Mas fazer o quê? É a vida!

Era cedo, por volta de 6h30 da manhã, quando despertei com o  cheiro bom de café que vinha da cozinha. Meu esposo sempre levanta antes de mim e liga a tv para ouvir as notícias enquanto prepara o café.

Levantei ainda sonolenta, sentei no sofá, recebi das mãos dele uma xícara daquele café, que é do jeito que eu gosto, forte e pouco adoçado. Geralmente não invisto muito tempo em frente à tv, mas não pude deixar de ouvir e dar atenção à história que a repórter do programa estava contando.

Um grupo de homens arriscando suas vidas correndo atrás de carretas  que acabaram de descarregar combustível nas refinarias e transitam em uma movimentada rodovia do Nordeste país, se apropriando de até 20 litros por dia do combustível que ficam nos tanques como “resto” . Eles são chamados de petrobalde.

Um dos homens, questionado pela repórter, fala o seguinte: “Tem medo tem, mas fazer o quê? É a vida! O que nós vamos fazer? Se ficar dentro de casa vai morrer de fome! ”

As imagens mostraram em seguida motociclista comprando o combustível do petrobalde e uma viatura da polícia militar passando em frente ao comércio clandestino. Os homens do grupo disseram à repórter que policiais também costumam comprar deles.

“Sou pai de família, não sei roubar nem sei traficar! A sobra dos carreteiros é que dá oportunidade pra gente … ”

“A gente num é ladrão nem é vagabundo… ”

“Num pode é roubar, vender droga. Aqui é pra sobreviver…”

“Nas carretas carregadas a gente não pode mexer, porque se mexer da polícia…”

Tanta gente envolvida pelo benefício de economizar um real a cada litro de combustível que compra. Tanta gente por aí querendo ganhar cada real de tantas maneiras, sempre justificando de alguma forma absurda, querendo nos fazer pensar que a situação que o levou à tal escolha  faz dessa escolha  justa.

Temos vivido dias de vergonha nacional. Dramas intensos, notícias que nos deixam perplexos, revoltados até, com a sensação que tudo vai dar em pizza, que a justiça não será feita, que os culpados irão escapar, ao mesmo tempo que remetem a uma mínima possibilidade  de esperança para o futuro.

A pergunta que lateja nos corações é: “Até quando coisas assim vão acontecer? Cadê a verdade? Onde está a justiça?”

Em uma nação onde impera a mentira, um mar de lama de corrução banha todas as classes e marca todo tipo de pessoa.

A mesma sociedade que clama por homens e mulheres de caráter, que estabeleçam a justiça e lutem pelo bem de todos, relativiza a moral, banaliza a justiça e  diz: Mas fazer o quê, não é? É a vida!

O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos! Provérbios 20:7

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