Real Alegria

Sou voluntário junto aos adolescentes na minha comunidade e decidimos que, ao
longo do mês de setembro, traríamos a temática das emoções.

Entre tantos sentimentos que poderiam ser abordados, fui desafiado a falar sobre
alegria, o que me pareceu bem fácil, em primeira instância, afinal de contas, quem não
gosta de falar de coisas boas e que nos fazem felizes?! Mas a verdade é que,
conforme fui refletindo sobre esse tema tão singular e essencial a todos nós, reparei o
quão distorcido esse complexo sentimento tem sido ao longo das gerações.

Sempre fui bom aluno em matemática. Creio que o fui porque curtia aprender a origem
das fórmulas e, mesmo que, às vezes, não as tivesse decorado, eu poderia buscar no
princípio do raciocínio uma solução para desenrolar as questões que me eram
apresentadas.

Assim também deve ser na caminhada cristã: nem sempre teremos fórmulas mágicas
descritas na bíblia, mas teremos os princípios para nos dar direcionamento.

Ao longo da minha caminhada na igreja, ouvi várias vezes palavras sobre tristeza,
raiva, ira, dor. Parece que os bons sentimentos são menos complexos ou perdem um
pouco da sua importância nessa jornada, como se não fossem profundos ou não
refletissem maturidade o suficiente.

A verdade é que esses sentimentos são tão importantes quanto os outros. Não existe
demérito em se estar alegre ou menos profundidade na caminhada com Cristo por se
estar feliz. A maturidade está em saber viver com equilíbrio, transparência e
honestidade conosco, com Deus e com o outro.

Mas somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Então, podemos concluir que,
sendo Ele um Deus de alegria, a alegria também é um sentimento legítimo em todos
nós.

E, olhando então por essa perspectiva, começamos nossa reflexão no primeiro livro da
bíblia: Gênesis.

O primeiro sentimento expresso por Deus na bíblia é alegria. Ao longo da criação, Ele
foi vendo que o que fazia era bom e se alegrava. Quando fez o homem viu que o que
havia feito era muito bom. A alegria d’Ele era contagiante! Estava tão contente que
vinha diariamente caminhar com sua criação no jardim para se relacionar com ela. (Eis
aí uma cena que, se eu pudesse voltar no tempo para ver, eu curtiria presenciar: Deus
caminhando no jardim!)

A seguir, uma analogia para ajudar a imaginar a alegria completa que só Deus pode
nos dar e que foi experimentada no jardim como uma orquestra completa tocando a
Ode à alegria.

Deus nos fez para sermos felizes, afinal de contas, estaríamos conectados a Ele que é
a real fonte de alegria (a orquestra tocando), mas o pecado quebrou essa conexão
direta. O sonho do Pai de nos ver contentes em sua presença, porém, não morreu
com o pecado e isso O levou a arquitetar uma bela história de reconciliação entre
criação e criador.

A partir de Gênesis 3, o que temos na bíblia é Deus buscando nos conectar
novamente a Ele. O sonho e desejo de Cristo é nos ter ao seu lado no paraíso e sem
tristeza nenhuma.

Quando chegamos aos três capítulos finais de Apocalipse (último livro da bíblia),
vemos o que Deus nos promete e o que ele desejava desde o princípio: “Ele lhes
enxugará dos olhos toda lágrima e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro,
nem dor. Todas essas coisas passaram pra sempre.” Apocalipse 21:4 (NVT).

Depois do pecado, nós, que fomos feitos para ser felizes, nos sentimos vazios, pois
nos desconectamos da fonte inesgotável e verdadeira de felicidade. Nossa visão,
nosso entendimento, nosso alcance se tornou limitado e agora tudo o que
conseguimos é um piano tocando sozinho a ode da alegria.

Dá para entender, dá para curtir, mas jamais vai ser a experiência completa. Só Deus
pode nos dar essa experiência por completo e, só quando Cristo voltar, iremos curti-la,
de ponta a ponta, ao seu lado novamente.

Nascemos agora na ausência da música e, ao longo da vida, buscamos algo para
preencher esse silêncio, mesmo não sabendo direito onde buscar. Encontramos parte
dessa música em momentos felizes, por exemplo, tirando uma nota boa, estando em
férias, viajando, saboreando uma boa comida, encontrando e curtindo os amigos,
jogando conversa fora, gastando uma noite maratonando uma série ou nos sentindo
amado, nos sentindo útil, nos sentindo parte, fazendo o que gostamos…!!!

Mas também buscamos essa música em uma balada, em um relacionamento, em um
dia na praia tomando cerveja e cachaça com a galera, beijando na boca, “ficando”,
transando…

Essas alegrias são sim um reflexo da alegria que sentiremos juntos de Cristo (é o
teclado tocando), mesmo que não consigamos distinguir qual a fonte dessa música.

Todavia, isso É PRAZER MOMENTÂNEO! Mais cedo ou mais tarde vai trazer tristeza,
arrependimento, vergonha, culpa, rebeldia e um grande vazio.

Buscando na memória, lembramos o início do Sermão do Monte, especificamente as
bem-aventuranças (Mateus 5:3-12). O texto registra pobreza, lágrimas, perseguição,
sofrimento, fome, zombaria como fontes de alegria e isso não parece fazer o menor
sentido. E não faria, se tudo isso não estivesse conectado a uma fonte inesgotável de
paz, contentamento e felicidade.

A pergunta que fica é: Como nos reconectar a essa transbordante fonte de
alegria?

A resposta não poderia ser mais simples: entregando-nos à sua vontade, e
cumprindo a missão e o propósito que Ele nos deu.

Mesmo como filhos, às vezes, fugimos do nosso propósito e sentimos novamente a
ausência da música.

Nosso dever, portanto, é ter sempre na lembrança o sonho da orquestra e em todos os
momentos buscar viver o que está registrado em Mateus 28:18-20.

Lembremo-nos de que, estando alegres, uma centelha da vida eterna e um reflexo de
Deus, o Todo-poderoso, se faz presente aqui.

Autor: Israel Massambani

Revisão: Marilene Pinheiro

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