“Olharam bem pra ele…”

Por Edilson de Holanda

“Certo dia Pedro e João estavam subindo ao templo… estava sendo levado para a porta do templo chamada Formosa um aleijado de nascença, que ali era colocado todos os dias para pedir esmolas… Pedro e João olharam bem para ele…” (At. 3: 1-4)

O episódio acima, vivido pelos apóstolos João e Pedro, é narrado no livro de Atos. A cena segue e se encerra com um fato que ficou famoso: a cura do aleijado, que, após ouvir “Levanta-te e anda”, saltou a louvar e agradecer pelo milagre. Mas um detalhe salta aos olhos, na narrativa da fenomenal atuação do Espírito Santo através dos evangelistas: “Pedro e João olharam bem para ele”.

Conta a Palavra que o paralítico era conhecido naquela região pela mendicância. Certamente, por várias vezes o homem foi “recompensado” com esmolas na porta do templo. Mas não tenho dúvidas de que raras vezes ele foi premiado com o olhar atento de alguém. Você já percebeu como dar esmolas é bem mais fácil que encarar o mendigo? Que contribuir com uma instituição de idosos abandonados é bem mais confortável que visitar o abrigo e fitar na íris de um velhinho os vestígios de dor acumulados em suas lágrimas? Que dar um prato de comida é bem mais cômodo que olhar nos olhos da criança e dizer: “Posso conversar um pouco com você?”

É urgente que não confundamos “amor” com “descarrego de consciência”, “sensação de humildade” ou “alívio de ego”. E que lembremos: “ainda que eu distribuísse toda a minha fortuna para o sustento dos pobres… e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (I Co. 13:3).

Milagreiros e curandeiros, há muitos por ali e por acolá. Gente comum disposta a olhar nos olhos de gente comum, precisamos de mais. Antes de serem o canal de uma cura física, os apóstolos foram protagonistas de uma cura emocional. Antes de manifestarem o dom de sanar enfermidades, Pedro e João destilaram o maior dos dons. Fizeram, ao menos por um instante, com que um desvalido se sentisse a pessoa mais importante do mundo.

“Olhar bem” para quem está à margem, seja da calçada, da esquina ou do templo, significa dizer: “Você existe. E não é invisível. Estou me importando com sua vida”. O milagre do corpo torto, ferido, sujo e empoeirado foi precedido por outro milagre, ainda mais complexo: o do sentimento de ser aceito.

É que Deus, para levantar um paralítico, não precisa de ninguém. Mas para fazê-lo sentir-se acolhido e querido enquanto pessoa, Ele precisa de pessoas. Como eu e você.

Assessoria IBC

Sobre Assessoria IBC

Jornalista diplomada pela Universidade Federal do Ceará. Produtora, repórter e apresentadora no telejornalismo cearense e potiguar. Atualmente é Assessora de Comunicação da Igreja Batista Central de Fortaleza.

4 thoughts on ““Olharam bem pra ele…”

  1. Quero muito este olhar sobre o mundo – de realmente enxergar o que há de precioso em quem quer que seja. Texto riquíssimo de muito amor de Deus. Parabéns!

  2. Só podia ser tu, Edilson, com um texto desses. Obrigada por me levar a refletir mais uma vez, meu amigo!

    Abraços
    Poliana

  3. Simplesmente inspirador seu texto….isso sim é cristianismo!!

    Jesus está em vc!!

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