28.10.11 12:31
“QUANDO AMANHECE NA SICÍLIA… A LUTA DAS MULHERES E DA SOCIEDADE CIVIL CONTRA A MÁFIA SICILIANA”
Por Marcos Duarte - Lúcia Helena Issa, jornalista investigativa que morou durante seis anos na Itália, fez uma verdadeira imersão na região da Sicília, cidade ao sul do país. Seu objetivo: dar voz às histórias das mulheres sicilianas (juízas, mães, professoras, jornalistas) que foram fundamentais no enfraquecimento do estado paralelo, existente desde a primeira metade do século XIX, através da onipresença da Cosa Nostra, a máfia siciliana.
O resultado desse aprofundamento no tema poderá ser conferido em “Quando Amanhece na Sicília… A luta das mulheres e da sociedade civil contra a Máfia siciliana”, primeiro livro-reportagem sobre a Sicília escrito por uma jornalista brasileira.
Publicado pela editora carioca Multifoco, o livro terá lançamento nacional no dia 21 de novembro de 2011, das 19h às 21h30 na Livraria Cultura Pompeia, no Shopping Bourbon, em São Paulo, além do Rio de Janeiro e Bahia.
A obra traz entrevistas com autoridades, especialistas, ativistas, cidadãos comuns, juízas, e histórias envolventes relatando a transformação da Sicília, o confisco dos bens de mafiosos que permaneceram foragidos durante décadas e a transformação dessas apreensões em escolas, parques e projetos para a comunidade onde atuavam. O livro tem entrevistas feitas em Roma, com historiadores, sobre a ligação de alguns membros do Vaticano com a Cosa Nostra.
Do início do trabalho de investigação até a conclusão do livro foram seis anos morando na Itália, mais de 90 entrevistas com sicilianos (as) e um ano de trabalho no Brasil, na lapidação do livro. A autora participou de vários atos civis contra a máfia e conversou na Sicília com mulheres como Felicia Impastato, mãe do jornalista Guiseppe Impastato, assassinado pela Máfia, com ativistas como Letizia Battaglia e com outras ainda, que denunciaram os próprios maridos mafiosos à justiça, revelando informações da organização à polícia, e recebendo uma nova identidade através de programas de proteção à testemunha. Condição valiosa, já que os tentáculos da Cosa Nostra são infindáveis e surgem de onde menos se espera.
“Quando Amanhece na Sicília…” certamente é um dos relatos mais contundentes e emocionantes a respeito de uma facção criminosa detentora de conexões nacionais e internacionais, inclusive brasileiras. “Reportagem das boas, com um toque de literatura e um olhar brasileiro para a Itália, Quando amanhece na Sicília… é um trabalho de puro jornalismo investigativo e ao mesmo tempo uma narrativa testemunhal, uma grande contribuição para o entendimento do poder do crime organizado na Itália e no próprio Brasil (…) um recorte temporal fantástico, escrito por quem testemunhou in loco os fatos que narra (…)”, declarou Joaquim Maria Botelho, Presidente da União Brasileira de Escritores.
“O objetivo maior desse trabalho investigativo é revelar como a Sicília tem conseguido sair do ciclo de violência, terror e impunidade que a caracterizou por tanto tempo… E mostrar para os brasileiros também que a sociedade civil e as mulheres sicilianas – juízas, mães, professoras, jornalistas – foram e estão sendo parte fundamental dessa transformação social na Sicília…”, revela a jornalista Lucia Helena Issa.
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nilcea lopes s. paula 22.11.11 | 16:54
Vi a participação da jornalista Lucia Helena Issa , no programa sem
sensura, da jornalista Leda Nagle , e achei o tema super interessante , com certeza vou comprar ler e recomendar. Livros e obras como esta devem ser mais lidos e divulgados e porque não até assunto de debates pela sociedade civil, mostrando que tudo é uma questão de atitude para fazer acontecer , como fizeram as mães da Sícilia. Parabéns Lucia Helena pelo trabalho .