Sonegadores do Evangelho

sonegado

Esses dias escutei do meu pastor, Armando Bispo, uma frase que ficou martelando em minha cabeça. Ele disse: “Não podemos ser sonegadores do evangelho”. Parei e pensei o que seria “sonegação do evangelho”?

Sonegar é sinônimo de ocultar e retrair. Sonegar o imposto, por exemplo, é o ato de esconder do governo bens que possui para não pagar o que é devido.

A mensagem de Jesus é um bem muito precioso, capaz de curar, libertar e restaurar vidas, coisas que dinheiro nenhum pode fazer. Esse bem nos foi dado de forma gratuita para que pudéssemos compartilhá-lo com o máximo de pessoas possíveis em todo o mundo (Mateus 28). Todavia, esse bem tão valioso também costuma ser sonegado.

Os sonegadores do evangelho possuem a mensagem e detêm o conhecimento, porém a escondem do povo e só mostram o que eles querem mostrar. O sonegador tem receio de pagar o preço e, por isso, manipula a mensagem para evitar o Leão, mesmo sabendo que o Leão é onisciente e onipresente.

O sonegador esconde trechos como o de Tiago 1.27 – “A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.” – porque sabe que, se o povo meditar nessas palavras e colocá-las em prática, ele – como líder do rebanho – terá que descer do púlpito, arregaçar as mangas e também cuidar de quem de fato precisa.

O sonegador esconde trechos como o de Filipenses 4.12 – “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” – porque sabe que, se o povo também meditar nessas palavras e colocá-las em prática, toda a teologia da prosperidade – que vende que o crente não sofre, não padece e não tem crise financeira – perde o total sentido.

O sonegador compra um horário na televisão e estimula as pessoas a pedirem a ajuda do pastor, para que este, que é ungido e consagrado, determine a benção, tornando as pessoas dependentes do culto da sua igreja e fazendo discípulos para si.

Por casos assim é que se sonega o evangelho, pois o medo que o líder tem de perder o controle sobre as suas ovelhas impede-o de estimulá-las a abrir suas casas, chamar os vizinhos e meditarem na Palavra de Deus. O líder não quer pagar o preço de confiar única e exclusivamente em Deus e, com isso, foge do Leão da tribo de Judá, criando regras e doutrinas que atraem cada vez mais as pessoas para religião e menos para Cristo.

A igreja dos colossenses estava enfrentando uma crise como essa. As pessoas estavam dando mais ouvidos ao que a religião dizia do que ao que Cristo havia dito. A carta que Paulo escreveu a eles foi uma espécie de “malha fina” celestial, combatendo toda sonegação posta:

“Portanto, assim como vocês receberam a Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e edificados nEle, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão. Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.”(Colossenses 2.6-8)

Quando medito em uma carta como a de Colossenses, percebo que Deus está me dizendo que não importa o preço que custar, meu papel é revelar esse evangelho que um dia me foi dado e nunca sonegá-lo.

O Leão cobrará isso de mim e de você. Mas uma coisa é certa: quanto mais declararmos essa palavra, mais Ele irá restituí-la e nos encher com Sua graça e sabedoria.

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