12.04.12 11:00
Levante a mão quem nunca ouviu uma música dos Beatles. Alguém? Deve ser realmente difícil acreditar que exista algum terráqueo minimamente ligado em música que nunca tenha ouvido uma canção ou versão da obra do FabFour. Foram apenas 13 discos (mais alguns compactos) em menos de 10 anos, mas que foram suficientes para mudar de vez os rumos da música.
Embora esse repertório nunca saído do set list das carreiras solo de John, Paul, Ringo e George, com o fim da banda, cada um foi para o seu lado fazer o que bem quis. O conforto do Olimpo permitiu isso. E permitiu também trilhar caminhos e sonoridades além do rock. E é isso o que Paul McCartney fez no recente Kisses On The Botton.
Em seu 15º trabalho fora do quarteto, o ex-beatle pisa seguro no terreno do jazz, se cercando de 12 temas menos conhecidos do gênero. Como se trata de um disco de Paul McCartney, a proposta não poderia ser tão simples. Por isso, a banda que o acompanha conta com Diana Krall no piano e John Pizzarelli na guitarra. É pouco? Pois ele ainda incluiu duas composições próprias, My valentine e Only our hearts, que entram no clima aveludado de Kisses on the botton. Pra completar, essas faixas trazem Eric Clapton na guitarra e Stevie Wonder na gaita.
Diferente do que fez Ringo Starr em Sentimental Journey (1970), Maaca prima por uma seleção menos popular, tirada principalmente da sua memória afetiva, como ele explica no encarte. It’s only a paper moon e Home (when shadows fall) fizeram fama na voz de Nat King Cole. Velha companheira de Paul e John, Bye Bye blackbird também foi gravada por Ringo.
Apesar da breve polêmica do título do título (Kisses on the botton pode ser Beijos nas flores ou no traseiro), McCartney se mostra um crooner apaixonado e inspirado no novo disco. Cantando com maciez, ele não pretende mudar de rumo e até já prometeu novo disco roqueiro para esse ano. E mais, depois de duas vindas recentes ao Brasil, uma nova está programada .
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09.01.12 13:47
Paul McCartney esclarece confusão e revela capa do novo disco
Kisses On The Botton, esse é o nome do novo disco de Paul McCartney. Em bom português, poderia ser traduzido malandramente como “beijos no c*”. Isso mesmo que você entendeu. Como não poderia deixar de ser, o palavrão causou um rebuliço entre os fãs do velho Maaca. Ele então explicou que o título não é nada mais que um trecho da canção I’m Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter. Escrita em 1935, a música que já foi gravada por Nat King Cole e Sinatra, dá o tom do novo disco, com ares jazzísticos, lançado pelo beatle. Pela tradução do verso, Kisses On The Botton significa “beijos no fim da carta”. Bem melhor. Com 14 faixas – apenas duas inéditas – o novo disco tem previsão de chegar às lojas em fevereiro.
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27.10.11 11:00
Creio que não haja dúvidas de que, entre os quatro Beatles, Ringo Starr sempre foi o mais sem sal. Enquanto os outros três encontraram uma linha própria de composição e sustentaram carreiras independentes de sucesso, o baterista de nariz engraçado se manteve às custas dos sucessos da banda famosa. Seus discos solo quase sempre são uma reunião de amigos para dar uma força às faixas, no melhor estilo “With a little help from my friends”. Ainda assim, ele está por aí fazendo show, como os sete que vem trazer para o Brasil este ano. E foi por da primeira vinda de Ringo Starr que a Discobertas colocou nas lojas o disco Ringo! Peace & Love, com artistas brasileiros recriando canções do baterista ou que foram cantadas por ele em algum momento. O tributo faz parte de uma série de discos lançada pelo selo, sempre com produção do beatlemaníaco Marcelo Fróes, recriando a obra dos rapazes de Liverpool. Dessa forma já vieram tributo à John, Paul, George, até Yoko. Ringo! traz apenas 12 faixas (o mais magrinho de todos), das quais sete são inéditas. Apesar da economia de regravações e da obviedade das músicas selecionadas (quase todas canções interpretadas pelos Beatles), o disco é interessante. Não mais que isso. Entre as não inéditas, Zé Ramalho empresta It don’t come easy (tirada do seu tributo particular aos Beatles também lançado pela Discobertas – esse sim empolga), e a releitura viajandona de Good night feita pela banda Ampslina tirada da versão indie do Album branco (2008). Já entre as inéditas, o grande lance foi não mudar muita coisa. Ou seja, não mexer no que já é clássico. A exceção a esta regra veio pela voz feroz de Taís Alvarenga que fez do rock I wanna be your man um blues eletrizado e poderoso que mistura Linda Perry (4Non Blondes) com Janis Joplin. Já os Vibraphones embarcaram num Submarino Amarelo em versão em nacional escrita pelo jovem guarda Albert Pavão, mas que permaneceu inédita até então. Ficou bem curiosa, principalmente por conta da voz agudíssima de Dafne Boms. Já os capixabas Vix Beatles (Boys e Honey don’t) e Clube Big Beatles (Act naturally e What goes on) assumem a postura descaradamente cover e repetem tudo tim tim por tim tim. Pra encerrar tudo, enquanto Zé Ramalho levou It don’t come easy para o terreno forrozeiro de Luiz Gonzaga, Aggeu Marques e os Yesterdays respeitam o original e fecham o disco com mais um cover. Pra alguém como Ringo Starr, que nunca gozou do mesmo respeito dos colegas, tá de bom tamanho.
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16.09.11 16:15
Zé Ramalho junta Bob Dylan e Luiz Gonzaga em tributo aos Beatles
Ao longo de mais de 30 anos, Zé Ramalho construiu uma das assinaturas mais fortes da Música Popular Brasileira. Com seu toque de violeiro, sua voz agreste e seu canto falado, ele cruzou a linha do rock, da psicodelia, do baião, do folk e se lançou com uma obra referencial, agressiva e marcante. Como intérprete, essa regra não é diferente. Seja quem for o interpretado, da Bossa Nova ao Rock, ele é capaz de misturar essas mesmas influências e recriar obras importantes sem medo das comparações. Isso pode ser sentido no seu recente tributo aos Beatles, lançado pela gravadora Discobertas. Zé Ramalho Canta Beatles reúne 16 canções de George, Paul, John e Ringo, incluindo suas carreiras solo, gravadas pelo paraibano em diferentes épocas, ao longo de mais de 10 anos. Interpretadas em seu idioma original, Zé Ramalho deu ainda mais personalidade à homenagem por não esconder o sotaque nordestino. Longe de se ocupar com o que vão dizer os fãs mais puristas do Fab4, Zé Ramalho não teve medo de transformar canções da forma que julgava correta, como foi o caso de transformar a épica While my guitar gently weeps em um baião. O resultado é tão bom quanto In my life, que virou uma valsa que, segundo explicação no encarte, ressalta “os sentimentos de ingenuidade e juventude que estão presentes na letra”. Ambas são costuradas pela bela sanfona de Dodô Moraes, único parceiro nesta viagem de Zé. Algumas das versões do disco já haviam sido lançadas em outros projetos especiais. É o caso de The long and winding road e Beware the darkness, apresentadas no especial Beatles’70. In my life já havia sido gravado por Zé Ramalho no tributo Submarino Verde e Amarelo (2000), que contou com a participação se vários outros artistas brasileiros. Mas esta ganhou uma nova leitura, com voz dobrada e interpretação mais pessoal. Claro que nem sempre as tranformações funcionam. Golden Slumbers e Carry that weight, por exemplo, deixam a emoção se esvair no canto excessivamente pesado de Ramalho. Acompanhado apenas do violão, o cantor parece emular um Bob Dylan (também já regravado por Zé) em sua época mais folk. Zé Ramalho canta Beatles foi idealizado e produzido pelo anfitrião, tendo apenas Dodô de Moraes ao seu lado nas interpretações (poucas faixas contam com outros músicos). Ambos se desdobram para recriar arranjos e sentimentos. A day in the life virou um xote e até ganhou uma orquestra sampleada. Claro que tudo foge completamente do óbvio, mas é justamente sobre isso que Zé Ramalho criou sua história. Sobre a fuga do óbvio.
05.09.11 15:00
Rolling Stones entre segredos e comparações
Venho aqui colocar um assunto em dia. Pode parecer bem fora do tempo, mas vou me valer do discurso de que “não há tempo certo quando o assunto vale a pena”. O que acontece: quero falar aqui sobre dois livros lançados no primeiro semestre mas que merecem todo o destaque possível, ambos sobre o mesmo assunto, os Rolling Stones. O primeiro chama-se According to The Rolling Stones. Assinado pelo próprio quarteto, o livro, que já impressiona pela beleza como objeto, é um longo relato repleto de fotos incríveis. Claro, partindo do princípio que, também este ano, a banda colocou nas lojas uma belíssima caixinha com os compactos lançados ao longo da carreira, é impossível não fazer uma comparação com o grandioso projeto Anthology, que reuniu os três Beatles até então vivos – Paul, Ringo e George (1943 – 2001) – para colocarem os assuntos em dia e abrir cofres e gavetas para lançar a raspa do tacho das gravações da banda. Mas, sem problemas por que se tem um assunto que nunca foi tabu foram as constantes comparações entre as duas maiores bandas inglesas de rock dos anos 60/70. Baseado em entrevistas feitas pelo jornalista Philip Dodd, According to The Rolling Stones foi lançado no mercado americano em 2003 e pouco tempo depois ganhou versão em espanhol. Só este ano a Cosac Naify lançou o livro em português. O esforço é compensador e o resultado é capaz de fazer qualquer marmanjo se emocionar. Mas, não se engane, nem tudo está. Ainda preocupados em guardar alguma imagem, os músicos jogam pra baixo do tapete algumas histórias cabeludas, como o rolo sexo-amoroso entre Keith, Mick, Brian Jones e Anita Pallenberg. Ex-membros vivinhos da silva, como Bill Wyman, baixista original dos Stones, e o guitarrista Mick Taylor não tem vez neste longo relato sobre a própria história. Pra compensar, pessoas que conviveram de perto com os mitos, como a cantora Sheryl Crow e o produtor Marshall Chess, dão seu parecer. O texto segue o mesmo modelo do trabalho dos Beatles, curtos textinhos aspeados entrelaçando as entrevistas. No fim das contas, a ausência dos ex-membros faz o fã tirar alguns pontos do trabalho final. Ainda assim, só de olhar para o livro, se percebe que trata de um produto indispensável para os fãs de rock e, pricipalmente, dos maus meninos ingleses.
O segundo livro não é menos luxuoso, mas o conteúdo é beeeeeeem diferente. The Beatles vs The Rolling Stones (Ed. Globo) vem com o subtítulo sensacionalista “a grande rivalidade do rock’n'roll” e não deixa dúvidas sobre seu conteúdo. Pra contextualizar, surgidas praticamente na mesma época (a diferença é de um ano a mais pros Beatles) e no mesmo país, as duas bandas são e continuarão sendo as duas maiores referências de rock na história. Por isso mesmo, nunca faltou quem viesse com teorias sobre quem é maior do que quem. Resultado dessa disputa? Claro que não existe, mas, pelo menos, rendeu muita discussão entre roqueiros. O livro, escrito por Jim Derogatis e Greg Kot, nem quer resolver esta pendenga, mas tenta criar argumentos para que o leitor tire suas conclusões. O método é simples: eles analisam cada ponto em separado. Os vocalistas Mick e John, os guitarristas George e Keith, os discos clássicos Exile on main st. e Álbum Branco e o visual de cada grupo são alguns temas discutidos. Pra completar, tem ainda listas de livros e melhores momentos, e uma infinidade de fotos maravilhosas. No fim das contas, as imagens em perspectiva estampada na capa, onde Beatles e Stones se confundem, talvez seja a melhor metáfora para resolver essa justa de mais de 40 anos. Frutos de uma mesma época, os dois grupos somam juntos o maior tesouro da música pop internacional. E, se juntarmos os dois livros, vamos saber mais sobre uma época em rock era coisa de gente grande.
26.08.11 14:31
Scorsese libera trailer de documentário sobre George Harrison
O diretor Martin Scorsese liberou esta semana o trailer da vídeobiografia do beatle George Harrison. Living in a material world tem estreia programa no San Sebastian Film Festival, que começa em 16 de setembro. O documentário conta com depoimentos de Eric Clapton, Terry Gilliam, George Martin, Paul McCartney, Tom Petty, Yoko Ono, Phil Spector e Ringo Starr.
26.08.11 06:40
O paraibano Zé Ramalho entrou o ano de 2011 fazendo um passeio pela própria trajetória. Com o pomposo nome de Caixa de Pandora, ele lançou um box com quatro CDs e um DVD onde relembra seus sucessos, recria canções de outros compositores e apresenta algumas sobras de estúdio, até então inéditas. É baseado neste repertório que ele faz show ao lado da sua Banda Z, esta noite no Centro Dragão do Mar, dentro do projeto Dragão Musical.
Além de rever sua carreira, Zé Ramalho também está prestes a colocar nas lojas um tributo aos Beatles. Zé Ramalho Canta Beatles (Discobertas) vai reunir 16 canções do quarteto inglês interpretadas no idioma original, mas com um toque bem pessoal do cantor. Gravado aos poucos, em diversos estúdios e momentos, o disco vai trazer versões inusitadas para, entre outras, While my guitar gently weeps, In my life e Dear prudence, além de canções das carreiras individuais de John, Paul, Ringo e George. “O critério de escolha (do repertório) foi através daquelas que eu mais gosto, as que estavam na minha lembrança desde que eu comecei a curtir essa banda”, explica ele por email.
Antes dos Beatles, Zé Ramalho já lançou outros quatro discos temáticos, dedicados aos seus ídolos. Começou com Raul Seixas, em 2001. Em seguida vieram Bob Dylan (2008), Luiz Gonzaga (2009) e Jackson do Pandeiro (2010). Apesar dos diferentes universos dos homenageados, em nenhum momento o paraibano deixou de lado seu direito de mexer, reinventar e misturar rock, folk, forró e baião. Ainda assim, ele reconhece que o mais difícil foi abordar a obra de Dylan, apesar de ter sido bem recompensado. “As versões que eu fiz, junto com outros autores, foram todas aprovadas por ele, o que me deixou feliz e orgulhoso, em se tratando de tão árdua tarefa”, conta.
Se para muitos ouvir Beatles com sanfona, zabumba e triângulo pode parecer um sacrilégio, para Zé Ramalho a aventura é prazerosa e inspiradora. Ele conta que até gostaria de também fazer um tributo ao Pink Floyd, mas sabe que a banda não permite versões de suas músicas para nenhuma língua. Também inspirador é olhar para trás e ver que sua história desperta interesse e continua atraindo fãs. “Consegui mostrar uma música nordestina atualizada, moderna, com letras e arranjos que revolucionaram a música nordestina como estava. Além disso, essas canções perduram até hoje, atravessando já duas gerações. De vez que percebe-se uma clara renovação de público nos meus shows. São jovens a partir de 15, 16 anos, que descobrem meu trabalho e passam a acompanhar toda a minha obra”, orgulha-se.
No entanto, essa viagem pelas memórias musicais, composições e referências vai ser interrompida. Para 2012, ele está programando um disco de composições inéditas, todas com letra e música de sua autoria. Quanto ao show desta noite, Zé adianta que os Beatles ainda não vão entrar, uma vez que ele quer preparar uma apresentação especial para este tributo. Sempre cheio de projetos e idéias, tanto como compositor quanto como intérprete, ele entrega qual é seu grande desejo como músico. “Ainda pretendo permanecer no mercado por muito tempo”.
26.08.11 06:30
Zé Ramalho fala sobre novos e antigos projetos
Atração de hoje no projeto Dragão Musical do centro Dragão do Mar, Zé Ramalho conversou com o DISCOGRAFIA sobre seu novo projeto, uma homenagem aos Beatles. Zé Ramalho canta Beatles vai trazer 16 canções da banda inglesa e das carreiras individuais dos seus integrantes, tudo com o tempero típico do paraibano. Em seguida ele adianta que, para o próximo ano, está preparando um disco somente com letras e melodias inéditas, todas de próprio punho. Acompanhe.
DISCOGRAFIA – Como vai ser esse show de hoje em Fortaleza?
Zé Ramalho – O show terá o repertório baseado no lançamento que eu fiz este ano de uma coleção de discos chamado A caixa de Pandora. Todos os sucessos consagrados estarão no roteiro e mais algumas canções de Gonzaguinha, Geraldo Vandré e Raul Seixas. Quem me acompanhara será a Banda Z, banda que esta comigo há mais de 20 anos.
DISCOGRAFIA – Você está prestes a lançar um disco com músicas dos Beatles. O que entra desse novo repertório no show em Fortaleza?
Zé Ramalho – Ainda não terá nenhuma das músicas desse lançamento. Estou preparando um show para lançá-lo e só então poderei apresentar essas músicas dos Beatles ao vivo.
DISCOGRAFIA - Queria que você contasse como foi gravar esse disco. Seleção de repertório, sonoridade, etc.
Zé Ramalho - Esse disco foi gravado aos poucos, em estúdios diferentes e em momentos diferentes da minha vida. A seleção das músicas foi acontecendo naturalmente. E o critério de escolha foi através daquelas que eu mais gosto, as que estavam na minha lembrança desde que eu comecei a curtir essa banda.
DISCOGRAFIA -Além dos Beatles, você já gravou discos dedicados a Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Bob Dylan e Raul Seixas. Em todos você procura dar uma interpretação bem pessoal. Qual deles foi o mais difícil de fazer? Por que?
Zé Ramalho – O mais difícil foi o Zé Ramalho canta Bob Dylan, pela rigorosa responsabilidade de recriar músicas de um astro-compositor sem precedentes, conhecido no mundo inteiro e inspirador de milhares de músicos e poetas. As versões que eu fiz, junto com outros autores, foram todas aprovadas por ele, o que me deixou feliz e orgulhoso, em se tratando de tão árdua tarefa! O disco foi um sucesso, vende até hoje e ainda ganhou a indicação para o Grammy como melhor disco de rock.
DISCOGRAFIA – Que outros artistas você tem vontade de fazer uma releitura?
Zé Ramalho – Gostaria, se fosse possível, de dedicar um disco ao trabalho do Pink Floyd, banda inglesa que também muito me inspirou, contudo, os autores das músicas não permitem versões em nenhuma língua, o que dificulta muito a realização desse trabalho.
DISCOGRAFIA – No começo deste ano foi lançado um Box com três discos revisitando sua obra. Fazendo uma auto análise, qual foi sua maior contribuição para a música brasileira nestes mais de 30 anos de carreira?
Zé Ramalho – Acho que foi a combinação que eu fiz de tudo que aprendi desde os 15 anos de idade, quando eu tocava em bailes, até hoje. Consegui mostrar uma música nordestina atualizada, moderna, com letras e arranjos que revolucionaram a música nordestina como estava, desde que eu comecei. E alem disso, modernizei também as palavras do linguajar nordestino e alguma delas como “Avôhai” são de criação própria minha. Além disso, essas canções perduram até hoje, atravessando já duas gerações, de vez que percebe-se uma clara renovação de público nos meus shows. São jovens a partir de 15, 16 anos, que descobrem meu trabalho e passam a acompanhar toda a minha obra.
DISCOGRAFIA – Em 2008, a Discobertas botou nas lojas um excelente trabalho com gravações suas bem do início da carreira. Queria eu você falasse sobre esse disco e sobre aquela época.
Zé Ramalho – É um disco/documento de grande valor para colecionadores e apreciadores do meu trabalho. Ele reflete o período intenso e inicial da minha carreira-solo. Os shows que foram gravados são do período de 74 a 76, na cidade de João Pessoa, onde me apresentei nesses anos, com intensidade e paixão, me preparando para enfrentar o mercado de difícil acesso para chegar até às gravadoras.
DISCOGRAFIA - Desse período de início de carreira, o seu Paêbirú continua inédito em CD. Porque ele está fora da discografia oficial do seu site? Existe aplano ou vontade de reeditá-lo?
Zé Ramalho – Não. Não há como reeditar esse disco, até porque ele foi pirateado na Europa, um selo de uma gravadora alemã colocou tanto a edição pirateada de vinil, como em formato cd e eles podem ser adquiridos também no Mercado Livre, que está cheio de exemplares à venda. Não está no meu site, por uma questão pessoal minha, e me resguardo o direito de me manter em sigilo. (N.E.: O disco ganhou um documentário dirigido por Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim, em 2009. veja o trailer)
DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre o Zé Ramalho escritor?
Zé Ramalho – Bem, alguns livros que escrevi (são poucos), como Carne de Pescoço, um conto-ficção (Pássaro cativo) e alguns livros em formato de cordel, como o Apocalipse Agalopado, A Peleja de Zé do Caixão com o Cantor Zé Ramalho foram experiências que fiz sem nenhuma intenção de me tornar escritor. Contudo, este pequeno lote de escritos foi muito elogiado por pessoas que conhecem e são críticos literários, como Olga Savary, que no seu livro Antologia da Nova Poesia Brasileira teceu elogios ao meu livro Carne de Pescoço. A minha intenção, na verdade, era de todos os escritos desses livros se tornarem letras de música. Vários parceiros e compositores colocaram melodia e harmonia em várias letras desses livros. É só comparar em alguns dos meus discos, as palavras e versões que foram escolhidas.
DISCOGRAFIA – Você hoje é dono de uma obra única, que mistura, rock, psicodelia, forró, baião, folk, e tudo marcado por sua voz única e inconfundível. Existe algum sonho que você ainda pretende realizar na música?
Zé Ramalho – Bem, eu não diria sonho, mas ainda pretendo realizar muitos lançamentos, tanto com o meu lado de intérprete, como o meu lado de autor. Estou preparando um disco só com músicas inéditas, todas novas, todas de minha autoria única – letra e música, para 2012 e ainda pretendo permanecer no mercado por muito tempo!
08.08.11 14:00
Biografia mergulha nos vícios e manias de Paul McCartney
Ao longo da carreira, cada integrante dos Beatles assumiu um personagem que acabou servindo de carapuça por muitos anos. John era o louco, Ringo o excluído, George o místico e Paul o bom o moço. Em partes, cada máscara dessas tinha um bom motivo pra existir. Acontece que, se olhar mais de perto, cada um poderia acabar tendo também um pouco das características de outro. E, talvez, seja essa miscelânea de personalidades e posturas, somado a um gênio criativo endiabrado, que fez o Fab4 criar a mais importante obra de música pop do mundo e com fortes chances de jamais ser superada.
No caso de Paul, a biografia Paul McCartney – Uma vida (Nova Fronteira) mostra que o bom moço também teve lá seus momentos de loucura. Escrita pelo jornalista novaiorquino Peter Ames Carlin – autor da biografia do beach boy Brian Wilson -, o livro começa, obviamente narrando infância de James Paul McCartney em Liverpool, com detalhes sobre sua boa relação familiar e sobre o drama de perder a mãe aos 14 anos. No entanto, foi esta fatalidade que acabou se tornando um dos pontos de encontro entre ele e o futuro amigo John Winston Lennon, que ficaria orfão aos 17 anos.
Como não poderia deixar de ser, durante todo o período em que Paul se dedicou aos Beatles, sua biografia acaba sendo também uma biografia da banda, passando por personagens como Alain Klein, George Martin, Brian Epstain e outros. Nenhuma grande novidade para quem já conhece outros trabalhos sobre a banda. Mais sobre Paul McCartney, o livro, insiste na sua atração pela maconha e no quanto ele era dominador dos trabalhos do grupo. Quanto à erva proibida, paul fez uso até bem pouco tempo, quando os afazeres domésticos o fizeram parar. Já quanto ao seu jeito ditador de conduzir a banda, quem não lembra de como ele agiu quando durante as gravações do album branco?
Um ponto positivo da biografia está após o fim dos Beatles. Nesse momento Peter Carlin narra passo a passo os caminhos erráticos do músico até que ele voltasse a se sentir à vontade com o repertório do seu grupo. Sim, após o fim dos Beatles ele teve medo de tocar suas velhas canções e ser taxado de oportunista. Daí vieram os Wings que acabou não passando de uma banda de apoio para o velho beatle. Já casado com Linda, ele chegou a empurrá-la pra dentro da banda, mesmo sabendo que sua amada não sabia tocar instrumento nenhum. Mesmo diante do nariz torcido dos seus companheiros de banda, Linda inclusive, Paul insistiu para que ela tocasse teclados.
É fato que a obra solo de Paul McCartney nunca chegou ao patamar do foram os Beatles. Mas também seria muita má vontade dizer que é ruim. Ao longo dos anos, ele criou uma série de canções memoráveis, belas e cheia de tudo de bom que ele tinha a oferecer. Nesse ponto, Paul McCartney – Uma Biografia ganha ao mostrar como ele soube ir se distanciando da sombra gigante do quarteto para poder voltar a se relacionar bem com aquele repertório. O livro também revela detalhes da baixaria que envolveu o casamento do músico com a modelo Heather Mills, que seguia o estilo “entre tapas e beijos”. Passadas as 400 páginas da biografia, fica uma boa notícia: os Beatles não foram um sonho que acabou e aprova disso está neste velho compositor que ainda tem muita lenha pra queimar.
22.06.11 14:36
Discobertas reedita tributo a John Lennon
Tal qual o prometido, segue aqui um faixa-a-faixa do disco Mr. Lennon, lançado há alguns meses pelo selo Discobertas. O disco foi lançado originalmente em 2001 com o nome Dê uma chanca à paz John Lennon – Uma homenagem. Trata-se de um dos poucos lançamentos do selo Geléia Geral, que serviu, basicamente, para lançar os discos do seu dono, Gilberto Gil. Eis que o disco voltou com nova capa e encarte para ser uma contraparte masculina do Mrs Lennon, um tributo à desvalorizada carreira de Yoko Ono como compositora. Mr. Lennon, o que será agora apresentado, é um dos melhores discos que já ouvi. Isso não é exagero. Em meio a tantos tributos aos Beatles ou aos seus integrfantes em separado, esse ganha por uma aura de cuidado e valorização de cada faixa em particular. São 15, com direito a duas versões para Give peace a chance, que caiu como uma luva na voz de mutante Arnaldo Baptista. Tudo soa honesto e coerente. Vale a pena ouvir.
1. Mind Games – Nando Reis e os Infernais abrem bem o tributo com um reggae lisérgico. A voz errática do ex-Titã confere credibilidade a esse hino pela paz.
2. Woman is the nigger of the world - Lennon fez esta letra enorme como uma forma de defender a imagem da mulher e, por conseguinte, a de sua amada Yoko. Cássia Eller aproveita a deixa e berra o que pode deixando tudo mais vitaminado. Pra deixar saudades.
3. Intant Karma – Lobão escolheu bem e deu show de interpretação nesta canção pinçada do single de 1970.
4. Imagine – Clássico maior da obra Lennoniana, trata-se de uma baladinha já bem batida e regravada. Aqui, Milton Nascimento e Gilberto Gil acrescentam pouco e fazem a faixa mais bobinha do tributo.
5. Give peace a chance – No grande momento do disco, o mestre Arnaldo Baptista canta e se diverte. Pra completar, o violão é de Andreas Kisser e a bateria de Charles Gavin. Precisa mais?
6. Tomorrow never knows – Numa de suas raras aparições ao microfone, o baterista paralamico João Barone faz uma bela leitura deste retrato sobre uma viagem lisérgica. Kátia B, esposa de João, faz o reforço nos vocais.
7. Mother – Um dos lamentos mais doídos de Mr. Lennon vira uma delicada balada acústica com Zeca Baleiro. O que era tristeza e angústia se transforma em lágrima de criança acuada. Muito bom.
8. Look at me – Zélia Duncan respeita o original e acrescenta apenas uma pitada a mais de tempero folk a mais esta declaração de amor para Yoko.
9. God – A voz pesada de Zé Ramalho soa ainda mais coerente nesta balada do fim do mundo. Enquanto Lennon cospe fogo pelas ventas, Zé mantém a compostura e respeita a mensagem do ídolo.
10. How do you sleep? – O recado foi claro de Lennon para seu ex-companheiro, Paul. “A única coisa que você fez foi Yesterday“, passa na cara. Paulinho Moska e seu quarteto Móbile aumentam a dose de violencia e suingue, e registram uma pérola.
11. I know – Cantada e 100% tocada por Herbert Vianna, esta balada de amor (adivinha pra quem!) tirada do disco Mind Games fica mais enxuta e intimista nesta versão focada em violões. Dá pra ouvir o arranhado dos dedos nas cordas.
12. Bless you – Toni Platão, em ótimo momento vocal, leva essa pouco conhecida balada pop para o mundo da Bossa Nova. Para se ouvir no escuro tomando um bom drink.
13. Nobody loves you – Celso Fonseca se engana e faz uma canção de ninar do que antes era uma canção de amor acabado. O amor, no caso, era de John e Yoko que, na época, haviam decidido dar um tempo. Sorte de quem transforma maus momentos em boa música.
14. Beautiful boy – Iniciando com uma referência a Como uma onda, Lulu Santos se mostra inspirado com a então chegada do seu primeiro neto e faz a mais linda releitura do disco. Destaque para a guitarra havaiana. Sugiro repetir.
15. Give peace a chance – Com o sobrenome de Versão especial, o mantra pela paz de Lennon volta ao fim do disco numa versão turbinada, mais uma vez com Arnaldo Baptista na voz. Só pra fechar.
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