Discografia

29.02.12 13:07

Pela terceira vez renegados

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Um dos nomes mais importantes da cena roqueira cearense, a banda Renegados chegou aos 19 anos fazendo o que mais sabe: rock puro. Carregando influências da era de ouro de estilo americano (mais precisamente nas décadas de 1960 e 70) e da matriz nordestina, eles criaram um som limpo e seco, que mistura Jimi Hendrix com Luiz Gonzaga, Raul Seixas com Ave Sangria, Yes com Jackson do Pandeiro. Um resumo dessa ópera de sotaques está no disco Além dos Rótulos, que o grupo apresenta esta noite (19h) na Livraria Cultura.

Além dos rótulos vem nove anos após A essência e 11 anos após a estreia com Sem Fronteira. Mantendo o discurso apontado para as questões políticas e filosóficas da sociedade, o novo trabalho vai mais fundo na proposta de ampliar a linguagem do rock com outros sons de base nordestina. Ao longo de 15 faixas – parte gravada ao vivo e parte em estúdio – eles, sem querer criar um novo estilo ou um novo rótulo, agregam maracatu e viola caipira à linguagem universal do rock. “Nesse disco, a gente colocou essas influências com mais evidência, tudo que a gente ouviu durante nossa formação”, explica o guitarrista e vocalista Marcelo Pinheiro, lembrando também ser neto do violeiro Hercílio Pinheiro.

Responsável pela maior parte das composições, Marcelo segue com a caneta apontada para as feridas sociais. “A multidão vivendo à linha da miséria enquanto o deputado aumenta o seu próprio salário”, dispara ele em Ataque Blues. Já George Bush entra na mira em Iraque (“Ambição e arrogância de um jogador sem limites massacrando em cenas tristes um povo já massacrado”). Em rimas secas e palavras duras, ele discorre sobre temas variados tendo sempre uma mensagem guardada. “Não estamos querendo ser um disco panfletário. Gosto de escrever de uma forma ampla e aberta pra fazer as pessoas interpretarem da própria maneira, sem dizer o que é certo ou errado”.

Para emoldurar esse discurso, o Renegados conta ainda com Ricardo Pinheiro (bateria e voz) e Romualdo Filho (baixo e voz). Eles ainda se revezam nos instrumentos e ampliam as possibilidades do power trio agregando violões, gaita, vocais. Fieis aos melhores momentos da música internacional, eles optam por ainda usar amplificadores valvulados, no lugar dos equipamentos mais modernos. “Mas não é uma banda que faz revival. É que os amplificadores valvulados têm um som mais consistente, quente, aveludado, mais apurado”, esclarece Marcelo.

Além do resultado do novo disco “lapidado a mão”, o guitarrista também comemora os bons ventos que vêm soprando para o rock que é feito no Ceará. “Fácil não é, mas tem melhorado bastante. Tem mais pessoas tendo acesso e ouvindo esse tipo de som. Comparando com quando a gente começou, hoje está mais amplo”, comenta ele acrescentando que não faz parte dos planos da banda tentar carreira fora do Estado. Pelo contrário, eles pretendem seguir firmes no Ceará com o som e o estilo que iniciaram 19 anos e que levaram a palcos importantes como o Ceará Music e a Mostra SESC Cariri, mesmo que pra isso tenham que “jogar nas 11” na hora de produzir um show. “Todo artista quer o reconhecimento, mas a proposta nunca foi o estouro. Por isso é Renegados. Queremos o reconhecimento, mas não a qualquer custo”, diz Marcelo encerrando o assunto.

Serviço:

O quê: lançamento do disco Além dos rótulos, terceiro trabalho da banda cearense Renegados

Quando: hoje (29), às 19h

Onde: Livraria Cultura (Av. Dom Luís, 1010 – Meireles. No Shopping Varanda Mall)

Quanto: Aberto ao público (90 lugares)

Preço do disco: R$ 20

Outras informações: 40080800

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24.02.12 17:30

Pra Começar: Roberto Carlos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Recentemente, correu pelos noticiários culturais brasileiros a surpreendente notícia de que Louco Por Você, o primeiro disco de Roberto Carlos, estaria disponível no site do ITunes. O motivo do alarde é que este disco nunca foi reconhecido pelo Rei com algo digno de relançamento em formato nenhum. Nem cantar este repertório em shows ele fez ao longo destes 50 anos de carreira. Alegando que a qualidade da gravação ficou ruim, Roberto mandou retirar o disco do site e ainda desmentiu a história de que iria relança-lo em edição remasterizada.

Lançado em 1961, o disco Louco Por Você tem um pé nos boleros e outro num roquezinho mais ingênuo do que viria a ser a Jovem Guarda anos depois. Ao longo de 12 faixas, a mão de Carlos Imperial se faz presente na produção e nas composições. Sem nenhuma composição de Roberto (que dirá da célebre parceria com Erasmo Carlos), o disco lembra aqueles momentos sem graça de outro ídolo do rock, o Elvis Presley. Mais ainda por conta das presenças do baixo acústico, dos vocais de repetição e das versões para músicas em inglês.

Apesar de se mostrar a anos luz em qualidade se comparado aos grandes momentos da carreira do Rei, Louco Por Você guarda uma simpatia atraente para os fãs. Por isso mesmo trata-se de um dos trabalhos brasileiros mais procurados em sebos. Entre os destaques dessa estreia está o roquinho Mr. Sandman, de Pat Ballard lançado em 1954 pelo grupo The Chordettes. O clássico Cry me a river virou Chore por mim, numa versão bem fiel à original feita por Julio Nagib.

Imagem de Amostra do You Tube

Pra quem não sabe, Roberto Carlos começou a carreira de cantor como um imitador impecável do mestre João Gilberto. Dessa herança bossanovista, Louco Por Você traz Ser bem e Se Você Gostou, ambas de Imperial. Ao ter a última faixa, a conservadora Eternamente (com direito a um “qüestões”), uma explicação fica clara de por que Roberto Carlos não quer nem ver esse seu disco nas lojas: é por que é ruim mesmo. Repito, vale pela curiosidade de ver um ídolo ainda dando seus primeiros passos. Fora isso, Louco por você está longe de ser um trabalho que passe na avaliação criteriosa do Rei Roberto.

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24.02.12 15:00

Quarteto em Cy pra inglês ver

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

A década de 1960 foi marcada pela invasão da Bossa Nova pelo mundo. Principalmente depois do lendário show do Carnegie Hall (1962), muitas canções, grupos e músicos tentaram e conseguiram firmar uma ponte aérea Brasil-Nova Iorque-Europa que se mantém sólida ainda hoje. Entre eles estavam as meninas do Quarteto em Cy, que guiadas por Ray Gilbert e Aloysio de Oliveira, gravaram e cantaram nos states por um período curto que quase acabou de vez com o grupo. A estreia na terra do Tio Sam aconteceu em 1965, num disco dividido com Dorival Caymmi. Apresentado como The Girls From Bahia, o Quarteto lançou um trabalho solo no ano seguinte onde misturava repertório em inglês e em português. Pardon My English permaneceu inédito no Brasil até este ano, quando ganhou edição nacional pelo selo Discobertas junto com Revolucion Con Brasilia, de 1968. Curiosamente, o disco de 1966 foi relançado no estrangeiro um ano depois como o nome “Quarteto em Cy” acrescido na capa. Com arranjos de Oscar Castro Neves, os discos internacionais do Quarteto em Cy exibem o fino da música brasileira, tanto nos momentos mais suingados (Berimbau) quanto nos mais introspectivos (Tears, versão americana de Razão de viver). Entre um disco e outro, o grupo passou por mudanças na formação, perdendo Cylene e ganhando Regina que, de tão integrada, mudou o nome para Cyregina. Em Revolucion Con Brasilia o novo quarteto apresenta o que chamou de exciting new sounds, ou seja o balanço contagiante do bossamba verde e amarelo. Depois disso, o Quarteto em Cy deu início a um entra e sai de integrante e quase dá adeus de vez à carreira. De volta ao Brasil, nos anos 70, elas se estabilizaram com uma nova formação que continua viva até hoje.  Por isso mesmo, a reedição dos trabalhos internacionais das The Girls From Bahia tem tanta importância para os garimpeiros musicais. É um registro de uma época luminosa da música brasileira no exterior e nas mãos de gente que sabia dar valor a isso.

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24.02.12 12:42

Emílio Santiago lança novo trabalho ao vivo

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Lançado em 2010, Só Danço Samba (Universal) foi uma sincera homenagem de Emílio Santiago ao tecladista cearense Ed Lincoln. Mestre dos bailes cariocas e paulistas, Lincoln e sua orquestra incendiaram pistas nas décadas de 50 e 60 com um repertório sempre dançante. Como ex-crooner do mestre, Santiago fez um disco e uma turnê onde jogou um balanço elegante sobre sua voz aveludada. O resultado foi dos melhores e agora chega às lojas num registro ao vivo em CD e DVD. Só Danço Samba Ao Vivo (Biscoito Fino), curiosamente, repete a mesma capa da versão em estúdio apenas acrescendo o “ao vivo” sob o título. O repertório é campeão em suingue e agrega 25 canções (no DVD) que vão do bossajazz aos boleros. Veja o set list abaixo:

- Só danço samba
- Nunca mais
- Olhou pra mim
- Deix’isso pra lá
- Pra que?
- Confissão
- Falaram tanto de você
- A cada dia que passa
- Misty
- Solamente una vez
- Eu e a brisa
- The blues walk
- Samba de verão
- Influência do jazz
- Última forma
- Tendência
- Logo agora
- Um dia desses
- Chega
- Sambou, Sambou
- Zum Zum Zum/ Vou rir de você/ Na onda do berimbau
- Verdade chinesa
- Saigon

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23.02.12 17:14

Vivo lança projeto para clips e documentários sobre música

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Segue até o dia 5 de março as incrições para o edital que vai selecionar 50 videoclipes e 10 documentários para uma mostra intinerante que vai passar por Belo Horizonte, Goiânia, João Pessoa, Salvador e São Paulo. Promovido pelo programa Conexão Vivo, a seleção é voltada para obras produzidas nos últimos três anos, a contar da primeira exibição pública. Durante as apresentações, as obras vão estar concorrendo a prêmios em dinheiro: R$2 mil para as 10 obras (cinco de cada categoria) mais votadas pelo público em cada capital; R$5 mil para o clip e o documentário eleito pela comissão julgadora ( formada por15 jurados, sendo três de cada uma das cinco capitais); e R$5 mil para o clip mais votado no portal do projeto. As inscrições podem ser feitas pelo portal do Conexão Vivo por qualquer realizador, seja pessoa física ou jurídica, brasileiro ou não (desde que tenha pelo menos dois anos morando no Brasil). Osvídeos devem obedecer a especificações determinadas em edital e a curadoria vairealizar avaliação de acordo com critérios de respeito à diversidade cultural, linguagem narrativa, ineditismo e inovação na cena musical brasileira.

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23.02.12 11:40

Elymar Santos conta sua história no show Assim somos nós

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Dono de uma privilegiada voz de tenor, Elymar Santos sempre teve seu nome ligado a um repertório de tons exageradamente cafona. Mesmo em momentos mais felizes do seu canto, o estilo kitsch nunca lhe abandonou por completo. Mesmo assim, ele trilhou uma carreira sólida que começou numa ousada jogada de mestre. Em 1986, depois de anos cantando em bares e restaurantes, ele, um desconhecido do mainstream com uma boa carta de fãs, decidiu alugar o nobre palco do Canecão para uma única noite. Era 30 de outubro e no dia seguinte ninguém menos que Maria Bethânia subiria no mesmo palco. O resultado da empreitada foi um passaporte carimbado para o sucesso popular. O espetáculo batizado Assim somos nós virou CD editado pela finada Arca Som e que agora volta às lojas pelo selo Discobertas. O repertório do espetáculo vai do óbvio a momentos curiosos, como uma versão rock para Mabembe (Chico Buarque). Para exibir a boa voz citada no início deste post, Corsário é um momento luminoso, apesar de ser uma canção sempre usada por artistas que querem mostrar o poderio do seu gogó. O blues cabaré Vários casos é uma boa composição de Eduardo Dusek feita sob medida para a voz clara e límpida do intérprete. que parece ter sido feito por Um escorregão acontece em Yolanda, também de Chico, quanto Elymar troca “caudalosa” por “cautelosa”. Da sua porção compositora, o artista apresenta Lucidez e Loucura, Assim somos nós e Cachaça, todas com forte acento kitsch. As duas últimas, inclusive, são reapresentadas em versão estúdio (junto com Coração) tirada de um compacto lançado naquele mesmo 1986. Se o relançamento não vai tirar a pecha brega que grudou forte em Elymar Santos, é certamente uma homenagem merecida a um cantor que venceu o ostracismo com coragem e muito trabalho.

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23.02.12 11:16

Jorginho do Império festeja 40 anos de carreira com disco novo

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Sambista da escola Império Serrano, Jorginho do Império está completando seus 40 anos de carreira. Filho do ilustre Mano Décio da Viola, o cantor e compositor comemora a efeméride lançando um trabalho ao vivo, gravado em setembro do ano passado no teatro Rival (RJ). O Filho do Imperador (Discobertas) é uma autêntica roda de samba produzida por Andréia Castelar. Reunindo composições próprias, de amigos e do pai, ele alinha 17 canções em 14 faixas. Destaque para a sublime Naquela Mesa (Sérgio Bittencourt) e Apoteose ao Rio, escrita há 40 anos por Mano Décio e Jorginho Pessanha, mas inédita até agora.

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22.02.12 14:29

Danilo Caymmi encerra Festival de Jazz & Blues

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Acuado pela bagunça do Carnaval do Rio de Janeiro, o músico Danilo Caymmi conversou por telefone com o DISCOGRAFIA sobre sua expectativa pela vinda a Fortaleza. Lançando o disco Alvear, ele vem fazer duas apresentações dentro da programação do Festival de Jazz & Blues. Acompanhe.

DISCOGRAFIA – Como vão ser esses dois shows em Fortaleza?

Danilo Caymmi – É o primeiro show com banda no Nordeste para o lançamento do meu novo CD. Sou sempre tratado com carinho por aí e fiz questão de fazer o show completo. Talvez o show pocket (dia 24) seja um repertório mais interativo, com as pessoas participando, cantando junto. Já o do anfiteatro (26) será com músicas novas e sucessos. Estarei com músicos que eu escolhi pra tocar no disco e pra turnê. O Zé Luiz Maia (baixo), Flávio Mendes (violão), Carlos Pontual (guitarra), João Carlos Coutinho (teclados) e Ricardo costa (bateria).

DISCOGRAFIA – Como tem sido a repercussão desse novo disco, Alvear?

Danilo – Já tem gente considerando um dos melhores do ano passado. Ta tendo uma performance muito boa. Eu busquei uma sonoridade mais contemporânea. É um disco não se pode caracterizar como samba, bossa ou outra coisa. Ele tem “entressons” brasileiros, o Brasil está orbitando, mas não tem nada de ritmo exatamente definidos. É um divisor de água, feito completamente livre. Um disco artístico, ousado. Ta chegando nas pessoas.

DISCOGRAFIA – Você está vindo para um festival de jazz. Qual a influência desse estilo na sua produção musical?

Danilo – É total. Já começa dos discos que meu pai trazia da casa de amigos. A Nana (Caymmi) também tem uma influência muito grande da Sarah Vaughan. Todo mundo lá em casa ouviu muito, principalmente eu e o Dori (Caymmi). Eu até fui assistir o Louis Armstrong no Teatro Municipal com o meu pai.

DISCOGRAFIA – Em 2009 você esteve em Fortaleza apresentando sua filha Alice, iniciante da carreira de cantora. Como anda o trabalho dela?

Danilo – O maior público dela ainda é ai em Fortaleza. Agora ela ta gravando um disco, como cantora e compositora. No meu novo disco tem duas letras dela. Uma delas, Arabesco, ficou muito bom e é uma das letras mais elogiadas do disco. Tem muita gente que pergunta “cadê a Alice?”. E eu fico dizendo, “espera” (em tom misterioso).

DISCOGRAFIA – O que o público pode esperar desses shows em Fortaleza?

Danilo – Um deles vai ser mais divertimento, pra cantar junto, rir. O outro é mais pensado pra quem gosta de ouvir uma banda, arranjos, essas coisas. Até aluguei um estúdio pra ensaiar aí e ficar tudo na ponta dos cascos. Estou muito feliz de me apresentar aí.

Programação completa do Festival:

> Teatro do Shopping Via Sul

24/02 (21h) – Gadi Lehavi Trio (Israel) convida Ravi Coltrane (EUA)

25/02 (21h) – Omar Puente (Cuba)

> CUCA Che Guevara

24/02 (19h30) – Danilo Caymmi e Flávio Mendes (RJ)

> Anfiteatro Flávio Ponte (Volta da Jurema)

26/02 (18h) – Cainã Cavalcante (CE) e Danilo Caymmi (RJ)

> Teatro São João (Sobral)

25/02 (21h) – Gadi Lehavi Trio (Israel) convida Ravi Coltrane (EUA)

> Escola de Música de Sobral (Sobral)

23 e 24/02 (08h às 18h) – Oficina de Sensibilização Musical

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22.02.12 14:17

Esticando o Carnaval

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Passados os dias de Carnaval, a vida não pode se resumir a ressaca e preocupação com o que fez. No Ceará, há mais de uma década essa é a época de curtir grandes shows de música. Depois dos dias de Momo, quando a pequena e charmosa Guaramiranga recebeu seu tradicional Festival de Jazz & Blues, o evento desce a serra e segue com a programação por mais um fim de semana em Fortaleza. No sábado (25), uma apresentação extra também acontece no Teatro São João, em Sobral.

Em sua 13ª edição, o Festival chega nesta sexta-feira (24) ao Teatro Via Sul com a participação de um dos grandes do jazz. Ravi Coltrane (foto), filho do inesquecível saxofonista John Coltrane (1926 – 1967) com a pianista Alice Coltrane (1937 – 2007), vem se juntar com o jovem israelense Gadi Lehavi. Pianista  virtuoso, Lehavi tem apenas 16 anos de idade e quase o mesmo tempo de carreira. Despertando para a música logo cedo, não tardou para que ele chamasse a atenção de músicos e produtores.

Em uma apresentação em Nova York, Ravi Coltrane se impressionou com a técnica do garoto e logo iniciaram uma parceria, que chega pela primeira vez ao Brasil. Veterano dos palcos e estúdios, Ravi herdou do pai o talento para a música. Companheiro na música de gigantes como Carlos Santana, McCoy Tyner, Herbie Hancock, Stanley Clarke e Brandford Marsalis, ele divide sua carreira entre o sax, o clarinete e a produção de artistas como o ex-Pink Floyd David Gilmor. Sempre em busca de novos elementos, Ravi tem um pé na tradição do pai – considerado um dos reinventores do estilo na década de 1960 – e outro na invenção.

 

O mesmo acontece com o cubano Omar Puente, que toca sábado (25) no Teatro Via Sul. Nascido em Santigo, o violinista e pianista desenvolveu um som bem particular que mistura jazz, erudito e música latina. Como ele mesmo diz, é um músico “clássico, cujo coração bate com ritmo cubano, a alma é africana e a casa está em Yorkshire, no norte da Inglaterra”. Omar é formado no Instituto Superior de Arte em Havana e já integrou a Orquestra Sinfônica Nacional de Cuba. O resultado das suas experimentações sonoras é um som balançado, com foco num violino bem caliente.

E quem encerra essa segunda etapa do Festival de Jazz & Blues é cantor, compositor e músico Danilo Caymmi. O carioca de coração baiano, filho do Dorival, vem para duas apresentações diferentes onde apresenta o disco Alvear (Biscoito Fino). Na sexta-feira (24), ele faz um duo com o violonista Flávio Mendes numa apresentação intimista no Cuca Che Guevara. Já no domingo (26), ele encontra sua banda no Anfiteatro Flávio Ponte (Volta da Jurema). Costurando a baianidade do pai com a bossa do mestre Tom Jobim, a quem acompanhou durante anos na Banda Nova, ele lembra sucessos, toca canções novas e se despede do festival de jazz já deixando uma expectativa para o próximo ano.

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17.02.12 14:00

Um pedido de desculpas ao Prince

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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O número da revista Rolling Stone que chegou esta semana às bancas traz uma lista com os 100 melhores guitarristas do mundo. Claro, nas cabeças está Jimmi hendrix, Eric Clapton, Jeff Back, George Harrison e outros. Nenhuma surpresa até então. No entanto, lá pelo meio dos nomes está o de Prince. Confesso que fiquei surpreso por nunca ter sabido que o misterioso cantor e compositor seria uma virtuose das seis cordas de aço. Claro, sabia que ele era guitarrista, assim como sabia que não era só a este instrumento que ele se dedicava. Só não sabia o quanto ele tocava guitarra. No textinho que acompanha a indicação, vem a dica para conhecer um solo incendiário que o rapaz derrama sobre While my guitar gently weeps, numa homenagem ao seu compositor, George Harrison, quando da indicação do ex-Beatle para o Rock and Roll Hall Of Fame. Lógico, corri e fui atrás de assistir. IMPRESSIONANTE! Pra quem ainda não viu, não sabe o que está perdendo. Não é só música. É também performance, brincadeira, improviso, alma. Segue o vídeo e mil desculpas, Prince.

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Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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