala Walter sobre as farpas que uma e outra soltam no filme.
A intimidade da vida do cantor e compositor se entrelaça no documentário à sua obra, através da filosofia de vida contestatória, alternativa, expressada nas músicas, que rejeitam os padrões prescritos pela sociedade. Jornalistas como Pedro Bial, Nelson Motta e Tárik de Souza comentam a música de Raul Seixas. Caetano ressalta a genialidade dos versos de Ouro de Tolo. E Tom Zé faz uma aparição cantando e tocando composição própria sobre a chegada de Lampião e Raul Seixas na reunião do Fundo Monetário Internacional.
Ao passo em que se entra na década de 1980, o filme mergulha na decadência do cantor, no irrefreável apetite pelas drogas, notadamente o álcool, no agravamento dos problemas de saúde como a diabetes e nas seguidas internações hospitalares, até a dramatização de sua morte. Um roteiro conhecido de ascensão e queda de um astro do rock – no caso de Raul, uma história profundamente brasileira.
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10.05.12 18:12
Vocalista do Black Eyed Peas apresenta seu projeto solo em Fortaleza
Por Thiago de Sousa (thiagosousa@opovo.com.br)
A noite de sábado já começou especial com a super lua brilhando intensamente no céu de Fortaleza. E nada como uma festa no Mucuripe Club para completar o fenômeno astrológico. Falando em astros, quem brilhou já na madrugada do domingo foi o DJ do Black Eyed Peas, Taboo. Na companhia da dupla Felguk e outros DJs, Taboo apresentou pela primeira vez por aqui sua turnê Ultra Magnetix Tour.
Os DJs Pedro Garcia e Chriss Db abriram a noite e, logo na sequência, Taboo subiu ao palco sem charminhos ou suspense, às duas da manhã. Surpreendendo a todos, ele subiu o som com toda a empolgação e já tocou a primeira música como se fosse a última. Todos entenderam o recado e saíram do chão ao som de Pump It. Apesar da casa não estar lotada, o DJ do BEP a cada refrão conseguia fazer ecoar as letras pela multidão.
Em entrevista exclusiva no seu camarim, antes do show, Taboo revelou seu carinho e admiração pelo povo brasileiro. “Primeiramente, quero dizer que amo o Brasil, e agradecer todo o carinho que eu e meu grupo Black Eyed Peas temos recebido em todos os grandes shows que fizemos aqui. Fortaleza é uma cidade especial, temos um enorme carinho por esta cidade. O Brasil, como um todo, tem uma energia muito boa.”, revelou.
Taboo é dono de inúmeros talentos. Canta, toca, dança e atua. Quando perguntado qual desses mais gosta, ele é rápido. “Todos. Eu amo fazer tudo. Dedico-me ao máximo em tudo o que faço. Tento fazer o meu melhor para que todos fiquem felizes.”, disse. Em momentos no show, Taboo soltava a pickup e ia para frente do palco mostrar suas artimanhas no hip-hop. E ao som de Dont Stop The Party a galera foi a loucura!
Se no palco e no camarim Taboo é frenético, enérgico, não para quieto, uma pergunta o fez parar e refletir por alguns segundos. Como definir o Black Eyed Peas em uma só palavra? Ele pensa por alguns instantes, olha para o teto como se estivesse lembrando cada um dos integrantes no palco, e responde: “Eterno”. Há todo momento do show, Taboo lembrava os amigos Will.I.Am, Fergie e Apl.de.Ap., seus companheiros do BEP, que em 2010 estiveram em Fortaleza com a turnê The End Tour, e que hoje estão cuidando de alguns projetos pessoais.
O show foi se estendendo pela madrugada e Taboo tocava cada música como se fosse a última. Intercalando suas músicas com os sucessos conhecidos do cenário eletrônico, e para delírio de todos, remixou o nosso funk e nosso novo hino Ai se eu te pego. Elas, foram ao delírio. O DJ com raízes mexicanas colocou todo mundo para dançar sem parar, do começo ao fim do show. Falando em final, a despedida de Taboo foi um momento emocionante.
Ele ensaiou encerrar o show quando tocou Where is the Love, grande sucesso do BEP, e emocionou a todos oferecendo a música aos amigos do grupo. Mas como não podia fazer desfeita com os cearenses, finalizou seu surpreendente show com o grande sucesso I Gotta Feeling. Fazendo reverência e beijando a bandeira brasileira, Taboo arrancou aplausos intermináveis do público. Subiu na mesa e disse: “Muito obrigado, Fortaleza”. A dupla de cariocas Felguk seguiu empolgando e levantando ainda mais a galera até o nascer do sol.
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04.05.12 16:00
Taboo, do Black Eyed Peas, se apresenta amanhã em Fortaleza
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03.05.12 13:35
Silvia Machete apresenta pela primeira vez em Fortaleza seu tropicalismo extravagante
No crescente mercado de cantoras brasileiras, conseguir um destaque entre tantas vozes graves e agudas é algo que exige muito esforço. Mais ainda quando a música é só um veículo para passar uma ideia maior sobre a arte, a criação e a vida. Mas esse foi o desafio que a carioca Silvia Machete impôs para o seu trabalho. Sem um sucesso no rádio ou na trilha da novela, ela chega pela primeira vez a Fortaleza nesta sexta-feira (4) para apresentar um resumo dos seus seis anos de carreira como cantora.
Apesar de praticamente desconhecida do grande público e do pouco tempo que conta desde sua estreia com o disco Bomb of love – música safada para corações apaixonados (2006), Silvia Machete já tem uma longa estrada no campo das artes. Depois de anos acalentando o sonho de ser malabarista, ela seguiu para a França onde estudou artes circenses, teatro burlesco e o erótico cômico. De fato a viagem que duraria seis meses era para estudar o francês. Apostando no próprio talento, ela preferiu se dedicar ao que de fato queria e esticou a estada para três anos.
Certa de que a arte era o melhor caminho para sua vida, Silvia Machete dedicou mais 12 anos ao teatro de rua, na Europa e na América do Norte, onde acumulou prêmios e elogios. De volta ao Brasil, ela, que tem dois irmãos músicos profissionais, decidiu juntar o canto e a performance teatral em espetáculos cheios de humor, sensualidade e maluquices, como cantar rodando um bambolê. “Tem uns que têm uma certa resistência ao que eu faço. Mas, olha, meu show é muito legal. Eu amo”, empolga-se a artista em entrevista por telefone.
Grande parte dessa resistência deve-se ao fato de Silvia Machete fazer no palco algo à beira do indefinível. Não à toa, ela batizou seu último disco, lançado em 2010, de Extravaganza (Coqueiro Verde). Ao mesmo tempo em que cede seus belos agudos à tocante Feminino frágil – parceria com o tremendão Erasmo Carlos –, ela surge vestida de samambaia no mambo Tropical extravaganza, de Fabiano Krieger. Pra completar, em O baixo, composição de próprio punho, ela faz do instrumento de notas graves o parceiro ideal para uma dança do acasalamento. “Esse disco começou com a palavra ‘extravagante’, que diz muito sobre o que eu sou no palco. Acho que o Brasil é muito extravagante. Então, comecei com essa palavra, fui pesquisando”, lembra ela que recebeu o prêmio de melhor show de 2010, cedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
No entanto, Silvia Machete não é de fazer qualquer coisa somente pensando em chamar a atenção e nem fica posando de engraçada. Com certo ar de seriedade, ela não nega que um leque tão aberto na vida profissional acaba tornando sua estrada mais longa e difícil. “Sinto falta de uma pessoa que faça o que eu faço, um teatro musical. Não caio nessas coisas tradicionais”, dispara. Com três discos e um DVD lançado em esquema independente, ela afirma que sua música até poderia tocar no rádio, mas isso exigiria uma estrutura que ela não tem. “Acho que vou, ainda por muito tempo, ser uma artista que faz uma coisa até artesanal”, adianta sem esconder uma pontinha de decepção.
Mas o grande trunfo guardado na manga desta artista tão multifacetada, ela sabe, é mesmo no palco. “Hoje, falar que é cantora não é grande coisa. Meu trabalho é único por que consigo fazer no palco tudo que sei fazer. Faço parte dessa coisa que não dá pra rotular”, admite. No CD e DVD ao vivo Não sou nenhuma santa (2008), por exemplo, ela vai do samba canção passional Foi ela a uma versão mais mansa de Sweet child o’mine, da banda Guns N’Roses. Hábil pescadora de pérolas, ela sabe bem juntar composições próprias e canções perdidas em discos alheios (a delicada Gente aberta, de 1971, foi que deu origem à amizade com Erasmo Carlos), antes de jogar seu molho particular e apresentar para o público. “Como é a primeira vez que vou a Fortaleza, vou fazer os números do show antigo e misturar com coisas novas. É um show bem divertido. Nem precisa conhecer as músicas para gostar”.
Serviço:
Quando: nesta sexta-feira (4), às 20h
Onde: Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Outras informações: 3230 1917
18.04.12 09:47
Arthur Moreira Lima toca este domingo em Caucaia
Um dos maiores pianiasta brasileiros, o carioca Arthur Moreira Lima mostra sua virtuose neste domigo (22) para o público da Caucaia. Apresentando peças eruditas e populares de Bach, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Chopin, Beethoven e Mozart, Arthur chega com seu projeto Um Piano Pela Estrada. Tal qual uma Caravana Holiday, ele monta seu piano de cauda na traseira de um caminhão e ali mesmo reúne seu público. A apresentação gratuita e encantadora está programada para as 20h, na Praça da Matriz. Imperdível.
14.04.12 11:30
Timbral e David Duarte tocam amanhã no Retratos do Vento
Aproveitando a beleza da nossa orla, o projeto Retratos do Vento leva amanhã ao anfiteatro Flávio Ponte (na Volta da Jurema) o projeto Timbral e o cantor David Duarte. Antes esporadicamente aos domingos, agora o Retratos do Vento acontece todos os sábados, à partir das 16h30 (levem almofadas por que os bancos são bem quetinhos). Mas, falando das atrações, o projeto Timbral é formado por Lu de Souza (guitarra), Miqueias dos Santos (contrabaixo) e Neo dos Santos (bateria), um power trio instrumental que funde jazz, rock e preogressivo com boas doses de virtuose. Já David Duarte dispensa apresentações. Cantor, compositor e músico requisitado da noite fortalezense, ele vem apresentar sucessos como Bússola, Noite e Valeu a pena esperar.
Veja abaixo as próximas atrações do Retratos do Vento (com textos enviados pela Secultfor):
Dia 21
Marcio Resende Trio e Paulo Façanha
> Márcio Resende, carioca há muito radicado em Fortaleza, é um saxofonista e flautista de reconhecimento nacional. Márcio chamou atenção como compositor ao lançar o disco New Bossa, reunindo temas de sua autoria e de parceiros como Adelson Viana e Tarcísio Sardinha.
> Paulo Façanha é um dos cantores e compositores mais aplaudidos na noite de Fortaleza, arregimentando um público fiel à suas apresentações, marcadas tanto pelas releituras de grandes nomes da música brasileira, quanto pelas interpretações de compositores cearenses. E pela apresentação de suas próprias músicas – entre elas, o sucesso nacional Quando a noite chegar, escrito em parceria com Beto Paiva e executado em rádios de todo o País, na voz do carioca Jorge Vercilo.
Dia 28
Ayrton Pessoa e Andrea Piol
> Ayrton Pessoa, o Bob, é violonista, compositor, arranjador e produtor musical e traz em sua apresentação no Retratos do Vento uma prévia do seu mais recente disco, Manual Prático da Saudade, selecionado pelo Edital das Artes – Música, da Secultfor, em 2010.
> Dona de uma voz forte, Andréa Piol é intérprete de samba, bossa, jazz, dentre outros gêneros. A cantora tem sua interpretação respaldada em sua formação como atriz. Seu trabalho é levado ao grande público nas mais variadas apresentações artístico-musicais em centros culturais, teatros, casas de show, bares e eventos particulares desde 2000, consolidando sua carreira.
11.04.12 10:00
Não é de hoje que as grandes estrelas internacionais se encantam pela música do Brasil. Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Dionne Warwick e Frank Sinatra são só alguns dos nomes que se encantaram pelas canções do País do Carnaval. No entanto, com a americana Stacey Kent a coisa é diferente. Além de cantar, ela quer sentir o que é ser brasileira. “Quando estou lendo a poesia do Brasil em português, Vinicius ou João Cabral de Melo Neto, me sinto tão perto do coração brasileiro que de repente estou descobrindo que compartilho essa sensibilidade. Sinto-me como se essa vida pudesse ser a minha vida. Sinto-me bem dentro dessas coisas da poesia brasileira”, confirma a jazzista de New Jersey, sem esconder a emoção de estar dando entrevista em português. Aliás, em bom português.
Curiosa por aprender mais detalhes da nossa cultura e história, Stacey não espera a hora de voltar ao Brasil para a nova turnê que começa hoje (11) por Fortaleza e segue para São Paulo (12) e Rio de Janeiro (13 e 14). Apesar de ser sua terceira ou quarta temporada na terra da Bossa Nova, dessa vez as apresentações vão ter um sabor especial, pois ela vai dividir o palco com o carioca Marcos Valle, um dos seus “heróis”. Convidada pelo cantor e compositor do mítico Samba de Verão, ela parece uma criança sempre que fala em estar ao lado do seu ídolo. “Para mim é um sonho ficar com o Marcos, que é uma pessoa incrível. É um homem extremamente criativo, que não para nunca”, elogia a cantora via skype.
A história do encontro de Marcos e Stacey começou há pouco menos de um ano. Convidado para cantar na festa dos 80 anos do Cristo Redentor, o cantor carioca recebeu o aval da gravadora para convidar alguém para dividir com ele seu Samba de Verão. Foi então que ele lembrou de uma cantora que ouvira pouco tempo antes pelo rádio, interpretando canções francesas. Mal sabia ele que a tal cantora é uma apaixonada pelo Brasil e ela que atenderia prontamente sua convocação. “Aquele momento no Brasil foi um dos mais lindos da minha vida. Quando encontrei o (Roberto) Menescal no camarim, eu não sabia que ele me conhecia. Sou uma grande fã dele. Eu disse, ‘Roberto?’. E ele, ‘Stacey’. Eu não podia imaginar que já era um nome na vida dele”, conta surpreendida.
Esse flerte de Stacey Kent com o País Tropical aconteceu bem antes dela pensar em ser cantora. Por volta dos 14 anos, ela ouviu por acaso o disco de João Gilberto e Stan Getz e se encantou. “Foi a primeira vez que ouvi aquela voz. Isso mudou as coisas para mim”, confirma. Hoje, aluna da Middlebury Schools, EUA, ela chega a interromper a turnê nos verões para se dedicar ao aprendizado da nossa língua. Assim, ela vem conhecendo a poesia de João Cabral de Melo Neto, a música de Chico Buarque e Edu Lobo (com destaque para O Grande Circo Místico), o humor de Luís Fernando Veríssimo e os contos de Lima Barreto. “Eu queria ouvir muitas coisas do Brasil desde que comecei a estudar a língua, do norte do Brasil, até Luiz Gonzaga”, acrescenta a artista que divide o amor pelo Brasil com o marido Jim Tonlimson, saxofonista que também participa da turnê.
Bodas de ouro
Para Marcos Valle, dividir o palco com Jim e Stacey também tem uma dose maior de emoção. Principalmente quando ele lembra da agenda concorrida que a cantora mantém pelo mundo. “Quando entramos em contato, eles adoraram e acharam uma brecha para fazer o projeto”, conta ele por telefone de sua casa no Rio de Janeiro. A distância, no entanto, acabou proporcionando uma experiência nova para todos, já que todos os ensaios aconteceram via skype. “Ela mora em Aspen (EUA), perto da montanha, e eu perto do mar. Ficávamos cantando e passando os tons com o computador do lado. A única coisa que nós não conseguimos foi tomar um vinho durante os ensaios”, brinca o compositor que só vai resolver esta questão em Fortaleza, quando todo o grupo se encontra pela primeira vez.
Mesmo que já esteja acostumado ao reconhecimento internacional, Marcos Valle guarda um carinho especial pelo encontro com Stacey Kent. Principalmente por que o projeto, que logo ele quer transformar em CD e DVD, marca seus 50 anos de carreira. “Eu me sinto extremamente empolgado. Adoro essas parcerias novas. Stacey é uma nova diva que tem uma linguagem de jazz, é uma nova renovação do meu trabalho”, confessa. Para a cantora, a emoção não é menor. “Vai ser como um sonho para mim, ficar lá ao lado de Jim, Marcos e seus músicos incríveis. Imagino que vai ser bastante emocional, uma delícia”, encerra Stacey.
Serviço:
O quê: projeto Amil Jazz Duets, com Stacey Kent, Marcos Valle e Jim Tomlinson
Quando: nesta quarta-feira (11), às 21h30
Onde: Teatro Via Sul (Av. Washington Soares, 4335 – Sapiranga. 3º piso). À venda na Casa dos Relojoeiros (Shopping Via Sul) e no local
Quanto: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Outras informações: 30528027 e 32612061
03.04.12 10:00
Nonato Luiz entre amigos e sorrisos
Uma das marcas registradas do violonista Nonato Luiz durante o exercício do seu trabalho é um sorriso constante estampado no rosto. Esteja ele fazendo a peripécia que for no instrumento, em momento nenhum ele perde o semblante de felicidade. O motivo para tal não é segredo pra ninguém. Natural de Lavras da Mangabeira, ele correu o mundo, fez amigos, compôs parcerias e viveu a vida ao lado do violão. Logo não seria de se estranhar que ficasse satisfeito sempre que ele se juntasse ao seu companheiro de seis cordas.
Essa história de Nonato com o violão começou há 35 anos e, por isso, mereceu uma comemoração à altura realizada na noite da última sexta-feira (30). No palco do Theatro José de Alencar, o músico cearense que beira seus 60 anos (completados no próximo 3 de agosto) convidou uma série de amigos músicos e não-músicos para a gravação de seu novo DVD, previsto de chegar à lojas no mês do seu aniversário.
Além da idade e da carreira, Nonato Luiz tem muito o que celebrar. Com mais de 600 composições no currículo e acompanhou gente do quilate de Nara Leão, Luiz Gonzaga, Fagner, Túlio Mourão, Mercedes Sosa e Chico Buarque. Com uma carreira consolidada no circuito internacional, ele tem trabalhos lançados na Europa, como o livro de partituras Suíte sexta em Ré para guitarra, e turnês freqüentes para vários outros países.
Mas é no Ceará que ele resolveu comemorar sua história. Para um TJA lotado, o músico subiu ao palco com cerca de meia hora de atraso, já com o público impaciente. Sozinho em meio a um cenário minimalista, cheio de referências ao nordeste brasileiro e ao próprio músico, Nonato caminhou por composições de várias épocas, recebendo sempre as palmas de plateia. Em homenagem ao Rio de Janeiro, onde foi morar em 1978, ele tocou Carioca, emendada com um trecho de Tem Dó (Vinicius de Moraes/ Baden Powell).
Precedido por muitos elogios do anfitrião, o primeiro convidado da noite foi o percussionista Anderson Silva, de apenas 15 anos. Ao lado o veterano, ele demonstrou intimidade com o pandeiro em Samba-choro, e, em seguida, na clássica Choro Acadêmico. Esta última contou ainda com a destreza de Jorge Cardoso no bandolim, que também dividiu com Nonato um emaranhado divino de cordas em Viola Violada. Outras três referências cearenses do violão marcaram presença na noite. Cainã Cavalcante fez duas canções, entre elas Baião cigano. Em seguida, o maestro Tarcísio Sardinha em Choro dos Arcos. Por fim, um xote ao lado de Zivaldo Maia. O último convidado foi o poeta Fausto Nilo, cantando na parceria Espelho.
Mesmo se tratando de uma gravação de DVD, a apresentação correu sem muitas interrupções. Poucos números precisaram ser repetidos. Ao fim de duas horas apresentação, Nonato Luiz se despediu da plateia com Saudades do Baden. Como já passava das 23 horas e não havia segurança na Praça José de Alencar, uma parte do público preferiu não insistir pelo bis, que acabou não acontecendo. O que não foi problema, já que Nonato Luiz tinha dado ao público uma dose de boa música.
22.03.12 16:36
Os 40 anos de música de Fausto Nilo
Fausto Nilo é um dos nomes mais importantes da música cearense. Ponto. E, lembrando de sucessos como Zanzibar e Amor nas estrelas, não é errado que também está lado a lado com os maiores do Brasil. Isso já é motivo suficiente pra ele participar esta noite do projeto Conversa Aberta, no Espaço O POVO de Cultura & Arte, aqui mesmo no Jornal O Povo (Av. Aguanambi, 282 – Joaquim Távora). No entanto, este ano ele completa seus 40 anos de composição, inaugurados com Fim do Mundo, gravada por Marília Medalha. Durante a entrevista/bate-papo, Fausto vai responder as perguntas da plateia e dos jornalistas Plínio Bortolotti, Luciano Almeida e deste que vos escreve. Pra se inscrever, clique aqui.
16.03.12 06:00
Uma noite à francesa com Paula Tesser
Na noite do último sábado, 10, um sarau aconteceu no sétimo andar de um prédio localizado na Rua Vicente Leite. Formando uma autêntica roda de violões, por lá passou boa parte dos nomes que fazem e fizeram a música cearense. Vitoriano, Fábio Dória, Danilo Guilherme, Moacir Bedê, Oscar Arruda foram alguns dos convidados. Para coroar o encontro que acabou quando estouraram os primeiros de sol, o poeta Fausto Nilo também se fez presente.
O motivo desta sessão musical ia além da boa boêmia. A anfitriã, a cantora Paula Tesser, está em busca de repertório para seu segundo disco e, por isso, resolveu reunir compositores amigos para saber em que eles andam trabalhando. Também para testar novas sonoridades, timbres e formações, ela começa esta noite o projeto Canto sem eira nem beira, no L’Ô restaurante. A proposta é de, sempre na primeira quinta-feira de cada mês (esta sexta será em caráter especial), a cantora subir ao palco com músicos e músicas diferentes.
Para começar, a intérprete reservou apenas canções francesas, que vão do icônico Serge Gainsbourg até a jovem Zaz. O show, chamado Démons et merveilles (Demônios e maravilhas), teve o nome tirado de uma canção de Jacques Prévert escrita para o filme Os trovadores malditos (1942). Paula, que nasceu na França, mas mora desde os 10 anos em Fortaleza, conhece esse repertório indo e voltando e até aproveita para cantarolar algumas durante a entrevista no seu apartamento. “Eu dei esse nome ao projeto (Canto sem eira nem beira) por que é solto mesmo. Me obriga a testar novas fórmulas. E esse primeiro show é uma coisa que eu já queria há bastante tempo”, explica ela que vai estrear ao lado de Oscar Arruda (guitarra e violão), Fábio Amaral (baixo acústico), Régis Gomes (guitarra) e Daniel Alencar (bateria).
Ainda sem nada fechado, ela já planeja coisas bem diferentes para as próximas noites, quem sabe usando guitarra e programações eletrônicas. “Meu primeiro trabalho tinha muito de Bossa Nova, que é algo que eu gosto bastante. Mas penso que minha voz cristalina não é incompatível com algo mais pop”, explica Paula que também convidou o roqueiro Jonnata Doll para seu sarau. “Ele é de um universo diferente do meu, mas foi bacana por que ele me mostrou aquelas composições que se pareciam mais comigo”, acrescenta a cantora.
De fato, depois de anos se dedicando mais à vida acadêmica e às duas filhas pequenas, Paula Tesser anda com fome de música. Dona de uma voz macia e sedutora, dessas que pega o ouvinte de primeira, ela lançou seu único disco em 2004, o delicado Retratos do Vento, com composições de Valdo Aderaldo, seu ex-marido. Durante uma longa temporada na França, onde concluiu o doutorado em sociologia, ela até montou alguns trabalhos e viveu uma experiência comum por lá que é cantar na rua. “É uma super escola. Quem para para lhe ouvir é por que realmente gosta, é por que foi fisgado”. Mas um segundo disco, isso ela ficou devendo.
Mas esse assunto ela resolve logo logo. Empolgada com seus projetos (cantar nas ruas de Fortaleza é um deles) e com as novidades que tem ouvido por aqui (“eu fiquei muito por fora do que estava acontecendo na Cidade”), Paula vem planejando com carinho cada detalhe desse novo trabalho, ainda sem previsão de lançamento. Mesmo que sua cabeça não deixe de fervilhar com tantas ideias e canções, ela quer que este segundo disco tenha uma personalidade própria. Mesmo que seja uma personalidade múltipla, que traga um pedaço de cada som que faz hoje no Ceará.
Serviço:
Show Démons et merveilles
O quê: estreia no projeto Canto sem eira nem beira, com a cantora Paula Tesser interpretando somente canções francesas
Quando: hoje (16), às 21h
Onde: L’Ô Restaurante (Av. Pessoa Anta, 217 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 15
Outras info.: 3265 2288
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