09.02.12 15:00
Por Magela Lima (magela@opovo.com.br) e Marcos Sampaio (marcossampaio@opovo.com.br)
Ela sonha alto. E tem, na ponta da língua, motivos concretos para acreditar que vale à pena sonhar. “A primeira vez que falei em trazer o Roberto Carlos para comemorar o aniversário da Cidade foi motivo de risada. As pessoas diziam que era difícil, que ele não toparia, que tem agenda lotada. Mas deu certo”, comentou a prefeita Luizianne Lins, na última segunda-feira, durante a inauguração do Espaço O POVO de Cultura & Arte, acerca da possibilidade de o cantor e compositor carioca Chico Buarque ser a grande atração da festa pública do aniversário da Capital no próximo dia 13 de abril.
“Trazer o Chico para uma apresentação pública e gratuita em Fortaleza seria maravilhoso. Aliás, esse é o único sonho que eu ainda não realizei como prefeita”, argumentou. “É delicado, é uma negociação muito complexa, mas eu ainda não desisti. O fato de ele ter a possibilidade, de estar disponível na época, já é um caminho. Pretendo, num esforço de formiguinha, tentar chegar perto da produção e negociar. Seria um presente e tanto para Fortaleza. Tanto quanto foi o show do Rei”, completou Luizianne, lembrando a apresentação de 2008. Para a prefeita, ações como essas, são fundamentais para reposicionar a imagem da Cidade Brasil afora. “Uma coisa é receber a turnê de um artista, outra coisa é promover um show aberto. Fortaleza seria assunto em todo o País”, sustentou.
Apesar da vontade da Prefeita, as chances para uma apresentação gratuita de Chico em Fortaleza estão temporariamente fora de cogitação. Segundo Vinícius França, empresário do cantor, não existe possibilidade da turnê ser exibida num palco aberto ao público. “Esse show foi todo pensado para teatro. Não tem como apresentar de outra forma”, diz ele em tom taxativo. Quanto à possibilidade de Chico abrir uma exceção por se tratar de uma data comemorativa na capital cearense e mudar o formato da apresentação, ele mais uma vez confirma que não há chance. “Show aberto de forma nenhuma”.
A turnê do disco Chico, lançado em 2011, cinco anos após o mal falado Carioca, começou por Belo Horizonte (MG) no último 5 de novembro cercada de elogios. Alinhando mais de 30 canções, o compositor passeia por sucessos, músicas feitas para outros intérpretes e dedica um bloco especial para seu eu feminino. Com direção musical do fiel escudeiro Luis Cláudio Ramos, Chico, na estreia, até repaginou Cálice, misturando a letra apresentada em 1978 com versos censurados pela ditadura e versos escritos pelo rapper paulista Criolo. Antes de ser lançada em CD e DVD, a turnê ainda deve ser exibida nos cinemas das cidades que não puderem receber a apresentação ao vivo.
Segundo a assessoria de comunicação do cantor, os shows de Fortaleza estão programados para o segundo semestre. Ainda sem data e local confirmado, a Canivello Comunicação também é firma quanto à impossibilidade de Chico se apresentar em Fortaleza dia 13 de abril. Segundo eles seria impossível o show acontecer antes de maio, por isso foram para o segundo semestre. No entanto, os esforços para que o compositor mude de ideia continuam em andamento e muita coisa ainda pode acontecer.
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04.02.12 06:00
A moça do sonho do Chico Buarque
Com poucos anos de carreira, Thaís Gulin (lê-se “Gúlin”) já entrou para um time seleto da música brasileira. O time das musas de Chico Buarque. Ela é a tal menina do “cabelo cor de abóbora” que o compositor cita em Essa pequena, canção gravada no recente disco Chico. Como se a homenagem não bastasse, ela ainda divide com ele a valsinha Se eu soubesse, já escalada para o repertório do show gratuito que a cantora faz em Fortaleza neste domingo (5).
Convidada do projeto Fortaleza em Férias, a cantora e compositora curitibana apresenta, pela primeira vez no Nordeste, seu segundo disco, ôÔÔôôÔôÔ (Som Livre), lançado em 2011. Para ela, a passagem pelo Ceará, tem um sabor especial por se tratar de um lugar que ela visitou bastante na infância. “Vi uma foto do anfiteatro pela internet. É um lugar especial. Fortaleza é um lugar especial para mim, passava as férias com meus pais por aí”, comenta por email.
ôÔÔôôÔôÔ veio quatro anos depois do disco Thaís Gulin (Rob Digital). Influenciado por uma aura carioca, o novo repertório mistura estilos variados com a voz aguda e afinada da intérprete que dividiu letra e música em Ali sim, Alice com Tom Zé. Ainda como compositora, ela acumula parcerias ilustres com Arrigo Barnabé, Moreno Veloso e Ana Carolina. “Acho que compor é um canal por onde você capta o que está no ar. Manter esse canal aberto não é tranquilo. É um contato muito profundo com quem você é”, reflete.
Radicada há quase dez anos no Rio de Janeiro, Thaís começou a testar seu talento para os palcos aos quatro anos, na época do ballet. Cantando “pra valer”, foi aos 17. Dois anos depois já estava decidida a ser artista, no teatro ou na música, e até abandonou um estágio em Curitiba, onde acabava dormindo num sofá por conta das noites de ensaio. Seu caminho para a música começou antes, pelo rádio e pela mãe, com quem aprendeu a gostar de Nara Leão, João Gilberto, Mutantes e Piazzolla.
Se na infância Chico Buarque não tava entre seus preferidos, depois do dueto, Thaís ganhou mais exposição midiática. Inclusive por conta de um suposto namoro com carioca de olhos azuis. Se é verdade ou não, ela preferiu ignorar qualquer pergunta sobre o assunto. Melhor tratar dos projetos futuros, que já andam se delineando. “Acho que assim que você termina um disco, o outro já se encaminha. Ainda sem forma, mas você sente uma direção possível. Agora os planos são fazer os clipes que temos para fazer e a turnê”. Aos 31 anos, a moça de jeito tímido sabe que muitas músicas ainda vão acontecer.
DISCOGRAFIA – Esta será sua primeira vez em Fortaleza. Como vai ser esse show?
Thaís Gulin – Vi uma foto do anfiteatro pela internet. É um lugar especial. Fortaleza é um lugar especial para mim, passava as férias com meus pais por aí, na infância. É a primeira cidade do nordeste em que faremos o lançamento do disco, o mesmo show que fizemos em São Paulo, Rio e Curitiba mas com algumas canções a mais.
DISCOGRAFIA – Queria que você me adiantasse algo do repertório e quem lhe acompanha no palco.
Thaís Gulin - Os companheiros de palco são: Fernando Caneca (violão e guitarra), Chico Chagas (teclados e acordeão), Lancaster Lopes (baixo), Thiaguinho Silva (batera), Johnson (trombone). O repertório terá ôÔÔôôÔôÔ, Cinema Americano, Ali Sim, Alice, Se Eu Soubesse, enfim, quase todas as canções desse meu segundo disco e algumas do primeiro como Garoto de Aluguel e História de Fogo.
DISCOGRAFIA – Como a música entrou na sua vida?
Thaís Gulin – Pela minha mãe. Ela ouvia muito João Gilberto, Nara, Mutantes, Chico, Mercedes Sosa, Piazzolla. Tocava pra mim. Pequena, o que eu queria era viver dentro de um teatro com um piano, mas era proibido para uma criança de quatro anos, então, ficava inventando canções num órgão que tinha lá em casa. Foi importante isso, não ter aulas quando pequena, inventar um jeito meu.
DISCOGRAFIA – Que sons e artistas mais lhe influenciaram?
Thaís Gulin – Cássia Eller, João Gilberto, Bjork. Ouvia muito rap, hip hop, reggae, samba, tango. E também qualquer coisa que tocasse no rádio.
DISCOGRAFIA – Você é natural de Curitiba. Queria saber em que sentido sua cidade influencia seu trabalho.
Thaís Gulin – Curitiba é uma cidade silenciosa. É mais distante ver o tempo passar, tem uma atmosfera que te permite ver as coisas assim. É uma cidade que me organiza, me acalma.
DISCOGRAFIA – Quando e como foi a primeira vez que você pisou num palco? Que idade você tinha?
Thaís Gulin - Foi aos quatro anos. Dançava ballet. Cantando, a primeira vez pra valer foi aos 17.
DISCOGRAFIA – Sua carreira aconteceu no Rio de Janeiro. Quando você foi morar lá? Como foi a chegada? Já conhecia alguém no Rio?
Thaís Gulin - Minha mãe nasceu no Rio, em Vila Isabel. Mas quando cheguei já não tinha família aqui. Fui pro Tablado, minha professora era a Guida Viana e ela rapidamente me indicou pra minha primeira peça aqui. Lá em Curitiba, trabalhava como atriz, cantava e estudava Conservatório de MPB.
DISCOGRAFIA – Em que momento você escolheu trabalhar com música e viver de música? Hoje você vive de música? Chegou a trabalhar ccm outras coisas?
Thaís Gulin - Foi aos 19 anos, quando morei na França. Voltei certa do teatro e da música. Para mim era mais importante, que a música carregasse exatamente quem eu era. Então, enquanto fazia as peças dos outros autores, fazia alguns shows para deixar sair o que era meu. Vivo de música. Cheguei a fazer estágio numa empresa em Curitiba mas ficava até muito tarde no teatro, ia para a faculdade de manhã e, à tarde, na hora do estágio, ficava cansada e dormia num sofá escondido.
DISCOGRAFIA – Você divide seu trabalho de cantora entre intérprete e e compositora. É fácil pra você compor? Como nascem suas composições?
Thaís Gulin – Acho que compor é um canal por onde você capta o que está no ar. Manter esse canal aberto não é tranquilo. É um contato muito profundo com quem você é. Quando nasce, a composição geralmente “cai” na sua cabeça, aí você trabalha em cima dela. Às vezes pode cair inteira, pronta, às vezes tem que trabalhar muito. Ainda sinto um pouco dividido, sim.
DISCOGRAFIA – Você é uma mulher bem tímida. Alguma vez isso atrapalhou sua vida ou seu trabalho?
Thaís Gulin - Mas não sou tímida…
DISCOGRAFIA – Como nasceu o título do seu segundo disco? O que ele lhe diz?
Thaís Gulin - Estava tentando achar um título pra música. Tinha posto um nome que sabia que era temporário: “cabrochas”. Fui passando a letra pra ver se eu descobria as palavras que dariam o título, aí veio a parte da melodia que fazia ôÔÔôôÔôÔ e, achei. Aí veio a ideia da bandeira da capa, fincada no Arpoador, uma coisa de turista no Rio, homem na lua. Meio daqui, meio de fora.
DISCOGRAFIA – Com dois discos lançados, você já acumula encontros com dois grandes nomes da MPB: Tom Zé e Chico Buarque. Com aconteceu o encontro com eles?
Thaís Gulin - Eu os conheci pelo meu primeiro disco. Eles ouviram e me escreveram. Não esperava e fiquei muito feliz, cada um do seu jeito, um quase o oposto do outro, são grandes influências pra mim. Quando as músicas chegaram, dialogavam com tudo o que o disco carregava. Flutuavam.
DISCOGRAFIA – Recentemente seu nome virou notícia também por conta do namoro com o Chico, que vocês nem confirmam nem negam. É verdade?
Thaís Gulin – (sem resposta)
DISCOGRAFIA – Essa exposição lhe incomoda?
Thaís Gulin - (sem resposta)
DISCOGRAFIA – Curioso saber que você não gostava do Chico quando era menor. Em que momento começou a gostar? Qual foi o disco ou música que lhe despertou pro trabalho dele?
Thaís Gulin - (sem resposta)
DISCOGRAFIA – Como estão os seus planos agora? Já tem um novo disco ou trabalho em vista?
Thaís Gulin - Já. Acho que assim que você termina um disco, o outro se encaminha, ainda sem forma, mas você sente uma direção possível. Agora os planos são fazer os clipes que temos para fazer e a turnê.
DISCOGRAFIA – O que o público pode esperar desse show?
Thaís Gulin - Música e alegria por estar em Fortaleza.
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07.04.11 17:36
Esta semana encerra nas bancas a coleção Chico Buarque, que encartou 20 títulos do compositor carioca numa luxuosa embalagem contendo uma mini-biografia do disco. Dessa forma, quem adiquiriu todos os volumes, tem nas mãos um documento sobre um dos nomes mais importantes da cultura brasileira. Na ponta da pena dessa mini-biografia, está jornalista José Ruy Gandra. Lançados numa parceria da Gandra Editorial com a Abril Coleções, ele foi o responsável pelos livrinhos que trazem informações biográficas, depoimentos de amigos e parentes e uma boa contextualização de cada disco com a sua época. Leia abaixo um pouco de como se deu essa pesquisa.
DISCOGRAFIA – Queria começar com você falando sobre a pesquisa que você fez para esta coleção. Quanto tempo durou, quantas pessoas ouviu, como aconteceram as entrevistas, as fontes. O Chico foi ouvido?
José Ruy Gandra - Fiquei dois meses pesquisando arquivos como os da Editora Abril e do Estado atrás de todas as matérias publicadas ao logo de sua carreira. Também li a bibliografia existente sobre o Chico. Mais de 20 pessoas foram entrevistadas. O Chico não foi ouvido.
DISCOGRAFIA – A coleção não segue a ordem cronológica dos discos pra chegar às bancas. Por que? Como isso foi pensado?
José Ruy Gandra – As coleções possuem uma curva de vendas diferente e as obras de maior ou menor sucesso foram adaptadas a ela. Mas, no final, juntos na caixa, os CDs formam uma ordem cronológica.
DISCOGRAFIA – Das fontes que você ouviu, qual foi a mais marcante?
José Ruy Gandra - Nenhuma se destaca particularmente.
DISCOGRAFIA – Qual o seu disco preferido nessa coleção? Por que?
José Ruy Gandra – O Chico Buarque 1978 – aliás, o primeiro volume da Coleção. Suas músicas lembram a minha juventude e a militância contra a ditadura, as coisas aos poucos se abrindo.
DISCOGRAFIA – Boa parte dos seus textos fala sobre o contexto político brasileiro. É possível desvincular a obra do Chico desse contexto? Ele continua tendo a mesma influência que tinha décadas atrás?
José Ruy Gandra – Não. Durante um certo período (até o final da ditadura) é possível contar a história do Brasil através da poesia do Chico. Depois, o seu lado político se recolhe, dá lugar a uma crítica mais sutil e de natureza mais social e menos política.
DISCOGRAFIA – A pergunta não é nova, mas queria saber sua opinião. Boa parte das críticas políticas do Chico na década de 70 vinham ou cifradas ou escritas de forma rebuscada. Quem tinha acesso a essa obra e quem compreendia essas críticas?
José Ruy Gandra – O Chico era venerado e politicamente ressonante para uma elite – classes média e alta, profissionais liberais, universitários. Para esses segmentos as críticas do Chico eram muito claras.
DISCOGRAFIA – O que é o mais importante da obra do Chico Buarque?
José Ruy Gandra – O seu conjunto, que conta a história do Brasil na segunda metade do século 20.
# Após Chico Buarque, o próximo a chegara às bancas é Tim Maia, já a venda em poucos lojas de Fortaleza, como a Livraria Cultura.
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