24.05.12 12:44
Encontro de Ivete, Caetano e Gil chega às lojas em CD e DVD
Depois de encarar projetos megalomaníacos no Maracanã e no Madison Square Garden (que pouco acrescentaram à sua carreira), Ivete Sangalo assumiu o cansaço da música baiana e vem apontando seu microfone para a MPB. Além de insinuar que pretende gravar um projeto voltado para a Bossa Nova, ela gravou no fim de 2011 um especial para a Rede Globo onde dividiu o palco com os também ícones baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Apostando na informalidade, o programa exibido dia 23 de dezembro acaba de ser lançado em CD e DVD lançado pela gravadora Universal.
Juntos, os artistas conseguem diferentes resultados ao longo de mais de uma hora de apresentação. Ao lado de duas referências, Ivete garante seu espaço com beleza e bom humor. Cria dos novos tempos midiáticos, a cantora acaba assumindo informalmente o papel de mestre de cerimônias do encontro. De paletó e violão em punho, Gil precisa de muito pouco para demonstrar sua importância no encontro. Já Caetano, com certo ar blasé, parece estar pouco entusiasmado à frente das câmeras.
Se o repertório não é lá muito surpreendente, alguns números se mostram bem melhores que o esperado para projetos dessa natureza. Tendo o amor como guia para as 14 canções, quem mais se arrisca é justamente Ivete Sangalo ao trazer para si canções marcadas pelas vozes sagradas de Gal, Bethânia e Elis. Embora o registro da Pimentinha para Atrás da porta (Chico Buarque) seja algo à beira do insuperável, a baiana dá seu recado com emoção e sem firulas. Mas seu melhor momento é numa versão latinizada de Tá combinado (Caetano Veloso), lançada por Bethânia em 1988. Embora ela não não tenha a intensidade necessária para dar peso a tantas canções de acento mais dramático, a baiana faz bem ao inventar pouco e evitar comparações.
Amigos de longa data, Caetano e Gil aproveitam o espaço para contar histórias de suas musas. Defendida num dueto emocionante da dupla, Drão foi feita para a ex-mulher de Gil Sandra Gadelha (ou Sandrão), durante a separação do casal. E em seu momento solo, Gil grava Dom do iludir, do parceiro tropicalista, sem mexer muito no original. Em retribuição, Caetano divide Super-Homem, a canção, com o amigo. Embora tratem-se de três obras primas, as alocação delas no repertório ó servem para confirmar a beleza e gradiosidade do trabalho dos dois baianos. Entre arranjos mornos de Lincoln Olivetti e a direção musical careta de Mariozinho Rocha, o encontro das três estrelas baianas encerra com o majestoso samba Amor até o fim em outro bom momento o trio. Em seguida, somente a sensação de que poderia ser um tanto melhor.
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23.05.12 11:00
Bangarang, de Skrillex, entra de cabeça no Dubstep
Por Thiago de Sousa (thiagosousa@opovo.com.br)
Uma nova vertente da música eletrônica está tomando forma nas baladas internacionais. Chama-se Dubstep. Para entender melhor, Dubstep é uma vertente da música eletrônica que nasceu na década de 2000, no sul de Londres, na Inglaterra. Um tipo de música instrumental eletrônica tendendo para os ritmos digitais do Dub dos anos 80. Geralmente não apresenta vocais.
Porém o Dustep pode ser confundido com o Brustep, que já tem uma ramificação mais pop, e é justamente por essa diferença que esse ritmo está tomando de conta das boates nas noites europeias. A revelação deste estilo é Skrillex, considerado como novo nome da música eletrônica no cenário mundial.
Com suas madeixas estilosas de rockeiro popstar, Sonny John Moore, seu nome de batismo, é produtor musical de música eletrônica, ex-cantor e compositor. Com berço em Los Angeles, Skrillex integrou a banda de post-hardcore From First to Last como vocalista no ano de 2004. Gravou dois álbuns, e em 2007 resolveu seguir carreira solo, apoiando bandas como All Time Low e The Rocket Summer.
No ano de 2009 lançou seu primeiro EP solo, Gypsyhook, e em 2010 disponibilizou gratuitamente no MySpace o EP My Name is Skrillex, já apresentando ao público seu novo nome. Todo esse esforço não foi em vão. Skrillex ganhou três Grammy Award de Melhor Álbum Dance/eletrônica, Melhor Gravação Dance e Melhor Gravação Remix não-clássica, tudo isso já em 2011.
Com as indicações no Grammy, Skrillex alçou novos voos e firmou seu sucesso ao lançar o quinto EP, Bangarang. Desde o início o Dubstep veio com um gênero meio que anacrônico com batidas quebradas e inesperadas, e nesse novo trabalho Skrillex fez questão de exceder um pouco mais e deixar o som ainda mais barulhento.
“Dedico este EP para todos os novos e incríveis amigos que fiz em todo o mundo este ano!”, diz Skrillex no encarte do EP. São apenas sete faixas, mas 30 minutos de música eletrônica pesada, que pode ser considerada como hard-dubstep. A faixa-título começa bem tranquila, até que a voz de Sirah toma conta da faixa e começa um dubstep nervoso. Reforcem as caixas de som, pois a música tem potencia o bastante para estourá-las.
Em The Devil’s Den pode se lembrar um pouco de Daft Punk, mas sempre mostrando que veio para renovar a música. O dubstep de Skrillex é mais nervoso, pra galera que curte um som pesado. E se preparem, pois esse som vai ganhar o mundo, e não vai demorar muito pra isso! Você ainda vai ouvir falar muito em Skrillex. Acredito que produtores de Fortaleza já estejam em negociação com o astro.
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18.05.12 15:03
Banda Nuvens libera seu segundo disco para download gratuito
Quinteto curitibano com cinco anos de estrada, o Nuvens disponibilizou para download gratuito seu bom segundo disco, chamado Fome de vida (independente). A iniciativa faz parte do movimento MPB – Música Para Baixar. Além de uma bela ilustração na capa, o disco produzido por Rapha Moraes e Álvaro Alencar traz melodias bem construídas sobre uma base pop bacana e letras acima da média do que se produz atualmente. O destaque fica para o rock esperto Um frame de emoção, que fala de amor com um toque de agressividade (“teus olhos de pimenta me chocolateavam”). Formado por Amandio Galvão (guitarra e backing), Guilherme Scartezini (bateria), Marcos Nascimento (baixo), Marcus Pereira (percussão) Raphael Moraes (violão, guitarra e voz), o primeiro disco do Nuvens foi lançado em 2008. Adeptos dos experimentalismo, eles costumam mesclar nos shows a parte musical com elementos de teatro e circo. Com a mesma disposição, Fome de vida tem algo de inconformismo, paixão e saudade numa paleta sonora de rock, blues e pop.
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18.05.12 11:47
A intimidade do mito Raul Seixas
Por Pedro Rocha (pedrorocha@opovo.com.br)
“Nós estamos em torno de 140 mil, quer dizer, pra um documentário é uma bilheteria fantástica, porque a maioria dos filmes não passa de 70, 80 mil, muitos não chegam nem a 20”, fala por telefone Walter Carvalho sobre a bilheteria de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. Lançado no dia 23 de março, o documentário sobre o mito da música brasileira chega hoje às salas de cinema de Fortaleza com histórias que cobrem as várias fases da vida de Raul, desde a adolescência na Bahia, até a decadência no fim da vida, vítima do alcoolismo.
“Eu sou da geração que admirava Caetano e Chico, da geração de A Banda, de Alegria, Alegria. O Raul vem um pouco depois, em 71. Caetano e Chico já estavam na parada desde 1967. Mas o Raul caiu no gosto popular e era um cara que fazia uma música de fácil comunicação e ao mesmo tempo muito criativa”, comenta Walter, que recebeu o convite da Paramount para dirigir o documentário.
Depoimentos e imagens de arquivo costuram o filme.
Amigos de juventude relatam as aventuras de Raul quando este era ainda um adolescente que imitava os trejeitos dos ídolos do rock estadunidense, especialmente Elvis Presley. Gola em pé, cigarro na mão e o jeitão marrento de olhar sobre o ombro são lembrados pelos próprios colegas de Raul no Elvis Rock Club, criado por eles para cultuar o estilo musical e a figura do astro do filme Balada Sangrenta, de 1958.
Já no Rio de Janeiro, a projeção de Raul com Let Me Sing, Let Me Sing no Festival Internacional da Canção de 1972, misturando o rock norte-americano e o baião de Luiz Gonzaga, é o início de sua transformação num dos cantores mais populares do Brasil, que será seguida por sua identificação como um dos símbolos da contracultura no País.
A entrevista de Paulo Coelho é um dos pontos altos de Raul Seixas: o Início, o Fim e o Meio. O hoje escritor mundialmente reconhecido foi um dos principais parceiros de Raul Seixas, a pessoa que apresentou ao cantor as profundezas da contracultura na década de 1970, incluindo as drogas e o ocultismo. Sentando na sala de sua casa na Suíça, ele conta sem melindres as histórias desse tempo, os bastidores da composição de sucessos como Sociedade Alternativa e os motivos que fizeram Raul Seixas largar sua primeira esposa, Edith.
Ex-mulheres
Paixão de adolescência que acabou em casamento, Edith é a única das ex-mulheres de Raul Seixas que não concedeu entrevista a Walter Carvalho. “Ela foi a única que não quis falar, mas eu pedi através da filha que ela me mandasse uma carta”, conta o diretor. A primogênita de Raul, Simone, fala em inglês – Edith é americana e voltou para os Estados Unidos com a filha ainda pequena – sobre a relação superficial que teve com o pai, e lê a mensagem melancólica da mãe.
Outras ex-companheiras de Raul se sucedem no documentário na ordem em que entraram na vida dele, representando as diferentes fases de sua carreira e, principalmente, o aprofundamento de seu vício nas drogas até a morte. “Individualmente cada uma me recebeu muito bem. Eu tive acesso aos arquivos pessoais de todas”, fala Walter sobre as farpas que uma e outra soltam no filme.
A intimidade da vida do cantor e compositor se entrelaça no documentário à sua obra, através da filosofia de vida contestatória, alternativa, expressada nas músicas, que rejeitam os padrões prescritos pela sociedade. Jornalistas como Pedro Bial, Nelson Motta e Tárik de Souza comentam a música de Raul Seixas. Caetano ressalta a genialidade dos versos de Ouro de Tolo. E Tom Zé faz uma aparição cantando e tocando composição própria sobre a chegada de Lampião e Raul Seixas na reunião do Fundo Monetário Internacional.
Ao passo em que se entra na década de 1980, o filme mergulha na decadência do cantor, no irrefreável apetite pelas drogas, notadamente o álcool, no agravamento dos problemas de saúde como a diabetes e nas seguidas internações hospitalares, até a dramatização de sua morte. Um roteiro conhecido de ascensão e queda de um astro do rock – no caso de Raul, uma história profundamente brasileira.
14.05.12 13:29
Recentemente, Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) provocou reações diversas com o lançamento do seu disco solo Black Heart. Pinçando clássicos do rock de diferentes épocas, houve quem achasse corajoso de sua parte e quem lhe jogasse pedras por tocar em canções sagradas de Leonard Cohen e Smiths. Quase sempre, essa a resposta a artistas compositores que enveredam por reler o trabalho dos outros. Ainda assim, esse momento de parada na própria caneta para buscar novas referências é algo que já fez parte da carreira de muita gente, de Djavan a Patti Smith.
Sem medo dessas críticas, Macy Gray também acaba de jogar suas fichas em um disco de covers, batizado simplesmente de Covered (Lab 344). A americana, que há 13 anos milita numa linha entre o soul e o pop, botou seus miados cheios de personalidade a serviço de um repertório plural e longe dos sucessos mais óbvios. Com essa escolha, o sexto disco da artista acaba pegando os desavisados de surpresa, que em muitos momentos nem percebem se tratar de um disco de regravações. Como quem tirou um momento para se divertir gravando o que gosta, Macy ainda enxertou seu disco vinhetas curiosas onde recebe amigos para discutir temas variados.
Produzido por Hall Willner, Zoux e Macy Gray, Covered tem tudo o que um disco de inéditas da cantora teria. Desde o frescor de canções despretensiosas até flertes com o rap e a dance music. Das 10 canções escolhidas para compor o disco, a mais conhecida é a balada Nothing else matters, do Metallica. Se o peso dos metaleiros vai embora na releitura, pelo menos o clima soturno permaneceu. Mas soturno mesmo é o arranjo de Here comes the rain again, bem melhor inclusive que o original de 1983 com a dupla Eurythmics. Sem ter um critério muito claro sobre sua seleção, Covered traz ainda versões para Arcade Fire (Wake up), Radiohead (Creep), Yeah Yeah Yeahs (Maps) e My Chemical Romance (Teenagers).
Cantando Beatles
Outra forma bem popular de fazer covers é selecionar canções dos Beatles e jogar um molho próprio por cima. O mundo inteiro já fez isso. Agora chegou a vez de Roberta Flack. Há mais de uma década sem lançar material inédito (seu último álbum foi o natalino Holiday, de 2001), a intérprete da inesquecível Killing me softly with his songs está de volta com Let it be Roberta, songbook lançado pela 429 Records que chega ao Brasil também com edição da Lab 344.
Com 75 anos recém completados, a cantora americana continua com a voz firme e afinada como sempre foi. E esse é o grande trunfo da sua homenagem aos rapazes de Liverpool. Para confirmar sua identificação com a banda inglesa, ela ilustrou o encarte com uma foto ao lado de Lennon e da nefasta Yoko Ono, e encerrou o trabalho com uma pungente gravação ao vivo, de 1972, somente ao piano, de Here, there and everywhere.
As demais 11 faixas, todas em regravações inéditas, já são bem conhecidas de quem gosta de ouvir Beatles. De novidade está o estilo Roberta Flack, que balança entre o soul, o jazz e o pop radiofônico. Oh Darling é o destaque, exprimindo essa fusão num blues lânguido e sofisticado, que lembra Billie Holiday. A produção a dez mãos, feita por Sherrod e Jerry Barnes, Barry Miles e Ricardo Jordan sob supervisão da própria Roberta, procurou dar um ar de modernidade que, como sempre, tem lá seus riscos. É o caso da batida dance jogada sobre I should have know better.
Mesmo que seja difícil dar ares de novidade em um tributo aos Beatles, Let it be Roberta tem seus bons momentos. É o caso de Isn’t it a pity, composta por George Harrison (sem os devidos créditos) para seu solo All things must pass. Respeitando o clima etéreo e reflexivo da canção, a cantora faz bonito. O mesmo pode ser dito da apaixonada If I fell, cantada com uma pegada meio Rythm and blues. No fim, são quase 50 minutos que mostram que Roberta Flack não precisa de modernismos para provar a boa cantora que é.
11.05.12 11:40
B.B. King promove jam entre amigos em novo Cd e DVD
No dia 28 de junho de 2011, o mestre do blues B.B. King recebeu um time de amigos do maior escalão para um encontro informal no palco luxuoso do Royal Albert Hall, em Londres. O registro dessa jam milionária acaba de ser lançado em CD e DVD vendidos juntos. Com título simples e direto Live At The Royal Albert Hall 2011, o pacote ganha por trazer no registro em vídeo a íntegra de um encontro que só confirma a importância de B.B. e sua guitarra Lucille para a história do rock e do blues. Quem revalida isso são os amigos Ron Wood (Rolling Stones), Mick Hucknall (ex-vocal do Simply Red) e Slash (ex-Guns N’Roses), todos presentes nessa grande festa. A bela cantora (em ambos os sentidos) Susan Tedeschi é quem abre a fila de convidados, seguida pelo premiado guitarrista Derek Trucks. Menos conhecidos por essas bandas do planeta, eles entram para dividir Rock me baby e não deixam mais o palco, se juntando aos demais. Sem preocupações de marcações ou pré-combinações, esse time estrelado manda 10 músicas em um clima totalmente descompromissado. Uma autêntica jam. Ninguém tenta chamar mais atenção que ninguém. Ponto pra eles. No alto dos seus 85 anos de vida (62 de carreira), King deixa clara a razão do seu título com piadas, brincadeiras, discursos (muitos, inclusive) e disparos certeiros com sua guitarra lendária. Para dar espaço pra tanta gente, as faixam ganham muitos minutos de improvisos. Passando por clássicos e temas obscuros do blues, o público delira mesmo com o fundamental soul/blues The thrill is gone, onde o espetacular Mick Hucknall confirma seu poderio vocal. E pra encerrar, mais informal impossível, o gospel When the saints go marching in é a deixa para que os convidados siam do palco em… em marcha. Se é fato que esse músicos não foram tão santos, pelos menos o passado carimba suas histórias para a imortalizade da música.
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10.05.12 18:12
Vocalista do Black Eyed Peas apresenta seu projeto solo em Fortaleza
Por Thiago de Sousa (thiagosousa@opovo.com.br)
A noite de sábado já começou especial com a super lua brilhando intensamente no céu de Fortaleza. E nada como uma festa no Mucuripe Club para completar o fenômeno astrológico. Falando em astros, quem brilhou já na madrugada do domingo foi o DJ do Black Eyed Peas, Taboo. Na companhia da dupla Felguk e outros DJs, Taboo apresentou pela primeira vez por aqui sua turnê Ultra Magnetix Tour.
Os DJs Pedro Garcia e Chriss Db abriram a noite e, logo na sequência, Taboo subiu ao palco sem charminhos ou suspense, às duas da manhã. Surpreendendo a todos, ele subiu o som com toda a empolgação e já tocou a primeira música como se fosse a última. Todos entenderam o recado e saíram do chão ao som de Pump It. Apesar da casa não estar lotada, o DJ do BEP a cada refrão conseguia fazer ecoar as letras pela multidão.
Em entrevista exclusiva no seu camarim, antes do show, Taboo revelou seu carinho e admiração pelo povo brasileiro. “Primeiramente, quero dizer que amo o Brasil, e agradecer todo o carinho que eu e meu grupo Black Eyed Peas temos recebido em todos os grandes shows que fizemos aqui. Fortaleza é uma cidade especial, temos um enorme carinho por esta cidade. O Brasil, como um todo, tem uma energia muito boa.”, revelou.
Taboo é dono de inúmeros talentos. Canta, toca, dança e atua. Quando perguntado qual desses mais gosta, ele é rápido. “Todos. Eu amo fazer tudo. Dedico-me ao máximo em tudo o que faço. Tento fazer o meu melhor para que todos fiquem felizes.”, disse. Em momentos no show, Taboo soltava a pickup e ia para frente do palco mostrar suas artimanhas no hip-hop. E ao som de Dont Stop The Party a galera foi a loucura!
Se no palco e no camarim Taboo é frenético, enérgico, não para quieto, uma pergunta o fez parar e refletir por alguns segundos. Como definir o Black Eyed Peas em uma só palavra? Ele pensa por alguns instantes, olha para o teto como se estivesse lembrando cada um dos integrantes no palco, e responde: “Eterno”. Há todo momento do show, Taboo lembrava os amigos Will.I.Am, Fergie e Apl.de.Ap., seus companheiros do BEP, que em 2010 estiveram em Fortaleza com a turnê The End Tour, e que hoje estão cuidando de alguns projetos pessoais.
O show foi se estendendo pela madrugada e Taboo tocava cada música como se fosse a última. Intercalando suas músicas com os sucessos conhecidos do cenário eletrônico, e para delírio de todos, remixou o nosso funk e nosso novo hino Ai se eu te pego. Elas, foram ao delírio. O DJ com raízes mexicanas colocou todo mundo para dançar sem parar, do começo ao fim do show. Falando em final, a despedida de Taboo foi um momento emocionante.
Ele ensaiou encerrar o show quando tocou Where is the Love, grande sucesso do BEP, e emocionou a todos oferecendo a música aos amigos do grupo. Mas como não podia fazer desfeita com os cearenses, finalizou seu surpreendente show com o grande sucesso I Gotta Feeling. Fazendo reverência e beijando a bandeira brasileira, Taboo arrancou aplausos intermináveis do público. Subiu na mesa e disse: “Muito obrigado, Fortaleza”. A dupla de cariocas Felguk seguiu empolgando e levantando ainda mais a galera até o nascer do sol.
10.05.12 11:07
Florence + The Machine lança Acústico MTV em clima operístico
Gravado em 16 de dezembro do ano passado em Nova York, só agora chegou às lojas o Acústico MTV da banda britânica Florence + The Machine. Capitaneado pela ótima cantora Florence Welch, o projeto aposta em baladas sérias e, somente em poucos momentos, acelera o ritmo. Pra completar o clima de espetáculo para assistir sentado, o cenário classudo é dos mais bem preparados entre os acústicos da TV americana. No repertório, apenas 11 canções, entre os sucessos e alguns covers. No primeiro time, quem encerra (no DVD) em clima de festa é o ótimo single Dog days are over, do disco de estreia Lungs (2009). Curiosamente, este mesmo disco foi relançado no ano seguinte numa edição especial que continha releitturas acústicas de algumas faixas. No time dos covers, Try a little tenderness, do soulman Ottis Redding, e Jackson, sucesso de Johnny Cash e June Carter. Para esse segundo número, Florence convida ao palco Josh Homme (Queens Of The Stone Age). Lançado em CD e DVD, o MTV Unplugged Florence + The Machine chega ao Brasil em edição da Universal Music.
03.05.12 13:35
Silvia Machete apresenta pela primeira vez em Fortaleza seu tropicalismo extravagante
No crescente mercado de cantoras brasileiras, conseguir um destaque entre tantas vozes graves e agudas é algo que exige muito esforço. Mais ainda quando a música é só um veículo para passar uma ideia maior sobre a arte, a criação e a vida. Mas esse foi o desafio que a carioca Silvia Machete impôs para o seu trabalho. Sem um sucesso no rádio ou na trilha da novela, ela chega pela primeira vez a Fortaleza nesta sexta-feira (4) para apresentar um resumo dos seus seis anos de carreira como cantora.
Apesar de praticamente desconhecida do grande público e do pouco tempo que conta desde sua estreia com o disco Bomb of love – música safada para corações apaixonados (2006), Silvia Machete já tem uma longa estrada no campo das artes. Depois de anos acalentando o sonho de ser malabarista, ela seguiu para a França onde estudou artes circenses, teatro burlesco e o erótico cômico. De fato a viagem que duraria seis meses era para estudar o francês. Apostando no próprio talento, ela preferiu se dedicar ao que de fato queria e esticou a estada para três anos.
Certa de que a arte era o melhor caminho para sua vida, Silvia Machete dedicou mais 12 anos ao teatro de rua, na Europa e na América do Norte, onde acumulou prêmios e elogios. De volta ao Brasil, ela, que tem dois irmãos músicos profissionais, decidiu juntar o canto e a performance teatral em espetáculos cheios de humor, sensualidade e maluquices, como cantar rodando um bambolê. “Tem uns que têm uma certa resistência ao que eu faço. Mas, olha, meu show é muito legal. Eu amo”, empolga-se a artista em entrevista por telefone.
Grande parte dessa resistência deve-se ao fato de Silvia Machete fazer no palco algo à beira do indefinível. Não à toa, ela batizou seu último disco, lançado em 2010, de Extravaganza (Coqueiro Verde). Ao mesmo tempo em que cede seus belos agudos à tocante Feminino frágil – parceria com o tremendão Erasmo Carlos –, ela surge vestida de samambaia no mambo Tropical extravaganza, de Fabiano Krieger. Pra completar, em O baixo, composição de próprio punho, ela faz do instrumento de notas graves o parceiro ideal para uma dança do acasalamento. “Esse disco começou com a palavra ‘extravagante’, que diz muito sobre o que eu sou no palco. Acho que o Brasil é muito extravagante. Então, comecei com essa palavra, fui pesquisando”, lembra ela que recebeu o prêmio de melhor show de 2010, cedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
No entanto, Silvia Machete não é de fazer qualquer coisa somente pensando em chamar a atenção e nem fica posando de engraçada. Com certo ar de seriedade, ela não nega que um leque tão aberto na vida profissional acaba tornando sua estrada mais longa e difícil. “Sinto falta de uma pessoa que faça o que eu faço, um teatro musical. Não caio nessas coisas tradicionais”, dispara. Com três discos e um DVD lançado em esquema independente, ela afirma que sua música até poderia tocar no rádio, mas isso exigiria uma estrutura que ela não tem. “Acho que vou, ainda por muito tempo, ser uma artista que faz uma coisa até artesanal”, adianta sem esconder uma pontinha de decepção.
Mas o grande trunfo guardado na manga desta artista tão multifacetada, ela sabe, é mesmo no palco. “Hoje, falar que é cantora não é grande coisa. Meu trabalho é único por que consigo fazer no palco tudo que sei fazer. Faço parte dessa coisa que não dá pra rotular”, admite. No CD e DVD ao vivo Não sou nenhuma santa (2008), por exemplo, ela vai do samba canção passional Foi ela a uma versão mais mansa de Sweet child o’mine, da banda Guns N’Roses. Hábil pescadora de pérolas, ela sabe bem juntar composições próprias e canções perdidas em discos alheios (a delicada Gente aberta, de 1971, foi que deu origem à amizade com Erasmo Carlos), antes de jogar seu molho particular e apresentar para o público. “Como é a primeira vez que vou a Fortaleza, vou fazer os números do show antigo e misturar com coisas novas. É um show bem divertido. Nem precisa conhecer as músicas para gostar”.
Serviço:
Quando: nesta sexta-feira (4), às 20h
Onde: Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema)
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Outras informações: 3230 1917
27.04.12 11:31
Zeca Baleiro volta com O Disco do Ano
O maranhense Zeca Baleiro foi um pouco mais adiante na hora de escolher o produtor do seu novo disco. Para dar conta de todas as ideias que tinha na cabeça, ele arregimentou nada menos que 16 produtores (ele incluso) para cuidarem das 12 faixas de O disco do ano. O fato é que pluralidade já faz parte do trabalho do cantor e compositor desde a estreia em Por onde andará Stephen Fry? (1997). Daí, só mesmo muitas cabeças para apertar todos os parafusos do disco.
E é aí que mora o problema de O disco do ano. Depois de abordar tantos estilos, instrumentos, ritmos e convidados, fica difícil para Zeca Baleiro fazer algo que de fato surpreenda. Pulando de um reggae meio fraco das pernas (Calma aí, coração, em parceria com Hyldon) para um bregarock com guitarra à la Chimbinha (O amor viajou), o primeiro trabalho de inéditas do maranhense desde O coração do homem bomba (2008) parece mais desnorteado do que criativo.
Ainda assim, a veia poética de Zeca ainda é um trunfo. A balada Nada além, gravada em 2008 pelo parceiro Frejat, adorna em tons acústicos versos inspirados como “você acha que ninguém sofre mais do que você, talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer”. Já Mamãe no Face é um recado cheio de cinismo para quem tece críticas ao seu trabalho (“Mamãe, eu fiz o disco do ano. Parece que o Hermano falou bem na Piauí”).
Também cheia de intenções é a lista de convidados. O cantor Chorão, da banda santista Charlie Brown Jr, divide a letra quilométrica do rap O Desejo. Já a baiana Margareth Menezes coloca seus graves possantes em Último post, parceria de Zeca com sua irmã Lúcia. Por fim, a paulista Andreia Dias bota docilidade no rock oitentista Meu amigo Enock, uma das melhores do novo trabalho. Depois, Baleiro aparece sozinho cantando, compondo e arranjando na imediata Felicidade pode ser qualquer coisa. Certo de que “zona de conforto” não é muito sua praia, ele diz: “se você quer ser feliz, tente”.
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