Discografia

10.10.11 16:31

Deep Purple e seu rock de cabelos brancos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Divulgação

 

A Praia do Futuro viveu um clima inédito na noite da última sexta-feira. O entorno da Barraca Biruta estava cercado de jovens, adultos e crianças, todas trajando preto dos pés à cabeça. Quem fugiu a essa regra, certamente, estava se sentindo um peixe fora d’água. A moda daquele momento também pediu um look dedicado às grandes bandas de rock da história. Dando uma olhada ao redor, era possível ler estampando nomes como Rainbow, Janis Joplin, Motorhead, Jimi Hendrix e John Lennon (a minha!).

O motivo deste figurino tão especial é que a atração daquele dia era não menos que os ingleses do Deep Purple. Com 43 anos de carreira, eles já incluíram o Brasil no seu roteiro obrigatório de shows há mais de uma década, mas, para Fortaleza, eles estavam vindo pela primeira vez. Claro, a emoção, principalmente daqueles que acompanham a banda há mais tempo, estava estampada no rosto e ninguém fazia questão de se segurar. E tome grito e risada sempre que alguém encontrava um amigo. “Pô, tu veio?!”. “Óbvio”, era a resposta mais comum.

Imagem de Amostra do You Tube

A abertura foi com a banda paulista República, que fez o aquecimento com canções próprias e clássicos atemporais do rock. Como bons ingleses, Ian Gillan (voz), Steve Morse (guitarra), Don Airey (teclado), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria) subiram ao palco pontualmente às 23h, tal qual combinado. Para abrir os trabalhos, eles escolheram a eletricidade de Highway star, pescada do clássico absoluto de 1972 Machinehead. O Biruta (lotado) em peso acompanhou a letra socando o ar e ainda se arriscando nas partes mais agudas da letra. É claro que nem o próprio Gillan tem o mesmo alcance de outrora, mas o que vale é a intenção.

Sem nada de firulas, truques de palco ou populismo, o show do Deep Purple é uma aula de rock, direto, reto e eficiente. Pra se ter uma ideia, o figurino do vocalista não é mais que um jeans e uma camiseta de malha branca. E pronto. A proposta deles é somente mostrar uma série de músicas que influenciou boa parte das bandas de rock pós-1970 e o público que estava ali. Mesclando sons mais pesados, transitando entre o blues e o metal, eles mantiveram os fãs na mão durante quase duas horas. Mesmo nos momentos de solos de guitarra e teclado, era difícil para a plateia não ficar, pelo menos, batendo a cabeça no ar.

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E tome clássico na orelha. Lazy, Perfect strangers, Space truckin’ e Rapture Of The Deep, do disco homônimo lançado em 2005. Don Airey, em seu momento solo, mostrou maestria nos teclados viajando de Mozart a Aquarela do Brasil. Em seguida foi a vez do inacreditável Steve Morse lembrar alguns riffs famosos da história do rock, incluindo Sweat child o’mine e Purple haze. E foi com as bênçãos de Jimi Hendrix que eles abriram espaço para Smoke on the water, ainda o momento mais esperado nos shows do quinteto.

Todos com mais de 60 anos (com exceção de Morse, com 57) eles esbanjaram energia e simpatia no palco. A impressão é que a banda está se divertindo tanto quanto a legião de camisas pretas à frente. Após um set emocionante, o Deep Purple dá um parada e volta atendendo aos pedidos de bis. Um solo de Paice, outro de Roger Glover, mais canções – Hush e Black Night – e aqueles nobres senhores partem antes de uma da manhã, deixando a impressão de que a aposentadoria para eles ainda vai demorar bastante. Quanto ao público, depois de tanta energia recebida do palco, a noite ainda estava começando.

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07.10.11 11:21

O bom e velho rock and roll

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Houve um tempo em que rock and roll era sinônimo de transgressão. Elvis “The Pelvis” Presley chegou a ser censurado na TV por conta do seu rebolado. Paul McCartney já foi detido em Tóquio por porte de maconha. Seu companheiro John Lennon também teve que se explicar algumas vezes à justiça pelas declarações polêmicas e participações em atos políticos. Feios, sujos, beberrões, brigões, são muitos os adjetivos que atribuem aos ídolos deste estilo que já atravessou gerações desde que Chuck Berry decidiu amplificar sua guitarra elétrica.

No entanto, quanto mais são criticados (se é que ainda vale a pena criticá-los), mais o público se rende ao peso e ao magnetismo dos mestres do Rock. Subindo a um patamar superior, onde se encontram as referências para o futuro, é grande, embora seleta, a lista dos ídolos que marcaram a história da música feita com baixo, bateria e guitarra. Nessa lista, sem dúvidas, há um espaço reservado para os ingleses do Deep Purple, que tocam em Fortaleza pela primeira vez esta noite.

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Formada em 1968 por Rod Evans (vocais), Ritchie Blackmore (guitarra), Jon Lord (teclado), Nick Simper (baixo) e Ian Paice (bateria), a banda cruzou o mundo para mostrar sua fusão de rock, blues, erudito e progressivo. A mistura deu tão certo que o baterista Lars Ulrich não nega que só montou o Metallica depois de ouvir o som dos caras. Juntando domínio sobre os instrumentos com performances arrasadoras no palco, eles dividem com os não menos icônicos Black Sabbath e Led Zeppelin o título nobre de criadores do hard rock e do heavy metal. E isso antes mesmo de se saber o que diabos isso significaria.

Ao longo dos anos mais de 40 anos de estrada, o Deep Purple enfrentou tudo aquilo que é comum às grandes bandas de rock que sobreviveram aos 70/80. Ou seja, plateias gigantescas, exageros com drogas (Deep Purple além de ser a música preferida da avó de Blackmore, é também o nome de uma droga famosa da época), disputas internas, perdas por overdose e troca de músicos. Hoje a banda que vem a Fortaleza tem apenas Ian Paice da formação original. Ao seu lado estão Ian Gillan (vocalista que substituiu Evans já em 1969), Steve Morse (guitarra desde 1994), Don Airey (teclado desde 2002) e Roger Glover (baixo também desde 1969, apesar de ter substituído um tempo por Glenn Hughes).

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Mas, trocar músicos nunca foi problema para o Deep Purple. Tanto que no início, quando ainda estavam em busca do som ideal, eles tinham uma formação para o dia e outra para a noite. Mesmo que a atual formação seja a oitava (chamada por eles de Mark VIII), nada vai tirar o brilho e a força de clássicos como Highway Star, Maybe I’m a Leo e, o maior de todos, Smoke on the water. Marcada pelo som poderoso da guitarra de Balckmore, esta última foi apontada em 2008 pela London Tech Music School como o maior riff da história do rock, à frente de Smells like teen spirit (Nirvana) e Born to be wild (Steppenwolf).

Além de Fortaleza, a atual turnê brasileira do Deep Purple (a nona nos últimos 10 anos) já passou por Belém (4/10) e segue para Campinas (8/10), São Paulo (10/10), Belo Horizonte (11/10) e Curitiba (12/10), antes de partir para cobrir a América Latina e Europa. Em tempos que Eric Clapton pode passear a pé pelas ruas do Rio Grande do Sul enquanto Justin Bieber não aparece em público sem deixar pelo menos três adolescentes desmaiadas, faz bem um Deep Purple pra lembrar como se faz rock de verdade.

Serviço:

Quando: hoje (7), às 21h, com abertura da banda República

Onde: Barraca Biruta (Avenida Zezé Diogo, 4111 – Praia do Futuro)

Preço: R$70 (meia), R$140 (inteira) e R$150 (camarote frontstage)

Pontos de venda: Lojas Renner (Iguatemi e North Shopping) e Bilheteria Virtual (www.bilheteriavirtual.com.br)

Classificação: 16 anos

Outras info.: 3230.1917 

Ponto de vista por Carlus Campos

Armado com alguns cruzeiros no bolso e muita ansiedade, entrei na Francinet Discos na Rua Guilherme Rocha, numa tarde ensolarada de 1984. Essa loja era parada obrigatória sempre que eu visitava o Centro. Aliás, muitas vezes saia de casa exclusivamente para uma peregrinação de loja em loja. Sempre fui fascinado por lojas de discos. Fico em estado de êxtase. Num ato ritualístico, muitas vezes não comprava nada. Conferia vinil por vinil, fuçava as novidades, os lançamentos. Ficava piruando dentro da loja, enchendo o saco dos vendedores. Mas aquele seria um dia diferente.

Percebendo o meu nervosismo, o vendedor prontamente me exibiu o vinil tão esperado: Perfect Strangers, do Deep Purple, um dos grandes lançamentos daquele ano. Era o aguardado retorno da banda. Naqueles tempos bicudos, começava a colecionar meus primeiros discos de Rock inglês. Nos anos 1980, pouca coisa do rock nacional me interessava. Talvez os Titãs, com o disco Cabeça Dinossauro. Desta época, conservo o hábito de reunir amigos em casa para ouvir e falar o tempo todo sobre música. Longe de ser um clássico absoluto, Perfect Strangers representou muito para mim. A banda vinha de um hiato de vários anos sem gravar material inédito. A partir da grande canção que dá nome ao disco, passei a ouvir com mais atenção os seminais Deep Purple in Rock, Fireball e Machine Head.

Nos anos 1980, bandas como Led Zeppelin, Black Sabbat, The Who e Deep Purple ostentavam a categoria de deuses do rock. Já eram mitos. Apesar do movimento punk, do pós-punk e da New Wave, algumas bandas ícones de quase duas décadas passadas ressurgiam dando algum sinal de vigor e criatividade. Claro, sem o brilho da suas melhores fases. Com a bolacha preta rolando na vitrola e devorando os encartes (o formato vinil proporcionava esse deleite) ouvíamos com atenção os solos de Blackmore numa experiência religiosa. O meu interesse no rock sempre foi na figura do guitarrista. Jeff Beck, Jimi Hendrix, Jimmy Page, Eric Clapton. Hoje à noite Richie Blackmore não subirá ao palco da Biruta. Não fará muita falta, não. Afinal, Steve Morse também é do c…

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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