Discografia

06.02.12 14:30

Em novo trabalho, Márcia Castro garimpa joias de Moraes Moreira

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Baiana temperada com o que há de melhor na música de sua terra, Márcia Castro lançou em 2007 o espetacular Pecadinho. O elogio não é exagero. Logo na estreia, a cantora mostrou a que veio num disco moderno, plural e bem cantado. Não a toa, logo na largada, foi indicada ao prêmio TIM de melhor Cantora de POP/Rock e dividiu uma turnê com ninguém menos do que Mercedes Sosa. Agora, ela está prestes a lançar De pés no chão, seu novo trabalho onde mais uma vez demonstra inteligência e faro apurado na hora de encontrar boas canções. Isso fica claro no achado 29 beijos, blues raro lançado em compacto pelos Novos Baianos em 1971. No original, Moraes Moreira solta a voz cheia de sotaque numa letra inusitada que determina “não quero mais preocupations comigo”. Na regravação, ela dueta com Hélio Flanders, vocalista da banda Vanguart. Ainda do grupo hippie setentista, Márcia regrava o clássico dos trios elétricos Preta Pretinha (disponível para download gratuito), que poderia ser um bom título para o disco da morena. Produzido por Márcia, Guilherme Kastrup e Rovilson Pascoal, De Pés no Chão chega às lojas em março, pela Deck Disc.

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06.02.12 10:42

A reinvenção de Lirinha

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Na enxurrada de artistas pernambucanos que tomaram de assalto a música pop brasileira a partir da década de 1990, havia um grupo que se destacava pela performance agressiva e teatral do vocalista. Tratava-se do Cordel do Fogo Encantado, banda inusitada até no nome, que juntava o som de muitos tambores e percussões, com som de cordas e uma poesia fincada na terra, inspirada em João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999). À frente do quinteto, recitando tudo com sotaque bem característico, estava José Paes de Lira, o Lirinha.

Foram 11 anos, três discos e um DVD com o grupo, até que Lirinha (fotos: Caroline Bittencourt), agora morando em São Paulo, decidiu tentar novos rumos. Sua saída do Cordel aconteceu em 2010, decretando o fim da banda. Foi mais de um ano que o cantor levou para se afastar do que tinha de Cordel, para criar um novo som. Chegou a excursionar com o amigo Otto por um tempo, antes de chegar às conclusões agora apresentadas em Lira (Independente). Mostrando seu lado mais rocker, o disco traz uma nova formação de banda, calcada basicamente em guitarras (Neilton, do Devotos), teclados (Bactéria, do Mundo Livre S/A) e bateria (Pupillo, Nação Zumbi).

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Soturno e intrigante, Lira intercala momentos de experimentação (Eletrônica viva) com outros mais pops (Memória), e mantém a veia poética cheia de imagens cinematográficas (“Eu te vejo voltando pra casa trazendo nos braços as flores colhidas”). “Meu trabalho anterior tinha uma base percussiva e era um objetivo meu manter essa característica, mas com uma ampliação dos elementos harmônicos, teclados, sintetizadores, guitarra, e uma poesia mais pessoal”, explica Lirinha que faz questão de afirmar que nunca brigou os antigos companheiros de banda.

Segundo ele, a decisão de seguir sozinho foi mesmo estética. Para essa nova aventura, ele convidou Pupillo para ser seu produtor. Em conjunto, eles foram trabalhando cada elemento do disco em particular, desde a procura por um som específico de baixo (feito nos teclados) até as participações especiais. Entre elas, Lula Côrtes, responsável pelo mítico Paêbiru (1975), disco dividido com Zé Ramalho. O músico toca tricórdio (espécie de cítara marroquina) em Adebayor, homenagem ao futebolista africano Emmanuel Adebayor. “Ele (Lula) dizia: “faz tempo que eu não toco”. Mas insistimos, ele gravou e a música ficou forte. A gente ainda ia gravar a voz, mas ele morreu uma semana depois que nos encontramos”, lamenta Lirinha.

Em compensação, Lira foi a oportunidade de Lirinha realizar um grande sonho, ter uma composição gravada por Ângela Ro Ro. A escolhida foi Valete (“vou te contar minha paixão por uma valete de paus, e ele vivia aqui na minha mão”), que conta ainda com os vocais de Otto. “Eu tinha uma música que ainda estava pela metade. Quando ela aceitou o convite, eu consegui completar o que faltava”, conta Lirinha lembrando das muitas farras que fez pelo Recife cantando Amor, meu grande amor e outras músicas de Ângela.

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Num contraponto às 11 faixas que Lirinha canta com sua voz trágica e, agora, mais melodiosa, o disco encerra com My life, composição de João, seu filho de 9 anos. Longe das afetações das crianças prodígios, o pequeno, que mora no País de Gales com a mãe, enche seus versos (“eu realmente quero ser como meu pai”) de autenticidade. “Ele foi passar o Carnaval em Recife e, no meio do nosso ensaio, ele mostrou a música. Eu já botaria por uma corujisse. Ele é melhor do que eu”, admite o pai.

Ainda sem traçar uma rota certa para o futuro, Lirinha apenas tem certeza de que quer seguir tocando seu som. Fiel à história que construiu com o Cordel do fogo Encantado, ele fechou um ciclo pra começar um outro que fale mais sobre o que anda pensando, fazendo e sentindo no momento. “Numa carreira solo, a solidão é maior nas decisões e isso às vezes é ruim. Você fica com mais responsabilidades. Por outro lado, o positivo é poder ter essa coisa de fazer um caminho, escolher por si”.

Entrevista:

DISCOGRAFIA – Queria que você começasse falando sobre o novo disco. Todas as músicas foram feitas especialmente pra ele?

Lirinha – Eu desejava fazer esse disco há um tempo. Ele tem uma relação minha maior com os recursos harmônicos. Meu trabalho anterior tinha uma base percussiva e era um objetivo meu manter essa característica, mas com uma ampliação dos elementos harmônicos, teclados, sintetizadores, guitarra, e uma poesia mais pessoal. É o disco dos meus sonhos, de um íntimo desejo. Também tive que reinventar uma interpretação mais melódica, mais cantada. Foi uma novidade. Esse repertório nasceu todo num momento só, evitei trazer pra ele músicas que já tinha. No Cordel ninguém parava de desenvolver, compor. Mas não foram essas canções que eu trouxe pra esse trabalho.

DISCOGRAFIA – O disco é tocado por recifenses, mas as fotos de divulgação foram feitas em São Paulo. O que ele tem de Recife e de São Paulo?

Lirinha – Eu moro já faz um tempo aqui em São Paulo, mas o trânsito é muito intenso. Vou muito a Arcoverde (Recife, terra natal de Lirinha). Eu ia mais. Esse ano to mais aqui. Fui a Recife no verão passado e gravei metade do disco, o Neilton mora lá. Mas o Pupillo tava aqui e é praticamente meu vizinho.

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DISCOGRAFIA – A disco tem um clima soturno, apesar de músicas falando de amor. Como você pensava que ele deveria soar? Algo mudou durante o período de gravação?

Lirinha – Isso foi surpresa mesmo. Não tinha intenção que ele fosse melancólico. Depois que percebi que ele tem vários momentos assim. Mas foi um disco muito pensado, racionalizado. Eu tinha ideia de trabalhar com esses músicos. Quando chamei o Pupillo pra produzir, conversei sobre essas músicas. Eu já tocava todas as músicas no violão ou piano, gravei todas assim e terminei todas as letras antes (de gravar). Assim, fiquei com muita propriedade. Conversamos muito sobre o baixo, eu queria fazer com os sintetizadores. Tinha um som específico que eu tava procurando. Pensamos no moog, mas ele acabou nem usado. Eu sabia que o Neilton é muito bom, é um grande músico. Queria ver o punk dele nessa coisa.

DISCOGRAFIA – A sonoridade inclusive é bem diferente do que você fazia no Cordel. Isso foi de caso pensado?

Lirinha – Ah, sim. Saí do Cordel sem nenhuma briga e foi dificílimo por isso mesmo. Foi uma decisão estética. Queria fazer uma música que não cabia no Cordel. Eu fundei o Cordel, dei o nome da banda. Mas queria exercitar uma outra coisa, uma mensagem que eu queria dar. Pra mim não fazia sentido sair, pra continuar com a sonoridade do Cordel. Na verdade, com minha saída do Cordel, não me vejo substituindo aqueles músicos. Eram todos muito bons. Mas aquele som era muito meu.

DISCOGRAFIA – Como nasceram essas novas canções?

Lirinha – Aconteceram algumas surpresas. Noite fria é uma música diferente, nem ia entrar nesse disco. Mas ela praticamente surpreendeu a todos. Ela foi gravada por um clássico tocador de violão de sete cordas de frevo. Chamamos o Maestro Forró pra fazer o trompete e ele fez três. Algumas coisas foram acontecendo.

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DISCOGRAFIA – O disco encerra com uma faixa do seu filho de nove anos, que inclusive lhe homenageia. Como nasceu essa canção?

Lirinha – Eu só botei por que não dava pra não botar. Eu botaria por uma corujisse. Ele mora no País de Gales e foi passar o Carnaval em Recife. No meio do nosso ensaio, ele mostrou a música. Foi muita coragem da parte dele. Ele é melhor do que eu.

DISCOGRAFIA – O disco traz uma participação do Lula Cortes. Como foi o convite?

Lirinha – Quando convidei o Pupillo, ele sugeriu uma homenagem ao Paebiru (disco de 1975, gravado por Zé Ramalho e Lula Cortes). Falamos com ele, mas ele não queria tocar o tricordio (instrumento usado na época da gravação do disco). Ele dizia: “faz tempo que eu não toco”. Insistimos, ele gravou e a música ficou forte. Esse foi o último registro dele. A gente ainda ia gravar a voz, mas ele morreu uma semana depois que nos encontramos.

DISCOGRAFIA – Queria que você falasse nas outras participações, Otto e Ângela Ro Ro.

Lirinha – Eu tinha muita vontade de gravar com a Ângela, e que ela gravasse uma música minha. Nem acreditava que isso pudesse acontecer. Eu ouvia muito ela. Muitas farras foram feitas ouvindo Ângela Ro Ro. Eu tinha uma música que ainda estava pela metade. Quando ela aceitou, eu completei a música. Já o Otto é um amigo importante. Quando saí do Cordel, passei um tempo muito triste e ele me convidou pra fazer uma série de shows que foi muito importante pra mim. Foram cinco shows com ele.

DISCOGRAFIA – Recife continua sendo um dos principais produtores de talentos do Brasil. Você continua acompanhando o que se faz por lá?

Lirinha – Existe uma cena nova, uma produção intensa. Acompanho, mas a gente termina tendo muito contato com os músicos. O que eu poderia dizer também é que a terra tem essa característica. Minha percepção é de uma característica do lugar, de uma forma de ter uma produção e uma vontade de ser diferente, um movimento que se faz. É cobrada essa diferença. Lá, não pode chegar um vocalista imitando o Chico Science.

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DISCOGRAFIA – Seu modo de cantar é bem marcante, principalmente pelo sotaque e pela teatralidade. Qual sua relação hoje com o teatro? Ainda continua atuando?

Lirinha – Fiz uma peça como se fosse uma transição, chamada Mercadorias e Futuro. Uma peça que eu atuava sozinho, com vários pedais que disparavam vários sons. Já tinha ligação com a música. Mas eu to mais a fim de passar um tempo trazendo essas minhas características pra música. Me sinto mais feliz. Antes do teatro mesmo, minha primeira escola, foi a declamação de poesia. Comecei a fazer teatro e juntar música, e virou o Cordel, que durou três anos. Quando fomos pra Recife, mudou pra ser o nome da banda.

DISCOGRAFIA – Sua saída do Cordel foi definitiva pro fim do grupo. O que tem de bom e de ruim em seguir carreira solo? Quais seus planos?

Lirinha – A solidão é maior nas decisões e isso às vezes é ruim. Você fica com mais responsabilidades. Por outro lado, o positivo é poder ter essa coisa de fazer um caminho, escolher por si. Quanto aos planos, quero seguir tocando. Já comecei a turnê em outubro (2011).

04.02.12 06:00

A moça do sonho do Chico Buarque

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Com poucos anos de carreira, Thaís Gulin (lê-se “Gúlin”) já entrou para um time seleto da música brasileira. O time das musas de Chico Buarque. Ela é a tal menina do “cabelo cor de abóbora” que o compositor cita em Essa pequena, canção gravada no recente disco Chico. Como se a homenagem não bastasse, ela ainda divide com ele a valsinha Se eu soubesse, já escalada para o repertório do show gratuito que a cantora faz em Fortaleza neste domingo (5).

Convidada do projeto Fortaleza em Férias, a cantora e compositora curitibana apresenta, pela primeira vez no Nordeste, seu segundo disco, ôÔÔôôÔôÔ (Som Livre), lançado em 2011. Para ela, a passagem pelo Ceará, tem um sabor especial por se tratar de um lugar que ela visitou bastante na infância. “Vi uma foto do anfiteatro pela internet. É um lugar especial. Fortaleza é um lugar especial para mim, passava as férias com meus pais por aí”, comenta por email.

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ôÔÔôôÔôÔ veio quatro anos depois do disco Thaís Gulin (Rob Digital). Influenciado por uma aura carioca, o novo repertório mistura estilos variados com a voz aguda e afinada da intérprete que dividiu letra e música em Ali sim, Alice com Tom Zé. Ainda como compositora, ela acumula parcerias ilustres com Arrigo Barnabé, Moreno Veloso e Ana Carolina. “Acho que compor é um canal por onde você capta o que está no ar. Manter esse canal aberto não é tranquilo. É um contato muito profundo com quem você é”, reflete.

Radicada há quase dez anos no Rio de Janeiro, Thaís começou a testar seu talento para os palcos aos quatro anos, na época do ballet. Cantando “pra valer”, foi aos 17. Dois anos depois já estava decidida a ser artista, no teatro ou na música, e até abandonou um estágio em Curitiba, onde acabava dormindo num sofá por conta das noites de ensaio. Seu caminho para a música começou antes, pelo rádio e pela mãe, com quem aprendeu a gostar de Nara Leão, João Gilberto, Mutantes e Piazzolla.

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Se na infância Chico Buarque não tava entre seus preferidos, depois do dueto, Thaís ganhou mais exposição midiática. Inclusive por conta de um suposto namoro com carioca de olhos azuis. Se é verdade ou não, ela preferiu ignorar qualquer pergunta sobre o assunto. Melhor tratar dos projetos futuros, que já andam se delineando. “Acho que assim que você termina um disco, o outro já se encaminha. Ainda sem forma, mas você sente uma direção possível.  Agora os planos são fazer os clipes que temos para fazer e a turnê”. Aos 31 anos, a moça de jeito tímido sabe que muitas músicas ainda vão acontecer.

DISCOGRAFIA – Esta será sua primeira vez em Fortaleza. Como vai ser esse show?
Thaís Gulin –
Vi uma foto do anfiteatro pela internet. É um lugar especial.  Fortaleza é um lugar especial para mim, passava as férias com meus pais por aí, na infância. É a primeira cidade do nordeste em que faremos o lançamento do disco, o mesmo show que fizemos em São Paulo, Rio e Curitiba mas com algumas canções a mais.
 
DISCOGRAFIA – Queria que você me adiantasse algo do repertório e quem lhe acompanha no palco.
Thaís Gulin -
Os companheiros de palco são: Fernando Caneca (violão e guitarra), Chico Chagas (teclados e acordeão), Lancaster Lopes (baixo), Thiaguinho Silva (batera), Johnson (trombone). O repertório terá ôÔÔôôÔôÔ, Cinema Americano, Ali Sim, Alice, Se Eu Soubesse, enfim, quase todas as canções desse meu segundo disco e algumas do primeiro como Garoto de Aluguel e História de Fogo.  
 
DISCOGRAFIA – Como a música entrou na sua vida?
Thaís Gulin –
Pela minha mãe. Ela ouvia muito João Gilberto, Nara, Mutantes, Chico, Mercedes Sosa, Piazzolla.  Tocava pra mim. Pequena, o que eu queria era viver dentro de um teatro com um piano, mas era proibido para uma criança de quatro anos, então, ficava inventando canções num órgão que tinha lá em casa. Foi importante isso, não ter aulas quando pequena, inventar um jeito meu.
 
DISCOGRAFIA – Que sons e artistas mais lhe influenciaram?
Thaís Gulin –
Cássia Eller, João Gilberto, Bjork. Ouvia muito rap, hip hop, reggae, samba, tango. E também qualquer coisa que tocasse no rádio.
 
DISCOGRAFIA – Você é natural de Curitiba. Queria saber em que sentido sua cidade influencia seu trabalho.
Thaís Gulin –
Curitiba é uma cidade silenciosa. É mais distante ver o tempo passar, tem uma atmosfera que te permite ver as coisas assim. É uma cidade que me organiza, me acalma. 
 
DISCOGRAFIA – Quando e como foi a primeira vez que você pisou num palco? Que idade você tinha?
Thaís Gulin -
Foi aos quatro anos. Dançava ballet. Cantando, a primeira vez pra valer foi aos 17.
 
DISCOGRAFIA – Sua carreira aconteceu no Rio de Janeiro. Quando você foi morar lá? Como foi a chegada? Já conhecia alguém no Rio?
Thaís Gulin -
Minha mãe nasceu no Rio, em Vila Isabel. Mas quando cheguei já não tinha família aqui. Fui pro Tablado, minha professora era a Guida Viana e ela rapidamente me indicou pra minha primeira peça aqui. Lá em Curitiba, trabalhava como atriz, cantava e estudava Conservatório de MPB.  
 
DISCOGRAFIA – Em que momento você escolheu trabalhar com música e viver de música? Hoje você vive de música? Chegou a trabalhar ccm outras coisas?
Thaís Gulin -
Foi aos 19 anos, quando morei na França. Voltei certa do teatro e da música. Para mim era mais importante, que a música carregasse exatamente quem eu era. Então, enquanto fazia as peças dos outros autores, fazia alguns shows para deixar sair o que era meu. Vivo de música. Cheguei a fazer estágio numa empresa em Curitiba mas ficava até muito tarde no teatro, ia para a faculdade de manhã e, à tarde, na hora do estágio, ficava cansada e dormia num sofá escondido. 
 
DISCOGRAFIA – Você divide seu trabalho de cantora entre intérprete e e compositora. É fácil pra você compor? Como nascem suas composições?
Thaís Gulin –
Acho que compor é um canal por onde você capta o que está no ar. Manter esse canal aberto não é tranquilo. É um contato muito profundo com quem você é. Quando nasce, a composição geralmente “cai” na sua cabeça, aí você trabalha em cima dela. Às vezes pode cair inteira, pronta, às vezes tem que trabalhar muito. Ainda sinto um pouco dividido, sim.
 
DISCOGRAFIA – Você é uma mulher bem tímida. Alguma vez isso atrapalhou sua vida ou seu trabalho?
Thaís Gulin -
Mas não sou tímida…
 
DISCOGRAFIA – Como nasceu o título do seu segundo disco? O que ele lhe diz?
Thaís Gulin -
Estava tentando achar um título pra música. Tinha posto um nome que sabia que era temporário: “cabrochas”. Fui passando a letra pra ver se eu descobria as palavras que dariam o título, aí veio a parte da melodia que fazia ôÔÔôôÔôÔ e, achei. Aí veio a ideia da bandeira da capa, fincada no Arpoador, uma coisa de turista no Rio, homem na lua. Meio daqui, meio de fora.
 
DISCOGRAFIA – Com dois discos lançados, você já acumula encontros com dois grandes nomes da MPB: Tom Zé e Chico Buarque. Com aconteceu o encontro com eles?
Thaís Gulin -
Eu os conheci pelo meu primeiro disco. Eles ouviram e me escreveram. Não esperava e fiquei muito feliz, cada um do seu jeito, um quase o oposto do outro, são grandes influências pra mim. Quando as músicas chegaram, dialogavam com tudo o que o disco carregava. Flutuavam.
 
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DISCOGRAFIA – Recentemente seu nome virou notícia também por conta do namoro com o Chico, que vocês nem confirmam nem negam. É verdade?
Thaís Gulin –
(sem resposta)

DISCOGRAFIA – Essa exposição lhe incomoda?
Thaís Gulin -
(sem resposta)
 
DISCOGRAFIA – Curioso saber que você não gostava do Chico quando era menor. Em que momento começou a gostar? Qual foi o disco ou música que lhe despertou pro trabalho dele?
Thaís Gulin -
(sem resposta)
 
DISCOGRAFIA – Como estão os seus planos agora? Já tem um novo disco ou trabalho em vista?
Thaís Gulin -
Já. Acho que assim que você termina um disco, o outro se encaminha, ainda sem forma, mas você sente uma direção possível. Agora os planos são fazer os clipes que temos para fazer e a turnê.   

DISCOGRAFIA – O que o público pode esperar desse show?
Thaís Gulin -
Música e alegria por estar em Fortaleza.

03.02.12 17:00

Zeca Baleiro abre espaço para disco colaborativo

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

O disco é do Zeca Baleiro, mas quem manda é você! Com novo site na praça, o maranhense vai lançar em breve uma campanha para que os fãs escolham a capa do seu novo disco. O Disco do Ano deve chegar às lojas em março, com o carimbo da gravadora Som Livre. Seu último trabalho de inéditas foi o duplo O Coração do Homem Bomba, de 2008. Em seguida ele lançou o pacote Vocês Vão Ter que Me Engolir, que reunia dois trabalhos ao vivo, um elétrico e outro acústico.

Quanto a O Disco do Ano, o novo disco vai contar com 12 canções e 15 produtores. Até o momento, já estão confirmadas participações de Margareth Menezes, Andreia Dias e Chorão (Charlie Brown Jr.). Nas composições, Baleiro contará com parceiros como Wado, Hyldon, Lúcia Santos (irmã de Baleiro), Kana (compositora japonesa) e Frejat, em Nada Além, já registrada no disco Intimidade entre Estranhos, último trabalho solo do Barão.

02.02.12 14:30

Dominguinhos é atração amanhã no Kukukaya

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Pra quem anda reclamando da música brasileira por conta da invasão de Telós e Fernandes, façam como disse Raul Seixas: É só virar o botão e mudar de estação. Por aqui, não é pequena a lista de artistas vivos que mereciam um trono pelo serviço que prestam à nossa cultura. Um deles volta amanhã a Fortaleza. Trata-se de José Domingos de Moraes, o querido sanfoneiro Dominguinhos. Cheio de suingue, humildade e simpatia, ele canta e toca às 22h no Kukukaya, casa sempre aberta aos grandes nomes da música Nordestina com “N” maiúsculo. Para a apresentação, ele preparou 20 músicas, entre composições próprias e sucessos de amigos como Luiz Gonzaga. Entre elas vão Sabiá, De volta pro aconchego e Lamento sertanejo. No entanto, ele adianta que seu instrumento vai para onde o coro mandar. Imperdível.

02.02.12 11:00

Baile do Simonal e Karina Buhr animam Carnaval de Fortaleza

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Como já vem de alguns anos, o Carnaval de Fortaleza tem garantido uma programação cada vez mais bacana. Pelo palco montado no aterrinho da Praia de Iracema, já passaram nos últimos anos nomes do quilate de Beth Carvalho, Teresa Cristina, Dominguinhos e outros mestres. Na areia, famílias, crianças e outros foliões aproveitam shows bem montados e uma tranquilidade (quase sempre) reinante (salvo um ou outro incidente). Para 2012, a qualidade não é diferente. Pra melhorar, a brincadeira se espalha pela cidade em blocos, cortejos e desfiles nos bairros. Mas vamos aos convidados do palco do Aterrinho. Acompanhe:

Dia 18/02 – Sábado
Marcus Caffé e Banda
Serrão de Castro e Banda
Karina Buhr e Banda (PE)
Otto e Banda (PE)

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Dia 19/02 – Domingo
Orquestra Casa Blanca
Groovytown
Banda Moinho (BA)

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Dia 20/02 – Segunda-feira
Batucada Elétrica de Hoto Júnior
Tarcísio Sardinha e Orquestra de Fortaleza
Baile do Simonal com Wilson Simoninha e Max de Castro (RJ)

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Dia 21/02 – Terça-feira
Lú de Sousa e Forno Elétrico
Pantico Rocha e Convidados
Arlindo Cruz (RJ)

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01.02.12 12:54

A pele tropicalista de Roberta Sá

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Num passado recente da música brasileira, uma geração de artistas foi responsável por atrair novos ouvintes para o samba. Com moral meio baixa desde que dezenas de grupos de pagode paulista invadiram as rádios, o som do pandeiro e do tamborim estava mesmo precisando de alguém que lhe desse novo gás. A renovação veio pelas mãos de jovens cantoras que, de olho na mistura, conseguiram ressuscitar aquele som que agoniza, mas não morre. Entre elas, estava Roberta Sá.

No entanto, mesmo que tivesse muitos sambas na sua história, a cantora potiguar nunca se viu como uma autêntica sambista. Pensando nisso, ela colocou como regra para seu novo disco que ele não trouxesse nenhum samba. E assim nasceu Segunda Pele, fruto de inúmeras conversas com o músico e amigo Rodrigo Campello. Com pandeiro e tamborim em segundo plano, o disco se abre para outros sons brasileiros, de várias regiões. “Não quero deixar (o samba), não é um abandono. É só uma necessidade de viver experiências novas com o público”, explica Roberta Sá por telefone.

Esse mergulho na brasilidade está presente em tudo, desde a concepção do som até a capa do disco, que remete a uma saudosa Clara Nunes. “Queria que fosse uma capa de uma cantora bem brasileira. Esse foi o briefing. Uma capa bem tropicalista”, detalha lamentando o tamanho das capas de CDs comparadas aos antigos LPs. O movimento tropicalista também serviu de influência para os arranjos que emolduram as canções. Os climas e sensações trazem à memória os ambientes sonoros criados pelo maestro Rogério Duprat (1932 – 2006). É o caso, por exemplo, da abertura opulenta com Lua (Mário Seve/ Pedro Luís).

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Em Segunda Pele, Roberta Sá procurou novos caminhos para seu canto. Um dos desafios que se impôs foi de gravar pela primeira vez em outra língua, no caso o espanhol. A escolhida foi Esquirlas, de Jorge Drexler, que ainda teve a participação do autor. Outra mudança curiosa está nas letras. A cantora que já foi chamada de “Sandy do Samba” se mostra agora mais sensual em versos como “quando ele vem, faço dele minha luva, meu collant, a minha segunda pele” (Segunda Pele, de Carlos Rennó e Gustavo Ruiz) ou “Quando a coisa é quente, já estamos bem a sós” (Bem a sós, Rubinho Jacobina).

Segunda Pele também mostra um lado mais ensolarado da cantora, que definiu este como “o disco das minhas vontades”. O Nego e Eu (João Cavalcanti) é um sambão gostoso que lembra os anos 1960 de Elza Soares. Junto com o marido Pedro Luís, ela assina o frevo “arrasta quarteirão” No bolso, onde pensa nos aperreios da vida moderna. Segurando o ritmo, ela pula para Deixa Sangrar, canção de Caetano Veloso lançada por Gal Costa em 1970. “Nos discos anteriores, eu jamais gravaria uma música da Gal. Ela é um símbolo, então eu a achava intocável. Agora ganhei essa liberdade, essa maturidade de poder fazer esse tipo de coisa, sem ficar com tanta preocupação”, avalia Roberta.

Na mistura de estilos do disco, há ainda a balada tocante Você não poderia surgir agora (Dudu Falcão), que conta com Daniel Jobim ao piano, e No Arrebol, um curioso reggae escrito pelo sambista carioca Wilson Moreira. Esta última encerra o trabalho deixando uma sensação objetivo alcançado. Para Roberta Sá esse disco não é necessariamente ousado (“Eu vou sempre achar que o próximo é mais ousado. A mudança de rumo é sempre uma ousadia”). Ainda assim, é certo que, a vontade de dar um passo à frente, fez deste o seu melhor disco até agora.

30.01.12 13:28

Marina de La Riva em um mar de música

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Uma movimentação diferente tomou conta do Shopping Via Sul na última quinta-feira (26). Por volta das 20h, uma enorme fila já estava formada em frente ao teatro da casa, com jovens e senhores cantarolando músicas latinas. O motivo da cantoria é que dentro de uma hora subiria ao palco a cantora Marina de La Riva (foto: Kleber Gonçalves) estreando uma nova turnê onde pretende encontrar várias orquestras pelo Brasil e, quem sabe, pelo mundo. Em Fortaleza, a escolhida foi a Orquestra Contemporânea do Ceará, regida pelo sereno maestro Alfredo Barros.

Dona de uma voz doce e segura, a cantora carioca filha de cubano com mineira é um exemplo para o Ministério das Relações Exteriores ao unir canções cubanas e com sotaque jazzista americano, sem perder a bossa brasileira de vista. Com uma pontualidade de corar os famosos atrasadinhos, o primeiro toque para o início do show foi dado exatamente às 21h. Com os músicos já a postos atrás dos seus instrumentos, Marina de La Riva subiu ao palco pouco depois ao som de Central Constancia. Nem precisou terminar a primeira música, a casa totalmente cheia já estava aos seus pés.

Marina, estonteante num vestido longo vermelho, seduziu seus ouvintes por mais de uma hora. Ao seu redor, um som esplendoroso envolvia todos que estavam reunidos ali. Era algo em torno de 60 músicos, somando banda e orquestra, interpretando bossas e boleros capazes de amolecer até os corações mais duros. Numa espécie de recital latino, o repertório incluiu pérolas conhecidas como Pedacito de cielo e Tu me acostumbraste, esta última com uma participação inesperada do pai da cantora, que cantou do seu canto na plateia. “Quando dois de La Riva se juntam dá nisso”, brincou a filha emocionada. Adiantando Idílio, disco que está prestes a ser lançado, ela mandou Assum preto, numa interpretação que ressaltou o tom trágico da letra, e Ausência, canção de Vinícius de Moraes e Marília Medalha lançada em 1972 no disco Encontro e Desencontro. Até o Rei Roberto Carlos teve sua Desabafo vertida para o espanhol, numa interpretação arrepiante.

Um destaque especial tem que ser dado à Orquestra Contemporânea do Ceará. Executando com perfeição os arranjos cinematográficos a la Henry Mancini, os músicos provaram que nem só de forró se faz o nosso Estado. Isso ficou claro numa interpretação de Drume negrita, que deixaria Mercedes Sosa orgulhosa. “Se tiver gente de dinheiro na plateia que queira investir em cultura, aqui tem um grande futuro para o Ceará”, alertou o maestro Alfredo Barros lembrando que agora a orquestra se chama Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual do Ceará.

“Isso é um mar de música”, elogiou Marina de La Riva (Foto: Priscila Lima) que foi se encaminhando para o fim. O encerramento foi em alto estilo com Adeus, Maria Fulô, de Sivuca e Humberto Teixeira. Convidando ao palco o sanfoneiro Zé do Norte, sugerido por Alfredo Barros, a apresentação terminou em clima de arrasta-pé, com Fortaleza encantada e já esperando um novo encontro, como aquele que havia acabado de acontecer.

27.01.12 17:00

Pra Começar: Vanguart

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Foi como um susto. Conheci o som do Vanguart meio que pora acaso, quando vi a revista Outracoisa encalhada na banca. Levei pra casa por conta do preço baixo e por que vinha o disco de um banda que nunca tinha ouvido falar. Na falta de coisa melhor pra fazer numa sexta à noite, comprei e fui ouvir. Muito bom, pra ser econômico. Semáforo, a música de abertura, é um dos melhores singles de 2007, enérgico, grudento e empolgante. Os mesmos adjetivos podem ser empregados em Hey Yo, Silver. O principal compositor, violonista, vocalista e gaitista (ufa!) Hélio Flanders tem uma voz cheia de personalidade, entre Bob Dylan e neil Young, e é também um compositor inspirado. Isso fica claro na obra prima pós-adolescente Enquanto isso na lanchonete, uma espécia de Eduardo e Mônica moderno. No disco inaugural, que trazia apenas o nome da banda sobre uma foto escura tirada num parque, a ideia de revelar uma personalidade ficou clara na mistura de Bob Dylan (pelo folk), Neil Young (pelo rock) e Capital Inicial (pelo pop). Pra dificultar a coisa, o disco traz faixas em português, inglês e espanhol. Das internacionais, o destaque fica pra a adoce The last time I saw you, folk apaixonado narrando passo a passo as idas e vindas de um casal. Formado em Cuiabá, Mato Grosso, o Vanguart é formado por David Dafré (guitarra), Reginaldo Lincoln (baixo), Luiz Lazzaroto (teclado) e Douglas Godoy (bateria), além de Hélio. Com um som coeso e cheio de personalidade, eles dispensam estrelismos pra fazer um disco bem tocado, composto e cantado, como poucos conseguem na estreia. Just to see your blue eyes see, por exemplo, mostra bem o que pode cada um deles. Mesmo em momentos mais pretenciosos, como Antes que eu me esqueça, eles mostram um som acima da média do underground nacional. Ainda pouco conhecidos, eles regravaram esse repertório no projeto ao vivo lançado em 2008 em CD e DVD com o carimbo do canal Multishow. Este foi o segundo disco deles, ainda prematuro, é certo, mas vale pelo registro de um grupo em ascenção que ainda vai dar muito o que falar.

Imagem de Amostra do You Tube

27.01.12 11:48

Vanguart mantém a classe em segundo disco de inéditas

Por: Marcos Sampaio | Comentários: Comente

Você certamente já ouviu falar na crise do segundo disco. Quando um artista consegue emplacar um sucesso na estreia, bate sempre aquele medo se vai conseguir repetir o feito num novo trabalho. Alguns artistas têm optado por lançar um ao vivo, o que, quase sempre, significa repetir o repertório do primeiro com algumas inéditas e alguns covers. Foi assim com Marina De La Riva, Maria Gadu e com os cuiabanos do Vanguart. Todos eles agora estão lançado seus novos trabalhos de inéditas, as duas primeiras no ínício de 2012. No caso do Vanguart, Boa parte de mim vai embora foi lançado no fim do ano passado pelo selo Vigilante, da Deck Discos. Repetindo o modelo folk pop, o disco já impressiona pela foto envelhecida da capa. Em frente a uma fachada com ares antigos, quatro personagens (um deles feito curiosamente pela cantora Cida Moreira) olham desafiadoramente para a frente, como quem diz “e aí, vai encarar?”. Por dentro, o som continua tão bom quanto antes, mas com algumas novidades. Diferente da estreia trilingue, Boa parte de mim vai embora traz somente letras em português. Apenas a abertura Mi vida eres tu, traz um trecho em espanhol. Aliás a faixa pode concorrer a uma das melhores do ano com a voz de Hélio Fladers repetindo a mesma nota exaustivamente até explodir do refrão, uma construção feita sob medida para os shows. Outra novidade é a presença do violino de Fernanda Kostchak como um sexto memobro da banda. As letras de Hélio continuam tão bem cotadas quanto antes, embora os temas “fim” e “despedida” sejam uma constante ao longo das 12 faixas. Conectados com o título do disco, esses temas se mostram de forma doce em Nessa cidade (“eu não vou mais estar do teu lado mesmo assim sempre vou te amar”) e passional em Desmentindo a despedida (“Você bateu na minha cara, você pôs fogo na minha mala, eu fui embora”). Embora uma pontinha de tristeza se faça presente, Eu vou lá é a única com ares de esperançosa do disco falando de forma poética sobre algo sublime. Compondo metade das faixas (sozinho ou como parceiro de Flanders), o baixista Reginaldo Lincoln assume com propriedade os vocais nas faixas Onde você parou e …Das lágrimas (esta em dueto com Hélio) e se sai bem. O disco encerra com um choque de sensações. O que a gente podia ser é melancólica e triste. Em seguida, Depressa, tal qual o título, termina tudo em ritmo acelerado. O grande mérito do Vanguart e de Boa parte de mim vai embora está em não querer inventar a roda. É apenas um punhado de boas canções, feitas com sinceridade e algo de originalidade. Simples assim.

Emmanuel Macêdo

Emmanuel Macêdo

Jornalista do Grupo de Comunicação O POVO. Repórter e colunista do […]

Marcos Sampaio

Marcos Sampaio

Jornalista formado pela Universidade de Fortaleza e observador curioso da produção […]

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