Poder ou Verdade: o que vale mais?

poder ou verdade

“Que ‘espécie’ de cristão você é?”, poderia alguém perguntar. Se quiser responder de forma prática, você terá não apenas que dizer, por exemplo, se é católico ou protestante. Se católico, terá que contar se é ou não carismático, se foi ou não simpatizante da teologia da libertação. Se protestante, terá que expor se é pentecostal ou não, renovado ou não, independente ou parte de uma convenção, e por aí vai…

Embora Cristo seja um só, os cristãos são/somos de vários estilos e doutrinas. Entrar em um templo cristão em qualquer lugar pode significar uma experiência absolutamente distinta de adentrar outro no mesmo bairro. Quanto mais em outra cidade ou país.

Dada tamanha variedade, cada comunidade de fé, na busca de fiéis, intenta imprimir sua marca perante o mundo. Nessa realidade, destaco duas grandes bandeiras: o “poder” e a “verdade”.

O primeiro grupo é daqueles que afirmam estarem certos porque o “poder” de Deus está em sua comunidade. Consideram as manifestações miraculosas, a demonstração de dons espirituais verbais e as experiências transcendentais coletivas como sinais de que Deus os adotou. Sem falar ainda dos que se gabam de deterem o poder de Deus para benefício próprio, como para se tornar empresário, trocar de carro ou comprar uma casa maior que a do vizinho.

No segundo grupo, estão os que se consideram aprovados por Deus por defenderem, acima de tudo, a “verdade”. Para esses, a sã doutrina deve ser cabalmente seguida e sobrepõe-se, em qualquer caso, às experiências pessoais. Vale o que está escrito. Como exagero e distorção dessa crença, alguns se tornam legalistas e soberbos pelo acúmulo de conhecimento, esquecendo-se de que o projeto de Deus se direciona primordialmente a pessoas, e não a um código de doutrinas.

Entretanto, o recado mais urgente do próprio Cristo a todos os cristãos é outro: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. (João 13:35). Nem poder nem verdade. O mais importante é o amor. Esta deve ser a marca que identifica os seguidores de Cristo, antes de qualquer particularidade denominacional.

Poder pra que? Essa deveria ser a pergunta. Se todo o poder que reputamos receber de Deus não nos mover a amar ao próprio Deus e a servir às pessoas indistintamente, não estaremos cumprindo o mais básico mandamento. E os “sinais” serão apenas “sinais de fumaça”.

Verdade pra que? Deveríamos nos perguntar. Se o acúmulo de informações que acreditamos deter sobre Cristo não nos transformar em pessoas amáveis, pacientes, bondosas, humildes, mansas e perdoadoras, aonde tal doutrina estará nos levando? Se nossa “áurea de santidade” e a aridez do nosso senso de certezas nos impedirem de sentar à mesa com qualquer ser humano, por mais podre e malcheiroso que ele seja diante de nosso olfato espiritual, assim como fez o Cristo, de que nos valerá o saber?

E se cristãos demonstrarem dificuldade de amar aos outros e aos próprios cristãos porque a “nuvem de “poder” os cega ou porque as “tábuas da lei da verdade” os encobrem, nós é que deveremos nos perguntar: “que espécie de cristão somos?”.

Que sejamos daqueles que buscam poder para amar de verdade.

Edilson de Holanda

Sobre Edilson de Holanda

Advogado, blogueiro e cristão. Não necessariamente nessa ordem! Quando criança, ouviu uma frase que mudou sua vida: “A excelência de um homem se conhece pela grandeza das causas que defende e pelo preço que está disposto a pagar por essas causas”.

2 thoughts on “Poder ou Verdade: o que vale mais?

  1. Se cada um de nós por em pratica a palavra, amor ao próximo aí sim as coisa teria entendimento, entre uns com os outros.

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