Discografia

01.05.12 11:00

Acústico MTV Arnaldo Antunes chega às lojas em maio

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

Nem bem lançou A Curva da Cintura, bom projeto internacional ao lado de Edgard Scandurra e Toumani Diabaté, premiado músico de Mali, e Arnaldo Antunes já volta com um novo disco. Seu próximo trabalho é o CD e DVD Acústico MTV, previsto para chegar às lojas em maio. Enfileirando músicas desde a ápoca dos Titãs, passando pelos Tribalistas até chegar à carreira solo, o compositor será acompanhado pela mesma banda que o acompanha desde o disco Iê Iê Iê – Edgard Scandurra, Curumin, Marcelo Jeneci, Betão Aguiar e Chico Salem – e ainda recebe como convidados a cantora Nina Becker e os músicos Guizado e Moreno Veloso. Pra coroar, ele acrescentou as inéditas Dentro de um sonho e Ligado à você. Veja as faixas:

1. A Casa é sua
2. A Nossa Casa
3. Debaixo D’água
4. Dentro de um Sonho
5. Sem Você
6. Se Assim Quiser
7. De Mais Ninguém
8. Alma
9. Consciência
10. Até o Fim
11. Engrenagem
12. Pop Zen
13. O Seu Olhar
14. Ligado a Você
15. O Que / Comida
16. Fora de Si
17. Música para Ouvir
18. Envelhecer

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03.04.12 15:19

Arnaldo Antunes e a arte do encontro

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

O poeta Vinicius de Moraes costumava dizer que “a vida é a arte do encontro”. Mas, com licença o Poetinha, o mesmo pode ser dito da música. Que o diga Arnaldo Antunes, um dos nomes mais plurais da música brasileira que sempre se junta com quem possa lhe tirar da zona conforto. Se não, vejamos. Apresentado nos anos 80 ao lado dos Titãs, o paulistano mistura punk, rock e poesia concreta ao lado dos outros sete músicos da banda. Depois, seguindo carreira solo, deu início a uma parceria frutífera com o guitarrista Edgard Scandurra e deu vazão àquelas canções mais experimentalistas que não cabiam no estilo da antiga banda. Em seguida, encontrou Marisa Monte e Carlinhos Brown nos Tribalistas e se aproximou mais da MPB. Recentemente, redescobriu a Jovem Guarda com a ajuda de Fernando Catatau.
 
Hoje, com 19 anos de carreira solo, o parceiro mais constante de Arnaldo em palco, estúdio e composição continua sendo Scandurra. Para celebrar essa alquimia, em 2009 eles começaram um projeto somente de voz, guitarras e bateria eletrônica que renderia o primeiro disco creditado à dupla. Mas um convite do Black2Black acabou rendendo mais uma aliança musical no currículo do compositor. A ideia do festival é que eles tocassem com o músico Toumani Diabaté, natural de Bamako, Mali. Vencedor de dois prêmios Grammy, em 2010 e 2011, na categoria melhor álbum de Traditional World Music, o africano é um mestre na kora, espécie de harpa com 21 cordas.
 
Apesar do trio ter feito só um ensaio para o festival, a sintonia foi perfeita e Toumani acabou convidando a dupla para gravar seu disco em Mali. Era o que faltava para que ele também entrasse para o novo projeto. Com o carimbo MTV Especial, A curva da cintura foi lançado em CD e DVD (com documentário de Dora Jobim sobre as gravações do disco e sobre os hábitos malienses) e mostra o melhor do que cada um dos três tem para oferecer. São 18 faixas, gravadas em São Paulo e Mali, curiosamente divididas entre 14 do trio e quatro bônus instrumentais, sem Arnaldo. Nessas últimas, que poderiam estar misturadas entre as outras 14, Edgard e Toumani duelam majestosamente com seus instrumentos, obrigando o ouvinte a apurar bem os ouvidos para compreender aquele emaranhado de cordas.
 
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Das primeiras, 11 são composições de Arnaldo e Edgard. É o caso de Muito Além, lançada pelo Ira! no projeto Acústico MTV (2004), e Cê sabe como é, que mistura poesia punk de Arnaldo (“Meu bem larga esse namorado/ Cê não não vê que ta errado/ Ele não te dá valor”) com uma melodia doce, tipo valsa de 15 anos. Certo de que agregar experiências é que faz bem, Que me continua poderia bem estar no disco dos Tribalistas ou no de qualquer sacerdote da MPB, como Caetano Veloso. Já Meu cabelo, é uma versão engraçada de Arnaldo para Elisa, de Serge Gainsbourg e Michel Colombier, bem costurada pela kora de Toumani. Assim como Grão de chãos, balada etérea filosófica composta pelo trio titânico Antunes, Paulo Miklos e Liminha.
 
Contando ainda com outros músicos africanos, como Sidiki Diabaté, filho de Toumani, A curva da cintura é um disco de pop bem feito com produção bem amarrada de Gustavo Lenza (Lucas Santanna, Curumim). Mesmo que tenha recém chegado nas lojas, seu sucessor, o Acústico MTV Arnaldo Antunes, já está pronto e logo vai estar disponível em CD, DVD, Blu-ray e na TV. No projeto ainda inédito, os encontros continuam, agora com Nina Becker, Moreno Veloso e Guizado. Em cada nova parceria, um novo mundo se abre para Arnaldo Antunes. É como ele mesmo canta em Kaira, faixa que encerra sua participação em A Curva da Cintura: “a música muda você, você muda mais alguém. Alguém muda outro alguém, que muda você também”.

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12.12.11 15:02

Hotsite apresenta A curva da cintura, novo disco de Arnaldo Antunes

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Com dois novos trabalhos anunciados, sendo um deles um Acústico MTV prometido para 2012, Arnaldo Antunes disponibilizou gratuitamente na grande rede todas as faixas do seu novo disco. A curva da cintura é um projeto a seis mão que vai reunir o ex-Titã com seu inseparável guitarrista Edgard Scandurra e o músico maliense Toumani Diabaté. Cheio de sons estranhos e ruídos curiosos, o disco traz 18 melodias que flutuam entre o elétrico e o acústico. Quatro delas são instrumentais e contam com Toumani tocando sua kora, espécie de harpa com 21 cordas. Além da prodigiosa guitarra, Edgard também assume o microfone em algumas faixas, como Muito além. Como é de praxe na carreira de Arnaldo pós-Marisa Monte, o resultado é uma linha entre o peso e a sutileza, entre o rock e a MPB, entre São Paulo e o mundo.O disco A curva da cintura teve produção é de Gustavo Lenza e o registro em vídeo ficou a cargo de Dora Jobim e sai em DVD, junto com o CD sob o selo Especial MTV.

Confira a tracklist:

1. A CURVA DA CINTURA (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
2. CARA (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
3. CORAÇÃO DE MÃE (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
4. MEU CABELO (Serge Gainsbourg / versão: Arnaldo Antunes)
5. GRÃO DE CHÃOS (Arnaldo Antunes / Liminha / Paulo Miklos)
6. CÊ NÃO VAI ME ACOMPANHAR (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
7. QUE ME CONTINUA (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
8. UM SENHOR (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
9. PSIU (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
10. SE VOCÊ (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
11. MUITO ALÉM (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
12. CÊ SABE COMO É (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
13. IR, MÃO (Arnaldo Antunes / Edgard Scandurra)
14. KAIRA (Toumani Diabaté / Arnaldo Antunes)
Bônus track
RIO SECO (Toumani Diabaté)
NEBLINA DE AREIA (Edgard Scandurra)
YACINE (Toumani Diabaté)
BAMAKO’S BLUES (Edgard Scandurra)

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02.12.11 18:11

Arnaldo Antunes anuncia seu Acústico MTV

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Um dos maiores operários da arte brasileira, Arnaldo Antunes mal falou sobre A curva da cintura, projeto dividido com Edgard Scandurra e o músico africano Toumani Diabaté (vencedor do Grammy Awards na categoria Melhor Álbum em 2010 e 2011), e já está com uma nova ideia na cabeça. Próximo domingo (4), ele vai entrar nos estúdios da MTV para gravar um especial Acústico. Mesmo tendo lançado o mezzo acústico Ao Vivo No estúdio em 2007, ele volta ao estilo desplugado acompanhado por Edgard Scandurra (violão), Marcelo Jeneci (teclado), Curumim (bateria), Chico Salém (violão) e Betão Aguiar (baixo). A produção será de quase titã Liminha, que tão foi produtor do super sucesso Acústico MTV Titãs, que contou com a participação de Arnaldo. Aliás, foi esse o disco que solidificou a marca Acústico no Brasil e a tornou uma garantia de boas vendas ao longo da década de 90 e no início da seguinte. Como de praxe, um dos convidados anunciados é o músico Guizado. O Acústico MTV Arnaldo Antunes contará com duas músicas inéditas Dentro De Um Sonho e Ligado a Você, além de músicas da carreira solo do cantor como Sem Você, A Nossa Casa, Música Para Ouvir e Debaixo D´Água e releituras dos Tribalistas e Titãs. O programa vai ao ar no canal fechado em março de 2012 e, em seguida, vai ser vendido em CD, DVD e Blue-Ray.

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06.10.11 14:47

Música de leste a oeste

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Por Yuri Tavares (yuritavares@opovo.com.br)

De leste a oeste do litoral que banha nosso Estado, com propostas que agregam múltiplas manifestações e gêneros em torno da música, este fim de semana reserva uma movimentação intensa aos cearenses para fora dos limites da capital. Realizados em duas das praias mais famosas da região por suas belezas e presença cultural de diferentes nacionalidades, as praias de Jericoacoara e Canoa Quebrada recebem neste fim de semana – respectivamente – os festivais Jeri Sport Music Festival e Festival Canoa Blues, ambos se consolidando em suas quartas edições.

Propondo um “Encontro das Artes”, o Jeri Sport Music Festival começa hoje e vai até o sábado (8). Em meio a uma programação gratuita que reúne oficinas de teatro e fotografia (pinhole), competições de windsurf e kitesurf, além espaços de convivência voltados à gastronomia e ao artesanato de artistas locais, o destaque deste ano fica a cargo das apresentações musicais que fecham as noites de amanhã e sábado, com shows do paulista Arnaldo Antunes e do pernambucano Otto.

Em continuidade à turnê do projeto Ao vivo lá em casa, que comemorou seu cinquentenário rodeado de amigos e deu origem a um DVD gravado no aconchego de seu lar no ano passado, o poeta, compositor e cantor Arnaldo Antunes apresenta um repertório de canções que passeiam por sua discografia, com destaque para seu último trabalho de estúdio, o disco Iê Iê Iê (2009).

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No caso do músico Otto, que atualmente trabalha nas gravações do disco The Moon 1111, sucessor do aclamado e visceral Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009), o show traz o repertório de sua última turnê, em processo de encerramento, mas o cantor afirma que cada ocasião é diferente. “A apresentação é uma caixa mágica, onde, dependendo do lugar, seguimos naturalmente uma intuição que tem a ver com a energia de lá. Acho que Jeri (coacoara) é com certeza especial. Estou muito contente pela beleza, magia e o prazer de tocar lá”, afirmou o músico em entrevista por e-mail.

A programação que se inicia hoje terá abertura oficial com a festa É Proibido Proibir – uma versão “resignificada” do projeto “Farra na Casa Alheia” -, que conta com a participação de cinco DJs, entre eles os idealizadores Guga de Castro e Rodrigo Fuser e o convidado Fran Viana.

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Amanhã e no sábado, antes das apresentações de Arnaldo Antunes e Otto, respectivamente, a programação recebe os talentos locais Gabriel Rodrigues, de apenas 11 anos, e Manuella Camboim, que volta ao festival depois de sua participação na primeira edição. Na sexta, a partir das 21 horas, o palco principal recebe também o espetáculo Cabra da Peste, interpretado por um grupo de 22 integrantes, entre crianças e adolescentes de 7 a 15 anos.

Canoa blueseira

Com um projeto amarrado em torno de um gênero específico, trazendo as diferentes vertentes do Blues para o espaço da praia, o Festival Canoa Blues promove a partir de amanhã até domingo (9) um encontro entre público e artistas de diferentes gerações, sotaques e nacionalidades do Blues em apresentações também gratuitas.

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Neste ano, as atrações internacionais do festival são os norte-americanos Peter “Madcat” Ruth e Tia Carroll, que apresentam na sábado suas influências e trabalhos característicos de suas trajetórias artísticas. No caso de Peter “Madcat”, multi-instrumentista vencedor de Grammy e conhecido por sua virtuosidade no manejo da harmônica (gaita), o público poderá conferir uma nova apresentação do músico em solo cearense depois de seis anos.

Dos nomes nacionais que compõem a programação, o Festival Canoa Blues apresenta uma reunião de projetos de diferentes regiões, com artistas do Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Paraná. A abertura de amanhã tem assinatura dos músicos cearenses Rafael Balboa e Arthur Menezes, este que durante os meses de junho e julho esteve ao lado de grandes nomes do Blues na cidade norte-americana de Chicago, bebendo em uma das fontes mais representativas do gênero.

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No sábado, juntamente com as atrações norte-americanas, o festival recebe o show do paulista Igor Prado e sua Prado Blues Band, considerado uma das revelações do blues nacional dos últimos anos com apresentações em diversos países. No domingo, fechando as atividades, a programação recebe o potiguar Gustavo Cocentino, referência do blues no estado, e os paranaenses do Mr. Jack.

SERVIÇO:

> 4º JERI SPORT MUSIC FESTIVAL

Onde: Na praia de Jericoacoara, a 295km de Fortaleza

Programação gratuita
Outras informações: (85) 3458.1235 / 3458.1167

> Dia 06 de outubro (quinta)
22h – Festa de Lançamento: “É Proibido Proibir”, repertório ritmado da “Farra na Casa Alheia”. Convidado VIP: Fran Viana.

> Dia 07 de outubro (sexta) 
13h/16h – Oficina de Pinhole
13h/16h – Oficina de Teatro
17h – Sunset com os DJs Lucas Donadel e Marcela Bressane
21h – Peça de Teatro no palco principal
22h30 – Gabriel Rodrigues e banda
23h30 – Arnaldo Antunes
Encerra a noite com apresentação da DJ Marcela Bressane
 
> Dia 08 de outubro (sábado) 
11h – Regatas de Kitesurf e Windsurf, com saída da praia do Preá
13h/16h – Oficina de Pinhole
13h/16h – Oficina de Teatro
17h – Sunset com os DJs Lucas Donadel e Marcela Bressane
22h – Premiação das regatas de Kitesurf e Windsurf
23h – Manuella Camboim
00h – Otto
Encerra a noite com apresentação da DJ Marcela Bressane

> FESTIVAL CANOA BLUES

Onde: Na praia de Canoa Quebrada, município de Aracati, a 149km de Fortaleza

Programação gratuita
Outras informações: (85) 3133.7769 ou http://www.canoablues.com.br/

> Dia 07 de outubro (sexta) – 22h – Pólo de Lazer de Canoa Quebrada

Rafael Balboa (CE)

Artur Menezes (CE)

> Dia 08 de outubro (sábado) – 22h – Pólo de Lazer de Canoa Quebrada

Igor Prado e Prado Blues Band (SP)

Tia Caroll (USA)

Peter “Madcat” (USA)

> Dia 09 de outubro (domingo) – 12h – Barraca Chega Mais

Gustavo Cocentino (RN)

Mr. Jack (PR)

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23.08.11 13:27

Sexo & Rock’n’Roll & Erasmo Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Deixe as vergonhas de lado, perca os pudores e se jogue nos braços do prazer com Erasmo Carlos (Foto: Daryan Dornelles/Fotonauta). O convite vem do próprio mestre que, do alto dos seus 70 anos (completados no último 5 de julho), deixa de lado o estilo romântico e conservador do seu parceiro mais constante para lançar o auto explicativo Sexo. Com produção de Liminha (o mesmo do excelente Rock’n’Roll), o disco traz 12 faixas com dicas, desabafos, discussões e impressões do velho mestre sobre o “esporte” mais praticado pelo homem.

“Antes eu queria mesmo era quantidade. Hoje prezo pela qualidade”, assume Erasmo, por telefone, lembrando seus velhos tempos de Jovem Guarda. A voz marota e cheia de malícia, em nenhum momento aparenta vergonha ou vontade de esconder algum detalhe. “As pessoas perguntam se eu já tomei alguma coisa. Já tomei Viagra, mas não gosto. Prefiro Cialis e o Levitra. A juventude toda toma, mas ainda existe o tabu”, protesta. Aliás, ele assume que já sabia que um homem da sua idade falando sobre sexo iria dar no que falar. “Não faço pra chocar, mas pra acordar. Os meninos não têm a quem perguntar, a religião bota o pecado na cabeça das pessoas. O sexo era pra ser um papo normal”.

Mas, não espere ouvir baixarias, duplo sentido ou nada que incomode à grande família brasileira em Sexo. Entre a clareza e a figura de linguagem, Erasmo aborda a fidelidade, a traição, a diversão do sexo de uma forma única. “Nesse disco, eu queira falar de uma forma com menos poesia, como se fala no ouvido da mulher”, explica citando Apaixocólico anônimo, uma ode ao sexo oral onde ele se assume um “escravo do mel” da amada. Sem esquecer também a amálgama entre sexo e amor, foi o próprio Erasmo quem sugeriu a arte da capa.

No quesito diversão, Sexo abre com uma lista de posições sexuais levantadas por Arnaldo Antunes e transformadas na agitada Kamasutra. Caranguejo, coqueirinho ajoelhado, guindaste, fênix na caverna vermelha, são só algumas sugestões presentes. Erasmo confessa que uma boa parte ele já fez, mas não sabia o nome. A solução foi consultar o bom e velho google para se atualizar. “Mas o ‘papai e mamãe’ ainda é hors concours. É mais relaxado”, adianta. Kamasutra é a primeira música de trabalho que vai ganhar um clipe. Aliás, dois clipes com direção de Cacá Diegues. Um deles terá cenas censuradas.

Além do ex-Titã, Sexo traz Erasmo junto com outros parceiros (ops!). Adriana Calcanhotto, admiradora confessa, traz uma visão feminina para Seu homem mulher, tema com ares de George Harrison. Sexo e Humor é um rockão clássico em parceria com Chico Amaral. Já Nelson Motta contribui na bela balada E nem me disse adeus, adocicada pelos vocais dos Filhos da Judith. E o produtor Liminha comparece em O Rosto do Rei, cheia de guitarras sujas sobre uma letra que, queira ou não, faz lembrar um tal Roberto que há tempos largou o rock.

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Falando de outro assunto que dá tesão ao compositor, são as várias nuances do rock que dá o ritmo para Sexo. “Como sou brasileiro, sofro muita influência de estilos como Bossa Nova, baião e samba. Acabei virando uma MPB muito radical, que me deu vontade de voltar às raízes”, explica Erasmo orgulhoso por ter resgatado o blusão de couro do fundo do armário. Agora ele aguarda o lançamento do DVD ao vivo no Rio com o registro da turnê Rock’n’roll e participações de Marisa Monte e Roberto Carlos. Outra expectativa é pelo show que vai dividir com Arnaldo Antunes no Rock in Rio. “Vejo que a juventude tem ido aos meus shows. Tem o público da Jovem Guarda, mas to vendo gente nova. Todo mundo canta, dança e sempre predomina a descontração, a alegria”, encerra o mestre.

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14.06.11 11:56

Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra gravam disco na África

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

O DISCOGRAFIA já havia anunciado. A dupla Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra está se preparando pra lançar um projeto em conjunto. “Há, mas isso é notícia repetida. Eles vivem tocando juntos desde que o Arnaldo deixou os Titãs em 1992″, diria você leitor. A questão é que eles sempre tocaram juntos na carreira solo do Arnaldo. Esse é um projeto pensado pelos dois juntos e deve preceder um outro projeto que já anda rodando na cabeça do tribalista que é um disco só de voz e guitarra. Adivinha com quem? É com o Edgard sim. Mas, falando deste projeto já em andamento, trata-se de um disco com influências africanas, com adesão do recém premiado com o Grammy 2011 de melhor álbum de world music tradicional Toumani Diabaté. A produção será de Gustavo Lenza (Céu e Curumin). Edgard e Arnaldo até passaram 10 dias do mês de maio na África trabalhando nas faixas inéditas que os dois compuseram juntos e levaram daqui. Lá eles contaram também com outros músicos locais, como Sediki, filho de Toumani. O trabalho está sendo registrado em vídeo por Dora Jobim e será finalizado durante este mês aqui no Brasil. A previsão de lançamento é para setembro de 2011. Esperemos.

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14.04.11 13:10

Acompanhe a discografia completa de Marisa Monte

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Ao longo de sua carreira, Marisa Monte costumou mesclar seu ofício de cantora com o de produtora. Quando, para os fãs, ela “dá uma sumida” é porque, de fato, ela está com outro projeto na cabeça. Seus últimos discos de inéditas foram em 2006, Infinito particular e Universo ao meu redor, mas, em 2008, ela lançou um DVD com um documentário sobre a turnê e, de bônus, encartou um CD com nove faixas, entre elas a (fraca) Não é proibido, parceria com Seu Jorge e Dadi Carvalho. Veja abaixo a discografia comentada da carioca: 
 
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(1989) MM – Estreia ao vivo, produzida por Nelson Motta. Puxado pelo sucesso de Bem que se quis, o disco é 100% de intérprete, incluindo versão samba-enredo dos Mutantes (Ando meio desligado), blues para Titãs (Comida) e reggae para Marvin Gaye (I heard it through the grapevine). Bom do começo ao fim. O DVD, gravado pela finada TV Manchete, mas lançado somente em 2004, mantém o nível e traz um delicioso dueto com Ed Motta em These are the songs. 

(1991) Mais – Estreando como compositora, Mais confirma a vocação de Marisa para o pop. Ed Motta volta para a balada arrasa quarteirão Ainda lembro. Nando Reis, seu então namorado, comparece em quatro faixas, incluindo a delicada Diariamente. Também gerou um DVD, que traz participação de Arto Lindsay e versão para Beatles, Roberto Carlos e Jimmy Cliff. 

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(1994) Verde, anil, amarelo, cor-de-rosa e carvão – Considerado como um clássico dos anos 90, o disco começa a trazer Carlinhos Brown para seu lado, o que marca a sonoridade do disco. Arnaldo Antunes ganha mais destaque como compositor ex-Titãs. Os Tribalistas começavam a brotar. Apostando num pop com cara brasileira e sem perder o olhar nos clássicos, o disco traz participações de Carlinhos, Laurie Anderson, Gilberto Gil, Velha Guarda da Portela, Paulinho da Viola e mais um monte de gente. Destaque para Esta Melodia (Jamelão/ Bubu da Portela) e Balança a pema (Jorge Ben). Curiosidade: o título do disco foi tirado de uma música de Carlinhos Brown (Seu Zé), que não está no disco.

(1996) Barulhinho bom – Disco duplo, gravado meio ao vivo, meio estúdio. O ao vivo vai de Mutantes a Luiz Gonzaga. No estúdio, Lulu Santos, Carlinhos Brown, Gilberto Gil, Moraes Moreira e Haroldo de Campos comparecem como compositores. O disco gerou o excepcional DVD gravado no Hotel das Paineiras (RJ), contando com as participações de Velha Guarda da Portela, Carlinhos, Arnaldo e a formação completa dos Novos Baianos. Por conta deste trabalho, o grupo de Moraes, Baby e Pepeu gravou um novo trabalho (Infinito Circular) após 23 anos. 

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(1998) Omelete man – Marisa atua como produtora no segundo disco de Carlinhos Brown. Entre os destaques, a parceria de Carlinhos e Arnaldo Antunes em Busy man, com vocais de Marisa.  

(1999) Café atlântico - No ano em que a cabo-verdiana Cesária Évora lançou seu Café Atlântico, Marisa volta como produtora na faixa É doce morrer no mar, de Dorival Caymmi, registrada exclusivamente na versão brasileira do disco. Marisa divide os vocais. 

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(2000) Memórias, crônicas e declarações de amor – Esperado disco de inéditas após seis anos atuando basicamente como produtora. O repertório populista do disco atingiu as rádios em cheio, principalmente com o sucesso da menosprezada Amor I love you. Entre os destaques, uma homenagem feita a ela por Caetano Veloso (Sou sua sabiá) e uma linda versão, meio valsa meio bossa, de Gotas de luar, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Cinco minutos foi uma resposta a Jorge Ben, que convidou Marisa para participar do seu disco Músicas para tocar em elevador. Ela acabou se atrasando e não entrou no disco. Ainda em 2000, ela produziu Tudo azul, com a Velha Guarda da Portela cantando seus clássicos. Tem de ouvir. 

(2002) Tribalistas -  Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Dadi Carvalho e Cezar Mendes se juntam para este excelente trabalho coletivo, que acabou sub valorizado pelo imenso sucesso. Já sei namorar ganhou versões em forró, pagode, samba, reggae, pancadão, dependendo do estado onde ia tocar. Destaque para Pecado é lhe deixar de molho, única cantada só por Marisa (mas destaque não por isso). No mesmo ano ela produz a estreia de Argemiro Patrocínio, da Portela, em disco solo. O resultado é um autêntico disco de samba da velha guarda, que hoje é uma raridade.

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(2006) Inifinito particular e Universo ao meu redor – Matando a fome de quem já ansiava por um disco de Marisa, ela lançou dois discos simultaneamente. Um mais voltado para o pop e outro para o samba. Ao longo das faixas, novos parceiros como Adriana Calcanhotto, Seu Jorge e Teresa Cristina. Em Infinito particular, o destque fica para Pelo tempo que durar, última do disco. E em Universo ao meu redor, Três letrinhas, parceria inédita de Moraes Moreira e Luiz Galvão.

(2008) Infinito ao meu redor – Registrando a turnê dos seus últimos dois discos, Marisa faz um meio documentário sobre todo o processo de gravação de um disco, desde a elaboração do projeto até divulgação e turnês. De quebra, ela dá uma alfinetada nos jornalistas que costumam repetir perguntas. Junto com o DVD, um CD de 9 faixas que pouco acrescentam à sua discografia. E isso não é despeito pela tal alfinetada. Curiosidade: a faixa Mais uma vez também aparece no DVD da turnê Mais (1991) como uma música cantada pela equipe durante as viagens de ônibus.

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22.02.11 14:11

Novidades roqueiras por aí

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Vejam alguns dos roqueiros que vão voltar às lojas em 2011:

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- Após um longo jejum, chegou a vez de Rita Lee voltar às prateleiras, e em dose dupla. Já falado e repetido pelo twitter, a rainha anunciou que vai preparar a sucessor Balacobaco, seu último e ótimo trabalho de inéditas, lançado em 2003. Enquanto não lança suas canções novas, ela apresenta um segundo trabalho chamado Bossa’n movies. Trata-se de uma série de trilhas sonoras de filmes americanos vertidos para bossa nova. Aliás, este é seu segundo trabalho dedicado ao gênero criado por João Gilberto. Em 2001, ela dedicou Aqui, Ali, Em qualquer lugar à obra de Lennon e McCartney em versão bossa.

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- Já anunciado neste blog que vos escreve, Arnaldo Antunes pretende registrar em disco um trabalho minimalista acompanhado apenas pelo seu fiel escudeiro Edgard Escandurra. Voz e guitarra somente, mas que voz e que guitarra. Sem mais detalhes, Arnaldo apenas adiantou que será um disco de canções inéditas para um show que eles já fazem há bastante tempo.

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- “Um álbum mais extrovertido, pulsante, com uma música que vai em direção ao próximo”, assim Marcelo Camelo definiu seu segundo disco de inéditas, que será lançado no fim de março. Após um pouquíssimo comentado projeto ao vivo lançado pela MTV, o próprio Camelo produziu seu novo disco, que foi mixado pelo americano Vitor Rice.

- O mau comportados senhores do AC/DC vão lançar Cd e DVD ao vivo este ano, ainda no primeiro semestre. O registro foi feito em dezembro na Argentina, durante a turnê Black Ice. Foram 60 mil pessoas em cada uma das três noites em que os autralianos tocaram sua fileira de rocks. Sem planos para um próximo trabalho de inéditas, o vocalista Brian Johnson mandou: “Tocamos para cinco milhões de pessoas. Merecemos um descanso”. 

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- Na linha dos seus muitos bootlegs, Bob Dylan agora vai lançar um show gravado em 1963. Lançado em CD e vinil, Bob Dylan in Concert – Brandeis University 1963 capta o poeta em seus últimos momentos antes da fama, segundo o pesquisador Michael Gray. A gravação foi feita em 10 de maio de 1963, quando Bob participava primeiro Festival anual de folk da Brandeis. No repertório, Honey, Just Allow Me One More Chance (incompleta), Talkin’ John Birch Paranoid Blues, Ballad of Hollis Brown, Masters of War, Talkin’ World War III Blues, Bob Dylan’s Dream e Talking Bear Mountain Picnic Massacre Blues. Parte dessas canções foram lançadas nos albuns The frewheelin’ Bob Dylan (1963) e The times they are a-changin’ (1964).

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11.12.10 12:05

Pode entrar

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

A ideia de gravar um DVD dentro da própria casa parece bem inusitada num primeiro momento, mas não impossível. Por sorte, existem aqueles que buscam o inusitado. Arnaldo Antunes fez isso na hora fazer o registro do seu novo e ótimo show Iê Iê Iê.O show Ao Vivo Lá em Casa (fotografado por Fernando Laszlo) foi registrado por Andrucha Waddington  em 9 de agosto de 2010 na casa do ex-Titã e o resultado é no mínimo curioso. Variando imagens da apresentação realizada na varanda do andar superior com cenas caseiras cheias de filhos, amigos e intimidades, o DVD não é uma espécie de reality show voluntário de Arnaldo, mas, sim, mas uma boa ideia do artista mutante que parece não cansar nunca de buscar o novo.  Assim como na turnê que já passou duas vezes por Fortaleza, a banda que o acompanha no show é formada por Edgard Scandurra e Chico Salém nas guitarras, Betão Aguiar no baixo, Curumin na bateria e Marcelo Jeneci nos teclados. Como se bastasse o repertório com canções do disco Iê Iê Iê (Rosa Celeste, 2009) com Americana e Pra aquietar, Arnaldo ainda convidou para cantar o grande Erasmo Carlos, o mestre Jorge Ben Jor e o nosso conterrâneo Fernando Catatau. Na abertura, fazendo uma vinheta ao vivo, os lendários Demônios da Garoa cantam Já fui uma brasa, piada-homenagem de Adoniran Barbosa sobre os então recentes meninos do Iê Iê Iê. Simpático e solícito, Arnaldo Antunes conversou com o DISCOGRAFIA sobre este novo trabalho e já apresentou planos futuros: um disco em parceria com o guitarrista Edgard Scandurra. Acompanhe.

DISCOGRAFIA – Comece falando sobre gravar um show em casa. Como veio a ideia?

Arnaldo Antunes – A ideia veio na hora de fazer a versão em DVD do show Iê Iê Iê. O desejo de fazer esse DVD na minha casa já é antigo. Estou morando nessaa casa há oito anos e sempre via terraço como um palco perfeito. Ou seja, é um desejo antigo que vem a partir da própria configuração da casa.

Imagem de Amostra do You Tube

DISCOGRAFIA – Mas, e como sua família recebeu esta proposta?

Arnaldo Antunes – Tenho quatro filhos: a Rosa (22), a Celeste (19), o Brás (13) e o Tomé (8) e meu enteado Pedro, filho da Márcia. Nos dias que antecederam a gravação, a casa foi tomada pala produção e nós mudamos para outra casa. Aqui, cada um tem o seu quarto e a casa teve que ser toda adaptada para a chegada dos equipamentos e dos técnicos. Eles acompanharam tudo e eles viram a bagunça acontecendo. Mas, todos deram a maior força e acabaram aproveitando. No antes do DVD (nos extras) nós mostramos isso. No dia da gravação, estavam todos lá, amigos, filhos, amigos dos filhos.

DISCOGRAFIA – Este seu Ao Vivo Lá Em Casa nasceu de uma parceria com a Natura e com o canal VH1, que está entrando nessa seara de produção nacional de musicais, assim como a Natura. O que tem achado desses novos parceiros?

Arnaldo Antunes – Eu acho muito legal porque acabou o período em que a indústria fonográfica bancava tudo. Isso mudou a configuração do mercado. A Natura tem muitos projetos de gravação de shows e filmes, produção de shows. Quando surgiu esse DVD, eles também decidiram produzir. E a VH1 foi uma parceria muito feliz. Acho que acabam sendo alternativas para essa crise no mercado. Essas empresas acabam fazendo esse papel que antes era da indústria fonográfica.

DISCOGRAFIA – Já que você falou no assunto, como você essa crise no mercado de discos e os downloads?

Arnaldo Antunes – As coisas estão mudando de forma muito rápida. Eu adoro loja de discos e de escolher discos pela capa. Acho que vai continuar existindo os discos, junto com a música virtual. Tem vários fatores para a crise do disco como mercado, mas a venda de música virtual vem crescendo. Ao baixar as músicas, você deixa de pagar um monte de gente, mas isso também virou uma forma de divulgar o trabalho. Acho que aumentou muito o número de emissoras de TV a cabo, o que aumenta também os programas musicais. Hoje, já é possível ter um estúdio na garagem de casa sem ter que pagar estúdios caríssimos. Isso significa tudo mais nas mãos dos criadores, o que é uma revolução. É um cenário que tem coisas boas que vão se equilibrando. É interessante poder baixar música, mas é interessante a sociedade ter um artista pago como um profissional. Essas novas formas de patrocínio apontam um novo caminho.

DISCOGRAFIA – Voltando ao disco, uma coisa que chamou a atenção quando vi os bastidores da gravação foi sua emoção ao receber seus convidados, todos grandes referências.

Arnaldo Antunes – Que honra ter esses monstros na minha casa. Do Jorge (Ben), sou fãzaço da obra toda. O Erasmo (Carlos) foi de uma gentileza absurda. Claro que tinha um desejo de chamá-lo por conta do conceito Iê Iê Iê e teve a coincidência dele lançar o (disco) Rock’n Roll. Ele que surgiu dentro de um contexto chamado Iê Iê Iê. A gente se aproximou, eu convidei e ele topou fazer. Foi uma homenagem a ele que é um pioneiro. O Ben Jor, como eu falo, sempre foi um ídolo. A gente já vinha tocando o Cabelo com um arranjo, mas ele chegou com outro no gravadorzinho dele. A gente combinou uma coisa, mas na hora muda tudo. Não tinha nada certo. Já os Demônios da Garoa, a gente já vinha fazendo Já fui uma brasa como introdução pro show, por conta da referência de um cara do samba (Adoniran) falando da chegada dos meninos do rock. Foi uma gravação muito generosa da parte do dele e tivemos a ideia de convidá-los pra tocar no DVD.

DISCOGRAFIA – Outro convidado é o nosso conterrâneo Fernando Catatau, com quem você vem fazendo uma ótima parceria. Como se deu esse encontro?

Arnaldo Antunes – Conheci o Fernando pelo trabalho do Cidadão Instigado. Pessoalmente, foi numa apresentação num restaurante que o Edgard (Scandurra) tinha chamado Petit Trou. Ele aproveitava o lugar e fazia apresentações com músicas do Serge Gainsbourg. Foi quando o Fernando tava vindo morar em São Paulo. Depois, começamos a nos encontrar em lugares, falei que gostava da banda. 

DISCOGRAFIA – E daí nasceu o convite pro Catatau produzir o (disco) Iê Iê Iê.

Arnaldo Antunes – Foi um encontro muito feliz. Tinha um lado de pesquisa musical, uma síntese que eu tava buscando. O Catatau tocou junto no show. Na época da produção do (disco) Iê Iê Iê, eu disse a ele “vou fazer este disco, mas queria que soasse com as minhas marcas de composição e com uma sonoridade dos anos 60”. 

DISCOGRAFIA – E foi ele quem lhe apresentou a música Ela é americana.

Arnaldo Antunes – Ele me apresentou a Americana numa gravação do Solano e Seu Conjunto. Eu não conhecia. Essa música, na hora que eu ouvi, disse que queria gravar. Ela tem um significado político, travestido de uma coisa amorosa que achei incrível. Quando ele fala em “americana”, logo se pensa nos Estados Unidos, e ele vem com o da América do Sul. Porque só a América  do Norte é América? Tem também uma coisa muito positiva.

DISCOGRAFIA - Acho que nem o compositor fez essa análise quando estava escrevendo a música. Engraçado você não conhecer esta música. Aqui no Ceará ela é super popular.

Arnaldo Antunes – Pois é, eu não conhecia. E adorei.

DISCOGRAFIA – Você é um artista de criatividade múltipla e ao mesmo tempo um dos mais bem sucedidos comercialmente. Como faz pra equilibrar a profusão de ideias sem perder perfil comercial de um produto?

Arnaldo Antunes – O que acontece é que eu tenho um desejo de não ficar repetindo. Hoje, gravação de DVD acabou ficando tudo igual. No meu anterior (Ao Vivo no Estúdio), saí um pouco da coisa do show. Agora, queria uma coisa que fosse original, que saísse um pouco do repetitivo.

DISCOGRAFIAS – Apesar de novo trabalho ainda ser tão recente, você já pensa em novos projetos?

Arnaldo Antunes – Estou ainda sem planos. Ano que vem vou ficar excursionando. Tenho ainda um projeto paralelo onde venho fazendo shows só com o Edgard. É um formato bem minimalista tocando nossas parcerias. Começamos a compor e já estamos com um projeto de gravar somente os dois. Espero que nós voltemos a Fortaleza em breve pra apresentar este trabalho por aí.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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