Discografia

14.04.12 12:52

Dinho Ouro Preto passa a limpo suas memórias musicais

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Em 1995, após bambear na trajetória errática dos primeiros anos do Capital Inicial, o vocalista Dinho Ouro Preto largou a banda por conta de uma série de divergências estéticas. Depois de tentar uma nova banda chamada Vertigo, lançou um disco que trazia apenas seu nome na capa e a produção eletrônica do paulistano Suba. Cheio de loops e climas espaciais, o novo trabalho era uma tentativa de se reposicionar na carreira e apontar para novos caminhos.

Muita coisa aconteceu de lá pra cá. A banda que trazia o DNA do punk brasiliense tentou um novo vocalista, que não deu muito certo, e encerraram os trabalhos de vez. No entanto, com um convite da MTV para gravarem um Acústico (2000), Dinho reassumiu o microfone que lhe era de direito e o Capital voltou ao primeiro time das bandas do rock nacional.

Oito discos depois desse retorno, o cantor de 47 anos decidiu aproveitar um intervalo entre a turnê Das Kapital e a preparação de material para o próximo disco do Capital (esperado ainda para este ano) e lançar Black Heart. Esta segunda incursão solo traz uma seleção de 12 canções internacionais, cantadas no idioma original, numa espécie de songbook emocional.

Com produção de David Corcos “O Marroquino e embalado num projeto gráfico elegante, Black Heart transita entre a comparação óbvia com as versões originais e a coragem de abordar bandas cultuadas como Joy Division (Love Will Tear Us Apart) e Smiths (There Is A Light That Never Goes Out). “Um disco de intérprete nunca vai ter a mesma relevância de um disco autoral. Isso faz com que eu o encare com uma leveza inédita”, relaxa Dinho em breve entrevista por telefone.

Comentando que tem em casa a discografia praticamente completa de cada um dos seus homenageados, Dinho faz questão de reafirmar o quanto conhece de rock. “Antes eu era bastante xiita, só ouvia rock pesado, depois só punk, depois só gótico. Hoje, tudo que faz parte do universo rock and roll me interessa”, explica ele depois de tecer muitos elogios aos cearenses do Selvagens à Procura de Lei.

Imagem de Amostra do You Tube 

Segundo ele, a seleção de canções não deu trabalho. A ideia era abordar cinco décadas de rock internacional, desde os 1960 até os 2010. Nessa linha, Dinho vai de Suspicious mind, sucesso de 1969 na voz de Elvis Presley, até Steady As She Goes, que apresentou os Racounters de Jack White em 2006. No meio, as releituras acolchoadas por violinos (Jr Gaiatto) e vocais femininos (Lisa Pepineau) passam por Leonard Cohen (Hallelujah), The Cure (Lovesong), Muse (Time Is Running Out) e Patti Smith (Dancing barefoot). Pra confundir tudo, Black Heart encerra com uma surpreendente versão acústica de Being boring. “Pet Shop Boys é mais uma provocação, está ali para quebrar a regra”, explica em tom matreiro.

Planejando conciliar seu projeto solo com a agenda da banda, Dinho Ouro Preto avisa que nem de longe planeja deixar o Capital Inicial. “Acredito que todo mundo que trabalha em grupo sabe que isso envolve, em certa medida, certa renúncia. Em alguns casos, o cara sai da banda. Eu não quero sair do Capital. Ele está envolvido no meu corpo de um modo quase simbiótico”. Mas quando o assunto é uma inversão de papeis, no caso o Capital como uma influência para outras bandas, ele prefere deixar a modéstia falar mais alto. “Eu os ouço essas bandas desde muito tempo. A Patti Smith, por exemplo, eu ouço desde que tenho 13 anos. Possivelmente eles já estão entranhados em mim. Volta e meia um garoto se aproxima de mim dizendo que sou uma influência. Mas não sei se eu sou tão importante na vida deles como esses outros nomes são na minha”.

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29.04.11 14:10

Capital Inicial estreia clipe de Como se sente

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Imagem de Amostra do You Tube

Estreia hoje, às 20h30 no na Brasa MTV, o novo clipe do Capital Inicial. A música escolhida foi Como se sente, parceria de Dinho Ouro-Preto e Alvin L. registrada no último disco do quarteto, Das Kapital. Filmado no estúdio Brokolis do Brasil, em Belo Horizonte, o clipe traz a banda brasiliense emaranhada em 1200 m de fios, fazendo uma analogia à letra que fala sobre encarar falhas e erros de frente. A direção de Como se sente ficou com Conrado Almada (Noites de um verão qualquer/ Skank) e contou com atuação da atriz Juliane Guimarães.

P.S.: Alguém pode explicar por que no site oficial do Capital Inicial a discografia só vai do Das Kapital até o MTV Especial Aborto Elétrico? Cadê os anos 90?! E os 80?!!

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31.12.10 22:05

Dinho Ouro Preto manda recado aos fãs pelo blog

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Um dia antes da virada do ano, o cantor Dinho Ouro Preto mandou um recado especial para seus fãs pelo blog oficial de sua banda, o Capital Inicial. Começando pelo seu tão falado e enfim superado acidente (que bom!), ele diz: “Fisicamente, estou recuperado, mas ainda sinto ansiedade e tenho insônia. Uma médica me disse que isso é stress pós traumático. Era só o que me faltava. Eu já só sou hipocondríaco, e já era antes disso tudo, mas agora tenho mais um problema”. Em tom de desabafo em ombro de amigo, Dinho fala de projetos novos como um novo disco e um livro. Leiam na íntegra (em respeito ao artista e às circunstâncias em que ele escreveu, mantive sua grafia tal e qual está postado no blog do Capital).

Ok, vamos lá, como fazer o balanço de um ano? Como faço? Começo cronologicamente, tipo , em janeiro aconteceu isso, em março aquilo, ou vou só descrevendo os pontos altos e baixos? Como não há escapatória eu tenho que começar pelo pior momento da minha vida. Eu, sinceramente, já cansei de falar do meu acidente. No entanto acho que ele vai fazer parte da vida pra sempre. Fisicamente, estou recuperado, mas ainda sinto ansiedade e tenho insônia. Uma médica me disse que isso é stress pós traumático. Era só o que me faltava. Eu já só sou hipocondríaco, e já era antes disso tudo, mas agora tenho mais um problema. Minha família também passou por maus bocados. Meus amigos também. E os fãs do Capital não cansam de me dizer o quanto estão contentes por eu não ter morrido. O que é um pouco mórbido. Pronto, blza, chega desse assunto, bola pra frente, eu sempre me interessei mais pelo futuro. Sério. Eu sou uma das poucas pessoas, ao menos entre as que eu conheço, que não voltaria ao passado se pudesse. Acho que hoje sou mais feliz do que era quando era garoto. Passei muitos anos, principalmente no começo do Capital, sentindo muita angústia. Não sei porque. Talvez eu tenha reagido à repentina exposição achando que não estava à altura das expectativas do público. Provavelmente, porque meus companheiros de geração eram o Cazuza, o Renato o Arnaldo Antunes. É de deixar qualquer um intimidado. Enfim, hoje não, agora me sinto em paz. Não que eu tenha feito tudo, e me dê por satisfeito, ainda tenho muita vontade de compor, escrever e dar shows, mas sinto serenidade.
Aliás, por falar nisso, eu e o Alvin já começamos a preparar as músicas novas. E já que eu contei isso pra vcs, eu tô pensando em talvez lançar as músicas novas aos poucos; na medida que elas forem ficando prontas. Mais ou menos como eram os singles do Stones ou dos Beatles nos anos sessenta. Isso existiu durante anos. O Never Mind the Bollocks dos Sex Pistols também foi lançado aos poucos. Agora, com o mundo digital, acho que as pessoas não tem paciência em esperar dois anos por um disco. Não sei, tô pensando no assunto, ainda não tenho certeza. Afinal o lançamento de um disco, a capa, a espera, o conjunto das canções e até a ordem em que elas estão colocadas, fazem parte do que eu considero algo quase mágico. Mas eu suspeito que eu estou pensando de um modo atrasado. Vamos ver. O que vcs acham?
Só pra vcs verem o quanto eu sou enrolado, eu já disse tudo isso sem falar do ano que passou. Então vamos lá. Então, pulando o assunto acidente, do qual só me recuperei no segundo semestre, aconteceram várias coisas em 2010. Lançamos o Das Kapital. Trocamos o modo de sermos agenciados. Procuramos trabalhar com outros artistas para fazer nossas fotos, nossas capas, e nossos cenários. Era como se o Capital tivesse decidido aparecer com outra cara, mas sem perder a identidade.
Em relação ao disco, nós o fizemos com outro produtor, um cara chamado David Corcos. Na minha opinião, um pouco maluco, como todas pessoas muito talentosas. Esse disco, é especial. Nos o ensaiamos durante meses, e demos ao David o poder de um ditador. O cara se meteu em tudo, da escolha das músicas, às letras, às guitarras e até as levadas de bateria. E o resultado foi o que vcs viram, o disco mais elogiado da nossa carreira. Eu, de modo muito oportunista, dessa vez concordo com os críticos. É o melhor disco que já fizemos. Tá bom, eu sei, todos os artistas dizem a mesma coisas sobre seus trabalhos mais recentes, mas eu honestamente acho que o Das Kapital se destaca de tudo que nós já fizemos.
Dito isso, a opinião que mais nos interessa é a dos fãs. Não que façamos discos dirigidos, pensando em vcs. Pensamos só em música. Esperem, calma, não é pouco caso, é porque acho a integridade artística fundamental pra qualidade de uma obra. Sempre fiz, errando ou acertando, o que eu quis. Não consigo saber o que as pessoas esperam de nós. Então uso de parâmetro, só o meu gosto. Na minha cabeça funciona assim: componho, escrevo, ensaiamos e gravamos, e depois cruzamos os dedos e torcemos para tudo dar certo. E dar certo é os fãs gostarem. Mas se além disso, os críticos também gostarem, bingo!
A turnê de verdade, só começou no segundo semestre. Acho que fizemos uns sessenta shows, todos maravilhosos. Fomos mais uma vez ao país inteiro, mas como tudo começou tarde, ainda faremos shows desse disco em 2011. No entanto se tudo der certo, ainda gravaremos o disco novo esse ano. E se depender de mim, mais uma vez com o David. Eu já disse que o cara e um gêniozinho?
Outra novidade é que logo depois do natal, eu comecei a tuitar. Eu reconheço que demorei a ceder. Eu tinha medo de duas coisas: Primeiro, que viesse a ser uma invasão da minha privacidade. E segundo que viesse a se tornar um vício. Eu me conheço, sou maníaco compulsivo obsessivo, então me aguardem. Meu começo foi um tanto atrapalhado, as letras do meu telefone são microscópicas, e fico batendo nas letras ao lado. Além disso, tenho vontade de dizer coisas mais interessantes do que “agora estou no supermercado comprando peixe.” Também não aprendi todas as abreviações e também não sei mandar fotos. Como vcs podem ver, eu vivia nas trevas cibernéticas até ontem. Mas eu vou pegar a manha, e aí vou encher o saco de vcs.
Outra coisa que eu pensei em fazer em 2011 é terminar o livro que eu comecei escrever há anos atrás. Eu sou meio caótico, então preciso botar um pouco de determinação nesse projeto. A idéia que eu tive, foi a seguinte: ir publicando capítulo por capítulo no nosso site. Assim, eu seria obrigado a continuar escrevendo. Que tal? Boa idéia?
E violá, assim foi o ano. Em alguns momentos difícil, em outros maravilhoso. Ok, isso nao foi muito inspirado, a vida de todos é assim. Mas a nossa vida é mais parecida com a de todos do muita gente imagina.
Eu quero agradecer a todos que leram o que escrevi durante o ano, todos que ouviram nosso disco, todos que votaram em nós nas diferentes premiações e todos que foram aos shows e todos que nos ofereceram generosidade e entusiasmo. Vcs são ótimos.
Feliz ano novo. Que todos possamos ter um ano melhor ainda em 2011. E desejo a todos que tiveram o saco de ler até aqui os quatro “ésses” : saúde, sorte, sucesso e sexo. Não necessariamente nesse ordem. É isso, nos aguardem, porque essa história continua….
Obrigado por tudo e boas vibrações, Dinho.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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