13.04.12 12:37
Durante muito tempo, a notícia de que vinha um show internacional para Fortaleza era motivo de piada. Sempre se esperava a presença de alguém há anos fora dos holofotes. No entanto, já tem um tempo que esse quadro vem mudando a olhos vistos. Snoop Dogg, John Pizzarelli e Black Eyed Peas foram alguns dos nomes (em alta) que deram as caras recentemente por aqui.
Na noite da última quarta-feira (11), mais duas estrelas internacionais entraram para essa lista. A cantora Stacey Kent e seu marido saxofonista Jim Tomlinson dividiram o palco do Teatro Via Sul com o brasileiro Marcos Valle numa noite inteiramente dedicada ao repertório do compositor do ensolarado Samba de Verão. A apresentação, batizada Amil Jazz Duets, foi a primeira de uma mini-turnê que segue ainda para São Paulo e Rio de Janeiro. Nessa última parada, a ideia do trio é registrar tudo em CD e DVD.
Dona de um registro seguro, próximo de uma saudosa Billie Holyday (1915 – 1959) ou de uma recente Madeleine Peyroux, Stacey Kent é dessas cantoras que não dispensa uma nota por puro exibicionismo. Compenetrada, elegante (com as belas formas desenhadas pelo vestido) e notadamente feliz, a cantora de New Jersey parecia uma iniciante sempre que trocava olhares com Marcos Valle. O motivo do nervosismo é que a jazzista é uma apaixonada pela música brasileira e tem no carioca um dos seus heróis.
O motivo da admiração não é pra menos. Completando seus 50 anos de carreira, Marcos Valle é um músico excepcional que já encantou outras divas, como Sarah Vaughan (1924 – 1990), e que tem hoje a Europa como porto seguro para sua música. Despojado numa calça jeans, tênis e blusa de bolinhas coloridas, ele se colocou atrás de um piano de calda e começou a desfilar seu repertório que transitava levemente por bossa, jazz, samba e soul music.
Além de Marcos e Stacey, a banda que tocou em Fortaleza era um show à parte. Renato Massa (bateria), Alberto Continentino (baixo), Luiz Brasil (violão e guitarra) e Marcelo Martins (sax e flauta) fizeram a cama perfeita para os arranjos cheios de sutilezas criados por Marcos e Jessé Sadoc (flugel e trompete). O destaque ficou para o clima solar de Seu encanto, toda sublinhada pelos solos de Tomlinson. Pra satisfação do público, a canção foi repetida no bis.
Mesmo que tenha exibido no palco um português fluente, Stacey Kent optou por cantar as músicas de Marcos Valle vertidas para o inglês. Ainda assim Preciso aprender a ser só, somente ao piano, e Dia da vitória seguraram a emoção, mesmo que na língua do Obama. As exceções foram a inédita Le petite valse, onde a cantora exibiu seu sedutor francês, e Passa por mim, que ela mesma fez questão de fazer na língua original. Enquanto isso, o pai de todas as composições fazia alguns vocais e sorria orgulhoso de ver suas crias tomando novas formas e ganhando o mundo. Um belo presente pelos seus 50 anos de estrada.
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22.03.12 11:43
Noel Gallagher, em Berlim, sob suporte da herança Oasis
Por Andreh Jonathas (andreh@opovo.com.br)
O termômetro de um show é a presença e a participação do público. Para Noel Gallagher, ex-Oasis, também vale essa máxima. Em sua mais recente apresentação em Berlim (AL), dia 9 de março, os fãs tomaram quase que completamente a moderna infraestrutura do ginásio Max-Schmeling-Halle. O POVO acompanhou o concerto na capital alemã, que contou com a abertura da banda local The Folks.
Antes de arremessar Everybody’s On The Run, o carro-chefe do seu disco solo Noel Gallagher’s High Flying Birds, a renovada banda de Noel tocou (It’s Good) To Be Free e Mucky Fingers, ambas da sua fase artística anterior. A partir daí, a apresentação evoluiu com as obras do novo álbum, inspiradíssimo, por sinal.
É um rock elegante, leve e forte ao mesmo tempo, com faixas que até lembram as canções dos conterrâneos ingleses The Beatles e também, obviamente, da sua antiga banda. The Good Rebel e Freaky Teeth são as maiores influência dos garotos de Liverpool, que, aliás, tocaram pela primeira vez em Manchester – terra de Noel -, em um clube chamado The Oasis.
A herança Oasis é muito forte na carreira de Noel. Talvez não se livre dela tão cedo. Nem dá, afinal foram 15 anos liderando a banda ao lado do seu irmão Liam Gallagher. Não a toa, 9 das 20 canções do repertório foram cover daquela que foi uma das bandas mais aclamadas na década de 1990. Estrategicamente, seu show é recheado com novas músicas e sob suporte dos sucessos já consagrados.
“Wonderwall!, wonderwall!, wonderwall!…”.Pra não perder o costume do que vem acontecendo em seus shows, um grupo de fãs repetia, no intervalo entre músicas do seu projeto solo, o pedido de suas composições mais conhecidas. No entanto, a maior parte dos berlinenses reagiu e retribuiu bem à nova fase do importante compositor do rock internacional.
E o britânico tirou de letra a pressão dos fãs, com bom humor e um toque de ironia. Não perdeu a energia para tocar e cantar exata uma hora e meia. A crítica já havia recebido muito bem o novo CD de Noel, que vendeu cerca de 120 mil cópia na semana de lançamento e atingiu o topo das paradas britânicas. Agora, a turnê internacional vai dar oportunidade do público ratificar (ou não) a idolatria a Noel.
Demorou cerca de dois anos para o músico atender às expectativas dos fãs de ouvir seu novo trabalho. Mas, pelos resultados que vem apresentado, valeu a pena esperar. Noel deve continuar sua importância no cenário da música internacional e ter sucesso também na sua carreira solo. Alguém divida?
Show no Brasil
A grande procura por ingressos para apresentação em Berlim forçou a organização do evento a buscar um lugar mais amplo para Noel. Apesar de não ter lotado o Max-Schmeling-Halle – que tem capacidade para 11 mil pessoas sentadas, fora o espaço em frente ao palco –, tanto arquibancadas quanto pista receberam um excelente público. E a turnê internacional segue.
Na agenda publicada no site de Noel, estão marcadas duas apresentações no Brasil. Dia 2 de maio em São Paulo, no Espaço das Américas e dia 3 no Rio de Janeiro, no Vivo Rio. Os ingressos para o show de São Paulo (com preços de R$ 180 a R$ 340) estão à venda desde 2 março e os do Rio de Janeiro (variando entre R$ 140 e R$ 300) desde o dia 5.
Em Berlim, ingresso mais caro custou 41,50 euros, cerca de R$ 98,35.
(O repórter viajou à convite da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Sefor) para cobrir a Feira Internacional de Berlim (ITB))
> Serviço
Ingresso para o show de Noel Gallagher no Brasil
São Paulo
Site oficial de Noel Gallagher
> Repertório Noel Gallagher em Berlim
1 – (It’s Good) To Be Free
2 – Mucky Fingers
3 – Everybody’s on the Run
4 – Dream On
5 – If I Had a Gun…
6 – The Good Rebel
7 – The Death of You and Me
8 – Freaky Teeth
9 – Supersonic
10 – (I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine
11 – AKA… What a Life!
12 – Talk Tonight
13 – Soldier Boys and Jesus Freaks
14 – AKA… Broken Arrow
15 – Half The World Away
16 – (Stranded On) The Wrong Beach
Bis
17 – Whatever
18 – Little By Little
19 – The Importance of Being Idle
20 – Don’t Look Back In Anger
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30.01.12 13:28
Marina de La Riva em um mar de música
Uma movimentação diferente tomou conta do Shopping Via Sul na última quinta-feira (26). Por volta das 20h, uma enorme fila já estava formada em frente ao teatro da casa, com jovens e senhores cantarolando músicas latinas. O motivo da cantoria é que dentro de uma hora subiria ao palco a cantora Marina de La Riva (foto: Kleber Gonçalves) estreando uma nova turnê onde pretende encontrar várias orquestras pelo Brasil e, quem sabe, pelo mundo. Em Fortaleza, a escolhida foi a Orquestra Contemporânea do Ceará, regida pelo sereno maestro Alfredo Barros.
Dona de uma voz doce e segura, a cantora carioca filha de cubano com mineira é um exemplo para o Ministério das Relações Exteriores ao unir canções cubanas e com sotaque jazzista americano, sem perder a bossa brasileira de vista. Com uma pontualidade de corar os famosos atrasadinhos, o primeiro toque para o início do show foi dado exatamente às 21h. Com os músicos já a postos atrás dos seus instrumentos, Marina de La Riva subiu ao palco pouco depois ao som de Central Constancia. Nem precisou terminar a primeira música, a casa totalmente cheia já estava aos seus pés.
Marina, estonteante num vestido longo vermelho, seduziu seus ouvintes por mais de uma hora. Ao seu redor, um som esplendoroso envolvia todos que estavam reunidos ali. Era algo em torno de 60 músicos, somando banda e orquestra, interpretando bossas e boleros capazes de amolecer até os corações mais duros. Numa espécie de recital latino, o repertório incluiu pérolas conhecidas como Pedacito de cielo e Tu me acostumbraste, esta última com uma participação inesperada do pai da cantora, que cantou do seu canto na plateia. “Quando dois de La Riva se juntam dá nisso”, brincou a filha emocionada. Adiantando Idílio, disco que está prestes a ser lançado, ela mandou Assum preto, numa interpretação que ressaltou o tom trágico da letra, e Ausência, canção de Vinícius de Moraes e Marília Medalha lançada em 1972 no disco Encontro e Desencontro. Até o Rei Roberto Carlos teve sua Desabafo vertida para o espanhol, numa interpretação arrepiante.
Um destaque especial tem que ser dado à Orquestra Contemporânea do Ceará. Executando com perfeição os arranjos cinematográficos a la Henry Mancini, os músicos provaram que nem só de forró se faz o nosso Estado. Isso ficou claro numa interpretação de Drume negrita, que deixaria Mercedes Sosa orgulhosa. “Se tiver gente de dinheiro na plateia que queira investir em cultura, aqui tem um grande futuro para o Ceará”, alertou o maestro Alfredo Barros lembrando que agora a orquestra se chama Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará.
“Isso é um mar de música”, elogiou Marina de La Riva (Foto: Priscila Lima) que foi se encaminhando para o fim. O encerramento foi em alto estilo com Adeus, Maria Fulô, de Sivuca e Humberto Teixeira. Convidando ao palco o sanfoneiro Zé do Norte, sugerido por Alfredo Barros, a apresentação terminou em clima de arrasta-pé, com Fortaleza encantada e já esperando um novo encontro, como aquele que havia acabado de acontecer.
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12.01.12 17:00
Por Thiago de Sousa (thiagosousa@opovo.com.br)
Quem disse que o Ceará é o Estado somente do forró está totalmente enganado. Depois da última segunda-feira, 9, não vai ser difícil encontrar quem acredite que esse cenário está se invertendo. É que o DJ número 1 do mundo, David Guetta, não teve piedade e colocou todo mundo para passar mal literalmente no Mucuripe Club. O movimento ao redor do boate estava tranquilo para uma segunda-feira, em contraponto, as filas estavam a perder de vista. Já do lado de dentro, porém, a história era completamente diferente.
Quando David Guetta subiu ao palco por volta das duas da manhã, com sua conhecida jaqueta preta, ao som de Sweat, nem os marmanjões de plantão se seguraram e se entregaram de corpo e alma às batidas incontroláveis e envolventes do francês. Até mesmo aqueles mais tímidos e certinhos deixaram as vergonhas de lado e gritaram loucamente o nome do DJ.
As paredes do Mucuripe Club tremeram e a galera foi à loucura quando Guetta gritou: “Here we go, Fortaleza!”. Ninguém ficou parado, que o diga uma “tiazinha” do camarote que arriscava seus requebrados no auge da melhor idade. Entre batidas e cortadas da sua house music, David Guetta brincava com o público, fazendo com que todos cantassem seus singles, ele baixava a música e o coro perfeito ecoava da multidão.
Momentos de emoção e exaltação foram nitidamente notados. Pessoas chorando, gritando, algumas passando mal à ponto de desmaiar (até porque não se tinha como respirar). A casa estava completamente lotada! Assim foi o início do show do Dj número 1 do mundo em sua estreia em Fortaleza.
Um dos momentos marcantes foi quando Guetta tocou When Love Takes Over e fez todos formarem um coraçãozinho com as mãos. As garotas se deliciaram com o francês loiro de olhos claros fazendo coraçãozinho. Mas o melhor ainda estava por vir.
Ao tocar Memories, David Guetta pediu para que todos levantassem seus celulares e filmassem o momento para ficar marcado, e marcou mesmo. A potência foi tanta que o som parou. Isso mesmo. O som parou de tocar e Guetta ficou sorrindo, e todos aplaudindo sem entender nada.
Minutos depois, volta tudo ao normal, David Guetta com todo o gás, a galera naquela energia, e quando de repente, o som para pela segunda vez. Dessa vez, quem aplaude é Guetta. Ele retorna um minuto depois tocando Without you e levantando o ânimo da galera.
Quando menos se espera, o que todos temiam acontece. O som para pela terceira vez, e Guetta abre os braços, entoa um palavrão e sai do palco. Segundos depois, o público começa a gritar: “Guetta! Guetta! Guetta!”. O DJ volta ao palco e surpreende a todos. Ele começa a improvisar batidas dando tapinhas no microfone e a galera – arrepiada – acompanha nas palmas. Esse momento, com certeza, não vai sair da mente dos fãs. Ao normalizar o som minutos depois do improviso, a equipe técnica dá o “ok” e Guetta diz: “Vou tocar a última música, foi muito bom estar com vocês, amo o Brasil, lugar de pessoas lindas. Muito obrigado!”, e encerrou o show por volta das quatro da manhã. Isso mesmo! Foram duas horas de show! Para encerrar, um dos seus maiores sucessos, I gotta feeling. Todos soltaram a garganta, pularam do começo ao fim da música e tornaram esse show inesquecível. David Guetta saiu do palco coberto por aplausos e ovacionado por gritos ensurdecedores.
20.12.11 15:36
Entre as bandas do primeiro escalão do rock nacional oitentista, a Legião Urbana certamente ganhou um destaque especial. Boa parte disso se dava por conta do vocalista e letrista Renato Russo, um misto de profeta, guerrilheiro e porta-voz das angústias da juventude. Ótimo cantor e compositor profundo, ele conseguiu como ninguém trazer diferentes gerações para sua música que, mesmo 15 anos depois da sua morte, continuou tão forte e atuante quanto era há 20 anos.
Isso ficou claro na noite do último sábado (17), na Praça Verde do Dragão do Mar. Recebendo a primeira edição do Green Day Eco Festival, evento ecologicamente correto promovido por uma marca de sucos naturais, o local foi tomado por uma multidão de adolescentes e pré-adolescentes que estava ali para assistir Dado Villa-Lobos (fotos: Gabriel Gonçalves), o primeiro e único guitarrista da Legião Urbana. Mesmo dividindo o espaço com canções da sua impopular carreira solo, foi mesmo quando entoou os versos certeiros do trio brasiliense que o público respondeu com vontade.
A noite começou com a Praça ainda vazia para a apresentação irregular do roqueiro Stefano Marques. Em seguida, a Dona Zefa levantou a plateia com hits inesquecíveis de Luiz Gonzaga e Chico Science. A última atração local foi a Blues Label, que aproveitou bem o espaço eu ganhava mais público. Intercalados com apresentações de teatro e circo com mensagens ecológicas, os shows aqueceram bem a audiência que ainda iria ouvir o peso dos Detonautas, encerrando tudo.
Dado Villa-Lobos subiu ao palco por volta das 23h, acompanhado por uma banda cheia de peso que incluia o baixista Laufer, fiel escudeiro de Fausto Fawcett. Comentando o calor que fazia (e que não era pouco), ele iniciou os trabalhos pela carreira solo, ainda bem desconhecida. Com as canções psicodélicas e viajandonas do disco Jardim de Cactus, ele quase decepciona quem estava ali mesmo pra ouvir as palavras de Renato Russo.
Com um ar de “eu já sabia”, Dado tocava e agradecia os aplausos frios do público sempre que colocava seu (bom) trabalho pós-Legião no repertório. Mesmo adiantando o que virá a ser seu terceiro disco solo (Jardim de Cactus já foi lançado em estúdio e ao vivo), a garotada com blusas do Metallica, Slipknot e Lynyrd Skynyrd, era no máximo respeitosa. Mas foi só assumir seu papel de legionário que os gritos vieram.
A primeira foi A Dança, tirada do disco de estreia, de 1985. Em seguida, Dado deu preferência às canções mais lentas da sua antiga banda, como Giz, principalmente pra combinar com o estilo do novo repertório. Longe de ter a voz privilegiada de Renato Russo, o guitarrista ainda se arriscou em hits vigorosos como Conexão Amazônica e Ainda é Cedo. Essa última, inclusive recebeu a participação explosiva de Jonathan Doll, cercada de elogios do anfitrião. Evocando um Jim Morrison brasileiro, o cearense deixou muita gente sem voz ao cantar Namorada Fantasma e berrar versos como “troque por uma pedra o seu coração”. Dado até corrigiu: “não, não troque seu coração por uma pedra”.
Depois do que se viu – um ícone do rock nacional servindo de banda de apoio de um novato que decidiu roubar a cena – era difícil surpreender o público. Ainda assim, Dado Villa-Lobos chamou seu segundo convidado, o vocalista Tico Santa Cruz, dos Detonautas, para cantar Que País é esse?. Esbanjando simpatia, Tico sugeriu com um discurso bem correto que o público trocasse o famigerado “é a porra do Brasil” por “a Amazônia é do Brasil”. Um intervalo mais longo que o costume e Dado voltou para o bis com mais Legião. Embora não pudesse estar presente, com certeza, Renato Russo ficou feliz de saber que suas palavras ainda são tão importantes.
19.12.11 16:46
Los Hermanos em nova turnê pelo Brasil
Existe uma moda entre as bandas de rock que deve estar gerando bons resultados financeiros. Pra não anunciar que a coisa começou a feder e que ninguém se suporta mais, nem tão pouco aposentar a galinha dos ovos de ouro, os grupos se dão “férias por tempo indeterminado”. Tal regalia já chegou ao Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha (que já voltou) e o Los Hermanos, motivo deste post. Não quero dizer que é picaretagem, mas algo me diz que voltar quando o porquinho começa a perder peso não é lá uma atitude muito bacana. Principalmente se a volta é para cantar as mesmas músicas de quando as atividades da tal banda ainda estavam a todo vapor. No caso dos Hermanos, destaque da geração pós-90 que deu nova vida aos fãs órfãos do Renato Russo, eles estão com 15 shows marcados pelo Brasil que devem dar um novo gás às economias do quarteto. A nova turnê começa por Recife, no festival Abril Pro Rock, em abril, e termina em 27 de maio, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Por Fortaleza, eles passam no dia 21 de abril, na barraca Biruta. Sei que devo ser ameaçado de morte, mas a verdade é que o último deles por aqui foi bem fraquinho. Sem dar muita importância para as milhares de cabeças que se amontoavam no Ceará Music de 2009, eles tocaram de forma protocolar e desinteressada. Entrecortado por interrupções para Amarante afinar sua guitarra, o show foi amado pelos fãs mais xiitas, mas desceu mal pra quem só curte. Ainda assim, não me batam. Acho o Los Hermanos uma das melhores bandas que surgiram no Brasil nos últimos 20 anos. Principalmente levando em conta as ótimas letras de Amarante e Camelo. No entanto, o tratamento dado pelos fãs fez com que os rapazes passassem a andar uns dois palmos acima do chão. Coisas da fama.
20.ABR > Recife, Festival Abril Pro Rock (Chevrolet Hall)
21.ABR > Fortaleza, Barraca Biruta
27.ABR > Manaus, Pavilhão do Studio 5
28.ABR > Belém, Cidade Folia
05.MAI > Brasília, Ginásio Nilson Nelson
06.MAI > Salvador, Concha Acústica do TCA
07.MAI > Salvador, Concha Acústica do TCA
11.MAI > São Paulo, Espaço das Américas
12.MAI > Porto Alegre, Pepsi on Stage
18.MAI > Curitiba, Festival Lupaluna (BioParque)
19.MAI > Belo Horizonte, Chevrolet Hall
20.MAI > Belo Horizonte, Chevrolet Hall
25.MAI > Rio de Janeiro, Fundição Progresso
26.MAI > Rio de Janeiro, Fundição Progresso
27.MAI > Rio de Janeiro, Fundição Progresso
07.11.11 16:37
Por Thiago Paiva (thiagopaivajornalista@gmail.com)
Para quem é um apreciador da música eletrônica, o FW 3D MAPPING MITHOLOGY’ foi uma perfeição dos Deuses. O evento realizado no último sábado (5), no Mucuripe Club, entrou para a história como o maior evento de música eletrônica do Nordeste.
Para fazer a galera “viajar”, o evento contou com a participação do grupo GSS – Gorillaz Sound System, do rapper norte-americano Snoop Dogg e mais 30 Dj’s, dentre eles os fenômenos mundiais Yves Larock (Suíça), Robbie Riviera (EUA) e Louis Ousborne (filho de Ozzy Ousborne). As principais atrações da noite fizeram a galera delirar, literalmente.
O nível das músicas que, diga-se de passagem, foi altíssimo, serviu como combustível para a galera que curtiu 12 horas de festa. A ornamentação do evento, que remetia o público à Era da mitologia grega com os Deuses do Olimpo, contava também com vários painéis de LED e a nova tecnologia 3D Mapping’, primeira vez em um evento no Nordeste.
O público jovem que compareceu ao evento se sentiu completamente em outro mundo, com os efeitos audiovisuais que convidava à todos a voltar no tempo e viver na era da mitologia grega com Zeus, Poseidon e Afrodite. O 3D Mapping’ deixou todos meio que entorpecidos! É essa a palavra. As paredes esticavam, torciam, mudavam de cor, forma, e também chegavam a desmoronar, coisa de louco mesmo. O 3D fica bem mais perceptível quando estamos a uma certa distância de onde ele está sendo projetado, mas o incrível é que em certos momentos você jurava que as paredes iam cair sobre a sua cabeça.
Mas como tudo não pode ser tão perfeito, o evento teve alguns problemas de atraso na programação. O grupo GSS – Gorillaz Sound System, demorou a subir no Olympo (nome dado ao palco principal), a apresentação estava prevista para acontecer às 2h da manhã e o grupo só deu início ao show por volta das 2h30min, devido à grande ornamentação necessária para a apresentação deles, pois o grupo utiliza o recurso de projeções no palco. O GSS tocou músicas de todos os álbuns e fez uma homenagem à Michael Jackson tocando a introdução de ABC, do Jackson Five e o instrumental de Don’t Stop Till You Get Enough, que levantou a galera.
A produção do evento foi que se enrolou toda na hora de prepara o palco para a atração mais esperada da noite, o rapper Snoop Dogg. O público esperou pouco mais de uma hora para curtir os sucessos do rapper norte-americano. Mas como todo brasileiro sabe bem como se comportar diante dessas situações, entoou um coro de vaias à produção do evento, que tratou logo de agilizar os últimos acertos, colocar a música de abertura do show e ‘jogar’, literalmente, o rapper no palco.
Snoop Dogg subiu com tudo no Olympo às cinco da manhã com o sol já nascendo, foi isso que tornou o show mais emocionante e bonito de se ver. Até o presente momento estou me perguntando como é que ele conseguiu colocar a galera pra pular quase que o show inteiro em pleno o amanhecer do dia. Enfim, a apresentação do rapper foi bem up’. Ele mexia com a galera, principalmente com as mulheres “bonitas e solteiras”, como ele mesmo disse, ofereceu à elas a música Sensual Seduction, e também brincava com todo o público cantando: “Furtaliza!”, e a galera respondia: “ÊÔ”, todos bem ensaiados. Ao fim do seu show, Snoop Dogg pediu para que todos levantassem as mãos com um gesto para simbolizar “paz e amor” e se despediu dizendo: “Obrigado, voltarei sempre à ‘Furtaliza’”
Com certeza o FW 3D MAPPING MITHOLOGY’ não vai sair da mente dos cearenses, tudo foi muito bem planejado e saiu muito além da expectativa. Foi uma noite inesquecível para todos. E certamente entrou para a história dos eventos de música eletrônica no Brasil.
18.10.11 12:56
Marina De La Riva enche UFC de calor e malemolência
O primeiro dia da Festival de Cultura da Universidade Federal do Ceará (no caso, ontem) deixou claro o que vem por aí. Casa cheia, a Concha Acústica teve a honra de receber as presenças de Marcos Lessa, novo nome da música cearense, Tarankón, espécie de enciclopédia viva da música latina, e Marina De La Riva, cubana/carioca/mineira fiel ao estilo que defende. Infelizmente, forças misteriosas me impediram de assistir os dois primeiros shows. Mas, que bom, cheguei a tempo de ver um espetáculo incomum, embora louvável, da cultura brasileira. O que dizer de uma cantora brasileira que se lança com um disco caro, sofisticadíssimo, recheado de belas canções latinas e que frequenta um circuito seleto de casas de shows? Claro, um fracasso total de público. É aí que o jogo vira. Cheia de charme, presença e beleza, ela pisou no palco montado nos belos jardins da UFC para ganhar do público o título de cidadã fortalezense. Se morno, parado ou cansativo, ninguém percebeu. O que se viu mesmo foi um público encantado com a voz e o gingado da morena de olhar sedutor cantando em espanhol fluente (herança do pai cubano) o filét do repertório latino. Mesmo nos momentos em que pousou na MPB, vamos combinar, Ta-Hi, canção que projetou Carmen Miranda em 1930, não é lá um sucesso populista. Que importa, foi uma catarse. Todo mundo cantando junto, assim como em Bloco do prazer, do nosso conterrâneo Fausto Nilo. Sonho meu, da divina Ivone Lara, foi outro momento de maior aproximação com o público cearense, que vem gostando cada vez mais de um bom samba. O fato é que, quando a música é boa e o artista sabe trocar intimidades com o público, os muros da sofisticação caem e tudo vira uma grande festa. Agora imagine ela abrir espaço pra uma música que ela mesma não conhecia a letra, só pra deixar o público cantar. Pois foi o caso de Xote das meninas. Marina de La Riva foi uma maestrina que, sem perder o nariz empinado do ar de diva, soube se ajoelhar (literalmente) diante do público que passou a amá-la mais ainda desde ontem.
A carioca Marina De La Riva estreou em disco em 2007 com elogiado disco homônimo. Misturando canções brasileiras e cubanas, ela transitou entre o bolero, o jazz e a bossa nova dando frescor e jovialidade a canções como Sonho meu e Drume negrito. Por telefone, ela conversou com o DISCOGRAFIA sobre cantar pela primeira vez em Fortaleza num evento que celebra a latinidad.
DISCOGRAFIA – O que está preparando para essa estreia em Fortaleza?
Marina De La Riva – Estou contente por que já estou mordida pelo disco novo. Já pretendo apresentar três novas em primeira mão. A verdade é que eu já to louca pra mostrar essas músicas. Ainda tenho um projeto aí em Fortaleza, provavelmente para este ano, que ainda não posso revelar
DISCOGRAFIA – Você é uma carioca filha de cubano com mineira. Qual é o resultado dessa mistura? Como isso fica na música?
Marina – Brinco que carioca por acidente. Mas, se isso me dá algum suingue, tudo bem. Na música, o jeito mais fácil é ser transparente e essa sou eu. Meu pai falava “muchacha” e minha mãe falava “uai”. Quando eu afirmo essa bandeira latino americana e morando numa cidade como São Paulo, eu percebo que morando no campo eu pude ter muita influência da família. Me sinto moldada pela família. Na minha casa, a cultura cubana era tão real quando a brasileira. Quando eu digo isso, não tem invenção nem negação.
DISCOGRAFIA – A influência da música estadunidense no Brasil é bem maior do que a que vem de países fronteiriços. O que você acha disso?
Marina – Falta informação. Todo mundo fala que o Brasil trem uma música maravilhosa, mas a gente não perde quando passa a conhecer a música que se faz na América Latina. Agora, quando a gente se afasta da América, perde um pouco da força do grupo. Mas é por algum motivo muito idôneo. Tenho amigos que falam melhor o inglês que o espanhol. Meu filho não fala espanhol. Isso me corta ao coração. Só conhecendo a língua é que se entende a cultura de um povo.
DISCOGRAFIA – Você vai cantar num evento universitário na mesma noite que o Tarancón, uma referência na música latina. Quais foram suas referências como cantora?
Marina – São muito amplas. Na verdade eu tenho muitos musicistas como referência. Chet Baker, que nem era latino nem mulher, mas tem uma conversa que eu gosta. Tem a Maria de Los Angeles Santana e o Ernesto Lecuona. Tem o percussionista Chano Pozo. São pessoas que ouvi a vida inteira e fundamentam o meu trabalho. No Brasil tem Bethania, Maysa, Tom Jobim, João Gilberto. Engraçado que meu pai ouvia bossa em cuba e bolero no Brasil. Tudo vai alimentando nossa estética.
DISCOGRAFIA – Você vem de uma família muito musical. O que vocês gostavam de cantar em casa?
Marina – Meu pai sempre cantou ópera. Ele era mais erudito, mas sempre apresentou a cultura do país dele. Minha mãe gostava de música, mas ele tinha a paixão. A música era um elemento na nossa vida. Em cuba, a música é uma paixão assumida, não importa a classe social. Quem não sabe dançar é um “limón”.
DISCOGRAFIA – Seu primeiro disco misturava músicas latinas, incluindo as brasileiras. Qual era sua expectativa com esse trabalho?
Marina – No meu disco tem um texto que diz quem eu sou. Lá tem uma frase que diz “com isso eu vou tirar o que eu tenho no meu peito”. Era isso que eu precisava. Claro que tenho amor, que quero que o trabalho tenha asas. Mas meu temperamento era de criação, não tinha expectativa.
DISCOGRAFIA – Agora você está preparando seu segundo trabalho de estúdio. O que pode adiantar?
Marina – Também é uma fotografia da minha verdade. De 2007 a 2011, eu conheci muita gente. Ele traz um pouco das pessoas que tocam comigo, das viagens que fiz. O disco está 98% pronto, mas ainda está sem nome e sem previsão de lançamento. Tem uma participação que quero muito, mas que não estou conseguindo agenda. Talvez isso retarde o lançamento.
10.10.11 16:31
Deep Purple e seu rock de cabelos brancos
A Praia do Futuro viveu um clima inédito na noite da última sexta-feira. O entorno da Barraca Biruta estava cercado de jovens, adultos e crianças, todas trajando preto dos pés à cabeça. Quem fugiu a essa regra, certamente, estava se sentindo um peixe fora d’água. A moda daquele momento também pediu um look dedicado às grandes bandas de rock da história. Dando uma olhada ao redor, era possível ler estampando nomes como Rainbow, Janis Joplin, Motorhead, Jimi Hendrix e John Lennon (a minha!).
O motivo deste figurino tão especial é que a atração daquele dia era não menos que os ingleses do Deep Purple. Com 43 anos de carreira, eles já incluíram o Brasil no seu roteiro obrigatório de shows há mais de uma década, mas, para Fortaleza, eles estavam vindo pela primeira vez. Claro, a emoção, principalmente daqueles que acompanham a banda há mais tempo, estava estampada no rosto e ninguém fazia questão de se segurar. E tome grito e risada sempre que alguém encontrava um amigo. “Pô, tu veio?!”. “Óbvio”, era a resposta mais comum.
A abertura foi com a banda paulista República, que fez o aquecimento com canções próprias e clássicos atemporais do rock. Como bons ingleses, Ian Gillan (voz), Steve Morse (guitarra), Don Airey (teclado), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria) subiram ao palco pontualmente às 23h, tal qual combinado. Para abrir os trabalhos, eles escolheram a eletricidade de Highway star, pescada do clássico absoluto de 1972 Machinehead. O Biruta (lotado) em peso acompanhou a letra socando o ar e ainda se arriscando nas partes mais agudas da letra. É claro que nem o próprio Gillan tem o mesmo alcance de outrora, mas o que vale é a intenção.
Sem nada de firulas, truques de palco ou populismo, o show do Deep Purple é uma aula de rock, direto, reto e eficiente. Pra se ter uma ideia, o figurino do vocalista não é mais que um jeans e uma camiseta de malha branca. E pronto. A proposta deles é somente mostrar uma série de músicas que influenciou boa parte das bandas de rock pós-1970 e o público que estava ali. Mesclando sons mais pesados, transitando entre o blues e o metal, eles mantiveram os fãs na mão durante quase duas horas. Mesmo nos momentos de solos de guitarra e teclado, era difícil para a plateia não ficar, pelo menos, batendo a cabeça no ar.
E tome clássico na orelha. Lazy, Perfect strangers, Space truckin’ e Rapture Of The Deep, do disco homônimo lançado em 2005. Don Airey, em seu momento solo, mostrou maestria nos teclados viajando de Mozart a Aquarela do Brasil. Em seguida foi a vez do inacreditável Steve Morse lembrar alguns riffs famosos da história do rock, incluindo Sweat child o’mine e Purple haze. E foi com as bênçãos de Jimi Hendrix que eles abriram espaço para Smoke on the water, ainda o momento mais esperado nos shows do quinteto.
Todos com mais de 60 anos (com exceção de Morse, com 57) eles esbanjaram energia e simpatia no palco. A impressão é que a banda está se divertindo tanto quanto a legião de camisas pretas à frente. Após um set emocionante, o Deep Purple dá um parada e volta atendendo aos pedidos de bis. Um solo de Paice, outro de Roger Glover, mais canções – Hush e Black Night – e aqueles nobres senhores partem antes de uma da manhã, deixando a impressão de que a aposentadoria para eles ainda vai demorar bastante. Quanto ao público, depois de tanta energia recebida do palco, a noite ainda estava começando.
04.10.11 17:26
O Rock In Rio Foi, mas a água não voltou
Pois é… O Rock In Rio encerrou sua 4ª edição e eu nem pus meus pés por lá. Preferi acompanhar o que fosse possível pelo Multishow. Claro, “preferir” não é bem o verbo. Não tava era a fim de desmamar uma grana em passagens, transporte e ingresso pra em seguida ser encoxado por uma horda sedenta por música. Em compensação, tive que aguentar o Beto Lee desconcertado elogiando o NX Zero e os comentários que nada diziam Luisa Micheletti e Didi Wagner. Ainda assim, das duas a loirinha era mais autêntica.
Entre os pontos altos e baixos, vejo o Rock In Rio como um evento meio social, meio musical, meio antropológico e… Bem, já tem um meio a mais. O fato é que acompanhar tudo do sofá da sala lhe evita determinados constrangimentos. Lá em casa, não peguei fila para a roda gigante nem para a tirolesa, nem recebi um jato de chantilly da Katty Perry. Em compensação não tive ninguém com quem dividir as emoções do ótimo show do Elton John. Como diria Dinho Ouro Preto, “foi do caralho”. Uma curiosidade é que enquanto os banheiros da Cidade do Rock viraram, um chafariz de xixi, o da Cidade dos Funcionários estava faltando água.
O fato é que, como todo festival daquele tamanho, tudo se divide entre seus pontos altos e baixos. O mais polêmico, como sempre, é a escalação de bandas. Mas, meus queridos, o Stevie Wonder esteve aqui e isso basta. O cara é um deus vivo criador de uma obra fundamental para o funk, o jazz, o soul e sei lá mais o que. Apesar de eu não ser muito ligado em sons pesados, preciso tirar o chapéu para o peso vigoroso das apresentações do Slipknot e do Sepultura com os Tambores Du Bronx.
Na parte mais pop da coisa, a Ke$ha fazendo playback é uma das coisas mais sem sentido já criadas pelo mundo da música. Rihana e Ms. Perry, não fossem duas gostosas, não estariam onde estão. Claudia Leitte, tadinha, faz o que pode. Se pendura, voa, pula, grita, mas nunca deixa de ser uma cópia mal acabada da Ivete Sangalo (que inclusive estava belíssima de branco). O grande destaque nessa seara deixo para a Shakira. Que maravilha de show! Ótimo mesmo. A música era um detalhe, mas a silhueta…
A melhor noite acabou sendo a do segundo sábado. Marron 5 e Coldplay foram excelentes no exercício dos seus ofícios. E olha que eu nem conheço tanto assim. Foi só uma questão de competência e empatia com o público. Valeu a pena ter ficado até o final. E a pena nem foi tão ruim assim.
Passando para os brasileiros, Frejat foi populista ao fazer uma seleção de sucessos alheios misturado aos seus próprios clássicos. Deu saudade do bom e velho Barão Vermelho, mas não posso deixar de negar que o cara mandou bem demais. O Skank é aquele trator. Chegou e mandou ver com um repertório que, de tão certeiro, poderia ter sido um pouco mais ousado. Uma semana antes, Capital Inicial mostrou que tem competência pra assumir um palco daquele tamanho. Agora, claro, ta na hora de voltar aos eixos e lançar um trabalho que faça jus à própria história.
Pra encerrar, falemos do que realmente foi destaque no Rock In Rio: o Palco Sunset, o dos encontros inusitados. Meu irmão, Nação Zumbi e Tulipa Ruiz foi uma coisa de louco. Uma coisa já era de se esperar, a voz do Jorge Du Peixe engolia a delicada voz da cantora, mas ela se esgueirava e encontrava espaço pra colocar seus agudos. Milton Nascimento com Speranza Spalding foi mais chatinho, mas reservou momentos de emoção para uma geração que nunca dobrou o Clube da Esquina. Mike Patton aproveitou os olhares para enlouquecer junto com Mundo Cane e a Orquestra de Higienópolis. O resultado foi, no mínimo, exótico e curioso.
Por conta do horário da transmissão, muitos shows foram perdidos. caso por exemplo da Céu com o João Donato, que suponho tenha sido eficiente, cuidadoso, lombroso e lisérgico na medida. Minha duas maiores expectativas acabaram sendo cortadas ao meio. No sábado, Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes foram interrompidos para que começasse o Palco Mundo. Já no domingo, Tom Zé começou cedo e a transmissão perdeu as primeiras músicas. Em seguida, os Mutantes subiram no palco para divir o microfone (que falhou) com o mestre baiano. Serginho Dias assustou pelas formas um tanto mais arredondadas e pela guitarra sempre afiada. Um mestre que merecia mais respeito. De quebra, ele ainda convidou Beto Lee para tocar violão. Há quem diga que Sérgio tenha falado antes com Rita sobre este convite ao seu pimpolho e que dali tenha saído uma reconciliação para os problemas de 40 anos antes. Mentira. Mutantes – leia-se Rita, Sérgio, Arnaldo, Dinho e Liminha – jamais vão tocar juntos novamente. Mas a nova formação sabe soar convincente. Discorde quem quiser.
E eis que o maior festival de m,úsica dom mundo acabou. Apesar de toda a campanha sobre sustentabilidade, parece que ainda não pararam com o desmatamento. Assim como a água do meu condomínio não voltou. Ainda assim, é grande a expectativa pela próxima edição já agendada para 2013. Tentarei ir ver tudo in loco. Ou não. Sei lá, entende?
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