Tem esqueletos no armário!

esqueleto

Philip Yancey, em seu livro “O Deus (in)visível”, me ajuda a questionar: você está absolutamente certo de suas crenças a respeito de  Deus?

D-Ú-V-I-D-A. Este é o nome do maior inimigo das religiões, pois elas temem perguntas e costumam perguntar somente o que acreditam saber responder. Em geral, quem duvida no ambiente religioso passa a integrar o rol dos “hereges”. O resultado são membros que hesitam em questionar.

Dúvidas são como esqueletos que escondemos em nosso armário particular. Temos medo de abrir este armário e encarar o monstro. Por isso o armário permanece fechado e podemos morrer sem abri-lo. Contudo, tudo o que deveríamos fazer é abrir, retirar o esqueleto e dissecá-lo, para ver que ele não passa de ossos. Que podem ser revestidos de nervos, carne e vida, tal como narrado em Ezequiel 37:1-14. Nervos, carne e vida, nesta analogia, são exatamente a fé.

O inverso da fé não é a dúvida, mas o medo. Embora pensar seja perigoso, o medo de pensar é ainda mais. E pode levar-nos a jamais refletirmos acerca das razões de nossas crenças. Se não encaramos com honestidade as dúvidas, não podemos atender ao conselho de Pedro: “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15-b). Se camuflamos os questionamentos e escondemos este esqueleto, jamais podemos estudá-lo de perto e compreendê-lo, o que poderá fortalecer nossa fé.

“Fé forte” não são certezas absolutas sobre todos os aspectos que envolvem Deus. Minha fé se fortalece quando entendo que, por mais que ore, pesquise ou estude, para certas questões jamais terei resposta. Entretanto, por mais intrigante que seja, em mim a certeza do caráter de Deus não muda. E aqui prevalece a fé, pois ela é indispensável para que alguém se aproxime dEle.

A dúvida, se bem utilizada, é um caminho natural para a fé. Há alguns anos, ouvia com minha esposa uma canção que dizia: “Quero dúvidas em mim, quero duvidar enfim, quero duvidar do nosso amor”. Eu dizia que se nosso relacionamento não fosse forte o suficiente para ser questionado, ele não era forte o suficiente!

Questionamentos honestos, de quem não deseja desconstruir, mas sim entender, vindos de um coração sincero, embora desagradem as estruturas eclesiásticas certamente não ofenderão a Deus, o dono dessa fábrica não por acaso especialista na produção de seres pensantes. Também não por acaso o Mestre Jesus articulava seus pensamentos e argumentos de forma primorosa, de modo que todos se embasbacavam e não podiam resistir às suas palavras, que se confirmavam em sua vida.

O mesmo Cristo que não condenou o homem que lhe disse certa vez: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (Marcos 9:24). Por isso, a Bíblia não nos poupa de conhecermos inúmeros homens e mulheres questionadores. Por isso, as biografias dos ícones do Cristianismo estão permeadas de “crises existenciais” ou “crise de fé”, que bem poderiam se chamar “crises de dúvida”.

Por isso, se você, como eu, duvida, não se envergonhe. Retire do armário o esqueleto da dúvida e disseque-o. Enquanto isso, aproxime-se humilde e contritamente dAquele que te faz capaz de pensar, até que você perceba o quanto é gracioso e libertador não ter respostas para tudo. E se você diz que “Eu creio, porém duvido com toda a minha mente”, estou certo de que poderá orar dizendo: “Senhor, eu duvido, porém creio de todo o meu coração”.

Edilson de Holanda

Sobre Edilson de Holanda

Advogado, blogueiro e cristão. Não necessariamente nessa ordem! Quando criança, ouviu uma frase que mudou sua vida: “A excelência de um homem se conhece pela grandeza das causas que defende e pelo preço que está disposto a pagar por essas causas”.

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