Nós somos o barro, tú és o oleiro…

Uma das profissões mais antigas do mundo é a de Oleiro. Desde que a sociedade deixou de ser simples colhedora de alimento para ser produtora e distribuidora de alimento (período neolítico), os potes de armazenamento foram necessários. Daí surge aquele que com suas mãos molda o barro facilmente encontrado na natureza, um composto de alumínio-silicato adicionado de outros componentes como óxidos, palha e outras impurezas, a exemplo do árduo trabalho dos judeus na construção de monumentos egípcios durante o exílio (Êxodo 5:18).

Ao preparar o vaso, o oleiro molha o barro que se torna grudento e retira o ar da liga
para que não estoure ao ser depurado e enrijecido pelo fogo. Fazendo uso de instrumentos ou das suas próprias mãos o Oleiro vai dando forma ao barro segundo o padrão da sua vontade (Romanos 8:29). Contudo, o teor de impureza do barro pode inviabilizar a formação íntegra e duradoura do vaso, determinando o seu valor e sua durabilidade.

Em Jeremias 18-1- 6, Deus se apresenta como o Oleiro do seu Povo e vê o seu lindo
projeto original ser estragado pelas impurezas do barro escolhido – “vs. 4 – Como o
vaso, que o oleiro fazia de barro, se lhe estragou na mão…” Ainda assim, ele não
desiste da sua obra, como não desiste de nenhum de nós e retoma a modelagem com a
destreza e o carinho de um artesão: “vs. 4b – tornou a fazer dele outro vaso, segundo
bem lhe pareceu.”

Estamos nos aproximando de um novo ano enquanto daremos adeus ao que ora se
encerra, contudo, mais que a passagem cronológica dos dias, este foi um ano que
deixou em cada um de nós marcas profundas e por vezes decepcionantes em relação ao
mundo, as pessoas que nos cercam, mas principalmente pelos nossas próprias falhas de
caráter e omissões.

Claro que também temos o que celebrar, mas é importante refletir sobre que tipo de
barro fomos nós nas mãos do Divino Oleiro. Quais impurezas nos impediram de sermos
moldados mais próximos à semelhança e ao caráter de Cristo? Quais resistências
nutrimos enquanto nos entregávamos à modelagem da Água da Vida derramada sobre
nós?

De uma coisa estamos certos, Deus é o soberano oleiro que a despeito das nossas
limitações e impurezas está sempre pronto a nos dar uma segunda chance! Usando o
mesmo barro, somos chamados à depuração do arrependimento e do reconhecimento
da vontade de Deus.

Por isso, o profeta fecha o enredo da parábola do barro com a declaração do Soberano
Senhor: “vs. 6… diz o Senhor, eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós
na minha mão”. Tempo de celebrar o quanto neste ano nos tornamos mais parecido
com o caráter, valores e exemplo do Cristo, como também é tempo de se dispor a
continuar sendo trabalhado pelas mãos do Oleiro para que as impurezas sejam retiradas
e uma nova massa possa um NOVO VASO ser.

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