18.05.12 11:47
A intimidade do mito Raul Seixas
Por Pedro Rocha (pedrorocha@opovo.com.br)
“Nós estamos em torno de 140 mil, quer dizer, pra um documentário é uma bilheteria fantástica, porque a maioria dos filmes não passa de 70, 80 mil, muitos não chegam nem a 20”, fala por telefone Walter Carvalho sobre a bilheteria de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. Lançado no dia 23 de março, o documentário sobre o mito da música brasileira chega hoje às salas de cinema de Fortaleza com histórias que cobrem as várias fases da vida de Raul, desde a adolescência na Bahia, até a decadência no fim da vida, vítima do alcoolismo.
“Eu sou da geração que admirava Caetano e Chico, da geração de A Banda, de Alegria, Alegria. O Raul vem um pouco depois, em 71. Caetano e Chico já estavam na parada desde 1967. Mas o Raul caiu no gosto popular e era um cara que fazia uma música de fácil comunicação e ao mesmo tempo muito criativa”, comenta Walter, que recebeu o convite da Paramount para dirigir o documentário.
Depoimentos e imagens de arquivo costuram o filme.
Amigos de juventude relatam as aventuras de Raul quando este era ainda um adolescente que imitava os trejeitos dos ídolos do rock estadunidense, especialmente Elvis Presley. Gola em pé, cigarro na mão e o jeitão marrento de olhar sobre o ombro são lembrados pelos próprios colegas de Raul no Elvis Rock Club, criado por eles para cultuar o estilo musical e a figura do astro do filme Balada Sangrenta, de 1958.
Já no Rio de Janeiro, a projeção de Raul com Let Me Sing, Let Me Sing no Festival Internacional da Canção de 1972, misturando o rock norte-americano e o baião de Luiz Gonzaga, é o início de sua transformação num dos cantores mais populares do Brasil, que será seguida por sua identificação como um dos símbolos da contracultura no País.
A entrevista de Paulo Coelho é um dos pontos altos de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. O hoje escritor mundialmente reconhecido foi um dos principais parceiros de Raul Seixas, a pessoa que apresentou ao cantor as profundezas da contracultura na década de 1970, incluindo as drogas e o ocultismo. Sentando na sala de sua casa na Suíça, ele conta sem melindres as histórias desse tempo, os bastidores da composição de sucessos como Sociedade Alternativa e os motivos que fizeram Raul Seixas largar sua primeira esposa, Edith.
Ex-mulheres
Paixão de adolescência que acabou em casamento, Edith é a única das ex-mulheres de Raul Seixas que não concedeu entrevista a Walter Carvalho. “Ela foi a única que não quis falar, mas eu pedi através da filha que ela me mandasse uma carta”, conta o diretor. A primogênita de Raul, Simone, fala em inglês – Edith é americana e voltou para os Estados Unidos com a filha ainda pequena – sobre a relação superficial que teve com o pai, e lê a mensagem melancólica da mãe.
Outras ex-companheiras de Raul se sucedem no documentário na ordem em que entraram na vida dele, representando as diferentes fases de sua carreira e, principalmente, o aprofundamento de seu vício nas drogas até a morte. “Individualmente cada uma me recebeu muito bem. Eu tive acesso aos arquivos pessoais de todas”, fala Walter sobre as farpas que uma e outra soltam no filme.
A intimidade da vida do cantor e compositor se entrelaça no documentário à sua obra, através da filosofia de vida contestatória, alternativa, expressada nas músicas, que rejeitam os padrões prescritos pela sociedade. Jornalistas como Pedro Bial, Nelson Motta e Tárik de Souza comentam a música de Raul Seixas. Caetano ressalta a genialidade dos versos de Ouro de Tolo. E Tom Zé faz uma aparição cantando e tocando composição própria sobre a chegada de Lampião e Raul Seixas na reunião do Fundo Monetário Internacional.
Ao passo em que se entra na década de 1980, o filme mergulha na decadência do cantor, no irrefreável apetite pelas drogas, notadamente o álcool, no agravamento dos problemas de saúde como a diabetes e nas seguidas internações hospitalares, até a dramatização de sua morte. Um roteiro conhecido de ascensão e queda de um astro do rock – no caso de Raul, uma história profundamente brasileira.
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03.05.12 13:35
Silvia Machete apresenta pela primeira vez em Fortaleza seu tropicalismo extravagante
No crescente mercado de cantoras brasileiras, conseguir um destaque entre tantas vozes graves e agudas é algo que exige muito esforço. Mais ainda quando a música é só um veículo para passar uma ideia maior sobre a arte, a criação e a vida. Mas esse foi o desafio que a carioca Silvia Machete impôs para o seu trabalho. Sem um sucesso no rádio ou na trilha da novela, ela chega pela primeira vez a Fortaleza nesta sexta-feira (4) para apresentar um resumo dos seus seis anos de carreira como cantora.
Apesar de praticamente desconhecida do grande público e do pouco tempo que conta desde sua estreia com o disco Bomb of love – música safada para corações apaixonados (2006), Silvia Machete já tem uma longa estrada no campo das artes. Depois de anos acalentando o sonho de ser malabarista, ela seguiu para a França onde estudou artes circenses, teatro burlesco e o erótico cômico. De fato a viagem que duraria seis meses era para estudar o francês. Apostando no próprio talento, ela preferiu se dedicar ao que de fato queria e esticou a estada para três anos.
Certa de que a arte era o melhor caminho para sua vida, Silvia Machete dedicou mais 12 anos ao teatro de rua, na Europa e na América do Norte, onde acumulou prêmios e elogios. De volta ao Brasil, ela, que tem dois irmãos músicos profissionais, decidiu juntar o canto e a performance teatral em espetáculos cheios de humor, sensualidade e maluquices, como cantar rodando um bambolê. “Tem uns que têm uma certa resistência ao que eu faço. Mas, olha, meu show é muito legal. Eu amo”, empolga-se a artista em entrevista por telefone.
Grande parte dessa resistência deve-se ao fato de Silvia Machete fazer no palco algo à beira do indefinível. Não à toa, ela batizou seu último disco, lançado em 2010, de Extravaganza (Coqueiro Verde). Ao mesmo tempo em que cede seus belos agudos à tocante Feminino frágil – parceria com o tremendão Erasmo Carlos –, ela surge vestida de samambaia no mambo Tropical extravaganza, de Fabiano Krieger. Pra completar, em O baixo, composição de próprio punho, ela faz do instrumento de notas graves o parceiro ideal para uma dança do acasalamento. “Esse disco começou com a palavra ‘extravagante’, que diz muito sobre o que eu sou no palco. Acho que o Brasil é muito extravagante. Então, comecei com essa palavra, fui pesquisando”, lembra ela que recebeu o prêmio de melhor show de 2010, cedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
No entanto, Silvia Machete não é de fazer qualquer coisa somente pensando em chamar a atenção e nem fica posando de engraçada. Com certo ar de seriedade, ela não nega que um leque tão aberto na vida profissional acaba tornando sua estrada mais longa e difícil. “Sinto falta de uma pessoa que faça o que eu faço, um teatro musical. Não caio nessas coisas tradicionais”, dispara. Com três discos e um DVD lançado em esquema independente, ela afirma que sua música até poderia tocar no rádio, mas isso exigiria uma estrutura que ela não tem. “Acho que vou, ainda por muito tempo, ser uma artista que faz uma coisa até artesanal”, adianta sem esconder uma pontinha de decepção.
Mas o grande trunfo guardado na manga desta artista tão multifacetada, ela sabe, é mesmo no palco. “Hoje, falar que é cantora não é grande coisa. Meu trabalho é único por que consigo fazer no palco tudo que sei fazer. Faço parte dessa coisa que não dá pra rotular”, admite. No CD e DVD ao vivo Não sou nenhuma santa (2008), por exemplo, ela vai do samba canção passional Foi ela a uma versão mais mansa de Sweet child o’mine, da banda Guns N’Roses. Hábil pescadora de pérolas, ela sabe bem juntar composições próprias e canções perdidas em discos alheios (a delicada Gente aberta, de 1971, foi que deu origem à amizade com Erasmo Carlos), antes de jogar seu molho particular e apresentar para o público. “Como é a primeira vez que vou a Fortaleza, vou fazer os números do show antigo e misturar com coisas novas. É um show bem divertido. Nem precisa conhecer as músicas para gostar”.
Serviço:
Quando: nesta sexta-feira (4), às 20h
Onde: Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Outras informações: 3230 1917
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30.03.12 16:00
O carnaval sem fim dos Los Hermanos
No ano em que o Los Hermanos completa seus 15 anos de carreira, o site Musicoteca preparou uma homenagem especial ao quarteto carioca. O tributo Re-Trato vai reunir 33 nomes da nova cena musical brasileira recriando ao próprio modo as canções clássicas do grupo que não lança inéditas desde 2005. Entre os convidados estão a doce Marcela Bellas, o doído Pélico e a sedutora Bárbara Eugênia.
Disponibilizado gratuitamente pelo próprio Musicoteca a partir de abril, Re-Trato vai trazer ainda uma coleção de 30 ilustrações da artista plástica paraibana Luyse Costa. Cada imagem feita exclusivamente para o projeto vai retratar uma canção e também estará disponível para download.
Pra quam não ficou sabendo, um projeto semelhante foi feito em homenagem à banda indie Strokes, reunindo 15 nomes da cena alternativa nacional. Mas, voltando aos Hermanos, pra já ir dando um gostinho, um EP com quatro faixas do tributo já disponível no Musicoteca. Todo carnaval tem seu fim ficou ainda mais carnavalesca com a banda Do Amor, enquanto Sentimental ganhou batida folk nas mãos de Cícero. Pra fechar o compacto, Adeus você e Anna Julia, respectivamente, com as bandas Nuvens e Velhas Virgens. Vale conferir.
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27.03.12 17:30
Documentário de Walter Carvalho mergulha na alma de Raul Seixas
94 pessoas em 400 horas de entrevistas. Esse é a contabilidade do diretor Walter Carvalho para fazer o filme O Começo, O fim e o Meio, sobre a vida maluca do Maluco Beleza Raul Seixas. Não ter preguiça de procurar e achar pessoas parece mesmo ser o único caminho para se desvendar os segredos da vida atribulada do roqueiro baiano que viveu como seus ídolos setentistas Lennon e
Elvis, ou seja cercado de talento, música, fãs e drogas. No caso de Raul, os excessos o mandaram num disco voador para outro plano em 21 de agosto de 1989, com uma série de problemas de saúde que foram resumidos em pancreatite. No entanto, nem a enfermidade foi capaz de apagar a imagem do anti-herói que deixou pra trás uma das obras mais ricas e belas da MFB (música fiosófica brasileira). Quer realmente saber quem foi Raul, pare agora, leia cada letra que ele escreveu e tente ver se você realmente concorda com o que está posto. Dessa forma você descobrir que ele ia um tanto à frente do que você está pronto para concordar.
E esse é o grande desafio de O Começo, O Fim e o Meio, exibir todas as ideias, propostas, incoerências e coerências do bardo. Já bastante elogiado por quem viu (Fortaleza ainda vai esperar um pouco), o filme traz depoimentos sinceros de Paulo Coelho, Caetano Veloso, Tom Zé e das ex-esposas Kika Seixas, Tania Menna Barreto, Lena Coutinho e Gloria Vaquer. Na cola do filme, como de praxe, sai junto uma coletânea dupla com 28 faixas e nenhuma surpresa. Só os velhos hits, que não deixam de ser ótimos.
16.03.12 06:00
Uma noite à francesa com Paula Tesser
Na noite do último sábado, 10, um sarau aconteceu no sétimo andar de um prédio localizado na Rua Vicente Leite. Formando uma autêntica roda de violões, por lá passou boa parte dos nomes que fazem e fizeram a música cearense. Vitoriano, Fábio Dória, Danilo Guilherme, Moacir Bedê, Oscar Arruda foram alguns dos convidados. Para coroar o encontro que acabou quando estouraram os primeiros de sol, o poeta Fausto Nilo também se fez presente.
O motivo desta sessão musical ia além da boa boêmia. A anfitriã, a cantora Paula Tesser, está em busca de repertório para seu segundo disco e, por isso, resolveu reunir compositores amigos para saber em que eles andam trabalhando. Também para testar novas sonoridades, timbres e formações, ela começa esta noite o projeto Canto sem eira nem beira, no L’Ô restaurante. A proposta é de, sempre na primeira quinta-feira de cada mês (esta sexta será em caráter especial), a cantora subir ao palco com músicos e músicas diferentes.
Para começar, a intérprete reservou apenas canções francesas, que vão do icônico Serge Gainsbourg até a jovem Zaz. O show, chamado Démons et merveilles (Demônios e maravilhas), teve o nome tirado de uma canção de Jacques Prévert escrita para o filme Os trovadores malditos (1942). Paula, que nasceu na França, mas mora desde os 10 anos em Fortaleza, conhece esse repertório indo e voltando e até aproveita para cantarolar algumas durante a entrevista no seu apartamento. “Eu dei esse nome ao projeto (Canto sem eira nem beira) por que é solto mesmo. Me obriga a testar novas fórmulas. E esse primeiro show é uma coisa que eu já queria há bastante tempo”, explica ela que vai estrear ao lado de Oscar Arruda (guitarra e violão), Fábio Amaral (baixo acústico), Régis Gomes (guitarra) e Daniel Alencar (bateria).
Ainda sem nada fechado, ela já planeja coisas bem diferentes para as próximas noites, quem sabe usando guitarra e programações eletrônicas. “Meu primeiro trabalho tinha muito de Bossa Nova, que é algo que eu gosto bastante. Mas penso que minha voz cristalina não é incompatível com algo mais pop”, explica Paula que também convidou o roqueiro Jonnata Doll para seu sarau. “Ele é de um universo diferente do meu, mas foi bacana por que ele me mostrou aquelas composições que se pareciam mais comigo”, acrescenta a cantora.
De fato, depois de anos se dedicando mais à vida acadêmica e às duas filhas pequenas, Paula Tesser anda com fome de música. Dona de uma voz macia e sedutora, dessas que pega o ouvinte de primeira, ela lançou seu único disco em 2004, o delicado Retratos do Vento, com composições de Valdo Aderaldo, seu ex-marido. Durante uma longa temporada na França, onde concluiu o doutorado em sociologia, ela até montou alguns trabalhos e viveu uma experiência comum por lá que é cantar na rua. “É uma super escola. Quem para para lhe ouvir é por que realmente gosta, é por que foi fisgado”. Mas um segundo disco, isso ela ficou devendo.
Mas esse assunto ela resolve logo logo. Empolgada com seus projetos (cantar nas ruas de Fortaleza é um deles) e com as novidades que tem ouvido por aqui (“eu fiquei muito por fora do que estava acontecendo na Cidade”), Paula vem planejando com carinho cada detalhe desse novo trabalho, ainda sem previsão de lançamento. Mesmo que sua cabeça não deixe de fervilhar com tantas ideias e canções, ela quer que este segundo disco tenha uma personalidade própria. Mesmo que seja uma personalidade múltipla, que traga um pedaço de cada som que faz hoje no Ceará.
Serviço:
Show Démons et merveilles
O quê: estreia no projeto Canto sem eira nem beira, com a cantora Paula Tesser interpretando somente canções francesas
Quando: hoje (16), às 21h
Onde: L’Ô Restaurante (Av. Pessoa Anta, 217 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 15
Outras info.: 3265 2288
15.03.12 12:39
Cantora Lídia Maria estreia amanhã o show A casa e a rua
Cantora, compositora e instrumentista cearense, Lídia Maria estreia amanhã o show A casa e a Rua. No repertório, ela mescla composições próprias com sucessos da MPB. Com um registro vocal doce e simples, numa linha Marisa Monte ou Roberta Sá, Lídia tem trabalhos ao lado das bandas Fulô de Araçá e Dorothy L’Amour, uma homenagem ao poeta Fausto Nilo. No disco do coletivo Bora, ela interpreta a canção Ponte Velha. Agregando diversas influências ao próprio canto, o show de Lídia Maria é uma boa dica para começar o fim de semana.
>> Para mais: visite o site oficial da cantora
09.03.12 11:15
Grito Rock volta neste fim de semana
Por Domitila Andrade (domitilaandrade@opovo.com.br)
Uma construção primordialmente colaborativa e que é realizada para que se estabeleça um cenário de música autoral, o Festival Grito Rock Fortaleza 2012, que acontece desde 2007 no Ceará, encerra a programação com shows de bandas locais e outras nordestinas, hoje, 9, e amanhã, 10, no Brom’s Partyhouse. A quinta edição do festival, que acontece em Fortaleza desde o fim de semana passado e em fevereiro foi até Quixadá e Canindé, traz as bandas Rise of Fallen Souls (CE), Estado Anestesia (CE), Emanuel Américo e a Primeira Dimensão (PB), Monster Coyote (RN) e Swan Vestas (CE) para a noite de hoje, a partir das 20 horas. Amanhã, a partir de 16 horas, no Ateliê Marcelo do Sol, o debate sobre a atual situação da Praia de Iracema, será transmitido pela Internet no Pós TV. Encerrando a programação, às 21 horas começam os shows das bandas Boró (CE), Rafael Vasconcelos (CE), Magazines (MA), Sátiros (CE) e Batuque Elétrico (PI).
O festival, que promove a circulação de bandas, artistas, fotografias, filmes e artes visuais, em Fortaleza fomentará o debate de questões locais. “A escolha da Praia Iracema para a discussão pareceu natural, primeiro porque é onde o festival está acontecendo, e depois porque é uma temática recorrente, isso da revitalização de alguns pontos que estão abandonados. A discussão vai além do que já está sendo feito, vai para levar a reflexão do que se quer que a Praia de Iracema seja, e volte a representar para a Cidade”, explica Alejandro Vargas, coordenador do Casa Fora do Eixo Nordeste, um dos organizadores do evento.
O festival começou há 10 anos em Cuiabá, capital mato-grossense, organizado pelo coletivo Fora do Eixo, como alternativa ao Carnaval, e integrou posteriormente outras cidades. Este ano vem acontecendo desde 17 de fevereiro, e segue até o dia 17 deste mês, reunindo produtores de 200 cidades e 15 países, por toda a América Latina. No Ceará, o evento é realizado pela Casa Fora do Eixo Nordeste e pela Rede Ceará de Música, em parceria com a Panela Rock.
Este é o primeiro ano que cidades do interior do Ceará recebem o evento. “Desde que começou a integralização, a ideia era ir para cidades que não eram os centros. No Nordeste, começou pelas capitais, mas nós queremos ir levando cada vez mais para o interior. Como acontece num curto espaço de tempo em várias cidades, potencializa a circulação das bandas, que fica com um custo menor, e os músicos ganham uma maior visibilidade. Fazem show para públicos de 200 a 2 mil, 3 mil pessoas, o que pra uma banda iniciante é muito bom”, pontua o coordenador.
Cena local
O Grito Rock faz parte de um calendário de eventos de música independente no Ceará, do qual fazem parte eventos como o Rock Cordel e a Feira da Música, que servem de fomento para o cenário da música autoral. “Aqui é muito difícil conseguir casas que recebem música autoral, muitas casas acabam recebendo bandas covers e o espaço para o autoral é bem menor. A gente precisa ir atrás, tentar ocupar espaço público, que de certa forma é nosso direito. Mas está melhorando e os festivais, que ajudam com a formação de público, são um passo pra isso, coloca a banda para tocar, leva para fora daqui, serve inclusive de catalisador”, acredita Álvaro Abreu, músico e produtor do Panela Rock.
Mesmo sem espaços cativos para música autoral, Alejandro vê em Fortaleza um diferencial: a construção coletiva. O coordenador acredita que a Capital cearense, nesse quesito, está alguns passos a frente do Nordeste e cita o exemplo do Mova-Ce, coletivo de seis bandas que viajou até são Paulo e fez uma turnê itinerante. “Contraditoriamente, ainda assim, falta em Fortaleza a ideia de construir uma cena musical própria daqui. Acho até porque quando se pensa numa banda, procura-se fazer crescer a banda, e deixa de lado o todo”, pontua. Álvaro concorda: “Ainda existe muita competição, de ter dois eventos no mesmo dia para rachar o público. Acho que se esquece que se houvesse mais debate, e as coisas acontecessem mais colaborativamente, a cena ficaria cada vez mais forte”.
Serviço
Grito Rock Fortaleza – Brom’s
Onde: Brom’s Partyhouse (rua Dos Tabajaras, 402, em frente ao Estoril – Praia de Iracema) e Ateliê Marcelo do Sol (rua José Avelino, 650, ao lado do Teatro da Praia – Praia de Iracema)
Quando: hoje (9), a partir das 20h, e amanhã (10) às 21h
Quanto: R$ 10 (vendas no local)
Dica: Nos dois dias os 50 primeiros ingresso levam o DVD “5 anos de Panela Discos”.
Outras info: 85 3262 5011
02.03.12 10:00
Rock and Roll puro e sem frescura
Poucos meses depois de lotar o pequeno Acervo Imaginário, a banda paulista Forgotten Boys está de volta a Fortaleza para apresentar seu novo disco, Taste It. O show acontece dentro da programação do Grito Rock, hoje no Brom’s Party House. Evento itinerante que passa por mais de 200 cidades de 15 países, o Grito Rock é montado em esquema independente e colaborativo, e vai contar ainda com as bandas Plastique Noir (CE), Inerve (CE) e Red Boots (RN).
Apontado como um dos melhores trabalhos da banda, Taste It é o quinto disco dos Forgotten Boys, excetuando as colaborações com outros artistas. Com 11 faixas escritas em inglês, o disco foi produzido pela banda e traz cinco músicas mixadas por Roy Cicala, americano radicado em São Paulo que tem no seu currículo parcerias estelares com, entre outros, John Lennon, Alice Cooper, Patti Smith e Lobão.
Desde o elogiado Louva-A-Deus (2008), que o grupo não lançava inéditas. Nesse retorno permeado de riffs poderosos, guitarras estridentes e por uma pegada vigorosa – que passa por Rolling Stones, Beatles, Jimi Hendrix e Stooges –, Taste It apresenta a nova formação da banda que agora conta o tecladista Paulo Kishimoto e o guitarrista cearense Dionísio Dazul. Completando o quinteto, Gustavo Riviera (guitarra e vocal), Flavio Cavichioli (bateria) e Zé Mazzei (baixo).
Eleito o melhor grupo de música popular de 2011 pela Associação Paulista de Críticos de Arte, o Forgotten Boys foi formado em 1997, em meio a um cenário musical dominado por pagodes e axés. Buscando um som de rock garageiro,entre o básico e o virtuoso, eles acumulam trabalhos lançados por selos internacionais e já subiram ao palco do Palestra Itália para abrir o show do Guns’n’Roses (2010).
Próxima edição
Na próxima semana, o Grito Rock volta a tocar em Fortaleza. Na sexta-feira (9), ainda no Brom’s Party house, a noite vai contar com as presenças das bandas Rise Of Fallen Souls (CE), Estado Anestesia (CE), Emanuel Anonimato (PB), Monster Coyote (RN) e Swan Vestas (CE). No sábado (10), a programação começa com um debate sobre a situação da Praia de Iracema que será transmitido ao vivo pela web (gritorock.com.br/postv). Em seguida, a partir das 21h, os shows ficam com as bandas Boró (CE), Rafael Vasconcelos (CE), Magazines (MA), Radium (AL) e Batuque Elétrico (PI).
01.03.12 17:45
Para Mario Adnet, a cultura brasileira anda numa situação bem crítica. “O dinheiro não está ao lado da cultura. Antes, as famílias que tinham dinheiro tinham cultura. Mas, hoje, as coisas estão popularescas demais”, alerta o maestro, cantor e compositor carioca. Numa tentativa de nadar contra esta maré, ele começou a viajar pela obra dos grandes mestres para relembrar o público o que temos de melhor em termos musicais. O mais novo projeto desse esforço pessoal foi resgatar parte da obra musical de Vinicius de Moraes composta ao lado de maestros brasileiros.
Com diferentes perfis, os parceiros selecionados para Vinicius & Os Maestros (Universal) foram Pixinguinha, Moacir Santos, Claudio Santoro e Baden Powell. Este último, embora nunca tenha sido exatamente um maestro entrou para o projeto por possuir um conhecimento musical digno do título. “Eu faço essa preservação dessas figuras até pra me resgatar. Quem é desconhecido precisa de resgate, mas, no Brasil, quem é conhecido também precisa”, comenta Mário, também um dos responsáveis pelo premiado Ouro Negro, disco/show sobre a obra de Moacir Santos lançado em 2001.
Indo além da Bossa Nova, gênero que teve em Vinicius um dos seus principais expoentes, Vinicius & Os Maestros mostra um lado mais erudito e outro mais brejeiro do Poetinha. Nesse trajeto, Adnet contou com o reforço vocal de Joyce, Dori Caymmi, Mônica Salmaso, Sérgio Santos e Tatiana Parra. Com esse time, ele vai de momentos mais populares como Lamento (“O Vinicius até dizia que se arrependia de ter colocado letra em Lamento, por que não precisava”) e outros mais obscuros como Acalanto da Rosa (em parceria com o maestro manauara Cláudio Santoro). Cercado por uma grande orquestra, Vinicius e Adnet crescem em canções sublimes como Valsa de Eurídice e Medo de amar.
Com um dos sobrenomes mais musicais do Brasil, Mario Adnet corre o mundo levando a obra de grandes compositores e o som de músicos brasileiros. Junto a este novo projeto, ele continua viajando com as canções de Moacir Santos e Tom Jobim, outro compositor que passou pelas suas mãos no projeto Jobim Sinfônico. “São projetos que vão durar pra sempre e que eu posso fazer com qualquer orquestra local, inclusive no Ceará, onde já tem orquestra e posso convidar artistas locais”, provoca. Sempre guardando coisas e buscando novas idéias, ele, que se considera “quase como um arqueólogo”, agora pensa em trabalhar as obras de Johnny Alf e João Donato. “A gente tem que criar os nossos mecanismos genuínos de sobrevivência das artes. Nossa memória é nosso bem maior. Se não tiver resgatando, não faz sentido fazer música”, encerra.
24.02.12 12:42
Emílio Santiago lança novo trabalho ao vivo
Lançado em 2010, Só Danço Samba (Universal) foi uma sincera homenagem de Emílio Santiago ao tecladista cearense Ed Lincoln. Mestre dos bailes cariocas e paulistas, Lincoln e sua orquestra incendiaram pistas nas décadas de 50 e 60 com um repertório sempre dançante. Como ex-crooner do mestre, Santiago fez um disco e uma turnê onde jogou um balanço elegante sobre sua voz aveludada. O resultado foi dos melhores e agora chega às lojas num registro ao vivo em CD e DVD. Só Danço Samba Ao Vivo (Biscoito Fino), curiosamente, repete a mesma capa da versão em estúdio apenas acrescendo o “ao vivo” sob o título. O repertório é campeão em suingue e agrega 25 canções (no DVD) que vão do bossajazz aos boleros. Veja o set list abaixo:
- Só danço samba
- Nunca mais
- Olhou pra mim
- Deix’isso pra lá
- Pra que?
- Confissão
- Falaram tanto de você
- A cada dia que passa
- Misty
- Solamente una vez
- Eu e a brisa
- The blues walk
- Samba de verão
- Influência do jazz
- Última forma
- Tendência
- Logo agora
- Um dia desses
- Chega
- Sambou, Sambou
- Zum Zum Zum/ Vou rir de você/ Na onda do berimbau
- Verdade chinesa
- Saigon
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