Discografia

17.05.13 15:29

Multishow exibe show de Vanessa da Mata cantando Tom Jobim

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

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Depois de patrocinar o projeto em que a cantora Maria Rita mergulha no repertório da mãe Elis Regina (1945 – 1982), a Nívea está às voltas com uma nova homenagem. Agora coube a Vanessa da Mata dar sua voz, em evolução ressaltada por quem já viu, para a obra de Tom Jobim pelos 50 anos do ábum The composer os Desafinado Plays, primeiro disco solo do maestro soberano, gravado nos EUA. A apresentação ao vivo será exibida no canal Multishow no dia 6 de junho às 17h, direto da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. O projeto Nívea Viva Tom Jobim já passou por Salvador, Recife e Brasília, e tem mais datas marcadas para Porto Alegre (19/05) e São paulo (26/05). Até segunda ordem, o show de Ipanema vai encerrar o projeto (mas é difícil de acreditar niss). Ao lado do veterano pianista Eumir Deodato, responsável por arranjos cheios de sofisticação, e de Alexandre Kassin, diretor musical da turnê, a cantora e compositora mato-grossense se arrisca pela primeira vez num projeto exclusivamente de intérprete, que, segundo já anunciado, vai ganhar edições em CD, DVD e Blu-ray. No repertório, a artista enfilera pérolas obrigatórias de Tom, como Wave, Garota de Ipanema, Desafinado e uma versão à capella de O que tinha de ser.

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17.05.13 11:33

Novo disco de Jamie Cullum está disponível para clientes GVT

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Programado para chegar às lojas no próximo dia 20 através da gravadora Universal, o novo disco do britânico de 33 anos Jamie Cullum está disponível para audição pelo PMC, serviço de música digital e streaming de vídeos gratuito para clientes de banda larga da GVT. Batizado de Momentum, o sexto disco de estúdio do cantor e pianista de Essex chega quatro anos depois de The Pursuit. Puxado pelo single Love for $ale, gravado em dueto com o rapper britânico Roots Manuva, Momentum traz 12 canções inéditas de Cullum, que optou por um estilo totalmente caseiro de gravação, com direito até ao uso de aplicativos para Iphone. 

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16.05.13 17:37

Nana Caymmi e Maria Alcina fazem show em Fortaleza em junho

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Três referências da música brasileira estão com data reservada para a Caixa Cultural de Fortaleza neste mês de junho (para todas as apresentações: inteira – R$ 20; meia – R$ 10). Guilherme Arantes chega ainda no fim de maio, dia 31, para uma temporada que vai até o dia 2 de junho. A bordo do seu novo projeto, o disco Condição Humana (Coaxo do Sapo), o músico, cantor e compositor carioca apresenta canções inéditas e velhos sucessos, como Pedacinhos e Meu mundo e nada mais.

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De 7 a 9 de junho, é a vez da performática Maria Alcina prestar sua homenagem a Luiz Gonzaga no show Asa Branca. Com seu jeito colorido, elétrico e brilhoso, a mineira (de Guatacases) de voz marcante e grave leva ao palco releituras bem particulares da obra do Rei do Baião.

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Por fim, sempre elegante e refinada, Nana Caymmi celebra seus sucessos entre os dias 14 e 16 de junho. Com uma banda formada por Cristóvão Bastos (piano), Jorge Helder (baixo), Lula Galvão (Violão) e Chacal (percussão), a carioca de ascendência baiana relembra grandes momentos de uma trajetória que estreou ao lado do pai, Dorival Caymmi, em 1960. Essa história ganhou de presente uma caixa comemorativa com todos os discos da artista, lançada em 2012.

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16.05.13 16:24

Cristiano Pinho homenageia Paul McCartney em vídeo

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

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Guitarrista, violonista, arranjador, compositor e produtor cearense, Cristiano Pinho resolveu prestar sua homenagem particular a Paul McCartney, que esteve em Fortaleza na semana passada. Ao lado de uma turma de amigos, o músico fez uma leitura bem particular de Eleanor Rigby, sucesso de Lennon e McCartney gravada no disco Revolver (1966). A versão instrumental usa cordas, percussões e uma rabeca tocada com slide. Além de Cristiano, marcam presença no esúdio Trilha Sonora os músicos Marcus Vinnie (teclados), Miqueias dos Santos (contrabaixo), Italo Rafael (violoncelo), Denílson Lopes (bateria) e Jones Cabó (percussão). A gravação teve coordenação de Hugo Lage, mixagem e masterização de Luiz Orsano. Com mais de 30 anos de carreira, Cristiano Pinho é natural de Viçosa do Ceará e tem dois discos autorais gravados - Pessoa (1997) e Cortejo (2010). Atualmente, é também guitarrista da banda de Raimundo Fagner.

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16.05.13 15:00

Saulo Duarte grava clipe da música “Onze horas”

Por: Camila Holanda | Comentários: Comente

O primeiro clipe do disco Saulo Duarte e a Unidade (YB Music e Baritone Records) será da canção “Onze Horas” e terá a participação da atriz Juliana Didone. Saulo interpreta a música ao lado da cantora Tulipa Ruiz.  A data de lançamento do clipe, no entanto, ainda não foi divulgada. Paraense que mora em São Paulo, Saulo Duarte é cantor e compositor. Sob a direção do produtor Carlos Eduardo Miranda, lançou o disco no ano de 2012,  com arranjos e letras simples. As sonoridades instrumentais da banda trazem vestígios de uma influência dos anos 1960, passando pelas nuances do carimbó, das guitarradas e do brega.

Ouça a música:

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16.05.13 14:11

Crônica do show de Sir Paul McCartney

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Contribuição do leitor Eleazar de Castro Ribeiro

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Precisei esperar por um século para ver um Beatle ao vivo, desde quando, ainda criança, ouvia meus irmãos e amigos cantarolarem as músicas do Fab Four. Meu pai espremeu o orçamento e comprou uma radiola com um toca-disco Garrard, uma excentricidade para a classe média baixa. Mas meu pai fazia jus à herança familiar musical, do qual o maior expoente é o parente famoso de quem herdei o nome. Eu ouvia o tempo todo as canções – nem sempre com letras profundas – que fizeram nossa infância e juventude ser mais espontânea e feliz. As versões, musicadas pelo “conjunto” (naquela época não era banda) Renato e seus Blue Caps, nos ajudavam a entender as letras, mas sem a mesma mística musical dos “Besouros”. Era uma época de esperança e otimismo. O Brasil era considerado o país do futuro para os europeus, oriundos de duas devastadoras guerras e pessimistas em relação à condição humana. Os Beatles traduziam essa esperança de renascimento da vida. Reuniam aquilo que é indispensável à uma banda: virtuoses musicais com talentos diversificados. Paul, com sua sensibilidade para fazer melodias com tons apaixonantes, que falam do coração humano; John, com sua rebeldia própria e discurso engajado e denunciador; George, com sua curiosidade mística, melancolia e acordes vibrantes de arrepiar em sua guitarra; e Ringo, um baterista despojado e alegre, a criança do grupo. Deles todos, certamente Paul foi o mais carismático, por ter músicas mais melodiosas e mais fáceis de entender. Ontem no show, mostrou isso com sobras: sua presença de palco é algo admirável e inspira sua banda. Sua relação com o público é natural, espontânea. Seu show fica no limite entre o essencial e o performático: nem tão sóbrio, como os shows de MPB, nem tão hollywoodiano, como as apresentações de André Rieu, que tem até cavalo no palco (embora se possa dizer como cinematográficas as explosões acompanhando o ritmo de Live and let die ontem). A música de Macca continua produzindo sonhos nos veteranos, que o ouviram em sua juventude, mas também nos jovens, que aprenderam a perceber que a boa música não tem idade e atravessa os anos. Os 70 anos de Paul lhe refinaram a sensibilidade musical e lhe garantiram saúde e muito vigor. Sua música é um bálsamo para nossas mentes cansadas de stress, corrupção e violência. Ouvir Paul é saber que sua música tem muito de John, George e Ringo. É compreender uma época dourada, mas chegar à conclusão que a beleza da poesia musicada é eterna e independe de época. E concluo com Paul, no pout pourri que encerrou o show de ontem, como uma paráfrase resumida da vida: “And in the end, the love you take, is equal to the love you make” (No final de tudo, o amor que você tem, é igual ao amor que você dá).

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14.05.13 14:07

Secos & Molhados 40 anos: Corpo transgressor

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Por Flávio Queiroz, sociológo, professor da UVA, autor da dissertação “Secos & Molhados: Transgressão, contravenção” e da tese “Ney Matogrosso: sentimento contramão. Transgressão e autonomia artística”

secos-e-molhadosO grupo musical Secos & Molhados, que assumiu contornos de fenômeno de massa, está completando 40 anos. Este começou sua trajetória artística no cenário cultural, a partir de junho de 1973, na cidade de São Paulo, após o lançamento de seu primeiro  long play pela Continental discos S.A. Dessa maneira, o nascente conjunto provocou uma mudança dentro do cenário da indústria fonográfica e do show business, em função da venda de quase um milhão de discos, como também pelo grande contingente de shows no Brasil e exterior, com expressiva divulgação nas emissoras de rádio, programas de televisão, jornais e revistas do momento.

O referido grupo formado por João Ricardo (violões de 6/12 cordas, harmônica de boca e vocal), Ney Matogrosso (vocal), Gerson Conrad (violões de 6/12 cordas e vocal) e Marcelo Frias (bateria e percussão), começou seu percurso artístico com uma temporada em São Paulo no Teatro Ruth Escobar, depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde se apresentou no Teatro Teresa Raquel, encerrando sua temporada na cidade com o show no estádio coberto do Maracanãzinho. No exterior, apresentou-se na cidade do México, tendo grande repercussão em outros países. Em agosto de 1974, foi lançado o segundo LP e logo após seu lançamento em circuito nacional se desfaz, com a saída do vocalista Ney Matogrosso, atitude posteriormente seguida por Gerson Conrad.

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O grupo acontece dentro de um contexto político adverso, onde predominava uma ditadura militar em nosso país, estávamos no Governo de Emílio Garrastazu Médici. Os militares exerciam não só uma censura política, bem como uma censura de caráter eminentemente moral e o conjunto representava naquele momento um atentado a moral e aos bons costumes da época. Um homem seminu, com o rosto pintado, rebolando e cantando fino, era demais para os militares e moralistas de plantão.

grupo-secos-e-molhadossecosemoA esquerda também não entendeu a performance do grupo, sobretudo da insólita figura de seu vocalista, Ney Matogrosso e por meio de seu “patrulhamento ideológico” dentro dos princípios da arte engajada repudiou o comportamento estético do conjunto. Mas os “malucos”, os hippies, os transviados, transloucados, desbundados, porras-loucas, viram naquele ser enlouquecido no palco um ideal, sobretudo de liberdade. Com mais algum tempo, vimos um outro público se formar diante do conjunto, as crianças. Elas os adoravam. O universo lúdico nos versos da música O Vira as fascinavam, pediam como presente de natal o LP do Secos, onde seus quatro integrantes apareciam com suas cabeças decepadas e expostas em bandejas entre especiarias de um velho armazém de Secos e Molhados.

O referido grupo, como nos sugere Aldous Huxley em sua obra The Doors of Perception (As portas da percepção), ajudou a abrir as nossas tão duras e rígidas portas da percepção, a fazer uma revolução individual, era como se passassem a mensagem: façam também vocês, nós estamos fazendo a nossa parte, sejam livres. Assim como nos disse o próprio vocalista do grupo Ney Matogrosso ao referir-se a sua atuação dentro do conjunto, em entrevista concedida ao Fantástico em 2003 pela Rede Globo de Televisão: “eu acho que, na verdade, nós ajudamos a clarear, a ‘desencaretar’ o Brasil”.

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No entanto, passado esses 40 anos, os fãs e admiradores do conjunto ainda perguntam: “que fim levaram todas as flores”? Gerson me respondeu que certamente foram parar no jardim do Ney. João Ricardo afirmou que estão em seus jardins lindas belas e perfumadas. Saber onde elas estão não é tarefa nossa, mas sejam onde elas estiverem, continuam a romperem tabus e a inspirar novos talentos, pois a obra do grupo é atemporal, foi, é e será sempre vanguarda. Esse foi o seu maior legado: o legado da imortalidade da arte, do fazer artístico, da transgressão, da contravenção.

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14.05.13 13:07

Secos & Molhados 40 anos: brilhos, gritos e abalos

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

ea83be16-b866-4c56-949c-a24ac6b2a60cEra difícil de entender tanta informação. Três homens de corpo muito magro se rebolando de modo lascivo. Nem mesmo a barba de dois deles era capaz de masculinizá-los. O terceiro tinha a voz aguda de uma moça e usava esse recurso de um jeito provocante e sensual. As roupas eram cheias de penas, plumas, brilhos e mal cobriam-lhes as vergonhas. O som que esse grupo fazia também não era nada assim tão fácil: uma mistura de poesia, rock, política, blues e performance.

No entanto, todo esse caos parecia fazer sentido quando o Secos & Molhados começava a tocar. O grupo que revelou os nomes de Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad foi, por si só, uma revolução dentro da já criativa cena musical dos anos 70. Depois da explosão tropicalista ao longo de 1967, a onda da nova década era buscar espaço para brigar contra a caretice imposta pela censura militar. E, nesse assunto, o trio foi primordial.

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A história do Secos & Molhados começa na cabeça de João Ricardo, português que mudou-se para o Brasil para fugir do salazarismo. Acompanhado de pai, mãe e irmãos, teve o azar de cair em outra ditadura. Aqui ele começou uma promissora carreira jornalística, mas trocou tudo pela música. Bem no início da década, ele se reuniu com os hoje anônimos Fred e Pitoco para montar a banda com que sonhava há tantos. Até nome já tinha. Poucos se interessaram por essa estreia e logo João se viu sozinho novamente. Foi então que ele começou a ensaiar canções com o vizinho Gerson Conrad – com quem dividia a admiração por Beatles e Crosby, Stills, Nash & Young. Tendo em mente um tipo de voz e interpretação para suas composições, foi a compositora Heloisa Orosco Fonseca, a Luli, quem sugeriu um jovem ator que, na época, morava no Rio de Janeiro.

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Curioso para conhecer o dono dos tão falados tons agudos, João Ricardo partiu de São Paulo para conhecer o hippie mato-grossense, ex-funcionário de hospital, chamado Ney de Sousa Pereira. Contando ainda com o baterista Marcelo Frias, eles passaram um ano fervendo aquele caldo de canções políticas, transgressoras e atrevidas. A estreia dessa nova formação aconteceu em São Paulo, no Theatro Ruth Escobar em 1973. As maquiagens pesadas (puxadas do teatro kabuki), os figurinos exóticos e a performance inquietante de Ney caíram como uma bomba naquele cenário de ditadura.

SecoseMolhadosDespertando amores e ódios por onde passavam, logo o Secos & Molhados se transformou no maior fenômeno da música brasileira que se tinha conhecimento até então. Fenômeno esse que repercutiu no primeiro disco do grupo, lançado em agosto de 1973, que trazia críticas pontiagudas como Primavera nos dentes e Rosa de Hiroshima e doçuras singelas como Rondó do capitão e As andorinhas. Em tudo, uma forte dose de política, contribuição da formação comunista de João Ricardo. Sempre nas cabeças dos discos mais importantes da música brasileira, o álbum Secos & Molhados ultrapassou um milhão de cópias.

 

secos-e-molhados-secos-e-molhados-1974O sucesso alcançado por aquela mistura de temperos musicais, teatrais, brasileiros e apátridas, foi estrondoso ao ponto de levar milhares de pessoas para um show realizado no Maracanãzinho. Outro tanto incalculável ficou do lado de fora tentando ouvir os novos ídolos. Numa época em que o show business nacional ainda suava para conta do serviço, Ney, João e Gerson começavam a exigir cada mais profissionalismo. E foi nesse ponto onde eles acabaram implodindo. A medida que se tornavam uma usina de fazer dinheiro, João Ricardo exigia seus direitos de criador e principal compositor colocando os companheiros de palco no papel de empregados.

 

Uma batalha de egos se formou no centro do grupo. Marcelo Frias já havia desistido há tempos. As brigas começaram a tomar um nível insustentável, em grande parte provocadas por ciúmes, direitos autorais e dinheiro. Um segundo disco foi lançado em 1974, mas eles sequer trabalharam as canções. Injustiçado e igualmente espetacular, o Secos & Molhados “volume dois” seria abandonado pela banda que iria se desfazer dias depois. Ao longo desses 40 anos, a troca de farpas foi mútua entre Ney, João e Gerson, que nunca mais voltaram se falar. Comemorações dos 40 anos de estreia, por exemplo, estão completamente fora de questão.

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Apesar do tempo curtíssimo que durou, o legado deixado pelo Secos & Molhados é de valor inestimável. Cheios de coragem e beleza, os dois discos são indispensáveis e foram relançados em 1999 num único CD produzido por Charles Gavin (ex-Titãs). Como postura, ainda hoje eles são referência de androginia, ecletismo e liberdade. Sem cair na vulgaridade, Ney, principalmente, colocou o corpo como instrumento para seu trabalho, avançando na estética comportada exigida pelos militares. Claro, que foram ofendidos, patrulhados e censurados. Mas também foram amados, copiados e admirados. Como eles mesmos defendiam, “quem tem consciência pra se ter coragem, quem tem a força de saber que existe, no centro da própria engrenagem inventa contra a mola que resiste”.

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13.05.13 16:04

Paul McCartney dá show de simpatia e profissionalismo em Fortaleza

Por: Marcos Sampaio | Comentários: 1 Comentário

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Fotos: Iana Soares

Em 1984, quando Roberto Medina anunciou que iria fazer um mega festival de música no Brasil, muita gente achou que ele não ia muito bem cabeça. É que a imagem do País no meio do show business andava meio manchada por conta de muitos problemas que já haviam acontecido. O empresário insistiu na ideia e o Rock in Rio saiu do papel para se transformar num maiores eventos de música do mundo.

Com algumas diferenças, essa sensação de desconfiança também tomava conta do fortalezense até a noite de ontem. Desde que foi anunciado, no início do ano, que Paul McCartney iria apresentar no estádio Castelão sua turnê Out There, uma série de discussões tomou conta das rodas de conversas – presenciais ou internéticas – para saber se Fortaleza estava ou não pronta para receber um espetáculo daquele tamanho. Apesar dos problemas na chegada – multidão, filas, engarrafamento – a noite foi de encanto para os 50 mil espectadores que compareceram à festa.

Paul subiu no imenso palco às 21h36 desta quinta-feira (9), para a terceira e última apresentação da turnê no Brasil. Próximo de completar 71 anos, o músico inglês segurou a emoção da plateia por duas horas e quarenta minutos, com um fôlego de causar inveja. A mesma disposição foi exigida do público, que começou a chegar ao estádio na noite anterior. À medida que o espetáculo se aproximava, imensas filas de carros sufocavam todas as vias de acesso ao estádio. Para complicar ainda mais, as reformas no entorno deixavam tudo parecendo o cenário do filme dos Vingadores. Vãs que agendaram muitos grupos, cancelavam as viagens em cima da hora, por que ficavam presas no mar de automóveis. Fluindo em ritmo muito lento, o trânsito da tarde da quinta-feira fez muita gente seguir para o show a pé, atravessando muita lama e areia.

Já no interior do Castelão, o clima era de total alegria. Exibindo sua já conhecida simpatia, Paul McCartney cantou, dançou, brincou com a plateia e ainda ensaiou algumas expressões em cearês. “Finalmente o Paul veio pro Castelão. Vamos botar bonecúúú”, gritou o músico para o público extasiado. Suando em bicas, ele tirou o casaco logo na segunda música e deixava claro que estava difícil aguentar o calor. Mas não perdia uma chance de homenagear os fãs que estavam ali.

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O repertório de 38 músicas foi exatamente igual ao das outras duas apresentações da turnê e repete alguns momentos que encantam as plateias há décadas. As explosões e os fogos em Live and let die, o imenso coro em Hey Jude (escolhida para fechar o primeiro bloco), o momento solo ao violão em Blackbird (com o músico sendo erguido numa plataforma), a homenagem a George Harrison em Something e o encerramento com The end. Entre as novidades, canções pouco ou nunca feitas ao vivo, como Eight days a week, Lovely Rita e Being for the benefit of Mr. Kite. Antes de Your mother should know, houve ainda uma homenagem ao velho amigo John Lennon em Here today. O encerramento de Let me roll it também trouxe linhas de guitarra de Foxy lady, num tributo a Jimi Hendrix.

Já próximo do fim, Paul McCartney solta um “tenho que vazar”, arrancando risos e mais aplausos da plateia. Sem parar sequer para tomar água, o beatle só descansou nos intervalos entre os dois bis. Para o segundo, ele ainda reservou um presente especial. Um casal foi ao palco para oficializar o pedido de casamento sob as benções do astro, que cedeu seu microfone e aguardou pacientemente enquanto o noivo buscava as palavras certas em inglês. Ao fim, ambos receberam um forte abraço do músico que, logo emendou a pesadona Helter skelter. Depois de Golden slumbers, Carry that weight e The end, Paul se despede às 00h17 dizendo “Tchau, Fortaleza. Até a próxima”. Com fogos e chuva de papel picado, o público acorda daquele sonho musical certo de que o medo de Fortaleza fazer feio foi vencido pela esperança de que venham novos grandes shows para a Cidade.

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13.05.13 15:01

Somos tão jovens é filme pra assistir e cantar junto

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Eduardo Siqueira (eduardosiqueira@opovo.com.br)

somos-tao-jovens-poster-finalQuem nunca foi à Ponte Metálica aos sábados para curtir o pôr-do-sol com uma turma de amigos inseparáveis ao som de Legião Urbana acústico? Quase 20 anos após a morte do vocalista da banda, Renato Russo, o ritual ainda existe e as canções que embalaram o rock dos anos de 1980 continuam marcando a história de muitas pessoas. A gente ainda se pergunta: como um pensador como o Renato consegue até hoje manter uma grande legião de fãs?

O filme Somos Tão Jovens, bastante esperado pelo público e que está em cartaz no circuito nacional desde o começo de maio, pode até decepcionar ao não responder a pergunta feita no parágrafo anterior. O diretor Antônio Carlos da Fontoura até que poderia contar como Renato Manfredini Júnior conseguiu chegar ao patamar de estrela maior do rock nacional, mas preferiu puxar para primeiro plano como nasceram os grandes sucessos do Legião Urbana.

Um dos pontos marcantes da cinebiografia é relação ora de amizade ora de ódio entre Renato (Thiago Mendonça) e Aninha (Laila Zaid). Podendo este fato ser configurado como o que dá o tom do filme, o que nos dá protagonistas e um enredo, e também o que proporciona uma das cenas mais emocionantes.

O longa começa quando o futuro músico é acamado por conta de uma doença degenerativa. A partir daí, inicia o surgimento de um poeta. Seguindo uma linearidade cronológica, sem flashbacks ou rodeios, Renato, após a sua recuperação, imerge no movimento punk dos anos 1970 em Brasília, o reduto da política, em plena Ditadura Militar. Nessa fase, que acontece antes e durante a formação da banda Aborto Elétrico, vemos um artista indignado com a politica do país, com os próprios pais, com o “sistema”. É durante esse momento de consternação que o público conhece como foi o processo de composição de grandes sucessos como Que País é Este?, Música Urbana e Geração Coca-Cola, que às vezes se dava em companhia dos amigos ou Renato apenas as criava e depois reproduzia.

Após o Aborto ser “abortado”, com o diz Renato em uma das cenas, o músico então imerge na busca de si e se intitula como “O Trovador Solitário”. Durante esse período holístico nasceram os hits Eduardo e Mônica – criado em homenagem a um casal de amigos – e Faroeste Caboclo, que surge após uma visita de Renato à Taguatinga, uma das cidades-personagem da canção.

banda-filme-somos-tao-jovens1Do “Trovador Solitário” para o “Legião” foi um pulo. Nesse intervalo, o rock brasiliense é apresentado de maneira bem pontual. Dinho Ouro Preto aparece tomando as rédeas do Capital Inicial em seus momentos de berço. Além de Dinho, quem dá as caras é Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso, que junto com seu irmão Hermano Vianna dá total suporte à carreira de Renato.  Os jovens de hoje ou até mesmo os não tão jovens não conhecem o Herbert dos anos 70, mas é perceptível o quão caricato ficou a interpretação do jovem Edu Moraes.

Depois desse pulo, eis que a cinebiografia de Renato Russo é finalizada. Em pouco mais de uma hora e meia de filme, Somos Tao Jovens passou por uma fase bastante movimentada na vida de Renato Russo, que vai desde a sua descoberta como músico até o fechamento de um contrato de show no Circo Voador, no Rio de Janeiro.

Thiago Mendonça até que não faz feio. Embora a sua voz não tenha ficado tão parecida com a de Renato – e isso é bastante claro quando Tempo Perdido é tocada logo no início do filme -, o ator conseguiu reproduzir fielmente traços característicos do cantor, como os gestos com as mãos quando canta, a mania de ficar ajeitando os óculos e até o jeito romanceado de falar.

Somos Tão Jovens é um filme bonito de se ver, emocionante, que faz você cantar desde o início – com Tempo Perdido – até o final – com Será. O longa não conta desde o nascimento do até a alavancada na carreira, como Breno Silveira fez com a dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano em Dois Filhos de Francisco, ou a complicada relação familiar também apresentada por Breno em Gonzaga – De Pai Para Filho, apenas relata de maneira bem rápida a formação de um músico e a criação de seu sucessos. Portanto, não vá ao cinema procurando saber mais do que já sabe, contente-se apenas em cantar junto com os outros que estiveram com você na sala – e isso é inevitável!

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Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

Camila Holanda

Camila Holanda

Estagiária do Portal O POVO Online. Admiradora de músicas, músicos e […]

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