Jesus no manicômio

O atual diretor do Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Gomes (IPGSD), o Dr. Hélio Rufino, nos desafiou a comparecer a uma solenidade no estabelecimento mais conhecido por Manicômio Judiciário. Na ocasião, além das homenagens ao servidor Josaphat de Moura que esteve à frente do estabelecimento nos últimos 37 anos, aconteceria um torneio de futebol entre quatro equipes, incluindo a dos internos que ali cumprem pena.
Tudo aconteceu no último dia 20 de maio, mais precisamente às 14h, o ambiente parecia estranho para quem não está acostumado com a rotina de detentos portadores de doenças mentais. Foi assim que me senti logo que adentrei o pátio e me deparei com fisionomias atentas, dispersas, sonolentas, espertas, enfim, um misto de riso e dor.

Porém, com o passar do tempo, não foi difícil perceber a ternura, o respeito, a postura de quem poderia ser, simplesmente, qualquer um de nós. Não era difícil perceber as marcas do delito, do abandono, da discriminação e a desesperada busca por significado que levaram quase todos a estarem ali.

Cumprimentos, abraços, sorrisos, reclamos, pedidos, devaneios que revelavam a pura essência do humano em cada um de nós. A equipe do Dr. Hélio preparou o lugar, enfeitou o ambiente, limpou o campo, tratando cada um como “gente”, que merece respeito e cuidado pelo que são e não pelo que cometeram fora daquele lugar.

Os times foram alinhados, pois era hora do hino nacional. Havia o time dos internos, o time dos agentes penitenciários, o time da casa de recuperação Lar da Paz e o time da Igreja Batista Central. Depois da oração, fui convidado a compor a equipe da igreja, cujo jogo seria o primeiro contra os internos do Manicômio Judiciário.

O entusiasmo era evidente, parecia uma final de copa do mundo, o uniforme os unia num ideal único, o esporte os distraia para o exercício de uma atividade capaz de proporcionar exercício físico, senso de equipe, senso de pertencer e buscar na competição a saudável vitória de ser parte de um time.

A torcida foi participativa, a alegria e a frustração eram manifestadas sem nenhum disfarce, mas em tudo o respeito, a cortesia, a alegria de saber que pessoas de “fora” se importavam com os que estavam lá dentro. O placar ou o resultado dos jogos não traduziam a vitória da alegria de ver o amor de Jesus proclamado através da palavra e do gesto de amor.
Jesus esteve lá no manicômio e nos fez enxergar que somos os mesmos doentes carentes da cura e do amor de Deus. Lição de vida, exemplo de dedicação e misericórdia dos que tentam humanizar o Instituto e levar diariamente um pouco do muito que temos recebido de Deus.

•    O I Torneio de Integração foi realizado no dia 27 de março, sob a coordenação do professor Aquiles Peres. Cerca de 40 atletas, das equipes do Lar da Paz, Igreja Batista Central e IPGSG participaram das atividades, com os internos do Manicômio Judiciário.
•    http://www.sejus.ce.gov.br/index.php/listanoticias/14-lista-de-noticias/451-manicomio-judiciario-realiza-o-ii-torneio-da-integracao

Mais informações: Instituto Psiquiátrico Penal Governador Stênio Gomes  – (85) 3250.224

One thought on “Jesus no manicômio

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *