REFÚGIO NA TORMENTA: A SALVO DO “GIGANTE”

Desfrutando do feriado do dia da Independência, que interrompeu a semana – com direito a imprensar a sexta feira para alguns -, deparo-me com as últimas notícias do “Gigante” chamado Irma. Na costa brasileira, tempo de sair para desfrutar de lazer na orla para uns; ao norte, tempo de evacuar as regiões costeiras para outros.

Tento imaginar o que é vivenciar dias como esses, de alerta de tempestade com ventos de 300Km/h, com alto potencial de destruição e colapso total. Impossível, pelo menos para mim, não tenho como avaliar.

Aliás, a Agência de Gestão de Emergências dos Estados Unidos afirmou que apenas três furacões de categoria 5, a mais alta da escala Saffir-Simpson, atingiram os Estados Unidos desde 1851.

O diretor da Agência, Brock Long, afirmou que o impacto do Irma será realmente devastador quando chegar ao litoral da Flórida. E que, ainda segundo ele, a costa estadunidense nunca experimentou furacão como esse. A ordem é evacuar imediatamente e buscar abrigo.

Por onde passou, o Gigante inundou ruas, derrubou árvores, destelhou casas e ceifou onze vidas. A estratégia de buscar abrigo seguro e fora do alcance da rota da tempestade manteve a salvo muitas vidas.

Li, também, que as autoridades do Haiti só soaram o alerta e ordem de evacuação na quarta-feira, dia 06. E, com o coração apertado, li ainda o depoimento de um nativo, pescador, que dizia que não iria abandonar sua

casa, nem seu barco e nem as suas redes. Que iria permanecer onde estava. Impotente, resignado, decide capitular.

Por falar em refúgio e em gigantes, no meu momento de leitura devocional, e à caminho das águas mansas e pastos verdejantes do salmo 23, esbarro no relato das batalhas do rei Davi, registrada no capítulo 21 do livro de 2 Samuel. Tratava-se de uma batalha que, da perspectiva humana, já estava perdida. Situação aterradora, que faria qualquer exército bater em retirada, ou capitular, ante a impotência, a semelhança do ilhéu haitiano. Qualquer exército, mas não o exército de Israel.

O gigante desafiante também tinha nome começando com “I”, que nem o Irma: Isbibenobe. E só a ponta da lança de bronze que ele trazia pesava três quilos e meio. E ele estava determinado a matar Davi. Aliás, é durante a exaustão de Davi, quando todas as forças se lhe tinham esvaído, que o socorro chegou, quando outro valente, tamanho formiga, chamado Abisai, mata o gigante filisteu.

A força e a coragem de Israel vinham da confiança que eles depositavam no seu Gigante, o Senhor dos Exércitos, o Gigante dos gigantes, em força, majestade e poder. O relato é vívido, rico em figuras de linguagem e metáforas fortes. Sua presença manifesta em defesa dos seus é comparada às forças de cataclismas: terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, maremotos.

Vencida a batalha, Davi compõe um cântico de louvor a Deus (2 Samuel 23:2-31), memorial da intervenção sobrenatural do Gigante de Israel no campo de batalha. Libertador, fortaleza inabalável, rocha, lugar seguro, escudo, proteção são algumas das palavras empregadas por Davi para descrever Aquele em quem ele depositava sua confiança mesmo quando tudo, aparentemente, estava perdido.

“O Senhor é minha rocha, minha fortaleza e meu libertador; meu Deus é minha rocha, em quem encontro proteção. Ele é meu escudo, o poder que me salva e meu lugar seguro.

Ondas de morte me cercaram, torrentes de destruição caíram sobre mim. A sepultura me envolveu em seus laços, a morte pôs uma armadilha em meu caminho. Em minha aflição, clamei ao Senhor; sim, clamei a Deus por socorro. Do seu santuário ele me ouviu, meu clamor chegou a seus ouvidos (…)

Então, por ordem do Senhor, com forte sopro de suas narinas, o fundo do mar apareceu, e os alicerces da terra ficaram expostos. Dos céus estendeu a mão e me resgatou; tirou-me de águas profundas (…)

Ele me levou a um lugar seguro e me livrou porque se agrada de mim (…)

Ó Senhor, tu és minha lâmpada! O Senhor ilumina minha escuridão (…)

Deus é minha fortaleza inabalável e remove os obstáculos do meu caminho.”

Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos ter que enfrentar “gigantes”, alguns imaginados, que nem os moinhos de vento de Dom Quixote; outros bem reais e devastadores, que nem o Irma – luto, notícia de um diagnóstico inesperado, desemprego, infidelidade, inimizade, disputas, divórcio, injustiça, corrupção, impunidade, desencontros… e a lista continua. Pois de tempo bom e aprazível, brisa leve e fresca só na terra do faz-de-conta, leia-se “realidade virtual”.

Contudo, mesmo quando os prognósticos forem desencorajadores, vale lembrar que as tempestades vêm e vão, e enquanto elas durarem, podemos contar com a certeza de abrigo, fortaleza inabalável, lugar seguro à sombra dAquele que escuta o clamor do aflito.

Jamile Baltar

Sobre Jamile Baltar

Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará - UECE (1987) e ex-empresária do ramo metalúrgico. Atualmente trabalha na Câmara Municipal de Fortaleza. É integrante da equipe de tradutores da ANAJURE - Associação Nacional de Juristas Evangélicos - Em Defesa das Liberdades Civis Fundamentais; e membro da Igreja Batista Central de Fortaleza, onde atua na Rede de Mulheres e como membro da equipe de Retiros Espirituais. Psicanalista em formação.

One thought on “REFÚGIO NA TORMENTA: A SALVO DO “GIGANTE”

  1. Maravilhoso, expetacular!!! Parabéns Jamile, minha escritora favorita

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