Discografia

15.05.12 17:37

Boxes trazem obra de Walter Wanderley de volta às lojas

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Músico brasileiro com grande destaque na cena internacional, o organista Walter Wanderley é o mais novo artista a ter sua obra encaixotada pela Discobertas. Natural de Pernambuco, mas com carreira consolidada em São Paulo, Wanderley tinha suingue, samba e bossa em seus teclados e logo conquistou o mundo transpondo para seu etilo sucessos do mundo inteiro. E é a primeira parte dessa obra que está reunida em oito discos,  quatro em cada uma das caixas Festas Dançantes Vol.1 e 2 cobrem o período que vai de 1959, com Eu, você e Walter Wanderley, até 1963, com Samba no esquema de Walter Wanderley. Lançados originalmente pela extinta Odeon, o relançamento dos discos marca os 80 anos de nascimento do músico, que faleceu vitimado pelo câncer em 1986, enquanto morava nos Estados Unidos. Como de prache da Discobertas, as reedições trazem encartes, ficha técnica e outras informações contidas nos LPs originais. Em tempo: depois do período em que trabalhou na Odeon, Walter wanderley seguiu para os Estados Unidos onde teve destaque trabalhando numa linha sambajazz que muito agradou, principalmente pela boa aceitação da Bossa Nova no terra do Tio Sam. por lá, ele desenvolveu trabalhos ao lado de jazzístas e da cantora brasileira Astrud Gilberto, com quem gravou o disco A Certain Smile, a Certain Sadness.

Box 1 – Festas Dançantes Vol. 1
01) Eu, Você e Walter Wanderley (1959)
02) Feito Sob Medida (1959)
03) Sucessos Dançantes (1960)
04) O Sucesso é Samba (1960)

Box 2 – Festas Dançantes Vol. 2
01) O Samba é Samba com Walter Wanderley (1961)
02) Samba é Mais Samba com Walter Wanderley (1961)
03) O Bolero e Walter Wanderley (1962)
04) Samba No Esquema de Walter Wanderley (1963)

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11.04.12 10:00

Bossajazz em dobro

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Não é de hoje que as grandes estrelas internacionais se encantam pela música do Brasil. Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Dionne Warwick e Frank Sinatra são só alguns dos nomes que se encantaram pelas canções do País do Carnaval. No entanto, com a americana Stacey Kent a coisa é diferente. Além de cantar, ela quer sentir o que é ser brasileira. “Quando estou lendo a poesia do Brasil em português, Vinicius ou João Cabral de Melo Neto, me sinto tão perto do coração brasileiro que de repente estou descobrindo que compartilho essa sensibilidade. Sinto-me como se essa vida pudesse ser a minha vida. Sinto-me bem dentro dessas coisas da poesia brasileira”, confirma a jazzista de New Jersey, sem esconder a emoção de estar dando entrevista em português. Aliás, em bom português.

Curiosa por aprender mais detalhes da nossa cultura e história, Stacey não espera a hora de voltar ao Brasil para a nova turnê que começa hoje (11) por Fortaleza e segue para São Paulo (12) e Rio de Janeiro (13 e 14). Apesar de ser sua terceira ou quarta temporada na terra da Bossa Nova, dessa vez as apresentações vão ter um sabor especial, pois ela vai dividir o palco com o carioca Marcos Valle, um dos seus “heróis”. Convidada pelo cantor e compositor do mítico Samba de Verão, ela parece uma criança sempre que fala em estar ao lado do seu ídolo. “Para mim é um sonho ficar com o Marcos, que é uma pessoa incrível. É um homem extremamente criativo, que não para nunca”, elogia a cantora via skype.

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A história do encontro de Marcos e Stacey começou há pouco menos de um ano. Convidado para cantar na festa dos 80 anos do Cristo Redentor, o cantor carioca recebeu o aval da gravadora para convidar alguém para dividir com ele seu Samba de Verão. Foi então que ele lembrou de uma cantora que ouvira pouco tempo antes pelo rádio, interpretando canções francesas. Mal sabia ele que a tal cantora é uma apaixonada pelo Brasil e ela que atenderia prontamente sua convocação. “Aquele momento no Brasil foi um dos mais lindos da minha vida. Quando encontrei o (Roberto) Menescal no camarim, eu não sabia que ele me conhecia. Sou uma grande fã dele. Eu disse, ‘Roberto?’. E ele, ‘Stacey’. Eu não podia imaginar que já era um nome na vida dele”, conta surpreendida.

Esse flerte de Stacey Kent com o País Tropical aconteceu bem antes dela pensar em ser cantora. Por volta dos 14 anos, ela ouviu por acaso o disco de João Gilberto e Stan Getz e se encantou. “Foi a primeira vez que ouvi aquela voz. Isso mudou as coisas para mim”, confirma. Hoje, aluna da Middlebury Schools, EUA, ela chega a interromper a turnê nos verões para se dedicar ao aprendizado da nossa língua. Assim, ela vem conhecendo a poesia de João Cabral de Melo Neto, a música de Chico Buarque e Edu Lobo (com destaque para O Grande Circo Místico), o humor de Luís Fernando Veríssimo e os contos de Lima Barreto. “Eu queria ouvir muitas coisas do Brasil desde que comecei a estudar a língua, do norte do Brasil, até Luiz Gonzaga”, acrescenta a artista que divide o amor pelo Brasil com o marido Jim Tonlimson, saxofonista que também participa da turnê.

Bodas de ouro

Para Marcos Valle, dividir o palco com Jim e Stacey também tem uma dose maior de emoção. Principalmente quando ele lembra da agenda concorrida que a cantora mantém pelo mundo. “Quando entramos em contato, eles adoraram e acharam uma brecha para fazer o projeto”, conta ele por telefone de sua casa no Rio de Janeiro. A distância, no entanto, acabou proporcionando uma experiência nova para todos, já que todos os ensaios aconteceram via skype. “Ela mora em Aspen (EUA), perto da montanha, e eu perto do mar. Ficávamos cantando e passando os tons com o computador do lado. A única coisa que nós não conseguimos foi tomar um vinho durante os ensaios”, brinca o compositor que só vai resolver esta questão em Fortaleza, quando todo o grupo se encontra pela primeira vez.

Mesmo que já esteja acostumado ao reconhecimento internacional, Marcos Valle guarda um carinho especial pelo encontro com Stacey Kent. Principalmente por que o projeto, que logo ele quer transformar em CD e DVD, marca seus 50 anos de carreira. “Eu me sinto extremamente empolgado. Adoro essas parcerias novas. Stacey é uma nova diva que tem uma linguagem de jazz, é uma nova renovação do meu trabalho”, confessa. Para a cantora, a emoção não é menor. “Vai ser como um sonho para mim, ficar lá ao lado de Jim, Marcos e seus músicos incríveis. Imagino que vai ser bastante emocional, uma delícia”, encerra Stacey.

Serviço:
O quê:
projeto Amil Jazz Duets, com Stacey Kent, Marcos Valle e Jim Tomlinson
Quando: nesta quarta-feira (11), às 21h30
Onde: Teatro Via Sul (Av. Washington Soares, 4335 – Sapiranga. 3º piso). À venda na Casa dos Relojoeiros (Shopping Via Sul) e no local
Quanto: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Outras informações: 30528027 e 32612061

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01.03.12 17:45

Vinicius e seus maestros

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Para Mario Adnet, a cultura brasileira anda numa situação bem crítica. “O dinheiro não está ao lado da cultura. Antes, as famílias que tinham dinheiro tinham cultura. Mas, hoje, as coisas estão popularescas demais”, alerta o maestro, cantor e compositor carioca. Numa tentativa de nadar contra esta maré, ele começou a viajar pela obra dos grandes mestres para relembrar o público o que temos de melhor em termos musicais. O mais novo projeto desse esforço pessoal foi resgatar parte da obra musical de Vinicius de Moraes composta ao lado de maestros brasileiros.

Com diferentes perfis, os parceiros selecionados para Vinicius & Os Maestros (Universal) foram Pixinguinha, Moacir Santos, Claudio Santoro e Baden Powell. Este último, embora nunca tenha sido exatamente um maestro entrou para o projeto por possuir um conhecimento musical digno do título. “Eu faço essa preservação dessas figuras até pra me resgatar. Quem é desconhecido precisa de resgate, mas, no Brasil, quem é conhecido também precisa”, comenta Mário, também um dos responsáveis pelo premiado Ouro Negro, disco/show sobre a obra de Moacir Santos lançado em 2001.

Indo além da Bossa Nova, gênero que teve em Vinicius um dos seus principais expoentes, Vinicius & Os Maestros mostra um lado mais erudito e outro mais brejeiro do Poetinha. Nesse trajeto, Adnet contou com o reforço vocal de Joyce, Dori Caymmi, Mônica Salmaso, Sérgio Santos e Tatiana Parra. Com esse time, ele vai de momentos mais populares como Lamento (“O Vinicius até dizia que se arrependia de ter colocado letra em Lamento, por que não precisava”) e outros mais obscuros como Acalanto da Rosa (em parceria com o maestro manauara Cláudio Santoro). Cercado por uma grande orquestra, Vinicius e Adnet crescem em canções sublimes como Valsa de Eurídice e Medo de amar.

Com um dos sobrenomes mais musicais do Brasil, Mario Adnet corre o mundo levando a obra de grandes compositores e o som de músicos brasileiros. Junto a este novo projeto, ele continua viajando com as canções de Moacir Santos e Tom Jobim, outro compositor que passou pelas suas mãos no projeto Jobim Sinfônico. “São projetos que vão durar pra sempre e que eu posso fazer com qualquer orquestra local, inclusive no Ceará, onde já tem orquestra e posso convidar artistas locais”, provoca. Sempre guardando coisas e buscando novas idéias, ele, que se considera “quase como um arqueólogo”, agora pensa em trabalhar as obras de Johnny Alf e João Donato. “A gente tem que criar os nossos mecanismos genuínos de sobrevivência das artes. Nossa memória é nosso bem maior. Se não tiver resgatando, não faz sentido fazer música”, encerra.

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24.02.12 15:00

Quarteto em Cy pra inglês ver

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

A década de 1960 foi marcada pela invasão da Bossa Nova pelo mundo. Principalmente depois do lendário show do Carnegie Hall (1962), muitas canções, grupos e músicos tentaram e conseguiram firmar uma ponte aérea Brasil-Nova Iorque-Europa que se mantém sólida ainda hoje. Entre eles estavam as meninas do Quarteto em Cy, que guiadas por Ray Gilbert e Aloysio de Oliveira, gravaram e cantaram nos states por um período curto que quase acabou de vez com o grupo. A estreia na terra do Tio Sam aconteceu em 1965, num disco dividido com Dorival Caymmi. Apresentado como The Girls From Bahia, o Quarteto lançou um trabalho solo no ano seguinte onde misturava repertório em inglês e em português. Pardon My English permaneceu inédito no Brasil até este ano, quando ganhou edição nacional pelo selo Discobertas junto com Revolucion Con Brasilia, de 1968. Curiosamente, o disco de 1966 foi relançado no estrangeiro um ano depois como o nome “Quarteto em Cy” acrescido na capa. Com arranjos de Oscar Castro Neves, os discos internacionais do Quarteto em Cy exibem o fino da música brasileira, tanto nos momentos mais suingados (Berimbau) quanto nos mais introspectivos (Tears, versão americana de Razão de viver). Entre um disco e outro, o grupo passou por mudanças na formação, perdendo Cylene e ganhando Regina que, de tão integrada, mudou o nome para Cyregina. Em Revolucion Con Brasilia o novo quarteto apresenta o que chamou de exciting new sounds, ou seja o balanço contagiante do bossamba verde e amarelo. Depois disso, o Quarteto em Cy deu início a um entra e sai de integrante e quase dá adeus de vez à carreira. De volta ao Brasil, nos anos 70, elas se estabilizaram com uma nova formação que continua viva até hoje.  Por isso mesmo, a reedição dos trabalhos internacionais das The Girls From Bahia tem tanta importância para os garimpeiros musicais. É um registro de uma época luminosa da música brasileira no exterior e nas mãos de gente que sabia dar valor a isso.

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15.02.12 11:12

Os sons de Marcos Valle

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

“Você viu só que amor. Nunca vi coisa assim. E passou nem parou, mas olhou só pra mim”. Os versos de Samba de Verão foram lançados em 1964 e logo atingiram o topo das paradas internacionais. Com uma carioquice despretensiosa, a bossa falando de uma rápida troca de olhares colocou os compositores Marcos e Paulo Sérgio Valle no primeiro time da MPB. Pra se ter uma ideia, Samba de Verão e Garota de Ipanema são as músicas brasileiras mais regravadas no exterior. Segundo as contas do autor, a primeira já passa das 500 versões.

Ainda assim, já tinha um tempo boa parte do trabalho dos irmãos Valle estava fora de catálogo no Brasil. Esse jogo só começou a virar no ano passado, quando chegou as lojas o box Marcos Valle Tudo (EMI) com toda a produção do compositor carioca lançada desde a estreia com Samba demais (1963) até No rumo do sol (1974). Em 2012, uma nova caixa chegou às lojas com o nome Marcos Valle 80 (Discobertas), agregando os discos Vontade de rever você (1981), Marcos Valle (1983) e Tempo da gente (1986). Este último estava praticamente esquecido, desde que a gravadora Arca Som fechou as portas.

“Ta tudo voltando, o que é muito bom. Isso me dá incentivo, por que eu gosto muito de estar trabalhando”, comemora o compositor em entrevista por telefone. De sua casa no Rio de Janeiro, ele se orgulha, citando disco por disco, de ter uma obra que passeia por tantos estilos. Lançado numa segunda leva de compositores bossanivistas, Valle também se notabilizou como um dos nomes do soul, da música de protesto e do jazz. “Essa mistura de estilos sempre esteve na minha música. No começo a influência da Bossa foi muito forte, mas, a partir do segundo disco, a coisa começa a mudar”.

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E, quando começou a mudar, não teve volta. Pianista virtuoso, a facilidade de Marcos Valle para agregar estilos se tornou uma marca registrada numa carreira que já dura quase 50 anos. Mais ainda depois que ele morou nos Estados Unidos, no intervalo entre 1975 e 1980. Cansado da “encheção de saco” dos militares que lhe cobravam explicações por canções como Viola enluarada (“a mão que toca o violão, se for preciso, faz a guerra”), achou melhor sair do País e, por lá, gravou com a diva Sarah Vaughan (num tributo aos Beatles), colaborou com a banda Chicago (para quem compôs Life is what it is) e conheceu Leon Ware (ícone do soul com sucessos gravados por Michael Jackson e Marvin Gaye).

De volta ao Brasil, atendendo um convite da Som Livre, Marcos Valle levou um ano para montar o ensolarado Vontade de rever você. Recheado de teclados e dos parceiros ilustres da América do Norte, o disco era um prenúncio do estilo mais dançante que dominaria os trabalhos do carioca naquela década. Tanto que, em 1984, ele garantiu um espaço nas rádios com os sucessos falando sobre o culto ao corpo, como Bicicleta e Estrelar. “Nessa época, tinha gente que me parava perguntando se eu tinha uma academia”, se diverte o compositor que chegou a posar junto a um monte de sucos naturais para a capa do seu disco de 1983.

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Os anos 1990 chegaram para Marcos Valle trazendo mais novidades. Com a ajuda da cantora Joyce Moreno, ele começou a conquistar a Europa e a Ásia, que retribuíram colocando seus sons mais balançados nas pistas. “Meu público lá é muito jovem. Esse público elegeu sucessos como Os grilos e Freio aerodinâmico, músicas mais grooviadas que pegaram eles em cheio, tanto quanto o Samba de Verão”, comenta. Outra mudança veio com a entrada de novos parceiros na sua lista, embora o irmão três anos mais velho Paulo Sérgio continue fiel (“como ele me conhece bem, em várias letras ele fala de mim, da minha personalidade, o que eu penso, minha cabeça maluca de emoções”).

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Outra mudança das últimas décadas veio com introdução de um sotaque mais jazzístico em suas canções. Se o jazz faz uma ponte com os primeiros anos de Bossa Nova, também fez de Marcos Valle um nome requisitado pelos novos nomes do estilo americano. Entre eles, está a cantora Stacey Kent, que conheceu no aniversário de 80 anos do Cristo Redentor, e com quem vai engatar uma turnê que começa por Fortaleza ainda neste primeiro semestre. “Estamos em fase de ensaios. O repertório vai ser só Marcos Valle, com sucessos e músicas novas”, adianta o compositor. Essa vai ser uma boa oportunidade de conhecer um pedaço redescoberto da obra de Marcos Valle, antes, inclusive, de que ele mude de som novamente.

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12.01.12 11:44

Obra de Nara Leão é registrada em site

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Por Camila Holanda (@camilasholanda)

No mês em que Nara Leão completaria 70 anos, a família da cantora colocou no ar um site  que organiza dados sobre a vida e a obra dela. Nele está uma compilação de fotos, discografia, documentos, cronologia e um material inédito que vai de fotografias a provas da faculdade de Psicologia.

O canal “Discografia” do site merece destaque. Ao abrir, o internauta pode passear pelos 22 álbuns lançados por Nara de 1964 a 1989. Além do áudio das canções, pode-se ler ficha técnica, textos dos discos e as letras de todas as canções, menos de uma.

A única gravação que ficou de fora foi E que tudo mais vá pro inferno. Originalmente, a música estava no disco homônimo de 1978, que teve o repertório todo de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. A música não entrou, porque Roberto, muito surpesticioso, na década de 1980, parou de cantá-la por implicância e não quis mais autorizar gravações da música.

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Dentre as diversas parcerias de Nara, a com o cearense Fausto Nilo ficou registrada no disco Romance Popular. O projeto foi feito pelos dois ao lado de Fagner, que também tem letras gravadas no disco e canta a música Traduzir-se, poema de Ferreira Gullar musicado por ele. Deve-se ressaltar a composição Marinheira, de Fausto e Fernando Falcão, interpretada com toda a elegância de Nara.

Em 1989, ano em que lançou seu último disco (My Foolish Heart), aos 47 anos, Nara morreu de forma prematura, em decorrência de um tumor cerebral que não podia ser operado. O ano de 2012 marca os 23 anos da morte e os 70 de idade que ela completaria se viva estivesse. Porém, o legado de Nara vai muito além destes anos que já se passaram.

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02.01.12 13:20

Ronaldo Bastos e Celso Fonseca lançam versão vitaminada de Paradiso

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

É muito comum entre os artistas buscar datas redondas para fazer homenagens. Os Rolling Stones estão programando a comemoração dos 50 anos de carreira, assim como os discos Nevermind e Achtung baby, respectivamente Nirvana e U2, estão completando 20 anos com edições especiais. Também há quem não ligue tanto assim pras efemérides. Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, por exemplo. Eles estão colocando nas lojas o disco Liebe Paradiso, uma releitura de Paradiso, segunda parceria do guitarrista e do poeta, lançada há 17 anos. Adotando uma linha “Bossa Nova tipo exportação”, o disco trazia arranjos refinados, realizados por músicos de altíssimo gabarito, mas deixava a desejar em emoção. Muito disso era por conta da voz monocórdica de Celso.

É nesse ponto que o projeto Liebe ganha peso. Produzido pelo  carioca Duda Mello e pelo uruguaio Leonel Pareda, o disco traz novos músicos, novos arranjos e vozes melhor dotadas para dar nova vida às canções. O destaque fica para Nana Caymmi, reinando absoluta em Flor da noite. Há ainda Paulo Miklos, Milton Nascimento (única voz convidada em 1997), Luiz Melodia e Adriana Calcanhotto. De quebra, Liebe traz O tempo não passou e A thing of beauty, gravadas originalmente em Sorte (1994) e Juventude/ Slow Motion Bossa Nova (2002).

A dupla Celso e Ronaldo lançou três trabalhos, sempre nessa linha meio bossa, meio lounge. O estilo faz sucesso no calçadão de Copacabana e agrada turistas. Fora do Rio de Janeiro, chegou a fazer algum sucesso quando a faixa Slow Motion/ Bossa Nova, do disco homônimo, fez parte de uma propaganda de chinelos com a Gisele Bündchen. Agora, se querem uma dica de verdade, ouçam a faixa Ledusha com Diamantes, uma pérola desse mesmo disco.

Agora acompanhem o faixa-a-faixa de Libe Paradiso:

1- Paradiso – Cantada pelo próprio Celso, mas com uma nova entonação. O ritmo original saiu pra entrar um clima etéreo. Por sorte, manteve-se o espetacular solo de trompete do saudoso Márcio Montarroyos.

2- Flor da noiteNana Caymmi reina sobrerana numa canção aparentemente feita para sua voz. A voz única da baiana carioca dá nova vida à versão original. Ponto também para as orquestrações sintetizadas de Sacha Amback.

3- Candeeiro – Das canções interpretadas por Celso, esta é a melhor. Mantendo a abertura climática, a canção ficou mais eletrônica, mas mudou pouco a intensão.

4- Quanto tempo/ Minos/ Vento azul – Com a desão de Antônio Cícero, convidado para recitar uma poesia incidental, a canção altera pouco, a não ser deixar mais limpo o vocalise de Milton Nascimento.

5- Você não sacou – Com cara de rock, o convidado da faixa é Paulo Miklos. A letra é uma agressiva sucessão de brados contra a mulher que partiu. A interpretação teatral do titã dá nova vida à composição.

6- Out of the blues – Tal qual diz o nome, trata-se de um blues elegante recantado por Celso. A adesão de Jota Moraes no vibrafone aumenta o clima nostalgico desta homenagem a Dorival Caymmi.

7- Ela vai pro mar – O fender rhodes é de Marcos Valle e a voz de Luiz Melodia. O que se pode dizer mais? Uma bossa com cara mais pra Ipanema que pra Copacabana. Disputando a vaga de melhor do disco.

8- O tempo não passou – Composição exclusiva deste Liebe. A voz doce de Adriana Calcanhotto justifica tudo. A letra versa bem sobre a solidão e a saudade. No instrumental, Domenico, Jacques Morelembaum e Eduardo Souto Neto.

9- Denise Bandeira – Homenagem à atriz carioca. O samba se mantém, mas ganhou corpo com Marcelo Mariano (baixo), Jorjão Barreto (órgão), Marçal (percussão) e Sacha Amback (sintetizador)

10- PolaroidsSandra de Sá leva a canção pras pistas e faz dance music com clima setentista. Grande voz que nem sempre encontra um repertório à altura.

11- Alma de pierro – Antiga balada acústica, ganha novo banho instrumental. Celso canta.

12- A thing of beauty/ Juventude – Com clima de canção de ninar, a canção de letra em inglês encerra o disco em clima de delicadeza. O piano é do inacreditável João Donato. Celso divide os vocais com o cantor bissexto Ronaldo Bastos.

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21.12.11 16:00

2011 termina sem comemorar 80 anos de João Gilberto

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Faltam poucos dias para 2011 ir embora e é chegado o momento dos balanços. Pra começar, gostaria de apontar o papelão do ano. Ninguém merece tanto esse prêmio quanto João Gilberto e a produção da tão esperada turnê 80 Anos Bossa Nova. Aquela que deveria comemorar a longevidade pessoal e musical de um dos maiores criadores da música popular brasileira, acabou virando um barraco envolvendo a produção, as casas de show, o médico de João (Jorge Jamili) e o Procon. Motivo: a turnê foi cancelada por conta de uma suposta doença do cantor.

O médico jura por Deus que João está tão mal que nem deveria siar de casa. No entanto é certo que os preços dos ingressos estavam tão altos que, faltando quatro dias para a estreia em São Paulo, programada para o início de novembro, era super fácil comprar um, ou dois ou três. Uma sucessão de problemas aconteceu em seguida. Segundo as casas de show que estavam com datas reservadas para as apresentações, ninguém foi avisado do cancelamento. Logo, nem sabiam se ou como deveriam fazer pra devolver o dinheiro de quem comprou.

O Via Funchal, casa que receberia a estreia da 80 Anos Bossa Nova chegou inclusive a divulgar uma nota absurda de que os ingressos salgados seriam devolvidos de três vezes. E ainda que a “taxa” de R$120 para entrega em domicílio não seria devolvida. Quem havia comprado ingresso (como é o caso deste que vos fala) só soube do cancelamento dois dias antes e acabou tendo prejuízos com cancelamento de passagens ou reserva de hotel. Muita gente ainda não sabe como ou quando vai receber o ingresso. Foi nesse momento que o Procon exigindo explicações.

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No entanto, o mais curioso é a postura do João Gilberto diante disso tudo. Ou seja, nenhuma. Ele não falou nada, absolutamente nada. Simples: estando alguns metros acima da terra, ele definitivamente não se sente na obrigação de dizer nada. Talvez até nem tenha mesmo. Ainda assim, para aqueles que tiveram seus prejuízos (como eu), seria bem interessante ouvi-lo dizer alguma coisa. Nem que fosse reclamar do ar-condicionado.

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23.11.11 15:00

O violão vadio de Baden Powell

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Ao longo da história, muitos músicos brasileiros contribuíram para que fosse dado ao violão a dignidade que ele merece. Até então ligado à boemia, Chiquinha Gonzaga forçou a entrada do instrumento nos grandes teatros e até criou uma orquestra de violonistas. Raphael Rabello e Heraldo do Monte levaram a brasilidade das seis cordas para os amantes do jazz em todo o mundo. João Gilberto apostou na economia e criou a Bossa Nova. Outros fizeram seresta, samba e chorinho. Nessa salada de influências, um carioca nascido na pequena Varre-Sai também deu sua contribuição.

 

Batizado com o nome do criador do escotismo, Baden Powell de Aquino ainda bem pequeno, começou a dedilhar o violão incentivado pela musicalidade que absorvia dentro de casa. Seu primeiro contato aconteceu quando roubou o instrumento do quarto da tia para tentar desvendar o que era aquilo objeto. Foi o suficiente para que seu pai, músico amador, começasse a ensinar as primeiras notas. Ágil e compenetrado, o aluno foi adotando um estilo que transitava levemente entre o erudito e o popular.

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Compositor de clássicos e músico requisitado por grandes estrelas, Baden Powell viajou o mundo em gravações e apresentações internacionais. Uma delas volta agora em DVD lançado pela Coqueiro Verde. Batizado simplesmente de Tristeza, o pacote com CD e DVD traz uma apresentação de 1970 gravada em Säarbrucken, na Alemanha. Em pouco menos de 30 minutos, Baden e um trio formado por Helio Schiavo (bateria), Ernesto Gonçalves (baixo) e Alfredo Bessa (percussão) interpretam nove temas, a maioria de nomes da Bossa Nova.

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Mesmo sem nunca ter sido um autêntico bossanovista, Baden construiu sua obra mais célebre ao lado de Vinicius de Moraes, um dos símbolos do movimento. Os afro-sambas, como ficaram conhecidos, fizeram o cruzamento do samba carioca com o som dos terreiros de candomblé. Foram quase três meses com o jovem violonista trancado num apartamento com o poeta diplomata somente compondo e bebendo whisky. Em Tristeza, os afro-sambas são representados por Tristeza e Solidão e Berimbau, esta creditada inexplicavelmente como “Ferro de passar”. Também imperdoável é a marca da gravadora no canto da tela durante toda a apresentação.

Apesar desses escorregões, a obra de Baden Powell se sobrepõe. Com o rosto sóbrio e um cigarro entre o anelar e o mínimo, ele desliza os dedos sobre as cordas num arranjo soberbo para Manhã de Carnaval. Garota de Ipanema ganha um balançado diferente, mais dançante, resultado dos seus anos tocando com a banda de Ed Lincoln. Já a tristonha Tristeza e solidão, outro afro-samba, tem a participação de uma esquecida Dulce Nunes, atriz que se lançou cantora ao lado do violonista.

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Dentro e fora do Brasil, grandes artistas reverenciaram a importância de Baden Powell. Seus discos passam por Paris, Berlin, Hamburgo e Frankfurt. Por aqui, perto de falecer em 26 de setembro de 2000, ele já não tocava seus afro-sambas. Convertido à religião evangélica, ele evitava citar os símbolos do candomblé. Preferia excursionar com os filhos músicos, Phillip e Marcel Powell tocando outras coisas. Ainda assim, mesmo contra a vontade do músico, seus afro-sambas continuam sendo um capítulo fundamental da história do violão brasileiro.

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07.11.11 17:50

Show de João Gilberto no Rio de Janeiro é remarcado para 21 de dezembro

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

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Depois de adiar sua turnê que comemora 80 anos de carreira por conta de uma forte gripe, os shows de João Gilberto no Rio de Janeiro já tem nova data: 21 de dezembro. O show estava marcado inicialmente para o dia 15. Todos os ingressos comprados para a primeira data são válidos para o segundo show.

Na semana passada outras duas datas já haviam sido divulgadas. O primeiro será em Salvador, no dia 9 de dezembro. Já o show de São Paulo, que deveria ter acontecido no último sábado (5), foi para 18 de dezembro novamente no Via Funchal.

O Via Funchal divulgou hoje nota anunciando como deve proceder os clientes que já compraram ingresso, mas não vão poder assistir os shows nas novas datas. As informações não estão disponíveis no site da casa, mas foram enviadas diretamente para o email dos clientes lesados com o cancelamento. Quem precisar de mais informações, deve entrar em contato somente por email, pois o telefone disponibilizado não dá acesso a nenhum funcionário.

O médico do cantor disse que ele tem sinusite e “que não há motivo para alarde, mas será necessário o repouso neste momento” para que Gilberto recupere sua voz.

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Ingressos encalhados

Os ingressos para os shows de João Gilberto não tiveram boas vendas, segundo apurou a coluna de Mônica Bergamo. Um possível motivo estaria no valor da entrada. Além do preço da capital paulista, os ingressos custam entre R$ 600 e R$ 1.400 no Rio (já esgotado) e em Brasília, e entre R$ 700 e R$ 1.000 em Porto Alegre.
 
Em 2008, o show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, tinha preços mais em conta e os ingressos acabaram em 1h30. Até segunda ordem, os preços da nova turnê se mantém.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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