A Política, o Cristão e o Cocheiro Bêbado

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2014 é ano de Copa do Mundo e de eleições. Nesse período de junho/julho, enquanto estamos ligados nos jogos, com suas viradas, eliminações, surpresas e placares movimentados, os partidos políticos se movimentam para indicar seus candidatos e fazer suas alianças.

Após o término da Copa teremos cerca de três meses para nos preparamos para votar, muito pouco comparado ao tempo que teremos sendo governados por aqueles que iremos escolher.

Confesso que este ano eu não faço ideia de como vai ser, pois, diante das atuais manifestações, esperamos que haja um pouco de senso político da população ao invés de simplesmente trocar seu voto por alguma promessa. Também pode ser que o Brasil ganhe o campeonato mundial e o povo comemore até o natal, fazendo outubro passar despercebido.

Mas independente de Copa, tem um povo no meio cristão que não pensa em política, não estuda sobre e se divide em dois grupos: os que acham que não devem se meter, pois é perca de tempo e o melhor a fazer é anunciar o evangelho, e os que acham que a solução para o Brasil está em um crente assumir o poder.

O crente deve sim se meter em política, ele deve além de estudar a bíblia estudar as leis do seu país. Ao invés de só ler sobre a história de Israel, ler também sobre a história do Brasil. Devemos saber sobre o plano de governo, ter conhecimento para poder cobrar dos nossos governantes o que é nosso de direito, e aqui não estou falando de cobrar o direito do “crente”, mas de cobrar o direito do povo.

Lutero entendia que o pão nosso de cada dia não se refere apenas a comida, mas de tudo o que é necessário para se viver – moradia, saneamento, trabalho, comida – e tudo isso é política, tudo isso vem de Deus através dos nossos governantes, independente de ser um crente ou não.

Pedro nos orienta a respeitar as autoridades que nos foi constituída, e vale lembrar que quando Pedro falou isso ele estava sofrendo perseguição do Imperador Nero, portanto, seja a Dilma, Lula ou Marina, devemos nos sujeitar por amor ao Senhor.
Você já pensou que por amor a Deus e por um bom testemunho de Cristo devemos arcar com a carga tributária que nos é imposta pelo nosso governo e ainda orar por esses sanguessugas que desviam milhões e milhões?

Mas agir dessa forma não significa que devemos nos tornar passivos quanto a política e viver em conformidade com tudo que está acontecendo. Somos questionados por Deus para agir em prol do necessitado, para ser a voz dele (Pv 31.8), por isso devemos além de respeitar as autoridades, cobrá-las para que façam o que deve ser feito, pois nossa submissão vai até o ponto em que não nos tornamos insubmissos a Deus.

Um exemplo disso aconteceu com os discípulos de Jesus. Os apóstolos haviam sido presos por falar sobre Jesus, mas um anjo de Deus os retirou da prisão e os colocou em liberdade. Quando o sinédrio soube que estavam soltos e falando de Jesus os questionaram, mas Pedro disse: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens! (Atos 5.29)

Perseguido pelo Imperador Carlos V, que viria a Alemanha para acabar com a fé protestante, Lutero citou o seguinte exemplo: “Um cocheiro bêbado dirige sua carroça, sem controlar os cavalos e vai atropelando e matando pessoas nas ruas estreitas da cidade. O que fazer? O que faz o cristão? Enterra os mortos e constrói hospitais para cuidar dos feridos? Ou, tira as rédeas das mãos do cocheiro bêbado?”

A pergunta que faço aos cristãos brasileiros é: vamos sair nas ruas depredando o patrimônio público, sonegando impostos, ou analisamos melhor os nossos candidatos e fazemos a escolha certa antes, ou seja, tirando as rédeas das mãos de quem está atropelando a todos?

E aqui entra o segundo ponto, a escolha não deve ser pautada na crença do governante, pois corremos o risco de eleger um monte de pastores corruptos que só pensam em governar para sua igreja e esquecem dos direitos do povo como um todo. Inclusive eu acho (opinião própria) que pastor nenhum deveria se eleger, pois esse não é o seu chamado. Deus tem um chamado para cada um dos seus, e o chamado do líder da igreja é cuidar do rebanho. Ir contra o chamado de Deus pode trazer, ao invés de benção, tribulações, foi assim com o profeta Jonas. E isso vale para qualquer um de nós que ainda não entendemos o chamado de Deus.

Quer dizer que o crente não pode se envolver com política se candidatando?

Pode e deve, não só o crente, mas qualquer cidadão de bem que seja honesto e íntegro deve se candidatar e lutar por um país mais justo, que ofereça o pão nosso de cada dia para cada cidadão. A omissão dos homens de bem se afastando do poder público causa danos terríveis para a população e isso já foi dito na palavra de Deus, em Juízes 9:

“Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: ‘Seja o nosso rei!’ “A oliveira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?’ “Então as árvores disseram à figueira: ‘Venha ser o nosso rei!’ “A figueira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?’ “Depois as árvores disseram à videira: ‘Venha ser o nosso rei!’ “A videira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?’ “Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha ser o nosso rei!’ “O espinheiro disse às árvores: ‘Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá até os cedros do Líbano!’ (Juízes 9.8-15)”.

Portanto, como disse  Cida Pessoa, no post “Nessa copa vou torcer pelo Brasil” no Blog minhavidacrista.com, vamos sim torcer pelo nosso país, torcer por um Brasil mais justo, estudar os planos de governo e a história de cada candidato, retirando as rédeas das mãos do cocheiro bêbado e colocando nas mãos de pessoas sóbrias e sérias, que temam a Deus e sejam honestas com o povo brasileiro.

Assessoria IBC

Sobre Assessoria IBC

Jornalista diplomada pela Universidade Federal do Ceará. Produtora, repórter e apresentadora no telejornalismo cearense e potiguar. Atualmente é Assessora de Comunicação da Igreja Batista Central de Fortaleza.

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