Discografia

16.02.12 17:50

Almanaques desbravam grandes nomes do rock

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

O rock sempre foi bom em lançar grandes ídolos. Mais que ouvidos, eles são seguidos por seus fãs. Daí não esgotar material apresentando detalhes sobre esses personagens. De olho nisso, a editora Aleph está botando nas lojas dois almanaques que dissecam a vida particular e a obra de dois ícones da música internacional, Bob Dylan e Led Zeppelin. Escritos pelo ex-editor da revista Times, Nigel Williamson, os livros trazem biografia completa, lista de canções fundamentais, discografia comentada e curiosidades. No do compositor Bob Dylan, por exemplo, tem a lista das famosas gravações piratas (bootlegs), covers famosos e as histórias das incursões do bardo pelo cinema. Tudo embalado numa edição esperta, de fácil leitura e com muitas fotos, infelizmente, sem cores. Feitos para iniciar novos fãs, os Guias funcionam como uma boa fonte de pesquisa. Um terceiro volume já está sendo preparado, agora abordando a vida do Pink Floyd.

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26.08.11 06:40

A longa estrada de Zé Ramalho

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

O paraibano Zé Ramalho entrou o ano de 2011 fazendo um passeio pela própria trajetória. Com o pomposo nome de Caixa de Pandora, ele lançou um box com quatro CDs e um DVD onde relembra seus sucessos, recria canções de outros compositores e apresenta algumas sobras de estúdio, até então inéditas. É baseado neste repertório que ele faz show ao lado da sua Banda Z, esta noite no Centro Dragão do Mar, dentro do projeto Dragão Musical.

Além de rever sua carreira, Zé Ramalho também está prestes a colocar nas lojas um tributo aos Beatles. Zé Ramalho Canta Beatles (Discobertas) vai reunir 16 canções do quarteto inglês interpretadas no idioma original, mas com um toque bem pessoal do cantor. Gravado aos poucos, em diversos estúdios e momentos, o disco vai trazer versões inusitadas para, entre outras, While my guitar gently weeps, In my life e Dear prudence, além de canções das carreiras individuais de John, Paul, Ringo e George. “O critério de escolha (do repertório) foi através daquelas que eu mais gosto, as que estavam na minha lembrança desde que eu comecei a curtir essa banda”, explica ele por email.

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Antes dos Beatles, Zé Ramalho já lançou outros quatro discos temáticos, dedicados aos seus ídolos. Começou com Raul Seixas, em 2001. Em seguida vieram Bob Dylan (2008), Luiz Gonzaga (2009) e Jackson do Pandeiro (2010). Apesar dos diferentes universos dos homenageados, em nenhum momento o paraibano deixou de lado seu direito de mexer, reinventar e misturar rock, folk, forró e baião. Ainda assim, ele reconhece que o mais difícil foi abordar a obra de Dylan, apesar de ter sido bem recompensado. “As versões que eu fiz, junto com outros autores, foram todas aprovadas por ele, o que me deixou feliz e orgulhoso, em se tratando de tão árdua tarefa”, conta.

Se para muitos ouvir Beatles com sanfona, zabumba e triângulo pode parecer um sacrilégio, para Zé Ramalho a aventura é prazerosa e inspiradora. Ele conta que até gostaria de também fazer um tributo ao Pink Floyd, mas sabe que a banda não permite versões de suas músicas para nenhuma língua. Também inspirador é olhar para trás e ver que sua história desperta interesse e continua atraindo fãs. “Consegui mostrar uma música nordestina atualizada, moderna, com letras e arranjos que revolucionaram a música nordestina como estava. Além disso, essas canções perduram até hoje, atravessando já duas gerações. De vez que percebe-se uma clara renovação de público nos meus shows. São jovens a partir de 15, 16 anos, que descobrem meu trabalho e passam a acompanhar toda a minha obra”, orgulha-se.

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No entanto, essa viagem pelas memórias musicais, composições e referências vai ser interrompida. Para 2012, ele está programando um disco de composições inéditas, todas com letra e música de sua autoria. Quanto ao show desta noite, Zé adianta que os Beatles ainda não vão entrar, uma vez que ele quer preparar uma apresentação especial para este tributo. Sempre cheio de projetos e idéias, tanto como compositor quanto como intérprete, ele entrega qual é seu grande desejo como músico. “Ainda pretendo permanecer no mercado por muito tempo”.

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26.08.11 06:30

Zé Ramalho fala sobre novos e antigos projetos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Atração de hoje no projeto Dragão Musical do centro Dragão do Mar, Zé Ramalho conversou com o DISCOGRAFIA sobre seu novo projeto, uma homenagem aos Beatles. Zé Ramalho canta Beatles vai trazer 16 canções da banda inglesa e das carreiras individuais dos seus integrantes, tudo com o tempero típico do paraibano. Em seguida ele adianta que, para o próximo ano, está preparando um disco somente com letras e melodias inéditas, todas de próprio punho. Acompanhe.

DISCOGRAFIA – Como vai ser esse show de hoje em Fortaleza?

Zé Ramalho – O show terá o repertório baseado no lançamento que eu fiz este ano de uma coleção de discos chamado A caixa de Pandora. Todos os sucessos consagrados estarão no roteiro e mais algumas canções de Gonzaguinha, Geraldo Vandré e Raul Seixas. Quem me acompanhara será a Banda Z, banda que esta comigo há mais de 20 anos.

DISCOGRAFIA – Você está prestes a lançar um disco com músicas dos Beatles. O que entra desse novo repertório no show em Fortaleza?

Zé Ramalho – Ainda não terá nenhuma das músicas desse lançamento. Estou preparando um show para lançá-lo e só então poderei apresentar essas músicas dos Beatles ao vivo.

DISCOGRAFIA - Queria que você contasse como foi gravar esse disco. Seleção de repertório, sonoridade, etc.

Zé Ramalho - Esse disco foi gravado aos poucos, em estúdios diferentes e em momentos diferentes da minha vida. A seleção das músicas foi acontecendo naturalmente. E o critério de escolha foi através daquelas que eu mais gosto, as que estavam na minha lembrança desde que eu comecei a curtir essa banda.

DISCOGRAFIA -Além dos Beatles, você já gravou discos dedicados a Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Bob Dylan e Raul Seixas. Em todos você procura dar uma interpretação bem pessoal. Qual deles foi o mais difícil de fazer? Por que?

Zé Ramalho – O mais difícil foi o Zé Ramalho canta Bob Dylan, pela rigorosa responsabilidade de recriar músicas de um astro-compositor sem precedentes, conhecido no mundo inteiro e inspirador de milhares de músicos e poetas. As versões que eu fiz, junto com outros autores, foram todas aprovadas por ele, o que me deixou feliz e orgulhoso, em se tratando de tão árdua tarefa! O disco foi um sucesso, vende até hoje e ainda ganhou a indicação para o Grammy como melhor disco de rock.

Capa de Tá tudo mudado, em tributo a Bob Dylan

DISCOGRAFIA – Que outros artistas você tem vontade de fazer uma releitura?

Zé Ramalho – Gostaria, se fosse possível, de dedicar um disco ao trabalho do Pink Floyd, banda inglesa que também muito me inspirou, contudo, os autores das músicas não permitem versões em nenhuma língua, o que dificulta muito a realização desse trabalho.

DISCOGRAFIA – No começo deste ano foi lançado um Box com três discos revisitando sua obra. Fazendo uma auto análise, qual foi sua maior contribuição para a música brasileira nestes mais de 30 anos de carreira?

Zé Ramalho – Acho que foi a combinação que eu fiz de tudo que aprendi desde os 15 anos de idade, quando eu tocava em bailes, até hoje. Consegui mostrar uma música nordestina atualizada, moderna, com letras e arranjos que revolucionaram a música nordestina como estava, desde que eu comecei. E alem disso, modernizei também as palavras do linguajar nordestino e alguma delas como “Avôhai” são de criação própria minha. Além disso, essas canções perduram até hoje, atravessando já duas gerações, de vez que percebe-se uma clara renovação de público nos meus shows. São jovens a partir de 15, 16 anos, que descobrem meu trabalho e passam a acompanhar toda a minha obra.

DISCOGRAFIA – Em 2008, a Discobertas botou nas lojas um excelente trabalho com gravações suas bem do início da carreira. Queria eu você falasse sobre esse disco e sobre aquela época.

Zé Ramalho – É um disco/documento de grande valor para colecionadores e apreciadores do meu trabalho. Ele reflete o período intenso e inicial da minha carreira-solo. Os shows que foram gravados são do período de 74 a 76, na cidade de João Pessoa, onde me apresentei nesses anos, com intensidade e paixão, me preparando para enfrentar o mercado de difícil acesso para chegar até às gravadoras.

DISCOGRAFIA - Desse período de início de carreira, o seu Paêbirú continua inédito em CD. Porque ele está fora da discografia oficial do seu site? Existe aplano ou vontade de reeditá-lo?

Zé Ramalho – Não. Não há como reeditar esse disco, até porque ele foi pirateado na Europa, um selo de uma gravadora alemã colocou tanto a edição pirateada de vinil, como em formato cd e eles podem ser adquiridos também no Mercado Livre, que está cheio de exemplares à venda. Não está no meu site, por uma questão pessoal minha, e me resguardo o direito de me manter em sigilo. (N.E.: O disco ganhou um documentário dirigido por Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim, em 2009. veja o trailer)

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DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre o Zé Ramalho escritor?

Zé Ramalho – Bem, alguns livros que escrevi (são poucos), como Carne de Pescoço, um conto-ficção (Pássaro cativo) e alguns livros em formato de cordel, como o Apocalipse Agalopado, A Peleja de Zé do Caixão com o Cantor Zé Ramalho foram experiências que fiz sem nenhuma intenção de me tornar escritor. Contudo, este pequeno lote de escritos foi muito elogiado por pessoas que conhecem e são críticos literários, como Olga Savary, que no seu livro Antologia da Nova Poesia Brasileira teceu elogios ao meu livro Carne de Pescoço. A minha intenção, na verdade, era de todos os escritos desses livros se tornarem letras de música. Vários parceiros e compositores  colocaram melodia e harmonia em várias letras desses livros. É só comparar em alguns dos meus discos, as palavras e versões que foram escolhidas.

DISCOGRAFIA – Você hoje é dono de uma obra única, que mistura, rock, psicodelia, forró, baião, folk, e tudo marcado por sua voz única e inconfundível. Existe algum sonho que você ainda pretende realizar na música?

Zé Ramalho – Bem, eu não diria sonho, mas ainda pretendo realizar muitos lançamentos, tanto com o meu lado de intérprete, como o meu lado de autor. Estou preparando um disco só com músicas inéditas, todas novas, todas de minha autoria única – letra e música, para 2012 e ainda pretendo permanecer no mercado por muito tempo!

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23.06.11 13:55

Uma pedra rolando

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Na música internacional, um dos melhores exemplos do que é ser um mito é o poeta norte-americano Bob Dylan. Ao longo da sua carreira que já soma quase 50 anos, ele usou suas canções para lutar por direitos civis criar uma nova consciência para os homens. Isso não é um exagero. Filho da geração beat, ele foi um dos que viveu a geração hippie não como uma forma de desbunde, mas como uma proposta de vida com mais liberdade. Muitos dentro de um só, ele soube entrar e sair de estruturas sem ver sua credibilidade arranhada. Da mesma forma, nunca aceitou rótulos que limitassem sua atividade de cantor e compositor. Não foi à toa que ele se tornou um dos nomes mais influentes da música pop e ganhou admiração de dez entre dez nomes importantes pelo mundo. No Brasil, não foi diferente. Para comprovar, o selo Discobertas colocou nas lojas o tributo Bob Dylan Letra & Música. São 14 faixas que ambientam o poeta nos mais diferentes estilos, conseguindo diferentes resultados, do melhor ao desprezível. Caetano Veloso, por exemplo, mostra que sabe o que faz em Jokerman. Bem diferente de Evandro Mesquita, que leva Bob pra um clima praieiro totalmente dispensável. Há ainda Renato Russo, Gal Costa, Ruy Maurity e outros. Acompanhe o faixa-a-faixa:

1. Jokerman - Tirada do disco Circuladô Vivo, de 1992, trata-se de uma ótima leitura de Caetano Veloso sobre a canção do disco Infidels, de 1983. Atentem para como a música vai crescendo nas mãos do baiano que sabe tudo.

2. It ain’t me babe – A ótima Mallu Magalhães faz uma versão pálida de uma baladinha folk, originalmente lançada em 1964. Respeitosa demais. O registro foi tirado do primeiro DVD da moça, mas é inédito em CD.

3. If you see him say hello – Tirada do disco Blood on the tracks, 1975, ela ganhou regravação de Renato Russo e seu fiel escudeiro Carlos Trilha no disco The stonewall celebration. Confesso que nunca achei a carreira solo de Renato interessante. Aqui não é diferente.

4. Negro amor – Clássica! Clássica! Clássica! Gal Costa bota pra fora seu espírito hippie em It’s all over now my baby blue, traduzida por Caetano Veloso (não citado) e Péricles Cavalcanti. O resultado é inacreditável. O original é de 1965, do disco Bring it all back home. A versão é de 1977, do indispensável disco Caras & Bocas.

5. Batismo dos bichos – Num belo trabalho de garimpagem, Ruy Maurity aparece numa versão samba-reggae de José Jorge para Man gave name to all the animals, do disco Slow train coming (1979). A regravação data de 1980 e conta com as presenças de Antonio Adolfo e do cearense José Menezes.

6. Joquim - Joey é a primeira faixa do lado B do disco Desire, de 1976. Vitor Ramil fez sua tradução para o português 11 anos depois, prstando uma homenagem ao inventor Joaquim Fonseca, de Pelotas. Ficou sem graça, mas vale pela curiosidade.

7. Make you feel my love – Bela baladinha de amor, tirada do disco Time out of mind, de 1997. Fred Nascimento regrava na língua original, especialmente para este projeto, e mantém a docilidade. Essa é boa.

8. Positively 4th StreetTwiggy surpreende mais uma vez e mostra que sabe fazer bem feito. Dá até pra perdoar o excesso de gemidos. Versão inédita para um clássico lançado em single em 1965.

9. If not for youLuen dobra a voz e dá um clima indiano lisérgico para esta canção do album New morning, de 1970. Funciona bem, assim como a moça canta bem.

10. Don’t think twice, It’s all right – Um dos clássicos do mestre Dylan ganha mais sujeira na voz do carioca Jomar Schrank. Inédita, mas nada demais. O original é de 1962, do disco The Freeweelin’ Bob Dylan.

11. Lay lady Lay – Um dos momentos mais pop do rei do folk ganha uma leitura curiosa, com toques de Indie e Jovem guarda com a banda Profiterolis.  O resultado se destaca entre as inéditas. O original é de 1969, do disco Nashville Skyline.

12. Mr. Tambourine – Outro clássico maior do poeta. A versão de Daniel Lopes encerra a lista de inéditas com uma boa performance, sem medo de mexer no original. Original lançado em 1965, no disco Bring it all back home.

13. Knockin’ on heaven’s door – Vamos ter liberdade de mexer nos clássicos, mas não tanto, né, Evandro Mesquita? Uma das principais obras do rock internacional, ganha bateria eletrônica, teclado pagodeiro e arranjo equivocado. Corram para o original da trilha do filme Pat Garrett & Billy the Kid (1973). Mas, vamos lá, vale pela garimpagem.

14. Negro amor – replay da faixa 4, agora na voz de Humberto Gessinger e seus Engenheiros do Hawaii. A regravação de 1999 fez sucessso merecido. O arranjo é bem feito com um bom pianinho passeando pelo arranjo.

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24.05.11 21:25

Nos 70 anos de Bob Dylan, livro clássico sobre o cantor ganha edição no Brasil

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Do Uol

Sobre Bob Dylan, arrisco dizer, já foram escritos mais livros do que sobre qualquer outro músico nascido no século 20. No momento em que se comemora o seu 70º aniversário, cinco novos volumes juntam-se à biblioteca. Apenas um deles, mas justamente o mais importante, está saindo no Brasil.

Trata-se de “No Direction Home – A Vida e a Música de Bob Dylan” (Larousse, 784 págs., R$ 90), de Robert Shelton. Publicado originalmente em 1986, o livro acaba de ganhar uma segunda e definitiva edição. Bob Dylan tinha 20 anos, em 1961, quando Shelton, então crítico do “New York Times”, o ouviu cantar num pequeno clube no Village, em Nova York. Impressionado com o que ouviu, escreveu uma crítica no jornal. Este texto, hoje histórico, é considerado fundamental para a carreira do músico. Tornou-o conhecido e levou a gravadora Columbia a assinar um contrato para a gravação do seu primeiro LP.

Shelton virou amigo de Dylan. Entrevistou-o dezenas de vezes ao longo de uma década. Dedicado a escrever sobre o artista, batalhou durante anos para conseguir publicar o livro do jeito como imaginava. A obra acabou saindo em 1986, com muitos cortes em relação ao texto original. Esta primeira edição nunca foi publicada no Brasil.

Agora, um calhamaço de quase 800 páginas faz justiça ao projeto de Shelton, morto em 1995, aos 69 anos. “No Direction Home” é o mais detalhado relato sobre os primeiros anos de Bob Dylan, a infância, as influências musicais, os primeiros passos em Nova York, os primeiros romances (com Suze Rotolo, Joan Baez), a guinada na carreira em 1966.

Não a toa, Martin Scorsese batizou o seu ótimo documentário sobre os primeiros anos da carreira de Dylan com o nome do livro de Shelton. “No Direction Home”, o filme, lançado em 2005, concentra-se justamente neste episódio-chave da carreira do músico: a decisão de largar o violão e adotar a guitarra elétrica, deixando para trás o posto que o consagrara, como cantor de protesto.

Vício em heroína
Na véspera do 70º aniversário foi divulgada uma entrevista inédita de Robert Shelton com o músico, realizada em março de 1966, na qual Dylan admite ter usado heroína e pensado em suicídio. O relato feito por Dylan a Shelton dentro de um avião, logo depois de um show, não foi incluído em seu livro. Por duas horas, o músico falou sem parar e revelou que, no início dos anos 60, viciou-se em heroína, mas conseguiu abandonar a droga. Dylan também disse nesta entrevista que contemplou a ideia de suicídio. “Admito ter pensado em suicídio, mas superei esta coisa”.

A conversa de duas horas foi sucedida por outra, no dia seguinte, de uma hora e quarenta minutos. Dylan, então já uma estrela, fala de sua carreira, do seu trabalho como compositor e da insatisfação com as pessoas que estavam se aproveitando dele. Segundo a BBC, um filme sobre estas duas gravações de Shelton com Dylan está em fase de produção.

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24.05.11 21:11

Dylan é o maior artista pop da história

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Ainda é cedo para avaliações definitivas, até porque Bob Dylan segue ativo e produtivo, mas a data redonda – 70 anos, comemorados nesta terça-feira (24) – tem estimulado avaliações sobre o tamanho do seu legado artístico.

A mais entusiástica veio do insuspeito jornal “The Independent”, um dos mais importantes da Inglaterra, terra dos Beatles e dos Rolling Stones, para quem o aniversariante é “a mais importante figura da história da cultura pop”.

O jornal enumera 70 motivos para embasar esta afirmação. As canções clássicas que compôs, como Like a Rolling Stone, Mr. Tambourine Man e Blowin´in the Wind, representam dez pontos da lista. Não menos importante é o fato de ter inventado uma espécie de subgênero musical, o folk-rock, até hoje com discípulos.

Igualmente notável é a sua influência sobre outros artistas. O jornal britânico cita os Beatles (a quem apresentou não só a música, mas também a maconha), os Byrds e Tom Waits, mas a lista completa preencheria um volume do tamanho do “Houaiss”.

De todos os argumentos em defesa desta tese polêmica, um, muito bem-humorado, faz pensar: “Porque foram necessários seis atores para representá-lo no filme ‘I´m Not There’ (Eu Não Estou Lá), de Todd Haynes.”

Quem viu o filme deve se lembrar que entre os atores que encarnaram Dylan na tela havia um menino negro e, não menos surpreendente, a bela Cate Blancett. Veste perfeitamente em Bob Dylan a famosa frase de Mario de Andrade: “Eu sou trezentos, sou trezentos e cinqüenta”.

Ao longo de 50 anos de carreira, o músico nunca deixou de se reinventar. Tanto nos momentos de maior quanto de menor criatividade, a sua obra jamais se repetiu. Por conta desta inquietação permanente, seus fãs sofrem nos shows. O músico sempre apresenta novos arranjos para as velhas canções, de maneira a deixá-las irreconhecíveis.

Na década de 60, Dylan estava no palco próximo a Martin Luther King quando ele proferiu o famoso discurso “Eu tenho um sonho”. Várias de suas canções ganharam o status de hinos do movimento pelos direitos civis naquela década. Sua obra deste período já seria suficiente para gravar um nome na história.

Mas, como mostrou Martin Scorsese no documentário “No Direction Home”, Dylan não estava nem aí para o que pensavam dele. Trocou o violão pela guitarra elétrica e deu início a uma nova e bem-sucedida fase de sua carreira.

Ao longo dos anos, Dylan já se arriscou como romancista, autor de livros para crianças, ator, cineasta e, até, artista plástico, além de um memorialista brilhante, como se viu em “Crônicas – Volume 1”

Por tudo isto, e muito mais, creio que o “Independent” acerta em sua avaliação de Bob Dylan.

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22.02.11 14:11

Novidades roqueiras por aí

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Vejam alguns dos roqueiros que vão voltar às lojas em 2011:

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- Após um longo jejum, chegou a vez de Rita Lee voltar às prateleiras, e em dose dupla. Já falado e repetido pelo twitter, a rainha anunciou que vai preparar a sucessor Balacobaco, seu último e ótimo trabalho de inéditas, lançado em 2003. Enquanto não lança suas canções novas, ela apresenta um segundo trabalho chamado Bossa’n movies. Trata-se de uma série de trilhas sonoras de filmes americanos vertidos para bossa nova. Aliás, este é seu segundo trabalho dedicado ao gênero criado por João Gilberto. Em 2001, ela dedicou Aqui, Ali, Em qualquer lugar à obra de Lennon e McCartney em versão bossa.

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- Já anunciado neste blog que vos escreve, Arnaldo Antunes pretende registrar em disco um trabalho minimalista acompanhado apenas pelo seu fiel escudeiro Edgard Escandurra. Voz e guitarra somente, mas que voz e que guitarra. Sem mais detalhes, Arnaldo apenas adiantou que será um disco de canções inéditas para um show que eles já fazem há bastante tempo.

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- “Um álbum mais extrovertido, pulsante, com uma música que vai em direção ao próximo”, assim Marcelo Camelo definiu seu segundo disco de inéditas, que será lançado no fim de março. Após um pouquíssimo comentado projeto ao vivo lançado pela MTV, o próprio Camelo produziu seu novo disco, que foi mixado pelo americano Vitor Rice.

- O mau comportados senhores do AC/DC vão lançar Cd e DVD ao vivo este ano, ainda no primeiro semestre. O registro foi feito em dezembro na Argentina, durante a turnê Black Ice. Foram 60 mil pessoas em cada uma das três noites em que os autralianos tocaram sua fileira de rocks. Sem planos para um próximo trabalho de inéditas, o vocalista Brian Johnson mandou: “Tocamos para cinco milhões de pessoas. Merecemos um descanso”. 

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- Na linha dos seus muitos bootlegs, Bob Dylan agora vai lançar um show gravado em 1963. Lançado em CD e vinil, Bob Dylan in Concert – Brandeis University 1963 capta o poeta em seus últimos momentos antes da fama, segundo o pesquisador Michael Gray. A gravação foi feita em 10 de maio de 1963, quando Bob participava primeiro Festival anual de folk da Brandeis. No repertório, Honey, Just Allow Me One More Chance (incompleta), Talkin’ John Birch Paranoid Blues, Ballad of Hollis Brown, Masters of War, Talkin’ World War III Blues, Bob Dylan’s Dream e Talking Bear Mountain Picnic Massacre Blues. Parte dessas canções foram lançadas nos albuns The frewheelin’ Bob Dylan (1963) e The times they are a-changin’ (1964).

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31.01.11 09:30

De mão beijada

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Você é fã do Bob Dylan, mas nunca entendeu o que ele disse? Você é daqueles que tem uma dificuldade danada de decorar as letras quilométricas dele e se limita a cantar os refrões? Você já foi à banca comprar uma revista de cifras do bardo, mas só encontra Blowin’ in the wind e Like a rolling stone? Ou, pior, você nunca entendeu porque tanta admiração a uma pessoa que canta tão mal? Pois bem, seus problemas acabaram. A editora Madras colocou à disposição de quem quiser entrar em contato com a obra do poeta o livro Dylan – 100 Canções & Fotos. Tal qual explicado no título, a bela e enorme peça traz uma centena de letras com suas respectivas traduções e cifras, e uma breve explicação para contextualizar os iniciados. Estão lá, impressas em nobre papel couchê e tamanho consirável, Maggie’s farm, Masters of war, It’s alright, ma e outras muitas. Como se bastasse, completa ainda a publicação comentários de Joan Baez, Donovan, Allen Ginsberg e muitos outros. Como já é bem sabido, a poesia de Dylan passa pela política, pelo existencialismo, pelo sentimentalismo, tudo ancorado no que há de melhor em poesia beat, lisergia e rock’n'roll. Degustado junto com as 47 faixas do recém lançado The Witmark Demos: 1962 – 1964, Dylan - 100 Canções & Fotos é a melhor forma de entrar de cabeça na obra de um dos mais importantes e influentes artistas de todos os tempos.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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